O mordomo Enrico balançou a cabeça novamente. — A Sra. Catarina disse que não quer vê-la, Sra. Santana. É melhor a senhora não vir por enquanto. Jaqueline cerrou os punhos e, de repente, começou a chorar. Ao ver as lágrimas de Jaqueline, o mordomo Enrico ficou imediatamente atônito. — Sra. Santana, por favor, não chore. Vamos conversar com calma. — Eu "estou" tentando conversar com calma, mas... Mas a vovó não quer me ver, e isso me deixa muito triste. — Jaqueline abaixou a cabeça, chorando ainda mais intensamente. Ela estava realmente magoada, suas lágrimas eram genuínas. A cena de Jaqueline chorando despertava uma imensa compaixão. O mordomo ficou completamente nervoso. Nesse momento, um toque de celular interrompeu a situação. O mordomo tirou o celular do bolso. — Alô, Sra. Catarina. Ao ouvir o nome "Sra. Catarina", Jaqueline percebeu que era sua avó quem estava ligando para o mordomo. Ela começou a chorar ainda mais alto, como se quisesse que a pessoa do outro
— Vovó, não importa qual tenha sido o mal-entendido, realmente não deveria ter passado a noite na casa de um amigo. Mas fique tranquila, George e eu somos apenas amigos, não aconteceu nada entre nós. Ele é uma pessoa muito boa e nunca fez nada inapropriado comigo. Catarina sorriu suavemente: — Está tão apressada para defendê-lo. Parece que ele realmente é uma boa pessoa. — Vovó, ele é o presidente do Grupo Cardoso. — Grupo Cardoso? — Ao ouvir esse nome, Catarina pareceu entender. — Ah, então é isso. Parece que ele é filho do presidente do Grupo Cardoso. É alguém muito capaz. — Vovó. — Jaqueline se agachou no chão. — Se isso te desagrada, eu posso me afastar dele no futuro. Catarina suspirou: — Ele é seu amigo, e eu não posso proibir você de ter amigos. Agora que você e o Roberto já estão divorciados, que direito eu teria de exigir algo? — Vovó, a culpa é minha. Eu não consegui manter meu casamento com o Roberto. Eu te decepcionei. Se Roberto não tivesse pedido o divór
3Catarina, de repente, começou a rir: — Falei tanto e, no fim, o que chamou sua atenção foi que eu bati nele. Parece que você ainda se importa muito com ele. — Vovó, eu não! — Jaqueline respondeu com um sorriso constrangido. — Eu só... Só fiquei um pouco surpresa, só isso. — É mesmo? Só surpresa? — Catarina retrucou com desdém. — Que bom, então. A vovó deu uma lição nele por você. Aposto que ele ainda está deitado na cama agora. Jaqueline apertou a barra da roupa, nervosa e inquieta. Não pôde evitar pensar na imagem de Roberto machucado e se sentiu um pouco ansiosa. — Vovó, não importa o que tenha acontecido, a senhora não deveria ter se irritado e batido nele. Não é que eu esteja preocupada com ele, estou preocupada que a senhora se machuque. Bater em alguém também requer esforço. Apesar dessas palavras, Jaqueline não conseguiu evitar que a preocupação por Roberto tomasse conta de seus pensamentos. Ela nunca esperava que Roberto dissesse aquelas coisas e assumisse toda a
— Mordomo, o Roberto já organizou o trabalho de vocês? — O Sr. Roberto ainda não foi para sua nova residência. Ele ainda está no apartamento de vocês, na casa de recém-casados. Nós também não nos mudamos. — É mesmo? Vocês ainda estão na antiga mansão? — Ela ficou chocada, achando que Roberto teria se mudado no mesmo dia do divórcio. — Roberto... Ele está em casa agora? Ela perguntou novamente. — Está, sim. O Sr. Roberto está ferido. Pelo jeito, parece que foi a bengala da Sra. Catarina que causou isso. Ele vai precisar ficar de repouso por alguns dias. Jaqueline franziu as sobrancelhas, unindo elas. "Ultimamente, ele está sempre se machucando. Com certeza a avó bateu com força. Do contrário, ele não precisaria ficar dias deitado." — Sra. Santana, a senhora não gostaria de voltar para dar uma olhada no Sr. Roberto? — Eu... Acho que não seria apropriado voltar agora. Eu e ele já nos divorciamos. Eu não sou mais a Sra. Santana de vocês. — Mas a senhora ainda faz parte da
