Capítulo 2
No bar.

Leandro olhou para o relógio. Já estava na hora. Ele se levantou, pronto para ir embora.

Diógenes Lima ficou surpreso:

— São só nove horas, já vai embora tão cedo?

— Não tem mais graça.

— Como assim não tem mais graça? Olha quantas mulheres bonitas! Isso aqui não é muito melhor do que fazer plantão no hospital? — Diógenes se levantou e passou o braço pelo ombro de Leandro, apontando para os jovens que dançavam colados na pista de dança. — Olha só como eles estão se divertindo. Você não sente nem um pouco de inveja?

Leandro nem levantou as pálpebras. Apenas lançou um olhar frio para o braço que repousava sobre seu ombro e respondeu, com indiferença:

— Tira a mão.

O olhar inexpressivo de Leandro deixou Diógenes ligeiramente assustado, mas ele sabia que não tinha escolha. Leandro era o rosto mais atraente do departamento deles.

Se não fosse por ele ter trazido Leandro hoje, eles jamais conseguiriam pegar o número de WhatsApp das garotas.

Diógenes imediatamente amoleceu o tom, suplicando com um ar de pena:

— Leandro, eu já tenho 27 anos. Minha mãe disse que, se eu não levar uma namorada para casa este ano, ela vai tomar o apartamento em que eu moro. Você não vai ser tão cruel a ponto de me deixar sem teto, vai?

— É isso mesmo, Leandro. Eu também já passei da idade. Se eu não apresentar uma namorada este ano, minha mãe vai me proibir de entrar em casa no Ano Novo!

— Eu também quero uma namorada, Leandro. Fica só mais um pouco, por favor!

Os outros começaram a implorar, cada um com sua justificativa.

Leandro franziu a testa.

Diógenes aproveitou o momento para insistir:

— Leandro, eu só estou pensando no seu bem. Você ainda é um ano mais velho que eu. Aposto que sua mãe também quer muito ter um neto logo!

Diógenes entendia muito bem a mentalidade dos pais daquela geração. Para eles, era essencial dar continuidade à família.

Os pais de Diógenes venderam a casa na cidade natal para economizar e compraram um apartamento de três quartos, com 100 metros quadrados, em Serenópolis, investindo cinco milhões de reais no imóvel.

Agora, eles ainda estão pagando um empréstimo de dois milhões no banco.

Diógenes sentia muito pelos pais. Ele também queria encontrar alguém para compartilhar sua vida e começar uma nova etapa.

— Eu só quero ir para casa dormir.

Se tem algo que médicos nunca têm o suficiente, é sono.

Nesse ponto, Diógenes concordava plenamente.

Mas ele não desistiu e disse com convicção:

— Leandro, todos somos homens. Não acredito que você não tenha nenhum interesse em mulheres. Você tem tudo: é bonito, tem boa condição de vida... Só pode ser porque suas exigências são altas. Você não quer só alguém bonita, quer também alguém com classe, certo?

Homens que não gostam de mulheres muito chamativas ou fofas geralmente preferem aquelas com mais elegância.

Mas encontrar alguém assim não era fácil, especialmente num lugar como um bar.

Diógenes olhou em volta mais uma vez e, de repente, exclamou com admiração genuína:

— Olha só, uma deusa!

O brilho de surpresa nos olhos dele parecia verdadeiro.

Leandro seguiu o olhar de Diógenes, lançando um olhar casual, mas ele parou imediatamente. Sua expressão ficou séria, as sobrancelhas se franziram pesadamente.

...

Marília.

Marília não sabia quantos copos de bebida já tinha tomado. Embora ela não tivesse resistência ao álcool, havia bebido tanto que sua mente ainda estava incrivelmente lúcida, lúcida o suficiente para se lembrar de cada palavra que Anselmo tinha acabado de dizer.

A pessoa que ela gostava estava agora com sua melhor amiga.

"Haveria algo mais trágico do que isso?"

E hoje era o aniversário dela de 22 anos. Como eles puderam fazer isso com ela?

Quanto mais Marília pensava, mais magoada ficava. As lágrimas começaram a escorrer sem parar.

Vestindo um vestido de gala, ela já chamava atenção num lugar como aquele bar.

Uma bela mulher chorando era ainda mais irresistível para os homens ao redor, despertando intenções questionáveis.

As pessoas iam ao bar ou para relaxar ou para se divertir. Encontros casuais eram algo comum ali.

