Capítulo 3
— Não ache que só porque eu te chamei de tio, você é realmente meu tio. Não se meta nos meus assuntos!

Marília saiu da banheira com dificuldade.

Será que ela estava maluca? Por que tinha vindo ao hotel com ele? Ela sabia muito bem que ele nunca fora sido amigável com ela.

— Você vai sair assim?

A voz do homem soou às suas costas, carregada de um tom indecifrável.

Marília parou de repente, prestes a abrir a porta, e olhou para si mesma.

Seu corpo estava completamente molhado, e o tecido fino do vestido de noite de verão estava grudado à sua pele, desconfortável e revelador. Até mesmo os adesivos de seios estavam desalinhados, deixando algo bastante chamativo à vista.

Não havia como sair daquele jeito.

Apertando a maçaneta da porta com mais força, Marília usou uma mão para cobrir o peito e abriu a porta.

Ela não saiu. Com frieza, ordenou que ele fosse embora:

— Saia. Quero descansar aqui!

Leandro tirou um cigarro e um isqueiro do bolso. Acendeu o cigarro e deu uma tragada antes de dizer:

— Venha aqui e me conte o que aconteceu.

Marília já estava emocionalmente abalada, e Leandro tinha que tocar justamente no ponto mais delicado.

Ela não sentia vontade alguma de desabafar, especialmente com Leandro.

Sempre que o via, se lembrava de Esperança, e de como, no passado, ela entregava cartas de amor de Esperança para ele.

A relação entre ela e Leandro era como água e óleo: completamente incompatível. Mas, por Esperança, naquela época, ela havia jogado sua dignidade fora.

E o que Esperança fez com ela?

Quanto mais Marília pensava, mais irritada ficava. Sob o efeito do álcool, ao olhar para Leandro, se lembrou de que ele era o homem que Esperança amava há quatro anos, sem sucesso.

Esperança lhe roubara o namorado.

Então, se ela dormisse com Leandro, isso não seria uma forma de se vingar?

As decisões impulsivas acontecem em frações de segundo.

Tomada pelo calor do momento, Marília fechou a porta, abaixou a mão e se virou, caminhando na direção de Leandro.

O vestido molhado delineava perfeitamente as curvas do corpo dela.

Com 22 anos, seu corpo já era completamente desenvolvido, maduro.

O olhar de Leandro ficou profundo, seus olhos fixos na cena sedutora à sua frente, sem qualquer sinal de desvio.

Quando ela se aproximou, ele viu tudo ainda mais claramente. Sua garganta se contraiu, e antes que ele pudesse dizer uma palavra, Marília ficou na ponta dos pés, passou os braços ao redor do pescoço dele e o beijou sem hesitação.

Era um beijo apressado, desajeitado e desordenado que caiu sobre os lábios dele.

Carregado de loucura e também de tremores.

Leandro não esperava tal ação. O cigarro caiu de sua mão, e todo o seu corpo ficou rígido, com os músculos tensos no mesmo instante.

Ele logo recobrou a compostura, afastando ela de si e segurando ela de lado. Com o rosto frio, repreendeu ela:

— Você sabe o que está fazendo?

Hoje, Marília tinha planejara se entregar a Anselmo.

Mas Anselmo estava com Esperança.

Leandro era o homem que Esperança amava. E, além disso, ele era mais bonito que Anselmo.

De qualquer forma que pensasse, ela não sairia perdendo.

— Eu sei! — Marília disse, aproveitando o momento de distração dele para se libertar.

Como uma gatinha, ela saltou novamente sobre ele, beijando seus lábios e queixo, com os olhos enevoados de lágrimas e um tom de mágoa:

— Hoje é meu aniversário, Leandro. Você não pode ser um pouco mais gentil comigo?

A garota suavizou a postura. De um porco-espinho cheio de espinhos, se transformou em um coelhinho de olhos vermelhos.

Leandro rapidamente segurou as mãos dela novamente, apertando seu queixo:

— O que você quer dizer com ser mais gentil?

— Eu quero você!

Mesmo já imaginando a resposta, Leandro ficou levemente surpreso.

Olhando para o rosto bonito à sua frente, tão próximo que era impossível ver qualquer imperfeição, os olhos dela estavam embaçados, com um misto de fragilidade e desamparo, despertando compaixão em quem olhasse.

