POV CELESTE— Acorda, amor. Vai se atrasar — sussurrei suavemente e beijei a bochecha do meu marido antes de virá-lo com cuidado, para que suas costas encostassem na cama — a cama que antes era dele, e agora é nossa — uma cama de casal coberta com lençóis e fronhas brancas puras. A única cor diferente era a colcha grossa que agora estava no chão: era cinza carvão com listras brancas e cinzentas.Fiquei sem fôlego quando Eros imediatamente me puxou pela cintura e me jogou sobre ele, me montando de frente.— Vai chegar muuuito atrasado pra reunião do conselho, Sr. Pedrosa — brinquei, sentando levemente sobre seu estômago.— Quem se importa? Eu sou o chefe. — Ele sorriu, sonolento. Suas mãos acariciavam minha cintura.— Ah... vamos lá, menino rico... — ronronei, provocando-o...Seus olhos se abriram e dilataram, completamente despertos agora, e sua expressão mudou — como a de um predador pronto pra atacar sua presa... eu. Meu coração disparou de repente.Suas mãos deslizaram possessivame
POV CELESTE—Você gosta?—Sim — Wade lambeu os dedos cobertos de chocolate. — Você faz cupcakes deliciosos, mamãe.Abracei Wade. Estava tão emocionada de felicidade por vê-lo novamente. Sentia muita falta dele.—Obrigada. Fico feliz que tenha gostado, meu pequeno. Da próxima vez, faço mais, tá bom?—Quando você volta, mamãe?—Ehh... no mês que vem.—No mês que vem? Não é amanhã?—Não. Amanhã, não. —Abracei-o de novo. Eu realmente queria poder vê-lo todos os dias e fazer as coisas que toda mãe faz por seu filho: cozinhar para ele, prepará-lo para o banho, ler histórias antes de dormir, ensiná-lo em casa e levá-lo à escola todas as manhãs.Desde que voltamos da lua de mel, há um mês, Eros e eu estávamos morrendo de saudade de Wade. Mas os Gomez não nos deixavam vê-lo. Sempre havia uma desculpa: iam viajar, tinham parentes em casa, prometeram levar Wade ao zoológico, etc.E agora que os Gomez permitiram a visita, disseram que só poderíamos vê-lo uma vez por mês. Não gostavam da ideia de
POV CELESTE—Você já está bem? — Eros afastava meu cabelo do rosto e passava a outra mão nas minhas costas, esfregando suavemente.—Ainda não, meu Deus... — Voltei a ter ânsia e vomitei o espaguete que tinha acabado de comer.Era meia-noite e eu tinha tido um desejo súbito de comer espaguete. Eros não hesitou e imediatamente o preparou para mim. Ele fez do jeitinho que eu queria: doce, com cogumelos e abacaxi.Eu já estava há dias sem comer direito por causa dos enjoos que sentia todas as manhãs e, às vezes, à noite também. Estava cada vez mais magra e fraca. Eros estava muito preocupado comigo.Quase todas as manhãs eu tinha náuseas. Virou rotina correr até o banheiro para vomitar. Eros vinha atrás de mim e me ajudava, passando a mão nas minhas costas e dizendo palavras de amor e carinho, qualquer coisa para me fazer sentir melhor.—Queria que fosse eu o doente. Não suporto te ver assim — Eros beijou meu cabelo e me abraçou, apertando minhas costas contra o peito dele. — Sinto muito
POV CELESTEAcordei me sentindo muito pesada. Olhei para o relógio de parede. Já eram 8:00 da manhã.Tínhamos chegado à Geórgia na noite passada. De repente, senti um peso no coração ao saber que não poderíamos ver o Wade neste fim de semana. Os Gomez iam a um casamento em Atlanta, de novo.Já fazia dois meses desde a última vez que vimos Wade e começamos a passar os fins de semana aqui, na nossa nova casa, desde então.No começo, entendemos — eles tinham ido de férias para as Filipinas por um mês. Mas quando voltaram, estavam sempre fora nos fins de semana, passando tempo com a família, parentes e amigos.Eros comprou essa casa linda e moderna na Geórgia para ficarmos perto de Wade e podermos passar todos os fins de semana com ele. Mas sentimos que os Gomez estavam nos privando disso. Era muito frustrante.Disse várias vezes ao Eros que precisávamos ser pacientes. Conheço meu marido, e ele não é o homem mais paciente do mundo. Ele estava muito irritado e queria lutar novamente pela g
