Jaqueline sentia dor na garganta, mas assentiu com dificuldade. Roberto soltou de repente um gemido abafado, se inclinou para o lado e estava prestes a cair. Jaqueline se apressou a estender o braço para segurá-lo. — Vou te ajudar a voltar para o quarto. Não fique aqui. Roberto, tentando não preocupá-la, aceitou o apoio. Com a ajuda de Jaqueline, conseguiu se levantar, e os dois retornaram ao quarto, fechando a porta atrás deles. Permaneceram lá dentro por um longo tempo. O mordomo lançou um olhar rápido na direção da porta, hesitou por um instante e depois se afastou. Num lugar discreto, onde ninguém podia vê-lo, pegou o celular e discou um número. Em poucos segundos, a ligação foi atendida por uma voz idosa, mas carregada de autoridade. — Como está a situação? — Sra. Catarina, as coisas ficaram um pouco complicadas. O mordomo relatou todos os acontecimentos em detalhes para Catarina. Depois de ouvi-lo, Catarina não demonstrou aflição. Com um tom indiferente, respond
— Me deixe ajudá-lo. Jaqueline queria ajudá-lo a desabotoar os botões. — Não. — Roberto segurou a mão dela com firmeza e disse com um semblante decidido. — Eu consigo sozinho. É uma coisa tão simples, com certeza posso fazer isso. Ele levantou a mão com dificuldade e tentou tocar os botões da própria camisa, mas seus dedos tremiam incontrolavelmente. Depois de muito esforço, sem conseguir desabotoar sequer um botão, sua mão acabou caindo, sem forças. Jaqueline mordeu os lábios, teimosa, e novamente tentou levantar a mão para ajudá-lo. Ela estava com o coração apertado e rapidamente segurou a mão dele: — Me deixe ajudá-lo. Você está ferido agora, é normal não conseguir. Não precisa se sentir constrangido, já vi você de todos os jeitos. Eles já se conheciam há tantos anos e, depois de casados, haviam compartilhado momentos íntimos. Não havia razão para tanta reserva. Roberto suspirou suavemente, soltou a mão e acenou com a cabeça. Ele virou o rosto para o lado, com um olh
Roberto parecia uma criança que havia feito algo errado. Ele abaixou a cabeça em silêncio e murmurou baixinho: — Não vá. Com uma expressão abatida, ele colocou os talheres sobre o prato, uniu as mãos sobre as pernas e as segurou com cuidado. Jaqueline suspirou, resignada, se sentou ao lado dele, pegou os talheres e serviu um pouco de arroz. Aproximou a colher de sua boca e disse: — Abra a boca. Roberto obedeceu sem questionar, abrindo a boca. Jaqueline colocou o arroz na boca dele e, em seguida, deu a ele uma garfada de legumes. Ela cuidava dele como se cuidasse de uma criança. Uma mulher gentil e linda, um homem que parecia desamparado; a cena tinha algo de reconfortante e caloroso. Por um momento, todas as preocupações pareciam ter sido deixadas para trás, restando apenas o instante presente. ... Jaqueline ficou com Roberto até depois das nove da noite. Quando percebeu que já estava tarde, ela percebeu que precisava ir embora. Roberto notou que Jaqueline olhou
Ela deveria ter o impedido, deveria ter ajudado ele a voltar e a se sentar na cama. Depois, deveria ficar ao seu lado, preocupada e toda sensível. Mas por que seu olhar estava tão frio? Jaqueline deu de ombros. — Você não disse que ia embora? Jaqueline já tinha enxergado através das manobras dele. Depois de tanto tempo, se ela ainda não tivesse percebido, seria mesmo uma tola. No começo, ela realmente acreditou, achou que Roberto era digno de pena. Mas agora percebia que esse homem estava fingindo. Ele atuava melhor que qualquer ator. Os dois ficaram ali, em um impasse, separados por uma boa distância. Um encarando o outro.— Eu vou mesmo. — Roberto parecia incrédulo, como se não acreditasse que ela realmente não iria impedi-lo. Que mulher de coração tão duro! — Então vá. — Jaqueline manteve a decisão até o fim. Com os braços cruzados, sentada na beira da cama, olhava para ele com calma imperturbável. Roberto rangeu os dentes, deu um passo decidido para fora, mas a mulhe