Roberto apertou o travesseiro sob ele, com as sobrancelhas franzidas. — Por que você veio? No começo, ele achava que estava tendo uma alucinação. Como assim as mãos do mordomo de repente pareciam tão delicadas como as de uma mulher? Até agora, ele ainda sentia que tudo era irreal. Será que a dor era tão intensa que ele começara a ter delírios? Sentindo que a pessoa atrás dele não respondia, Roberto deixou escapar um sorriso amargo nos lábios. Claro que era uma alucinação. Ele sabia que não havia chance daquela mulher estar ali. Ela provavelmente estava com George. Quando percebeu que era apenas um engano de sua cabeça, Roberto não falou mais nada. Só quando a pessoa atrás dele terminou de aplicar o remédio, uma voz feminina soou: — Pronto, vou colocar uma faixa agora. Se sente um pouco. Roberto ficou surpreso. Apesar da dor, ele rapidamente se sentou na cama e se virou para olhar para a mulher atrás dele. Jaqueline estava usando um vestido bege, com o cabelo preso em u
— Você já conhecia o George há muito tempo, mas me disse que vocês se conheceram na escola. Não foi uma mentira sua? — Eu... — Assim que esse assunto foi mencionado, Jaqueline ficou sem palavras. Quantas vezes mais ele teria que trazer isso à tona? — Roberto, você precisa ser tão cruel assim? — Cruel? Sou eu quem sou cruel ou é você quem mentiu? Depois você mesma admitiu, não foi? Você já estava com ele antes de tudo isso! Foi você quem disse isso com a própria boca, eu não inventei nada! Jaqueline realmente tinha dito que ela e George já estavam juntos há tempos, mas foi por pura raiva, um desabafo impulsivo. Ela se levantou da beira da cama. — Então você quer dizer que aquilo que você disse à sua avó não era verdade? — Exatamente! Eu só disse aquilo para acalmá-la, para que ela pensasse que eu estava assumindo toda a culpa. Assim, ela não pensaria que eu sou um idiota. Mas, no fim das contas, ela ainda me deu uma bronca, e até me bateu. Se eu soubesse que ia acabar assim,
Com um estalo, Roberto agarrou o pulso dela. — Não vá. Por alguma razão, ele sentiu uma súbita insegurança no coração, um desejo intenso de que ela ficasse. Não importava o quanto ele tivesse sido teimoso antes, naquele momento, parecia uma criança indefesa. A dor podia enlouquecer uma pessoa, mas também podia torná-la vulnerável. Às vezes, o que doía mais do que o corpo era o coração. Jaqueline baixou os olhos e olhou para a mão do homem. Mesmo enquanto ele segurava o pulso dela, suas mãos tremiam. Ele certamente estava com muita dor, isso não era algo que pudesse ser fingido. O rosto dele estava pálido, e gotas de suor escorriam pela testa. — Vou te levar ao hospital agora. — Disse Jaqueline. — Eu dirijo, tudo bem? Sua voz soava como se estivesse tentando acalmá-lo. — Eu não quero ir ao hospital. — Roberto levantou os olhos, tão escuros quanto a noite, sem fundo. — Esse remédio foi receitado pelo médico. Em poucos dias vai melhorar, não preciso ir ao hospital. Jaq
— Eu... Jaqueline percebeu, de repente, que aquele homem realmente sabia como distorcer as palavras, a deixando sem resposta. Em vez de chamá-lo de manipulador, talvez fosse mais justo admitir que ela própria não tinha sido cuidadosa com suas palavras. De fato, ela mesma havia dito: "Se doer, me avise." Se ela não tivesse dito isso, nada disso teria acontecido. O que Jaqueline não esperava, no entanto, era que Roberto reclamasse de dor o tempo todo, como uma criança. — Então aguente firme. Preciso enrolar a gaze, ou o ferimento vai ficar exposto, o que não é seguro. Ela estava sentada atrás dele, enrolando a gaze ao redor do seu corpo, camada por camada. Sua respiração estava tão próxima que parecia envolver os ouvidos dele, ora se afastando, ora se aproximando. Quando suas mãos tocaram novamente o peito de Roberto, seu corpo se inclinou ligeiramente para a frente. Ela precisou usar a mão esquerda para ajustar a gaze que segurava com a direita. Naquele momento, Roberto de r