Ela é o Oceano, Eu Sou o Náufrago
Ela é o Oceano, Eu Sou o Náufrago
Por: Beatriz Navarro
Capítulo 1
Marília sempre fora bonita desde pequena, chamando atenção onde quer que fosse.

Quando apareceu vestida com um vestido de gala verde-claro estampado com borboletas de bambu, o barulho na sala privativa cessou de repente.

Todos se reuniram ao seu redor, cheios de elogios. Marília olhou ao redor, mas não viu a pessoa que queria encontrar.

Alguém percebeu seu olhar e brincou:

— Está procurando o Anselmo? — Marília nem teve tempo de negar, e a pessoa continuou. — O Anselmo com certeza está preparando uma surpresa para você agora!

— Surpresa? — Perguntou Marília, confusa.

A outra pessoa respondeu com um olhar misterioso:

— Você realmente ainda não sabe?

Olhando para o rosto de Marília, brilhante e refinado, e para o vestido de gala que parecia ganhar vida com sua presença, todos sentiam uma admiração que aquecia o coração.

A beleza dela era de uma sofisticação e harmonia quase poéticas. Apesar de uma pontada de inveja no fundo, todos mantinham uma expressão amigável.

— Acabei de ouvir que o Anselmo vai anunciar algo daqui a pouco. Ele pediu que ninguém faltasse hoje. Mimi, você sabe o que ele vai anunciar?

Marília balançou a cabeça.

— Hoje é o aniversário da Mimi. O que mais o Anselmo pode anunciar? Com certeza ele vai pedir a nossa Mimi em casamento!

Ao ouvir a palavra "casamento", Marília congelou por um instante. Seu coração começou a disparar descontroladamente.

Aquela festa de aniversário havia sido organizada por Anselmo. Naquela tarde, ele até havia ligado para ela, dizendo que deveria se arrumar bem para a noite. Mesmo assim, ao ouvir a palavra "surpresa", Marília não se atreveu a alimentar tal expectativa.

Ela e Anselmo eram amigos de infância. Se conheciam desde que tinham memória, vivendo sob o mesmo teto por mais de dez anos. Apesar de terem aceitado um ao outro como parceiros, algumas coisas ainda pareciam incertas.

Dias atrás, a tia deles sugeriu que se casassem logo. Mas, naquela ocasião, Anselmo reagiu com um grande ataque de raiva.

Marília chegou a pensar que ele não queria se casar tão cedo.

"Mas quem diria que ele já estava planejando tudo?"

Os lábios de Marília se curvaram em um sorriso radiante. Ela pegou o celular para compartilhar a boa notícia com sua melhor amiga, Esperança Souza, e perguntou quando ela chegaria.

Do outro lado do WhatsApp, aparecia a notificação de "digitando..." e parava, depois voltava a digitar.

Marília estava prestes a perguntar se Esperança tinha algum problema.

[Estou a caminho.]

Ao ver a mensagem, Marília se sentiu aliviada, mas ainda preocupada que Esperança pudesse ter dificuldade em encontrar o lugar.

[Quer que eu desça para te buscar?]

Não houve resposta.

Marília decidiu ir até lá buscá-la. Assim que deu o primeiro passo, a porta da sala foi empurrada de fora para dentro. Anselmo entrou primeiro, seguido por Esperança.

Esperança tirou o presente que tinha trazido da bolsa:

— Parabéns, Mimi!

— Obrigada.

Marília colocou o presente de lado e ergueu os olhos para Anselmo.

O homem franziu a testa ao vê-la:

— Por que está vestida assim?

Marília olhou para o vestido de gala. Foi Zélia Barbosa quem recomendou que ela usasse, dizendo que vestidos assim eram a melhor forma de realçar a beleza feminina, deixando os homens sem fôlego.

Ela tinha certeza de que Anselmo gostaria de vê-la assim.

— Não está bonito? — Perguntou, ligeiramente desapontada.

Percebendo os olhares sugestivos de alguns amigos ao redor, uma raiva inexplicável começou a crescer em Anselmo. Com a voz ligeiramente grave, ele disse:

— Não use mais isso no futuro.

Marília assentiu levemente com a cabeça.

— Anselmo, hoje é o aniversário da Mimi. Por que você não trouxe um presente?