"Realmente, não sei o que aconteceu comigo, como pude me tornar tão comedido? Não deveria ser mais desinibido após o divórcio? Parece que ainda tenho muito a aprender."Roberto bocejou. Ele não havia dormido bem na noite anterior.Jaqueline percebeu que ele estava exausto.— Você deveria descansar um pouco.— Quero tomar um banho. — Disse Roberto.— Então vou chamar um criado para te auxiliar, sua ferida não deve ser molhada.— Você quer que um homem veja meu corpo? — Roberto indagou, descontente.Parecia que ela estava tentando entregá-lo a outro homem.— Qual é o problema? Não podemos chamar uma mulher, não é verdade?Roberto permaneceu em silêncio, apenas observando ela.Ela finalmente compreendeu:— Você não quer que eu te ajude a tomar banho, quer?— Não pode ser? Não foi você quem já me ajudou antes?— Mas agora estamos divorciados.— E daí? Afinal, já nos vimos nus.Jaqueline suspirou:— Não se esqueça, Ângela ainda está no hospital.— Não fale dela. — A expressão de Roberto sub
"É claramente a voz de Jaqueline. Como isso pode estar acontecendo? Tão tarde da noite, como ela pode estar com Roberto? E ainda mais, ajudando a preparar o banho para ele? Será que os dois..."Os lábios de Ângela tremiam."Eles já estão divorciados, por que estariam juntos novamente? Estarem juntos a esta hora certamente não é nada bom! Não é à toa que Roberto não veio me ver nos últimos dias, ele estava com Jaqueline. Como Roberto pode me enganar, dizendo ainda que está trabalhando?"Assim como naquela época em que Roberto estava com ela, ele também dava desculpas para Jaqueline, alegando que estava ocupado com o trabalho.Naquele momento, Ângela se sentia triunfante, mas jamais imaginaria que passaria pelo mesmo que Jaqueline passou.Ângela respirou fundo, fingindo que não tinha ouvido nada. Ela definitivamente não poderia entrar em pânico.Roberto, ao ouvir a voz vindo do banheiro, percebeu que Ângela poderia ter ouvido.Ele não se esquivou e falou diretamente:— Ângela, agora eu
Mesmo sendo apenas uma ilusão passageira. Ele próprio não sabia o que estava acontecendo consigo."Será pela natureza inferior dos homens ou por uma pequena mudança no fundo do coração? Talvez eu realmente seja desprezível."Jaqueline insistia para que ele não fosse embora e, quando discutiam, ele a considerava irracional.Agora que Jaqueline desistiu, ele sentia um vazio no coração.Isso é ser desprezível.— O que foi? — Ao ver o homem distraído, Jaqueline perguntou. — Há algum problema?Roberto balançou a cabeça:— Não é nada, vou tomar um banho.Roberto pegou o celular e, diante de Jaqueline, o desligou.Jaqueline não compreendeu o gesto de Roberto, afinal, eles já estavam divorciados, então, mesmo que ele recebesse uma ligação de Ângela e fosse ao seu encontro, seria normal.Ela pensou que era melhor deixar para lá. Neste mundo, há muitas coisas inexplicáveis, e algumas simplesmente não fazem sentido.Roberto se levantou ao lado da cama.— Posso te ajudar? Quer que eu te ajude a an
— Jaqueline! — Roberto se sentou abruptamente na cama. — O que você pensa que está fazendo? Usando meu dinheiro para sustentar homens? E ainda tem a audácia de dizer isso na minha frente!Seus olhos ardiam em fúria enquanto ele a repreendia..Jaqueline cobriu os lábios, parecendo surpresa:— Seu... Seu dinheiro? — Ela abaixou a mão, falando com um tom um tanto teatral. — Presidente Roberto, então, em seu coração, esse dinheiro é somente seu, e eu necessito de sua permissão para utilizá-lo? Parece que você sempre me considerou uma estranha e ainda fala sobre ser irmão. Você é um mentiroso!Ela virou a cabeça para o lado, triste, com os lábios franzidos e uma expressão de dor.Vendo ela tão abatida, Roberto entrou em pânico:— Não foi isso que eu quis dizer.— Então o que você quis dizer? Você não disse que eu estava usando seu dinheiro para sustentar homens? Se você acredita que todo o dinheiro na minha conta é seu, então pegue tudo de volta, para não parecer que você está me fazendo um