Depois de jantar com os colegas, Marília pegou um táxi para voltar para casa. O carro parou no meio do trânsito quando o semáforo fechou no cruzamento. Marília pegou o celular para olhar as horas, quando ele começou a vibrar. Era uma ligação. Ao ver o nome "Rômulo", Marília hesitou. Não queria atender. Mas, se lembrando do que Selma dissera mais cedo, acabou clicando em "atender". Sua voz soou fria: — Qual é o assunto? — Você precisa vir para o Espaço Palmeiras! — Marília estava prestes a recusar, mas Rômulo continuou do outro lado com urgência. — A Zélia acabou de me ligar, perguntando onde o Anselmo está. Eu passei o endereço para ela, e ela deve chegar a qualquer momento. Estou com medo de que ela faça alguma confusão! — Já estou indo! Nesse momento, o semáforo abriu, e Marília pediu ao motorista que virasse ali mesmo, no cruzamento. ... Ainda bem que o Espaço Palmeiras não ficava longe. Cerca de dez minutos depois, o táxi parou em frente à entrada do clube. O Es
Diógenes respondeu rapidamente a Marília, dizendo que Leandro tinha comido toda a comida que ela enviara, sem deixar nada. Marília ficou surpresa, pois achava que Leandro jogaria tudo no lixo. Diógenes logo mandou outra mensagem: [Essa foi a primeira vez que vi o Leandro comendo tão bem. Mimi, de qual restaurante você pediu a comida? Amanhã vou encomendar para experimentar também!] Marília, que até então não tinha muita confiança em conquistar Leandro, sentiu um pouco de esperança ao ver o que Diógenes havia dito. [Fui eu que fiz.] Do outro lado, veio uma reação surpresa: [Você sabe cozinhar?!] Marília respondeu com um emoji de orgulho. A digitação do outro lado parou por um momento. Marília ficou olhando para a janela de bate-papo. Depois de um bom tempo, Diógenes mandou outra mensagem: [Como o Leandro pode deixar você, sobrinha dele, cozinhar para ele? Isso não é abuso?] Marília não mencionou que estava tentando conquistar Leandro e inventou uma desculpa qualquer: [Ele
— Estupro? — Leandro arqueou as sobrancelhas, olhando para ela friamente. Marília, sem mostrar vergonha ou hesitação, assentiu com a cabeça: — Eu estava bêbada naquele dia, sem plena consciência, e ter relações com uma mulher nesse estado é estupro. Isso é um conhecimento básico de direito, Dr. Leandro, o senhor não sabe disso? O rosto de Leandro ficou sombrio, sua mandíbula se contraiu, e, após um momento de silêncio, ele disse de repente: — Você pode me denunciar. Marília não esperava que ele fosse tão descarado, se recusando a dar a ela uma saída digna. Esse hipócrita com certeza estava contando que ela não teria coragem de levar o caso adiante! Ela já havia se conformado com o que tinha acontecido naquela noite, mas, vendo agora a atitude de Leandro, como se ele fosse imune a qualquer constrangimento, ficou furiosa: — Leandro, pare de fingir que é tão íntegro, como se ter algo a ver comigo fosse um fardo insuportável para você. É óbvio que você se sentiu atraído por m
Leandro encontrou a cafeteria, abriu a porta e, assim que entrou, viu duas pessoas sentadas próximas à entrada.A senhora, ao ver o neto chegar, se levantou imediatamente da cadeira com alegria e, segurando a mão de Leandro, o levou até onde estava Marília. Com um sorriso radiante, disse:— Venha, Leandro, a vovó quer te apresentar alguém. Se não fosse pela Mimi, hoje a vovó teria se metido em uma grande encrenca! — E começou a contar, com riqueza de detalhes, tudo o que havia acontecido naquele dia.Depois de terminar o relato, a idosa ainda reforçou com seriedade:— A vovó deve a vida à Mimi, Leandro. Você tem que agradecer muito a ela por mim!Leandro, ao olhar para o rosto sorridente da mulher, foi franzindo cada vez mais a testa.Marília se levantou e o cumprimentou:— Dr. Leandro, parece que o destino realmente gosta de nos aproximar!A senhora ficou surpresa:— Como assim? Vocês já se conhecem?Leandro, de rosto sério, permaneceu em silêncio.Marília sorriu e explicou:— Vovó, e
