Jaqueline cerrou os punhos. — Eu não tenho a intenção de destruir a relação entre você e seu filho. Por que eu faria isso? Não sei o que aconteceu com você hoje, se está de mau humor ou se alguém te ofendeu, mas eu não fiz nada de errado, e acho que você não deveria falar comigo com essa atitude.— Então quer dizer que a culpa é minha? — Nádia se levantou e, com passos firmes em seus saltos altos, se aproximou de Jaqueline. Nádia já era um pouco mais alta que Jaqueline e, com os saltos de dez centímetros, parecia muito mais imponente. De cima para baixo, olhou friamente para ela e declarou: — Agora que está divorciada, acha que pode me desrespeitar como sua ex-sogra? É isso? Jaqueline mordeu os lábios, ergueu a cabeça e devolveu o olhar com firmeza, sem recuar: — Eu nunca pensei assim. Peço que fale comigo com respeito. — Com respeito? — Nádia deu uma risada irônica, como se estivesse incrédula. — Você está me ensinando como devo falar? Jaqueline, parece que você foi muito
Nádia rebateu: — Ela se divorciou sem dizer nada, esse foi o primeiro erro. Depois do divórcio, ainda veio fazer aquele tipo de coisa com você, esse foi o segundo erro. E agora está deliberadamente destruindo nossa relação de mãe e filho, esse é o terceiro erro. Me diga, por que eu não deveria dar uma lição nela? Ouvindo as palavras absurdas de sua mãe, Roberto, com o rosto frio e cheio de fúria, respondeu: — Primeiro, fui eu quem quis o divórcio, fui eu que trai. Segundo, esta casa agora pertence à Jaque, não a mim, nem a você. Para você, ela é apenas uma anfitriã, e nós somos os convidados. Eu é que estou morando na casa dela. Ela foi gentil o suficiente para cuidar de mim e passar remédio nos meus ferimentos. Não há nada entre nós. Terceiro, ela nunca destruiu nossa relação de mãe e filho! Foi você que, por causa do meu pai, foi fria e distante comigo desde que eu era criança. Depois, passamos anos sem quase nos ver. Foi você que se afastou de mim, foi você que nunca se import
Ela parecia nunca ter imaginado que um dia seu próprio filho diria algo assim para ela. Era evidente que, no fundo, ele estava profundamente triste.Nádia ficou em absoluto silêncio. Passou um longo tempo sem dizer uma palavra, apenas fitando Roberto, até que finalmente abaixou a cabeça, como se não soubesse como encará-lo.Apesar de ser mãe e de seu filho já ter mais de vinte anos, naquele momento ela parecia uma criança, completamente perdida e desajeitada.Depois de um longo tempo, Nádia finalmente abriu a boca para falar: — Você sempre foi tão independente, não foi? Além disso, há tantos empregados em casa para cuidar de você. Mesmo sem mim, você se sairia muito bem.Jaqueline franziu ligeiramente as sobrancelhas, exibindo uma expressão de desagrado.As palavras de Nádia eram difíceis de ouvir. Ter empregados em casa justificava ignorar um filho? Isso definitivamente não era desculpa.Jaqueline entendia que Nádia havia tido um casamento infeliz, mas, se decidiu trazer uma criança
Não importava o que acontecesse, ela já havia decidido que teria aquele filho em segredo. Dedicaria todo o seu coração à criança e jamais permitiria que ela crescesse para se tornar como aquelas pessoas. Porém, será que, no futuro, a criança a odiaria? Acusaria ela? "Se não tinha uma família completa, por que me trouxe ao mundo?" Jaqueline sentiu um frio na espinha. Apertou a barra da roupa com as mãos trêmulas, os seus pensamentos estavam confusos e o coração apertado. — Você... — Fábio tremia de raiva e deu um tapa no filho com toda a força. O coração de Jaqueline deu um salto. Ela correu para a frente imediatamente, se colocando entre Fábio e Roberto. Com os braços abertos, protegeu o jovem: — Papai, podemos conversar com calma. Não bata nele! Às vezes, quanto mais culpada a pessoa se sente, mais alta se torna sua voz e mais intensa sua ira. Fábio parecia ser exatamente assim. Ele estava furioso, mas sua raiva vinha acompanhada de um profundo sentimento de culpa. P
