Por que ele estava tão irritado?Sim… Era porque…— Ela não podia falar comigo diretamente? — Gabriel explodiu, indignado. — Por que precisou falar através de você?!Por que usar um assistente? Será que era tão difícil o ligar ou mandar uma mensagem?Rafael encarava o vazio à frente, o rosto impassível, enquanto o silêncio pesado preenchia o ambiente.Será que a forma de avisar importava tanto assim? Será que justificava toda aquela fúria do Sr. Gabriel?Ele já não sabia o que pensar.Se dissesse que o Sr. Gabriel não amava a Sra. Beatriz, não faria sentido vê-lo tão desesperado, correndo atrás dela. Mas, se dissesse que amava… Como explicar o fato de ter ido para a cama com outra mulher e feri-la daquela forma?No quarto do hospital, Beatriz recusara a preocupação das outras pacientes. Só queria ficar em paz.A mensagem que enviara a Rafael tinha sido sincera. Ela não pretendia, de forma alguma, expor o que aconteceu entre Gabriel e Vitória. Só queria poupar o Sr. Henrique daquele con
No escritório, o humor de Gabriel tinha melhorado consideravelmente. Estava até de pernas cruzadas, tomando café com calma, como se nada tivesse acontecido.Quando o relógio marcou cinco e meia, ele se levantou, pegou o paletó e saiu. Planejava jantar com Vitória antes do desfile.Assim que ligou o carro, o celular tocou. Ele pegou o aparelho, olhou para a tela e, ao ver o nome, soltou uma risada fria antes de desligar na hora e guardar o telefone de volta no bolso.— De manhã me xingou e me bateu… Liguei umas cem vezes e ela não atendeu nenhuma. Agora tá precisando de mim? — Murmurou com desdém, pisando fundo no acelerador.Ele sabia exatamente o motivo da ligação da Beatriz. Com certeza era por dinheiro. Hospital, contas, sem trabalhar há dois anos… De onde ela tiraria algum recurso? Quem mais ela poderia procurar senão ele?Lembrou-se da raiva que já tinha engolido por causa dela... Sempre fazendo o papel do bom moço e recebendo ingratidão em troca. Na noite anterior, ela ainda teve
Beatriz não respondeu à primeira pergunta, porque honestamente, não via necessidade. Mas, quanto à segunda, sobre quem havia entrado na casa, respondeu com calma:— Entrei em contato com o seu assistente. Ele trabalha para você e já esteve na nossa casa algumas vezes. Não considero isso um vazamento de endereço, e você confia nele.Gabriel sentiu o sangue ferver. Queria dizer tudo o que realmente pensava, mas o que saiu da sua boca foi:— E daí que ele é meu funcionário? Naquelas vezes, ele foi quando você estava em casa. Agora você não tá.Era só um pretexto pra descontar sua raiva. O verdadeiro motivo… Ele não conseguia colocar em palavras.Por que ela preferiu ligar pro Rafael, em vez de insistir com ele? Só porque ele desligou na primeira ligação? E as centenas de ligações dela que ele não atendeu, isso não contava?Ela preferiu recorrer a um estranho em vez de a ele. Aquilo o deixava completamente fora de si.Do outro lado da linha, Beatriz ficou em silêncio por alguns segundos.E
Naquele momento, no hospital, Rafael havia trazido tudo o que Beatriz precisava. Colocou os itens com cuidado sobre a mesinha ao lado da cama.— Muito obrigada, de verdade. Deve ter sido cansativo vir até aqui. O dinheiro do táxi que te transferi… Por favor, aceite. — Beatriz sorriu gentilmente, agradecendo.— Sra. Beatriz, a senhora é muito gentil… Mas não precisava. Fazer isso por você é o mínimo. Na verdade, ainda me sinto mal por algo que aconteceu no almoço… Eu deveria ter avisado que o Sr. Gabriel estava indo te procurar. — Rafael falou, cheio de culpa.— Você é assistente dele. Como teria coragem de me contar? Eu entendo perfeitamente. — Ao mencionar Gabriel, o rosto de Beatriz perdeu o calor, tornando-se frio e distante.Rafael chegou a pensar em explicar... No fundo, ele sabia que poderia ter avisado sem grandes consequências. Mas, no fim, foi ele quem escolheu se calar.— Obrigada mais uma vez. Vai, volta pro trabalho. Você ainda está no expediente. — Beatriz sorriu levemente