POV CELESTE—Você não pode mais ver o Wade — disse o Sr. Gomez, irritado.—Não! Ele é meu filho...—Você o entregou, lembra? Já não é mais a mãe dele!—Por favor, não faz isso comigo... Eu imploro. Preciso vê-lo... — Chorei com tanta força que me ajoelhei diante do Sr. Gomez, agarrando a borda da sua camisa.Ele afastou minhas mãos, deu um passo para trás e olhou para o carro.Segui o olhar dele e vi Wade dentro do carro, no banco de trás. Ele chorava e me encarava. Estava dizendo algo, mas não consegui ouvir, pois os vidros estavam fechados. Tentei ler seus lábios, mas não entendi.O que ele está dizendo? E por que está chorando?—Você não vai levar o Wade. Ele é nosso filho!Olhei novamente para o Sr. Gomez.—Eu não quero tirá-lo de vocês. Por favor... Só quero passar um tempo com ele.—Fique longe dele! Você está atrapalhando minha família. Agora ele tem uma nova vida, com a gente.O Sr. Gomez entrou no carro e eu aproveitei para puxar a maçaneta da porta para tirar o Wade. Mas est
POV CELESTE—Wade? —Olhei para Eros. Ele estava tão surpreso quanto eu—. O Wade está aqui?—Sim, senhora. Ele está com o Sr. Harrison —respondeu Mary, e depois se desculpou.Não conseguia acreditar no que tinha ouvido. Me sentia tomada pela felicidade.—Querido... —Levantei da cadeira imediatamente e corri até Eros, que estava perto da porta. Eros me abraçou e me conduziu até as escadas.—Achei que eles estavam em Atlanta para um casamento.—Talvez tenham voltado antes —Os olhos de Eros brilhavam de alegria. Ele me abraçava enquanto descíamos as escadas.Wade estava fora do saguão com Harrison.Meu coração disparou no instante em que o vi. Eu não conseguia explicar o que sentia. Uma mistura de felicidade extrema e, ainda assim, tristeza.Wade estava sentado em um tijolo com a cabeça baixa. Suas pequenas mãos cobriam o rosto. Parecia estar chorando. Por quê?—Wade!O rosto de Wade se iluminou. Eu estava certa, ele estava chorando. Seu rosto estava coberto de lágrimas e me doeu vê-lo tã
POV EROS—Wade. Wade. Onde você está? Wade!Acordei ao ouvir a voz da Celeste. Parecia em pânico. Abri os olhos e vi que a porta do quarto do Wade estava aberta. Celeste estava no corredor, andando de um lado para o outro.Dormimos aqui ontem, no quarto do Wade. Colocaram uma cama de casal ao lado da dele para que Celeste e eu pudéssemos dormir. Ela estava chorando e insistia em ir embora, para a casa dos Gomez. Liguei várias vezes para o senhor Gomez, mas ele não atendeu. Depois de uma hora convencendo o Wade e dizendo que o levaríamos para casa de manhã bem cedo, ele se acalmou e adormeceu.—Querida, o que houve?Celeste parou de andar em círculos e me olhou.—O Wade sumiu!Sumiu? Levantei de repente e olhei ao redor do quarto, especialmente para a cama dele.—Você tem certeza?—Sim!—Procurou na sala de jogos?—Sim. As empregadas me ajudaram a procurar... mas ele não está em lugar nenhum da casa.—E lá fora?—Eu... ainda não avisei os seguranças. —Celeste me olhou, desesperada. —Ac
POV ALICIAOh, Deus! Onde está meu celular?Dei um tapa na testa e depois cocei a cabeça. Senti pequenos flocos brancos caindo no meu terno preto de negócios, como se fossem flocos de neve.Droga! Essa caspa está piorando. Talvez seja porque sempre uso o cabelo preso em um coque, como meu namorado gosta, ou talvez seja culpa daquele novo shampoo que experimentei recentemente. Seja o que for… não importa agora. Só preciso encontrar meu celular.Desesperada, comecei a jogar almofadas, roupas, revistas e qualquer coisa que estivesse no caminho, procurando no meu pequeno apartamento de cinquenta metros quadrados. Onde diabos eu o deixei? Lembro-me de que, ao chegar em casa, só passei pelo banheiro, tirei o casaco e me joguei na cama.Oh, não…! Acho que o deixei no escritório! Olhei as horas no meu relógio: já eram seis da tarde. Ótimo. Eu precisava do meu celular; Jay me ligaria hoje à noite por volta das oito.Jay Bredom, meu namorado, é um jovem repórter de campo da rede ABZ Television