Capítulo 8
Sem aviso, Chloe levou vários tapas, ficando atordoada.

O rosto ardia, os ouvidos zumbiam, e ela via estrelas.

Nunca na vida alguém tinha ousado encostar um dedo nela.

Com fúria, ela começou a arranhar o braço da outra pessoa.

As duas começaram a brigar.

O motorista de Chloe, que estava escondido num canto, correu para separá-las.

Só então Chloe percebeu que quem a agredira era a irmã mais nova de Lucas, Elisa Costa, e ficou boquiaberta.

Camila também ficou surpresa ao ver Elisa.

Com medo de que ela fosse ferida, Camila correu para protegê-la, colocando-a atrás de si.

Ao ver os arranhões no braço de Elisa, Camila sentiu uma dor no coração. Pegou um curativo da bolsa e, com cuidado, colocou-o no braço dela, perguntando suavemente:

— Doeu?

Elisa respirou fundo de dor, mas disse:

— Não se preocupe, cunhada. Ela não arranhou seu rosto, né?

Camila balançou a cabeça e disse:

— Não.

Elisa olhou para Chloe com raiva e depois disse a Camila:

— Com gente assim, não precisa ser educada. Dá logo um tapa. Para quê conversar? É inútil.

Chloe ficou furiosa ao ouvir isso.

Segurando as lágrimas, ela disse:

— Elisa, nós crescemos juntas. Sempre te vi como uma irmã. Como você pode…

Elisa revirou os olhos e disse:

— Ah, para com isso. Nunca te vi como irmã. Meu irmão sempre te tratou bem, nossa família toda te tratou bem, mas quando ele teve problemas, você fugiu. Agora que ele está bem de novo, você volta para ocupar o lugar da minha cunhada. Que vergonha.

Chloe ficou pálida e tentou se justificar:

— Eu tinha meus motivos…

— Motivos nada. Meu irmão pode acreditar, mas eu não. — Assim que Elisa terminou de falar, o celular de Camila tocou.

Viu que era Lucas ligando.

Hesitou um segundo antes de atender.

— Onde você está? — Lucas perguntou.

— No restaurante perto da entrada sul da rua de antiguidades.

— Estou passando por aí. Chego em três minutos. — Lucas desligou.

A imagem de Lucas abraçando Chloe na noite passada passou pela mente de Camila, deixando-a desconfortável.

Ao ver as rosas brancas na mesa, que ele mandou para Chloe, ela sentiu como se uma pedra enorme estivesse em seu peito, sufocando-a.

Pouco depois, Lucas entrou no restaurante com seus subordinados.

Alto e esguio, pele clara, feições marcantes, suas longas pernas em calças pretas, ele exalava uma aura de elegância e charme, chamando a atenção de todos.

Inicialmente, todos no restaurante estavam focados na briga entre Chloe e Elisa. Mas a chegada de Lucas desviou todos os olhares para ele.

Ao vê-lo, Chloe correu até ele, choramingando:

— Lucas!

Lucas franziu a testa e disse:

— O que você está fazendo aqui?

Chloe, com os olhos vermelhos, respondeu:

— Eu vim falar com Camila sobre ontem à noite, mas antes que pudéssemos conversar, ela começou a me insultar, e Elisa me bateu.

Ela apontou para o rosto inchado e, fazendo beicinho, reclamou:

— Está doendo.

Lucas virou-se para Camila:

— É verdade o que ela está dizendo?

Camila rui.

Ela não conseguia acreditar que a mulher que Lucas sempre teve em tão alta estima fosse tão infiel e desonesta, sempre fazendo o papel de vítima.

De fato, quem é favorito, sempre tem confiança de sobra.

Camila estava prestes a falar, mas Elisa se adiantou:

— Lucas, pensa bem, minha cunhada tem um temperamento tão bom, se a Chloe não tivesse provocado, ela teria xingado? Nos dois anos em que você estava doente e com um temperamento terrível, ela alguma vez brigou com você? Eu bati na Chloe porque ela tentou arranhar o rosto da Camila. E eu ainda acho que bati pouco.