Os lábios eram de um tom rosa claro, macios e atraentes.

Mais abaixo, o pescoço esguio como o de um cisne. E mais embaixo...

Leandro forçou-se a desviar o olhar. Ele sabia muito bem que certas coisas não podiam ser feitas. Uma vez feitas, acarretariam muitos problemas.

Ele não era alguém que gostava de complicações.

— Você está bêbada. — Leandro reprimiu à força o calor que subia lentamente de seu abdômen inferior, sua voz era baixa e rouca. — Descanse cedo. Vou para o quarto ao lado, e amanhã de manhã conversaremos com calma.

Ele soltou as mãos e deu um passo em direção à porta para sair.

— Se você não for para a cama comigo, eu vou procurar outro homem!

O pé de Leandro, que já estava do lado de fora, parou abruptamente. Seu rosto bonito e frio ficou sombrio como ferro:

— O que você disse?

— Eu disse que quero procurar um outro homem, e se você não quiser...

Leandro agarrou a nuca dela e brutalmente calou sua boca com um beijo.

O beijo era áspero e violento, carregado de desejos reprimidos e intensos.

Marília se sentiu desconfortável e tentou empurrá-lo, mas Leandro segurou suas mãos, a imobilizando com facilidade. Seus braços e peito eram como muros de concreto, impenetráveis, e não importava o quanto ela se debatesse, não conseguia movê-lo nem um pouco.

Se inicialmente ele a beijou apenas por raiva de sua provocação, logo o beijo o envolveu completamente. Ele se perdeu em seus próprios desejos e nos instintos masculinos mais primitivos.

Quando Marília foi pressionada na cama e ele se inclinou sobre ela, ela sentiu uma tontura avassaladora. Seu estômago se revirava, e uma náusea subiu pela garganta. Incapaz de se conter, ela vomitou repentinamente.

O rosto de Leandro fechou-se em uma expressão sombria. Ele claramente não esperava que as coisas tomassem essa direção.

A excitação rapidamente desapareceu.

Ele pegou o telefone e ligou para a recepção, pedindo que uma funcionária da limpeza viesse ao quarto.

...

No dia seguinte.

A cabeça de Marília latejava como se fosse explodir.

Quando abriu os olhos, viu um quarto desconhecido, um teto estranho. Sua mente estava um caos.

Com uma mão apoiando a cabeça, ela lentamente se sentou na cama.

— Você acordou.

Uma voz grave e sensual ecoou no espaço silencioso.

Marília congelou por um momento e, então, ficou completamente paralisada.

Essa voz era...

Ela virou a cabeça na direção de onde vinha o som.

Leandro estava sentado em uma poltrona diante da janela panorâmica. Seus dedos longos e elegantes seguravam um cigarro já pela metade. A fumaça azulada o envolvia, conferindo à sua face incrivelmente atraente um ar nebuloso e distante.

As memórias da noite anterior surgiram como flashes em sua mente.

O ombro exposto ao ar estava frio.

Marília abaixou o olhar. Sua pele branca estava marcada por traços sugestivos, que começavam no peito e desapareciam sob o cobertor.

Foi então que percebeu que, sob o cobertor, estava completamente nua.

Seu rosto ficou imediatamente pálido. Ela puxou o cobertor para cima, se cobrindo completamente.

— Por que você ainda está aqui?

Leandro apagou o cigarro no cinzeiro e se levantou.

— Suas roupas estão naquela sacola. Se vista. Eu espero por você lá fora. — Após dizer isso, ele abriu a porta e saiu.

Marília mordeu o lábio, segurando o cobertor com força. Só depois de garantir que estava sozinha no quarto, ela relaxou um pouco.

Seu corpo não parecia estar desconfortável.

Será que algo aconteceu ou não? Ela realmente não conseguia se lembrar.

Jogando o cobertor de lado, se levantou e foi ao banheiro para se arrumar.

Diante do espelho, os vestígios manchados e perturbadores em sua pele eram uma visão cruel.

Uma tristeza imensa tomou conta dela, e as lágrimas começaram a cair incontrolavelmente.

No fundo, ela se arrependia profundamente.
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