Vitória desbloqueou o celular e abriu o aplicativo de mensagens. No topo da tela, a segunda conversa mais recente fez o sorriso dela desaparecer instantaneamente. Seu rosto, que antes brilhava de satisfação, ficou frio e rígido.O horário: 17h57. Exatamente quando Gabriel estava a caminho do restaurante.Ela abriu o chat e viu que o histórico havia sido apagado. Restavam apenas duas mensagens, enviada primeira por Gabriel:[Você me ligou para quê? O que queria que eu fizesse?][Não precisa.]Vitória apertou os lábios, o coração apertado. Mudou para a aba de chamadas. No topo da lista, lá estava: uma ligação para Beatriz, feita por Gabriel, com duração de dois minutos.Antes que pudesse imaginar o que eles tinham conversado nesses dois minutos, ouviu passos se aproximando. Assustada, rapidamente saiu da tela, bloqueou o celular e o colocou de volta na mesa, voltando à sua pose doce e tranquila.A porta do salão se abriu, e Gabriel entrou novamente:— Esqueci meu celular. — Disse, simple
No quarto do hospital.Beatriz estava deitada de bruços, rabiscando alguns esboços na prancha digital, tentando recuperar firmeza na mão. Ao lado, o celular começou a tocar. Ela pegou o aparelho, olhou o visor e, com total indiferença, largou-o de volta na cama.A ligação caiu depois de quarenta segundos. Ela imaginou que a pessoa do outro lado desistiria. Mas logo o telefone tocou de novo.Veio a terceira, a quarta chamada… Insistentes, incansáveis, como se ele quisesse repetir as cem ligações daquela manhã.Beatriz não entendia. O que Gabriel queria ligando naquela hora? Será que ele esperava que ela voltasse para casa para preparar o jantar? Mas ele sabia que ela estava internada, não sabia?Com receio de que ele aparecesse do nada no hospital, surtando e descontando nela, como já tinha feito na hora do almoço, Beatriz largou a caneta digital, respirou fundo e atendeu o telefone.Ela nem teve tempo de dizer “alô”. Do outro lado, a voz dele veio carregada de raiva:— Por que só atend
A inveja crescia dentro dela, descontrolada, feroz. Vitória sabia, precisava agir rápido.No quarto do hospital.Beatriz franziu a testa. Não queria gastar energia pensando na última frase de Gabriel. Em vez disso, abriu o aplicativo de mensagens e viu a transferência que ele tinha feito.Sessenta mil reais. Na descrição: despesas da cirurgia.Sem hesitar, devolveu o dinheiro na mesma hora. Se não fizesse isso agora, tinha certeza de que ouviria cobranças depois, na hora do divórcio.Primeira fila do evento.Gabriel percebeu que Beatriz havia recusado o dinheiro. Mandou uma mensagem, perguntando o motivo. Ela respondeu, seca:[Não vou fazer cirurgia. Não preciso.][Mas você vai ficar internada. Pelo menos use para as despesas.]Beatriz leu a mensagem e respondeu, sem rodeios:[É pouco dinheiro. Eu posso pagar sozinha.]Depois disso, bloqueou a tela do celular, largou-o de lado e não olhou mais.Gabriel enviou mais mensagens. Primeiro, perguntando quanto era esse "pouco dinheiro". Depoi
Os olhos do diretor do evento brilharam na hora. Ele adorava lidar com gente objetiva e generosa. Sorriu, todo simpático:— Sem nenhum prejuízo. Situações inesperadas acontecem… Quando a Srta. Vitória estiver recuperada, a passarela vai estar sempre aberta pra ela.Gabriel se levantou e, com elegância, entregou o cartão do seu assistente. Em seguida, foi até Vitória para ajudá-la.Quando percebeu que ela mancava e quase caiu de novo, não pensou duas vezes, tomou-a nos braços mais uma vez, carregando-a como uma princesa.Vitória, corada, aninhou-se contra o peito dele, passando os braços em volta do seu pescoço com um ar de fragilidade encantadora.Do lado de fora...Os fotógrafos mais rápidos já estavam estrategicamente posicionados. Assim que Gabriel saiu do prédio com Vitória nos braços, os flashes começaram a pipocar.Assustada, Vitória escondeu o rosto contra o peito dele, como se buscasse proteção.A voz de Gabriel soou fria e autoritária:— Apaguem essas fotos agora… Ou se prepar