Lucas olhou para Chloe:

— O que você fez para provocar a Camila? Por que tentou arranhar o rosto dela?

Chloe ficou pálida e começou a chorar, com uma expressão de inocência:

— Eu não fiz nada, foi um mal-entendido, Lucas. A Camila e a Elisa entenderam errado. Você tem que acreditar em mim.

Ela tentou segurar a mão de Lucas, inclinando-se em direção a ele.

Elisa deu um passo à frente, agarrou o braço dela e a puxou para o lado, gritando:

— Você não tem vergonha? Meu irmão é casado e você ainda tenta se jogar nos braços dele? Sem-vergonha!

Chloe segurou o peito, chorando incontrolavelmente.

Lucas franziu a testa e disse a Elisa:

— Fala menos, Elisa. Chloe tem depressão severa, não provoque ela.

Elisa deu uma risada sarcástica e disse:

— Não use a depressão como desculpa para ser vulgar. Eu conheço pessoas com depressão que são dignas e boas. Mas ela? Prefere ser uma encrenqueira!

Chloe saiu correndo, chorando, enquanto o motorista dela pegava a bolsa e o cheque, seguindo-a rapidamente.

Lucas disse aos seguranças:

— Ao atrás dela e cuidem para não fazer nada estúpido.

— Sim, Sr. Lucas. — Responderam os seguranças, saindo.

Elisa resmungou:

— Se realmente quer morrer, que faça isso em um lugar onde ninguém veja. Quem ela pensa que assusta com esse?

Lucas olhou friamente para Elisa e disse:

— Você passou dos limites, Elisa.

Camila puxou Elisa para trás de si e disse:

— Se quer culpar alguém, culpe a mim. Elisa só estava tentando me defender.

Lucas olhou para Camila, seu olhar suavizou. Ele tirou uma pomada importada da bolsa e a entregou a ela:

— Trouxeram isso do exterior. Use conforme as instruções para que a cicatriz no seu pescoço não fique.

Camila olhou para a pomada, com sentimentos confusos.

Ela sabia que ele não a amava, mas às vezes parecia que ele se importava com ela.

Mas ela sorriu para si mesma. Se ele realmente se importasse, teria acontecido o que aconteceu ontem à noite?

A dor daquela noite ainda era forte, tão forte que ela nem tinha coragem de perguntar.

Elisa pegou a pomada e a colocou nas mãos de Camila, encarando Lucas:

— Se você machucar minha cunhada, não te reconheço mais como irmão!

Lucas respondeu calmamente:

— Isso é assunto de adultos, você não se envolve.

Elisa respondeu:

— Eu só sou um ano mais nova que a Camila, não sou criança!

Lucas ignorou, pegou a mão de Camila e perguntou suavemente:

— Já comeu? Se não, vou te levar para comer.

Camila puxou a mão rapidamente, como se tivesse levado um choque:

— Já comi.

Lucas a olhou com ternura:

— Eu disse que ontem à noite foi um mal-entendido. Você acredita?

Camila endireitou o pescoço, a voz usualmente suave, agora com um tom mais firme:

— Eu que cheguei na hora errada e atrapalhei vocês

Lucas sorriu com uma mistura de frustração e aceitação:

— Vamos, vou te levar para trabalho.

Camila pegou a bolsa e saiu.

Lucas a seguiu com passos largos, enquanto o assistente os acompanhava de longe.

Saindo do restaurante, Camilla passou por uma floricultura.

Ela deu uma olhada ao redor e apontou para um buquê de rosas brancas:

— Me dá um buquê dessas.

O atendente perguntou:

— Quantas você quer?

Pensando nas vinte rosas que Lucas tinha dado para Chloe, Camila respondeu, de forma petulante:

— Duzentas.

O atendente hesitou por um momento e depois sorriu:

— Só um instante.

Demorou um bom tempo para o buquê ficar pronto. Quando finalmente estava, Camila entendeu por que o atendente tinha hesitado.