Logo, um homem com segundas intenções se aproximou para puxar conversa. Embora Marília estivesse embriagada, ainda restava um pouco de cautela em seu coração. A música alta e ensurdecedora, as luzes coloridas e piscantes... Nesse ambiente caótico, ela colocou o copo no balcão, se apoiou na mesa e, com passos cambaleantes, tentou ir embora.

Mas o homem a impediu de sair, bloqueando seu caminho.

— Ei, gata, não precisa ir embora com tanta pressa. Como você se chama? Vamos ser amigos.

— Saia da minha frente!

— Não seja tão rude. Só estou preocupado com você. Vi que você estava chorando aqui agora há pouco. Está passando por alguma coisa? Que tal a gente reservar um quarto para conversar melhor? Eu posso te consolar.

Com um tom malicioso, o homem estendeu a mão para puxá-la.

Marília estava prestes a recuar, mas uma mão longa, firme e de dedos elegantes surgiu por trás dela, prendendo com agilidade o pulso do homem que tentou tocá-la.

— Quem é você? — O homem perguntou com agressividade.

Marília olhou para aquela mão bem cuidada, notando as veias saltadas e o relógio Patek Philippe que chamava atenção.

Ela virou a cabeça e viu um rosto familiar.

Camisa branca, calça social preta, postura alta e impecável.

Um rosto tão atraente que parecia saído de uma pintura. Quem mais poderia ser, senão Leandro?

— Essa mulher foi a primeira que eu vi. Você não conhece a regra de que quem chega primeiro tem prioridade?

Ao encarar alguém mais alto que ele, o homem hesitou, se sentindo intimidado. No entanto, se virou rapidamente para o lado e chamou dois amigos.

Logo, mais dois homens com expressões ameaçadoras se aproximaram. Eles arregaçaram as mangas, claramente prontos para brigar.

— Essa mulher é nossa. Se você tentar roubá-la de nós, não vamos pegar leve!

Leandro soltou a mão do agressor.

Marília olhou para os três homens à sua frente. Leandro estava sozinho. Eles nem sequer eram próximos. E se ele decidisse não ajudá-la? Assustada, ela segurou o braço de Leandro e exclamou em voz alta:

— Ele é meu tio!

Um brilho intenso passou pelos olhos de Leandro. Ele a encarou com seus olhos negros e frios.

Marília, com uma expressão lamentável, devolveu o olhar enquanto apertava ainda mais o braço dele.

— Vocês têm coragem de mexer com a sobrinha do Leandro? Querem morrer, é isso?

Diógenes apareceu, acompanhado de outros dois colegas, todos com uma postura ameaçadora.

Quatro contra três, e dois deles eram mais altos.

Os três agressores fugiram, apavorados.

— Leandro, quem diria que sua sobrinha já está tão grande!

Diógenes, que havia acabado de adicionar várias garotas interessantes no WhatsApp, percebeu que nenhuma delas chegava perto da beleza de Marília. Aquela figura, aquela elegância... era surreal, como se fosse uma celebridade!

Ele rapidamente pegou o celular, tentando adicionar o contato dela.

Mas Marília logo soltou o braço de Leandro e saiu andando.

Com o rosto sério, Leandro foi atrás dela.

...

Marília definitivamente tinha bebido demais. Tudo à sua volta parecia duplicado.

Sabendo que Leandro estava de carro e que ele se ofereceu para levá-la, ela não recusou.

No entanto, ela não queria voltar para a família Pereira, nem para a família Cardoso.

Vendo o estado dela, Leandro decidiu levá-la para um hotel e reservou um quarto.

Foi ele quem a carregou até o andar do quarto.

Depois de colocá-la na cama, Leandro foi até o banheiro, encheu a banheira com água fria e voltou para pegá-la. Sem qualquer hesitação, ele a carregou até o banheiro e a jogou na água gelada.

A água fria como gelo fez Marília gritar. Ela tentou sair, se apoiando na borda da banheira. Sua mente, antes confusa, finalmente clareou um pouco. Levantando a cabeça, ela olhou furiosa para Leandro, que estava de pé ao lado da banheira, encarando-a de cima para baixo com uma expressão indiferente.

— Leandro, você ficou louco?

— Você foi ao bar se embebedar, Marília. Quem te deu essa coragem?

Com as costas contra a luz, o rosto de Leandro estava sombrio e frio.

Marília detestava o fato de que Leandro sempre assumia um tom autoritário, como se fosse um parente mais velho que tinha o direito de lhe dar lições.
Sigue leyendo en Buenovela
Escanea el código para descargar la APP

Capítulos relacionados

Último capítulo

Escanea el código para leer en la APP