Capítulo 67Busca ImplacávelCristianA manhã na gelada Holanda parecia tranquila, mas dentro de mim, a tempestade não cessava. Eu precisava encontrar Cassandra, e a única maneira de fazer isso era entender até onde os rastros dela me levariam. Aquela van não desapareceria sem deixar pistas, e eu tinha que ser mais rápido do que qualquer sombra que a ameaçasse.Dei a ordem para que Damon e sua equipe ficassem em contato constante, enquanto eu me dirigia às agências de vigilância da cidade. Não havia tempo a perder, então, entrei em um dos prédios da área central. Onde funcionava a agência central de vigilância de trânsito. A sala era iluminada por telas imensas que exibiam cada canto da cidade. Eu tinha a impressão de estar observando a cidade inteira, mas o que eu procurava era apenas uma coisa: a van.O atendente, um homem de meia-idade com aparência cansada, me observou por um instante antes de perguntar se eu tinha permissão para acessar as câmeras. Mostrei minha identificação e e
Capítulo 68CassandraA escuridão dentro do galpão era quase opressiva. O único som que preenchia o ambiente era o eco de minha respiração pesada e o tilintar das correntes ao redor dos meus pulsos. Minha mente estava turva, como se a dor tivesse tomado conta de tudo, deixando-me sem forças para raciocinar com clareza.Estava deitada no chão, o frio da superfície gelando minha pele, mas a dor dentro de mim queimava mais forte do que qualquer gelo. A barriga latejava com uma dor aguda, que aumentava a cada movimento. O nervosismo havia sido tanto que eu não percebera que fazia horas desde que comi ou bebi algo. Agora, a dor me fazia sentir como se fosse o meu corpo que estivesse se entregando.Minhas mãos, agora atadas às correntes, depois que ele viu que estava prestes a me soltar das cordas, não podia fazer nada para me libertar. Tentei arrastar-me até a porta de saída, minha única esperança, mas quando olhei com mais atenção, percebi o que já sabia: estava acorrentada, sem chance de
Capítulo 69 CristianEstava me esgueirando para entrar no galpão quando vi a corrente, voltei até o carro e peguei uma chave para me ajudar a quebrar, estava quase na porta novamente quando som de um tiro cortou o ar, e eu quase parei no meio do caminho. Não sabia quem tinha disparado, mas o que importava era que a explosão de som só podia significar uma coisa: a situação estava ainda mais grave do que eu imaginava.Acelerei os passos em direção ao galpão, meu coração batendo forte no peito, como se ele fosse explodir. Cheguei à porta, e o que vi me paralisou por um segundo. O galpão que antes estava silencioso, agora estava cheio de movimento, e de risadas que pareciam de bêbados se misturavam, havia pelo menos três homens lá dentro, forcei a corrente até estourar entrei no galpão recebendo tiros me joguei atrás de uma maquinário tentando observar a situação, tinha três homem em um lado, um homem em pé ao fundo aparentemente esse quem atirou, e aos seus pés um morto, o motivo do
Capítulo 70CristianO tempo parecia ter parado. O peso do corpo dela em meus braços, a fraqueza em sua voz, o medo tentando me dominar, as palavras que ainda ecoavam na minha mente: "Salve nosso filho."Filho?O impacto dessa notícia me atingiu como um soco no estômago, mas não havia tempo para perguntas, pelo menos não agora, Cassandra estava sangrando, algo estava errado com ela e o bebê, e cada segundo perdido poderia custar a vida deles.— Alguém me ajuda! — gritei, sentindo o desespero apertar meu peito.Damon surgiu ao meu lado, o rosto carregado de tensão. Ele avaliou rapidamente a situação e chamou um de seus homens, pediu para que ligassem no hospital mais próximo e deixasse tudo pronto para quando chegarmos.Peguei ela nos meus braços e saí carregando ela para fora do galpão.— Ela precisa ir para o hospital, agora! — minha voz soou firme, mas o medo rastejava por dentro.Assim que chegamos ao carro, a deitei no banco de trás com cuidado. O tecido da sua roupa estava úmido
