Selma foi chamar outras pessoas, os deixando conversando entre si. Assim que ela saiu, algumas moças da alta sociedade se aproximaram de Anselmo, e Esperança rapidamente se tornou o centro das atenções delas. Marília, por sua vez, decidiu procurar um lugar tranquilo para ficar sozinha, esperando que cortassem o bolo para então ir embora. — Mimi, você ainda está brava comigo? — A voz de Esperança cortou o burburinho, e o ambiente ao redor caiu em silêncio. Todos olharam na direção delas. Marília parou de andar. Olhou para Esperança, que já estava bem próxima. Seu rosto permaneceu frio: — Não foi você quem disse que, se nos encontrássemos de novo, fingiríamos que não nos conhecíamos? — Mimi, você ainda está magoada comigo, não está? — As lágrimas de Esperança escorreram imediatamente. — Eu já fiz o que você queria, terminei com o Anselmo. Será que não podemos voltar a ser como antes? — Marília, eu te avisei para não implicar com a Esperança! Está achando que eu não tenho co
— Erm... pessoal, por favor, um momento de silêncio. — Disse Teodoro ao microfone. Todas as pessoas no salão de festas pararam de conversar e voltaram seus olhares para o palco. Alguns conhecidos ao lado de Marília lançaram olhares cheios de significado para ela. Marília já tinha adivinhado o que Teodoro estava prestes a fazer. Ela quis colocar o bolo de lado e sair dali, mas ele já a havia localizado com o olhar, transbordando de afeto, e declarou: — Hoje, aqui, quero me declarar para a garota que amo e deixar que todos sejam testemunhas! — Isso aí, Teodoro! Muito bem! Alguém o elogiou em voz alta, e os outros começaram a incitar a cena, todos sorrindo enquanto olhavam na direção dela, bloqueando completamente seu caminho de saída. — Na verdade, estou um pouco nervoso. É minha primeira vez fazendo isso. Minhas mãos estão até suando. Acho que ela vai me rejeitar, mas já faz tantos anos que gosto dela... Não quero perder esta chance! — Teodoro entregou o microfone a outra
Do outro lado da linha, ele falou novamente ao perceber que ela não respondia: — Estou no elevador. Se você voltar agora, posso lhe dar uma carona. Ao ouvir aquela voz masculina, grave e aveludada como um violoncelo, Marília confirmou que aquilo não era uma ilusão. Era a voz de Leandro. Ele havia ligado para ela. — Estou no Hotel Alvorada... — Eu sei. "Ele sabe! Então o elevador que ele mencionou é..." Uma possibilidade inesperada surgiu na mente de Marília. Ela achou aquilo inacreditável, já que Leandro a rejeitara dois dias atrás e ainda dissera que estaria ocupado esta noite! — Você também está aqui? A voz do outro lado soou baixa: — Sim. — E logo emendou com uma pergunta. — Quer voltar? — Quero, vou voltar, vou te encontrar agora! — Marília estava empolgada. Após desligar a ligação, sorriu e disse. — Meu namorado veio me buscar! Segurando o celular, ela caminhou apressada para fora. ... Rômulo estava no primeiro andar esperando o elevador. Assim que a
O interior do carro voltou a ficar em silêncio. Quando o carro parou no segundo cruzamento, Marília falou: — Vire na próxima esquina. Eu agora moro no Residencial Brisa do Mar. Se for um problema para você, pode parar logo depois deste cruzamento e me deixar descer ali; eu chamo um táxi para voltar. — Você não mora mais com a família Pereira? — Eu me mudei. Leandro olhou para ela rapidamente, mas não fez mais perguntas. Quando o sinal abriu, ele virou na esquina e por outra rua. Cerca de dez minutos depois, o carro parou na entrada do condomínio. — Obrigada. — Disse Marília ao soltar o cinto e descer do carro. Leandro ficou observando enquanto ela entrava no condomínio antes de seguir seu caminho. ... Espaço Palmeiras Na cabine privativa, Teodoro virava um copo de bebida atrás do outro. Já havia dois garrafões vazios à sua frente. Um dos amigos tentou dissuadi-lo: — É só uma mulher! Há um monte de mulheres por aí. Se a Marília não te valoriza, encontre outra.