Todos ouviram o que Zélia acabara de dizer ao telefone. Raulino, curioso, se aproximou para dar uma olhada. O irmão dele, Rômulo, frequentemente andava com Anselmo e o grupo dele, e, por isso, Raulino tinha alguma lembrança de Marília. — Marília? Não era aquela seguidora do Leandro no passado? — Adalberto lançou um olhar divertido ao homem do outro lado da mesa. Raulino olhou para Leandro e, pensando por um instante, respondeu: — Acho que era mesmo! Essa garota, quando criança, já dava sinais de que se tornaria uma bela mulher. E não é que cresceu direitinho? Muito bonita e, olha, tem um corpo de chamar atenção... Leandro jogou as cartas na mesa e se levantou repentinamente. Adalberto e Raulino o encararam, sem entender. Com o rosto sério e frio, Leandro disse: — Acabei de lembrar que tenho algo para fazer. Continuem vocês aí. — Após dizer isso, ele saiu. ... O irmão de Zélia logo respondeu, dizendo que estava disposto a ajudar com o favor que ela havia pedido. Fin
Selma foi chamar outras pessoas, os deixando conversando entre si. Assim que ela saiu, algumas moças da alta sociedade se aproximaram de Anselmo, e Esperança rapidamente se tornou o centro das atenções delas. Marília, por sua vez, decidiu procurar um lugar tranquilo para ficar sozinha, esperando que cortassem o bolo para então ir embora. — Mimi, você ainda está brava comigo? — A voz de Esperança cortou o burburinho, e o ambiente ao redor caiu em silêncio. Todos olharam na direção delas. Marília parou de andar. Olhou para Esperança, que já estava bem próxima. Seu rosto permaneceu frio: — Não foi você quem disse que, se nos encontrássemos de novo, fingiríamos que não nos conhecíamos? — Mimi, você ainda está magoada comigo, não está? — As lágrimas de Esperança escorreram imediatamente. — Eu já fiz o que você queria, terminei com o Anselmo. Será que não podemos voltar a ser como antes? — Marília, eu te avisei para não implicar com a Esperança! Está achando que eu não tenho co
— Erm... pessoal, por favor, um momento de silêncio. — Disse Teodoro ao microfone. Todas as pessoas no salão de festas pararam de conversar e voltaram seus olhares para o palco. Alguns conhecidos ao lado de Marília lançaram olhares cheios de significado para ela. Marília já tinha adivinhado o que Teodoro estava prestes a fazer. Ela quis colocar o bolo de lado e sair dali, mas ele já a havia localizado com o olhar, transbordando de afeto, e declarou: — Hoje, aqui, quero me declarar para a garota que amo e deixar que todos sejam testemunhas! — Isso aí, Teodoro! Muito bem! Alguém o elogiou em voz alta, e os outros começaram a incitar a cena, todos sorrindo enquanto olhavam na direção dela, bloqueando completamente seu caminho de saída. — Na verdade, estou um pouco nervoso. É minha primeira vez fazendo isso. Minhas mãos estão até suando. Acho que ela vai me rejeitar, mas já faz tantos anos que gosto dela... Não quero perder esta chance! — Teodoro entregou o microfone a outra
Do outro lado da linha, ele falou novamente ao perceber que ela não respondia: — Estou no elevador. Se você voltar agora, posso lhe dar uma carona. Ao ouvir aquela voz masculina, grave e aveludada como um violoncelo, Marília confirmou que aquilo não era uma ilusão. Era a voz de Leandro. Ele havia ligado para ela. — Estou no Hotel Alvorada... — Eu sei. "Ele sabe! Então o elevador que ele mencionou é..." Uma possibilidade inesperada surgiu na mente de Marília. Ela achou aquilo inacreditável, já que Leandro a rejeitara dois dias atrás e ainda dissera que estaria ocupado esta noite! — Você também está aqui? A voz do outro lado soou baixa: — Sim. — E logo emendou com uma pergunta. — Quer voltar? — Quero, vou voltar, vou te encontrar agora! — Marília estava empolgada. Após desligar a ligação, sorriu e disse. — Meu namorado veio me buscar! Segurando o celular, ela caminhou apressada para fora. ... Rômulo estava no primeiro andar esperando o elevador. Assim que a