Capítulo 4
Leandro disse que a esperaria do lado de fora.

Marília terminou o banho, trocou de roupa e ficou enrolando até as dez horas.

Ao seu redor, não havia som algum, nem ninguém que viesse bater à porta para apressá-la.

"Ele deve ter ido embora", pensou.

Marília foi até a porta do quarto, segurou a maçaneta, respirou fundo e a girou lentamente. Ao ver que não havia ninguém lá fora, soltou um longo suspiro de alívio. Quando estava prestes a sair, um fio de fumaça chegou até ela.

Virou a cabeça e encontrou diretamente o olhar profundo e sombrio do homem.

Leandro apagou o cigarro que segurava.

— Vamos tomar café da manhã.

Ele foi o primeiro a sair andando.

Marília abriu a boca, sem saber o que dizer, e acabou apenas o seguindo com certa relutância.

O restaurante ficava no térreo.

Depois de se sentarem, o garçom trouxe o cardápio.

Marília pediu dois pratos aleatórios e devolveu o menu.

Sua bolsa não estava no quarto. Sem o celular para passar o tempo, só lhe restava mexer no cabelo, meio sem jeito, e olhar para a fonte do lado de fora, perdida em pensamentos.

Leandro fez o pedido e, após o garçom sair com o cardápio, ficou observando em silêncio a garota à sua frente, que mantinha uma expressão fria e distante.

Depois de um bom tempo, ele decidiu quebrar aquele silêncio estranho.

— Eu assumirei a responsabilidade.

Os olhos de Marília se arregalaram instantaneamente. Ela virou a cabeça para ele, meio atrapalhada:

— O quê? Você disse que vai... assumir a responsabilidade?

Leandro parecia tranquilo, quase indiferente.

— Eu me aproveitei de você. Se você quiser que eu assuma a responsabilidade, posso aceitar.

Marília percebeu claramente a falta de sinceridade na voz dele.

Dizer que ele se aproveitou dela não era bem verdade; na noite passada, fora ela quem tomara a iniciativa.

Aquilo que ela dissera era só da boca para fora. Se levasse a sério, seria uma completa tolice.

Ainda mais quando a pessoa dizendo essas palavras era Leandro.

Marília encontrou o olhar dele, mas suas mãos, sob a mesa, se fecharam em punhos. Com firmeza, ela o rejeitou:

— Eu não preciso que você assuma nada!

As sobrancelhas bem desenhadas de Leandro se franziram pesadamente.

— Foi só uma noite, somos ambos adultos. Eu realmente não me importo. — Disse Marília, baixando os olhos.

Logo em seguida, continuou.

— Eu estava bêbada ontem, sei que você também bebeu. Aconteceu no calor do momento... Se for possível, vamos fingir que isso nunca aconteceu.

Leandro permaneceu com a expressão inalterada, respondendo com indiferença:

— Como quiser.

Ao ouvi-lo responder tão rápido, Marília confirmou que aquelas palavras dele de antes não tinham sido sinceras.

...

Depois do café da manhã, Leandro se ofereceu para levá-la de carro até sua casa.

A bolsa de Marília havia ficado no carro dele na noite anterior. Quando pegou o celular de dentro da bolsa, percebeu que a bateria estava completamente descarregada e o aparelho havia desligado.

Hoje em dia, era impossível se virar sem um celular.

Então, ela não recusou a "gentileza" de Leandro.

Mas Marília não queria voltar para a família Pereira.

Ela pediu a Leandro que a levasse até a casa de Zélia.

Zélia estava viajando, mas havia deixado uma chave reserva em uma caixinha embaixo do sapateiro na entrada.

Marília já havia passado a noite lá antes em outras ocasiões.

Ao encontrar a chave, abriu a porta, entrou e procurou o carregador reserva de Zélia para ligar o celular.

Quando o aparelho ligou, havia várias chamadas e mensagens perdidas, quase todas de Anselmo, e duas ligações de Zélia.

Marília decidiu ligar primeiro para Zélia.

O telefone foi atendido rapidamente, e Zélia começou perguntando:

— Você está bem?

Zélia estava em Maravilha, trabalhando como consultora de figurinos para uma série de época nos estúdios Cinemarco. Marília queria desabafar com ela, mas decidiu esperar até que ela terminasse o trabalho e voltasse para casa.

