Depois do Aborto, Eu e Minha Melhor Amiga nos Divorciamos juntas
Depois do Aborto, Eu e Minha Melhor Amiga nos Divorciamos juntas
Por: Marina Azevedo
Capítulo 0001
[Daniel, vamos nos divorciar.]

Assim que enviei a mensagem, o celular tocou. Era ele.

— Isabella, você não cansa de inventar drama? Ontem você me enganou dizendo que sua avó estava morrendo, e hoje já vem com esse papo de divórcio para me ameaçar? Casamento é só um ritual, precisava fazer tanto escândalo? — Ele disse, com a voz carregada de desprezo. — Já te falei, o cachorro da Nic sumiu, ela ficou desesperada, aquele cachorro tá com ela há anos, significa muito para ela. Além disso, cachorro também é uma vida! Por que esse ciúme doentio? Será que dá para ter um pouco de compaixão?

Enquanto eu ouvia aquelas palavras frias e duras, meu coração se enchia de tristeza e vazio.

Ontem foi o nosso casamento.

No meio da cerimônia, Daniel atendeu uma ligação e simplesmente foi embora.

Minha avó, de tanto desgosto, teve um ataque cardíaco. Eu a levei às pressas pro hospital. Mas o médico disse que só Daniel poderia realizar a cirurgia que salvaria a vida dela.

Eu tremia, chorava, e ligava sem parar.

Foram dez ligações até ele finalmente atender.

— Amor, minha avó tá tendo um infarto, por favor, vem pro hospital agora, só você pode salvá-la! — Implorei, com a voz fraca, quase sem fôlego.

— A sua avó é a única família que você tem, e mesmo assim você tá disposta a amaldiçoar ela só para me obrigar a voltar? Você ainda se considera humana? — Daniel respondeu, impaciente, com frieza. — O cachorro da Nic sumiu, e eu estou ajudando a procurar. Para de me ligar!

As lágrimas rolavam sem parar enquanto eu implorava:

— Por favor, Daniel... Eu não estou mentindo... Minha avó tá esperando por você, ela precisa de você para sobreviver. Eu te imploro...

Do outro lado da linha, ele permaneceu indiferente:

— Chega dessa encenação, Isabella. No fim, é só um casamento, dá para remarcar quando eu achar o cachorro da Nic. Para de me incomodar!

E desligou.

Eu ainda tentava ligar de novo, quando o som do monitor cardíaco da minha avó ficou contínuo e sem vida, uma linha reta que cortou o ar como uma sentença final.

Minha avó morreu.

Desde pequena, não tive pai nem mãe. Foi ela quem me criou com todo amor, com todo sacrifício. Sem ela, eu não era ninguém.

A dor me sufocava. Eu chorei tanto, tão desesperada, que acabei desmaiando.

Minha melhor amiga ficou ao meu lado o tempo todo.

Quando despertei, o mundo já não fazia mais sentido. Foi aí que decidi: eu ia me divorciar.

Desde que Nicole Dias voltou, o coração de Daniel não era mais meu.

Quantas vezes ele dizia que ia fazer hora extra no hospital, e na verdade estava saindo com a Nicole.

As fotos que eu postava nas redes sociais? Ele nunca curtia, nunca comentava. E quando eu pedia pelo menos um like, ele me chamava de imatura.

Mas bastava a Nicole postar qualquer coisa, e lá estava ele: o primeiro a curtir, o primeiro a comentar.

Eu achava que, por estarmos casados, teríamos a vida inteira juntos. Que, com o tempo, ele aprenderia a me amar.

Mas tudo o que recebi foi frieza, distância, desprezo.

Quando fomos registrar o casamento no cartório, naquela mesma noite, Daniel saiu com a Nicole pra ver a lua no topo da montanha.

No dia a dia, bastava ela chamar, e ele corria, não importava o quão ocupado estivesse.

Quando tive uma crise de apendicite, sentindo uma dor insuportável, suando frio, pedi para ele me levar ao hospital.

Mas ele disse apenas que eu era dramática, que estava fazendo cena, e que eu deveria ser mais forte.

Por outro lado, quando a Nicole cortou o dedo picando legumes, ele correu com ela pro pronto-socorro como se fosse o fim do mundo.

Para Daniel, a Nicole era o ponto fraco dele. Ninguém podia tocar.

Eu sabia que nunca poderia me comparar com ela.

Mas nunca imaginei que, para ele, até a vida da minha avó valesse menos que o cachorro da Nicole.

Enquanto eu ainda tentava entender tanta crueldade, ele continuava a falar, com a mesma frieza:

— A Nic disse que o cachorro tá muito assustado. Eu vou os levar para viajar, assim eles se acalmam. Qualquer coisa, a gente conversa quando eu voltar.

Minha melhor amiga, Paty, não aguentava mais ouvir aquilo. Num impulso, ela arrancou o celular da minha mão e gritou:

— Daniel, a avó da Bella morreu! Se você ainda tem um pingo de vergonha na cara, venha agora pro hospital se despedir dela pela última vez!
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