Duzentas rosas, embaladas, tinham quase um metro de diâmetro. Era grande e pesada.

Ela segurava com dificuldade, mas se sentia aliviada. Se ela queria flores, podia comprá-las ela mesma, não precisava esperar por ninguém. Não era como se não pudesse pagar.

Lucas tirou o cartão para pagar, mas Camila passou o seu próprio cartão e disse:

— Eu mesma pago.

Ela disse isso com firmeza, usando o dinheiro que ganhava no trabalho.

Lucas sorriu levemente, percebendo que ela ficou zangada.

Após pagar, Camila saiu com o enorme buquê de rosas brancas.

O tamanho do buquê fazia com que Camila parecesse ainda mais delicada, como uma vara de bambu fina e reta, graciosa, mas resistente.

Lucas tentou pegar o buquê, mas Camila se afastou. A mão de Lucas ficou no ar por um segundo antes de ele recuá-la lentamente.

Eles continuaram andando lado a lado.

Olhando para as rosas brancas, Lucas perguntou:

— Você também gosta de rosas brancas?

— Não.

— Então por que comprou tantas?

— Porque sim.

Lucas sorriu:

— Não sabia que você gostava de flores. Sempre achei que você só gostava de arte.

Camila replicou:

— Eu também sou mulher!

Acostumado com o temperamento tranquilo dela, Lucas achou interessante vê-la assim irritada:

— Que flores você gosta? Da próxima vez, eu te dou.

Camila não respondeu.

Ela cresceu com seus avós aos pés de uma montanha, gostando de flores simples como margaridas, dentes-de-leão, íris, ervilhas-de-cheiro e girassóis. Ela tinha uma conexão com essas flores rústicas, mas não sentia nada pelas rosas importadas.

Comprou tantas só por birra.

Quando estavam quase chegando à loja de antiguidades, Camila parou de repente e disse:

— Vou deixá-lo aqui.

Lucas levantou uma sobrancelha:

— Você tem medo de que seus colegas nos vejam juntos?

Camila respondeu:

— Vamos nos divorciar, não vamos?

Sua voz tremia, e seu coração também.

Essa situação incerta, como uma faca cega cortando carne, a estava matando lentamente.

Lucas ficou em silêncio por um momento. Ele parou de andar e observou enquanto ela se afastava, seu olhar tão profundo quanto o mar calmo.

Camila chegou à porta da loja de antiguidades, onde encontrou Daniel Ribeiro, o jovem proprietário.

Ele sorriu e disse:

— Que buquê enorme. Foi seu namorado que te deu?

— Não, fui eu mesma que comprei.

O sorriso de Daniel se alargou:

— Deve estar pesado. Deixa-me carregar para você.

Camila entregou as flores a ele, sorrindo:

— Obrigada.

Daniel brincou:

— Você é nossa funcionária valiosa, carregar flores é o mínimo.

— Você é engraçado, Daniel. — Respondeu Camila.

Os dois entraram na loja juntos, rindo e conversando.

Lucas Costa, que estava ali, observava de longe com um olhar frio. Ele não sabia bem o que sentia.

Era como se ele tivesse cuidado de um jardim de rosas por três anos e, de repente, um animal selvagem entrasse para destruí-lo.

Ele quase instintivamente quis expulsar o animal.

Foi aí que ele percebeu que não era tão magnânimo quanto pensava.

Lucas ordenou ao assistente:

— Descubra quem é aquele homem.

— Sim, senhor.

Eles entraram no carro e voltaram para a empresa.

Meia hora depois, o assistente atendeu uma chamada e informou Lucas:

— Sr.Lucas, aquele homem se chama Daniel Ribeiro. Ele é médico e a loja de antiguidades pertence ao avô dele. Três anos atrás, ele já tinha registros de chamadas com sua esposa.

Os olhos de Lucas se estreitaram, com um brilho frio:

— Descubra se ele tem outro nome, Pedro.
Leia este capítulo gratuitamente no aplicativo >

Capítulos relacionados

Último capítulo