— Estou bem.

— Onde você estava ontem à noite? Anselmo me ligou à uma da manhã pedindo para eu abrir a porta. Eu disse que você não estava aqui, mas ele não acreditou. Só parou quando enviei a gravação da câmera de segurança da entrada. Vocês brigaram?

— Sim, eu passei a noite em um hotel ontem.

— O que aconteceu?

— Quando você voltar, a gente conversa.

— Tudo bem, volto na próxima semana. Conversaremos com calma então.

Depois de desligar, Marília abriu as mensagens.

[Onde você estava? Por que não atendeu o telefone?]

[Você sabe que horas são agora?]

[Me ligue de volta, pare de agir assim!]

[Marília, eu sei que você está na casa da Zélia, abra a porta!]

Os olhos de Marília ficaram marejados. Ela deletou todas essas mensagens, bloqueou e excluiu o contato de Anselmo e, quando estava prestes a fazer o mesmo com Esperança, hesitou.

Ela decidiu ligar para Esperança.

O telefone tocou por um longo tempo até que a chamada foi atendida. A voz do outro lado soou calorosa e gentil como sempre:

— Mimi, o que foi?

O tom parecia indicar que nada tinha acontecido.

Marília apertou o celular com mais força, tentando conter a raiva que crescia dentro dela.

— Você não acha que me deve uma explicação? — Disse, com uma voz firme e fria.

Antes que a outra pudesse responder, continuou.

— Precisamos conversar!

...

No café.

Esperança chegou atrasada, usando óculos escuros, e colocou um pequeno bolo na frente de Marília com um sorriso radiante:

— Mimi, o bolo de chocolate que você adora! Fui buscar especialmente para você...

— Não quero! — Marília respondeu friamente, empurrando o bolo de volta.

Esperança se sentou do outro lado da mesa, tirou os óculos escuros e os colocou ao lado. Com cuidado, perguntou:

— Mimi, você está mesmo chateada comigo?

— Não tenho motivo para estar? — A mão de Marília, escondida sob a mesa, se cerrou em um punho, enquanto ela fazia um esforço enorme para conter a raiva. — Desde quando você e o Anselmo estão juntos? Por que não me contou?

— Eu não tive coragem de te contar... — Esperança respondeu, em voz baixa.

— Você não teve coragem de me contar, mas teve coragem de ficar com ele pelas minhas costas! Esperança, eu te considerei minha melhor amiga, compartilhei tudo com você. Sobre mim e ele... você sabia de tudo... Como pôde fazer isso comigo?

Marília se lembrou de como, no dia anterior, ela estava toda animada, achando que Anselmo iria pedi-la em casamento. Assim que soube, correu para contar à amiga pelo WhatsApp. Agora fazia sentido porque Esperança demorara tanto para responder.

— Só porque somos boas amigas eu não posso buscar o meu amor?

— Buscar o amor? Claro que pode, mas não com ele! Anselmo é o homem que eu gosto! Eu confiava em você, não tinha nenhuma suspeita e ainda apresentei vocês dois. E você foi lá e o tirou de mim! Seja sincera com você mesma, você acha que isso é certo? — Marília ficava cada vez mais exaltada, e a voz, cada vez mais alta.

As pessoas nas mesas ao redor começaram a olhar curiosas para elas.

Esperança, inquieta, colocou os óculos escuros de volta.

— Marília, aqui é um lugar público. Não faça escândalo!

— Você tem coragem de fazer algo tão vergonhoso, mas tem medo de um escândalo?

— Você... — A expressão de Esperança mudou, o sorriso desaparecendo. — Marília, eu sei que você gosta do Anselmo, mas ele foi bem claro ontem: ele só te vê como uma irmã. Mesmo que não fosse por minha causa, ele nunca aceitaria você!

— Se ele estivesse com qualquer outra pessoa, eu aceitaria. Mas você é minha melhor amiga!

— Pare de usar essa história de "melhor amiga" contra mim! Se você realmente me considerasse uma amiga, desejaria a minha felicidade e nos apoiaria! — Esperança viu que alguém na mesa ao lado estava pegando o celular para filmar e, apressada, pegou sua bolsa e se levantou. — Já que você não me vê como amiga, vamos acabar com a hipocrisia. Da próxima vez que nos encontrarmos, vamos fingir que não nos conhecemos.
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