Capítulo 64Despertar no EscuroCassandraQuando abri os olhos, a primeira coisa que senti foi a sensação de estar flutuando em um mar denso e pesado. Eu estava zonza, os sentidos turvos, como se estivesse fora de mim mesma. O ar estava denso e fechado, e uma dor de cabeça pulsava forte, me impedindo de pensar com clareza. Tentei me mover, mas minhas mãos estavam presas.Tentando me orientar no ambiente, percebi que estava em um espaço grande, mas vazio. A luz era fraca, vinda de uma lâmpada pendurada no teto, que iluminava apenas partes do galpão, enquanto o restante se perdia nas sombras. O chão estava sujo, e o cheiro de metal enferrujado misturado com algo químico preenchia o ar, deixando-me ainda mais confusa.O que aconteceu? Onde estava Damon? E Cecília?Meu coração acelerou com o pensamento de estar separada deles. Um medo profundo se espalhou pela minha mente. Forcei o corpo, tentando sentar, mas o aperto nas minhas mãos me impedia de fazer qualquer movimento rápido.Respirei
Capítulo 65 A Verdade DolorosaCassandraEu o olhei, tentando entender o que estava acontecendo. O homem que eu conhecia como amigo, como mentor, alguém que eu acreditava ser meu aliado em um mundo onde poucos eram dignos de confiança, agora estava ali, na minha frente, como uma figura distante e totalmente irreconhecível.A gargalhada dele ecoou no ar, cortando o silêncio denso do galpão. Ele parecia se divertir com a minha confusão, e eu podia ver que a expressão dele tinha algo sombrio, algo frio. Algo tinha mudado nele – e eu não sabia o que era pior, o olhar de desprezo ou a dor que eu sentia por ver a pessoa em quem eu mais confiava se tornar um estranho, era um verdadeiro pesadelo.— Bem-vinda, Cassandra. Tem algo a me dizer?As palavras saíram com um tom cortante, como uma lâmina afiada atravessando meu peito. Como ele pôde fazer isso? Como ele pôde me levar até esse ponto? Eu sempre soube que ele tinha suas regras, que ele acreditava na solidão e na proteção, mas nunca imag
Capítulo 66A Busca pela VerdadeCristianCheguei na Holanda como quem se arrasta após uma longa batalha. Estava exausto, mas a urgência dentro de mim não me permitia descansar. Minha mente não parava de repetir o mesmo pensamento: Cassandra. Eu sabia que era a hora de encontrar respostas, e iria até o fim para encontrá-las.Busquei nas minhas pesquisas o endereço da floricultura e aluguei um carro assim que saí do aeroporto, pois a cidade era distante de Amsterdã. Horas depois, cheguei em frente à tal floricultura.Ao entrar, fui recebido por uma atmosfera tranquila, mas o peso da situação me fazia ver tudo com olhos diferentes.Damon estava ali. Eu o vi logo de cara, no fundo da loja, entre os vasos e flores frescas, com a expressão mais sombria do que jamais imaginara. Ele estava sentado, olhando algo no celular, e a criança, Cecília, estava no seu colo, com a cabeça encostada no ombro dele. Ele parecia mais cansado do que o habitual.Quando ele me viu, levantou-se rapidamente, mas
Capítulo 67Busca ImplacávelCristianA manhã na gelada Holanda parecia tranquila, mas dentro de mim, a tempestade não cessava. Eu precisava encontrar Cassandra, e a única maneira de fazer isso era entender até onde os rastros dela me levariam. Aquela van não desapareceria sem deixar pistas, e eu tinha que ser mais rápido do que qualquer sombra que a ameaçasse.Dei a ordem para que Damon e sua equipe ficassem em contato constante, enquanto eu me dirigia às agências de vigilância da cidade. Não havia tempo a perder, então, entrei em um dos prédios da área central. Onde funcionava a agência central de vigilância de trânsito. A sala era iluminada por telas imensas que exibiam cada canto da cidade. Eu tinha a impressão de estar observando a cidade inteira, mas o que eu procurava era apenas uma coisa: a van.O atendente, um homem de meia-idade com aparência cansada, me observou por um instante antes de perguntar se eu tinha permissão para acessar as câmeras. Mostrei minha identificação e e