Capítulo 71CristianO hospital tinha aquele cheiro forte de antisséptico e dor. Eu andava de um lado para o outro, sentindo o tempo se arrastar de maneira torturante. Meu coração batia descompassado, meus pensamentos eram um caos, e tudo que eu queria era uma resposta, qualquer coisa que me dissesse que ela e o bebê estavam bem.Damon estava ao meu lado, mas, diferente de mim, ele parecia mais controlado. Cruzou os braços, observando o corredor vazio antes de soltar um suspiro pesado.— Eu preciso ir ver como Cecília está — disse ele, me olhando com firmeza. — Mas assim que tiver qualquer notícia, me avise por favor.Minha mandíbula travou. O instinto me dizia que devia mandá-lo à merda, dizer que eu não devia nada a ele, que isso era entre mim e Cassandra. Mas a realidade era outra. Não era hora para disputas ou confrontos, e era ele quem ela aparentemente queria ao lado dela...— Sim, eu... Te aviso — respondi, a contragosto.Ele assentiu e saiu, me deixando sozinho com minha agoni
Capítulo 72CassandraO quarto era silencioso, mas o peso da nossa conversa ainda pairava no ar. O toque firme da mão de Cristian sobre a minha era a única âncora que me prendia à realidade naquele momento. Eu não sabia como processar tudo o que estava acontecendo. A pressão alta, o risco de perder o bebê, Cristian finalmente descobrindo a verdade... Era demais para mim.Eu queria acreditar nas palavras dele. Queria acreditar que ele ficaria, que me protegeria, que escolheria esse bebê, que escolheria a nós. Mas e se ele mudasse de ideia? E se, no final, seu dever falasse mais alto?Respirei fundo, tentando conter as emoções que ameaçavam me consumir. Eu não podia chorar. Não agora.— Você precisa descansar — ele disse suavemente, passando o polegar de leve pelo dorso da minha mão.Aquelas palavras eram tão simples, mas o tom protetor fez meu coração se apertar. Havia algo diferente no olhar dele. Cristian nunca me olhou assim antes. Sempre houve desejo, raiva, confusão... mas agora?
Capítulo 73CristianO silêncio cortante dentro do meu quarto de hotel parecia ensurdecedor, como se o mundo estivesse se fechando ao redor de mim. Eu estava sentado na beira da cama, com os olhos fixos no laptop à minha frente. O arquivo de Ghostred ainda estava aberto, e os detalhes sobre Cassandra estavam ali, à minha vista. Mas, ao invés de sentir o impulso de resolver, de concluir minha investigação, o que eu sentia agora era uma necessidade urgente de enterrar tudo aquilo.Eu precisava tomar uma decisão. Não só sobre Ghostred, mas sobre tudo o que estava acontecendo. Cassandra estava grávida do meu filho, algo que nem eu nem ela tínhamos planejado, e, ao mesmo tempo, esse segredo que eu guardava sobre ela, que eu já sabia, estava se tornando uma barreira entre nós.Eu fechei os olhos, passando a mão pelos cabelos. Não podia ser assim. Não podia ser que a investigação em que estava tão envolvido fosse o que determinasse minha relação com ela, com esse bebê. Eu queria outra coisa.
Capítulo 74CristianO corredor do hospital parecia mais frio do que nunca. Eu havia chegado ali com a intenção de dar boas notícias, mas, ao ver Damon parado na porta do quarto de Cassandra, algo em mim desconectou. Ele estava mais tenso do que o normal, os ombros rígidos, e os olhos estavam fixos no corredor.Eu me aproximei rapidamente, sentindo a ansiedade crescer a cada passo.— O que está acontecendo? — perguntei, a voz rouca de preocupação.Damon me olhou sem um pingo de surpresa. Ele parecia um homem que estava esperando minha pergunta, já sabendo o que eu queria ouvir, mas não disse nada de imediato. Ao invés disso, cruzou os braços e olhou para o quarto, onde eu sabia que Cassandra estava.— Ela... a pressão dela subiu de novo — Damon falou, a expressão mais grave do que eu esperava. — Eles pediram que eu saísse para poder examinar ela direito.Aquelas palavras me atingiram como um soco no estômago. Eu sabia que a gravidez de Cassandra estava sendo de risco pela pressão, mas