— Eu sei! O Rômulo gosta é daquele tipo de mulher mais madura e cheia de charme, daquelas que sabem dominar na cama. A Marília é muito conservadora, o Rômulo não se sente à vontade com ela! Assim que essas palavras foram ditas, todos caíram na gargalhada. Rômulo deu um chute no cara que falou isso, xingou, e, quando as risadas diminuíram, se virou para Teodoro e tentou aconselhá-lo: — A Marília já tem namorado agora, então é melhor você não se meter. Vai que o namorado dela é alguém que não é fácil de lidar, e, aí quem vai se dar mal é você. — Em toda Serenópolis, quem é realmente importante não está praticamente todo mundo aqui? Não tem muitas famílias que podem se comparar com a família Silva. Teodoro teria medo do namorado misterioso da Marília? A menos que você, Rômulo, esteja interessado na Marília, porque, se não for o caso, eu garanto que o Teodoro vai conquistar a garota. Quanto ao namorado dela, eu resolvo isso! Vendo que tinha chegado a esse ponto e ainda assim os o
O porteiro da guarita ligou do condomínio, e Leandro confirmou. Pouco depois, a campainha tocou. De chinelos, ele foi atender à porta. Assim que a abriu, deu de cara com uma mulher. Leandro franziu as sobrancelhas: — O que você está fazendo aqui? Marília levantou os itens que segurava nas mãos: — Não foi você que me mandou mensagem no WhatsApp pedindo para eu comprar remédios? Leandro olhou para as caixas de remédio dentro da sacola plástica, que estava molhada pela chuva. As gotas de água ainda escorriam dela. As roupas de Marília também estavam encharcadas. A parte de cima estava mais seca, mas as calças estavam completamente molhadas até a altura das canelas, e os sapatos também estavam encharcados. No lugar onde ela estava de pé, já havia uma pequena poça de água. Marília percebeu que o homem a encarava. Era evidente que ele não estava contente com a presença dela. Apesar da sensação de desconforto que crescia em seu peito, ela se lembrou de que ele a havia ajudad
Marília ficou paralisada. Leandro percebeu que ela não dizia nada e achou que suas palavras talvez tivessem sido um pouco inadequadas. Então, rapidamente, ele mudou o tom: — Se Sente um pouco, vou chamar a Eloá para a levar para casa! — Ah... Não precisa, seria muito incômodo. Eu posso passar a noite aqui mesmo. Leandro já estava com o celular na mão. Ao ouvir isso, ele levantou os olhos para ela. Marília ficou um pouco desconcertada e, apressada, cobriu a boca com a mão, fingindo um bocejo: — É que... Estou com sono. Onde fica o quarto de hóspedes? Quero descansar. — É o segundo quarto ali. — Está bem. — Marília estava prestes a ir para o quarto de hóspedes, mas, ao dar dois passos, se lembrou de algo e voltou, um pouco sem graça. — Não trouxe roupa para trocar. Leandro se levantou e foi até o quarto buscar uma camisa para ela. Quando Marília viu que ele havia trazido uma camisa dele, seu rosto imediatamente ficou quente. A luz brilhante da sala iluminava seu ros
Marília estava na loja ajudando os clientes a experimentarem vestidos de festa quando recebeu uma ligação de sua tia. Avisou a uma colega e rapidamente pegou um táxi de volta para a casa da família Pereira. Tainá a esperava do lado de fora e, assim que a viu, disse: — Sua tia e seu tio voltaram de viagem. Quando souberam que você se mudou, ficaram furiosos. Agora o Sr. Anselmo foi chamado de volta para casa para ser repreendido. — Tainá tentou convencê-la. — Srta. Marília, por que não volta para casa? Sua tia sente muito a sua falta. Ela até trouxe presentes para você da viagem. Assim que chegou, perguntou por você e nem se lembrou de perguntar pelo Sr. Anselmo. Para ela, você é como uma filha. No coração dela, você é mais importante que o próprio Anselmo... Tainá tagarelava sem parar, mas Marília permaneceu em silêncio. Quando chegaram à porta, ouviram uma voz masculina, cheia de raiva, ecoando lá dentro: — Você quer trazer essa atrizinha para dentro da nossa casa? Só por cima