Capítulo 68CassandraA escuridão dentro do galpão era quase opressiva. O único som que preenchia o ambiente era o eco de minha respiração pesada e o tilintar das correntes ao redor dos meus pulsos. Minha mente estava turva, como se a dor tivesse tomado conta de tudo, deixando-me sem forças para raciocinar com clareza.Estava deitada no chão, o frio da superfície gelando minha pele, mas a dor dentro de mim queimava mais forte do que qualquer gelo. A barriga latejava com uma dor aguda, que aumentava a cada movimento. O nervosismo havia sido tanto que eu não percebera que fazia horas desde que comi ou bebi algo. Agora, a dor me fazia sentir como se fosse o meu corpo que estivesse se entregando.Minhas mãos, agora atadas às correntes, depois que ele viu que estava prestes a me soltar das cordas, não podia fazer nada para me libertar. Tentei arrastar-me até a porta de saída, minha única esperança, mas quando olhei com mais atenção, percebi o que já sabia: estava acorrentada, sem chance de
Capítulo 69 CristianEstava me esgueirando para entrar no galpão quando vi a corrente, voltei até o carro e peguei uma chave para me ajudar a quebrar, estava quase na porta novamente quando som de um tiro cortou o ar, e eu quase parei no meio do caminho. Não sabia quem tinha disparado, mas o que importava era que a explosão de som só podia significar uma coisa: a situação estava ainda mais grave do que eu imaginava.Acelerei os passos em direção ao galpão, meu coração batendo forte no peito, como se ele fosse explodir. Cheguei à porta, e o que vi me paralisou por um segundo. O galpão que antes estava silencioso, agora estava cheio de movimento, e de risadas que pareciam de bêbados se misturavam, havia pelo menos três homens lá dentro, forcei a corrente até estourar entrei no galpão recebendo tiros me joguei atrás de uma maquinário tentando observar a situação, tinha três homem em um lado, um homem em pé ao fundo aparentemente esse quem atirou, e aos seus pés um morto, o motivo do
Capítulo 70CristianO tempo parecia ter parado. O peso do corpo dela em meus braços, a fraqueza em sua voz, o medo tentando me dominar, as palavras que ainda ecoavam na minha mente: "Salve nosso filho."Filho?O impacto dessa notícia me atingiu como um soco no estômago, mas não havia tempo para perguntas, pelo menos não agora, Cassandra estava sangrando, algo estava errado com ela e o bebê, e cada segundo perdido poderia custar a vida deles.— Alguém me ajuda! — gritei, sentindo o desespero apertar meu peito.Damon surgiu ao meu lado, o rosto carregado de tensão. Ele avaliou rapidamente a situação e chamou um de seus homens, pediu para que ligassem no hospital mais próximo e deixasse tudo pronto para quando chegarmos.Peguei ela nos meus braços e saí carregando ela para fora do galpão.— Ela precisa ir para o hospital, agora! — minha voz soou firme, mas o medo rastejava por dentro.Assim que chegamos ao carro, a deitei no banco de trás com cuidado. O tecido da sua roupa estava úmido
Capítulo 71CristianO hospital tinha aquele cheiro forte de antisséptico e dor. Eu andava de um lado para o outro, sentindo o tempo se arrastar de maneira torturante. Meu coração batia descompassado, meus pensamentos eram um caos, e tudo que eu queria era uma resposta, qualquer coisa que me dissesse que ela e o bebê estavam bem.Damon estava ao meu lado, mas, diferente de mim, ele parecia mais controlado. Cruzou os braços, observando o corredor vazio antes de soltar um suspiro pesado.— Eu preciso ir ver como Cecília está — disse ele, me olhando com firmeza. — Mas assim que tiver qualquer notícia, me avise por favor.Minha mandíbula travou. O instinto me dizia que devia mandá-lo à merda, dizer que eu não devia nada a ele, que isso era entre mim e Cassandra. Mas a realidade era outra. Não era hora para disputas ou confrontos, e era ele quem ela aparentemente queria ao lado dela...— Sim, eu... Te aviso — respondi, a contragosto.Ele assentiu e saiu, me deixando sozinho com minha agoni