Anselmo estava prestes a tirar a pulseira que tinha escolhido, mas foi interrompido por alguém que exclamou:

— Vai pedir ela em casamento agora, não é?

— Pedido de casamento! Pedido de casamento! — Começaram a provocar em uníssono, elevando a atmosfera da sala ao auge.

O coração de Marília batia acelerado, e seu rosto ficou corado de vergonha. Mas o semblante de Anselmo se tornou sombrio.

— Quem disse que eu ia pedir alguém em casamento?

O olhar severo e irritado do homem varreu o ambiente, parando por fim no rosto de Marília. A raiva e o descontentamento nos olhos dele fizeram o coração dela gelar de repente.

Era a segunda vez que ele a olhava assim.

— Você não tinha algo para anunciar? — Insistiu alguém.

— Sim, tenho algo para anunciar, mas não é sobre casamento.

Ao ouvir isso, Marília se sentiu profundamente desapontada. Mas as próximas palavras dele soaram como um tapa violento em seu rosto.

Anselmo de repente puxou Esperança para perto de si e a abraçou:

— Me deixem apresentar a vocês: esta é minha namorada!

O ambiente ficou estranhamente silencioso por três segundos.

Marília ficou paralisada, olhando atônita para os dois à sua frente.

— Não era a Marília sua namorada? Quando vocês terminaram? Mesmo que tenham terminado, esta Srta. Esperança é a melhor amiga da Mimi! Como você pôde ficar com ela?

Anselmo olhou diretamente para Marília com seus olhos escuros e frios, e disse, palavra por palavra:

— Quando foi que eu disse que estava namorando com você?

O sangue desapareceu do rosto de Marília num instante.

Anselmo continuou:

— Eu sempre te vi como uma irmã. Não entenda errado!

Marília não conseguia acreditar.

Claramente, os dois já haviam feito de tudo, exceto ter relações íntimas.

Ele não a deixava namorar. Na época da faculdade, quando um rapaz tentou entregar uma carta de amor a ela e Anselmo viu, ele a puxou possessivamente para seus braços e disse ao rapaz que ela era dele e que ninguém deveria tentar se aproximar dela.

Mas agora ele dizia que a via apenas como uma irmã!

Os olhos de Marília ficaram vermelhos de emoção.

— Mimi, por que você não diz nada? Anselmo não é realmente seu namorado? Esses anos todos, você sempre esteve ao lado dele como uma sombra. Nós todos pensávamos que vocês estavam juntos. Além disso, você mesma não acabou de dizer que o Anselmo ia pedir sua mão em casamento?

Todos começaram a discutir.

A mente de Marília estava uma bagunça total, e ela não percebeu a insinuação nas palavras deles.

O rosto de Anselmo ficou ainda mais frio ao ouvir isso.

Marília sentiu um aperto na garganta. Levantou o olhar e perguntou com a voz rouca:

— Anselmo, você realmente só me vê como uma irmã?

Anselmo respondeu friamente:

— Se você quiser um namorado, posso te apresentar alguém. Mas não tente me envolver nisso, porque isso me deixa enojado. Eu nunca ficaria com minha própria irmã!

A última esperança que Marília tinha em seu coração virou motivo de zombaria.

— Marília, por que não namora comigo? Eu e Anselmo somos grandes amigos, nossas famílias se conhecem bem. Poderíamos fortalecer ainda mais os laços! Anselmo, o que você acha?

O olhar de Anselmo ficou um pouco mais sombrio, mas ele assentiu com a cabeça, dizendo com indiferença:

— Teodoro é uma boa pessoa. Vocês poderiam tentar.

Com tantas pessoas olhando, Marília se esforçou ao máximo para conter as lágrimas. Seus lábios vermelhos se curvaram em um sorriso sarcástico:

— Existe um ditado que diz: "Me diga com quem anda e te direi quem é". E, olhando para você, o tipo de pessoa com quem você anda não pode ser muito diferente.

Assim que ela disse isso, o ambiente ao redor ficou em silêncio. A tensão no ar parecia ter congelado.

Por fim, Marília olhou para Esperança.

Esperança desviou os olhos, evitando encará-la.

Marília esboçou um sorriso e disse:

— Vocês combinam bastante.

Ela então deu meia-volta e saiu da sala.
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