— É minha culpa, eu sou a mais desnecessária aqui. Se eu não tivesse me casado com a família Santana, nada disso teria acontecido. Eu sou a que sobra! Nádia se virou e saiu correndo. — Nádia! — Fábio tentou ir atrás dela, mas antes se virou, apontando furioso para Roberto. — Olha só o que você fez! Sua mãe veio aqui de boa vontade para ver você, e você ainda diz que ela não se importa com você! Se ela não se importasse, não teria vindo de tão longe! Eu errei, sim, mas você não deveria repetir os meus passos. Porém, agora você está fazendo o mesmo. Ainda bem que Jaqueline não tem filhos, senão eles acabariam se tornando como você, como uma maldição! Nos olhos de Fábio, não havia apenas raiva, mas também um traço de tristeza e, acima de tudo, impotência. Depois de terminar de falar, ele se virou e correu atrás de Nádia. — Nádia, espere por mim! Espere por mim! — Fábio alcançou Nádia, segurou ela pelo braço e puxou ela de volta. — Não corra mais! — Me solta! — Nádia tentou se li
Jaqueline disse calmamente: — Não existem pessoas perfeitas neste mundo. Todo mundo tem defeitos, e eu também cometo muitos erros. Não importa o que tenha acontecido, agora estamos divorciados. No futuro, devemos viver nossas próprias vidas e nunca mais ter qualquer envolvimento. Não precisamos ser como seus pais. Ao pensar nos pais, os olhos de Roberto ficaram ainda mais sombrios. — Meu pai estava certo. No final, eu acabei seguindo o mesmo caminho que ele. O coração de Jaqueline apertou, batendo dolorosamente. Ela abaixou a cabeça, permanecendo em silêncio. Neste mundo, as pessoas nunca aprendem com as lições do passado. Apesar de tantas coisas já terem acontecido, provando que certos atos estão errados e que levam a consequências dolorosas, as gerações seguintes continuam a cometer os mesmos erros. Talvez seja uma falha enraizada nos genes da humanidade. Às vezes, mesmo sabendo que algo está errado, as pessoas ainda insistem em fazer. Porque, na lógica delas, é o que d
Jaqueline sentia dor na garganta, mas assentiu com dificuldade. Roberto soltou de repente um gemido abafado, se inclinou para o lado e estava prestes a cair. Jaqueline se apressou a estender o braço para segurá-lo. — Vou te ajudar a voltar para o quarto. Não fique aqui. Roberto, tentando não preocupá-la, aceitou o apoio. Com a ajuda de Jaqueline, conseguiu se levantar, e os dois retornaram ao quarto, fechando a porta atrás deles. Permaneceram lá dentro por um longo tempo. O mordomo lançou um olhar rápido na direção da porta, hesitou por um instante e depois se afastou. Num lugar discreto, onde ninguém podia vê-lo, pegou o celular e discou um número. Em poucos segundos, a ligação foi atendida por uma voz idosa, mas carregada de autoridade. — Como está a situação? — Sra. Catarina, as coisas ficaram um pouco complicadas. O mordomo relatou todos os acontecimentos em detalhes para Catarina. Depois de ouvi-lo, Catarina não demonstrou aflição. Com um tom indiferente, respond
— Me deixe ajudá-lo. Jaqueline queria ajudá-lo a desabotoar os botões. — Não. — Roberto segurou a mão dela com firmeza e disse com um semblante decidido. — Eu consigo sozinho. É uma coisa tão simples, com certeza posso fazer isso. Ele levantou a mão com dificuldade e tentou tocar os botões da própria camisa, mas seus dedos tremiam incontrolavelmente. Depois de muito esforço, sem conseguir desabotoar sequer um botão, sua mão acabou caindo, sem forças. Jaqueline mordeu os lábios, teimosa, e novamente tentou levantar a mão para ajudá-lo. Ela estava com o coração apertado e rapidamente segurou a mão dele: — Me deixe ajudá-lo. Você está ferido agora, é normal não conseguir. Não precisa se sentir constrangido, já vi você de todos os jeitos. Eles já se conheciam há tantos anos e, depois de casados, haviam compartilhado momentos íntimos. Não havia razão para tanta reserva. Roberto suspirou suavemente, soltou a mão e acenou com a cabeça. Ele virou o rosto para o lado, com um olh