As luzes do clube noturno eram uma mistura de néon e sombras, criando um cenário quase surreal de decadência e luxo. O som grave da música fazia o chão vibrar sob os pés de Elena enquanto ela atravessava o salão principal do Inferno, o clube exclusivo de Anton Salvatore. Era ali que ela trabalhava agora, imersa em um mundo que era tanto sedutor quanto perigoso.
Elena ainda não se acostumara com o ambiente. As risadas altas, o tilintar constante de copos, o cheiro de álcool misturado com perfumes caros. Tudo era intenso demais. Ela servia os clientes, entregava bebidas, e ocasionalmente dançava, como Anton sugerira. Mas sempre sentia o peso do olhar dele sobre si, uma constante lembrança de que ele estava ali, observando-a, controlando cada movimento que fazia.
Naquela noite, Elena estava de serviço no bar principal, suas mãos ágeis misturando coquetéis e atendendo pedidos. Vestia um uniforme justo, uma saia preta curta e uma blusa de seda vermelha que abraçava suas curvas, escolhidos especificamente por Anton. Ele insistia que suas funcionárias mantivessem uma imagem de elegância e tentação. Ela se sentia exposta, mas sabia que era parte do trabalho.
“Duas doses de whisky”, pediu um cliente ao balcão, interrompendo seus pensamentos. Elena assentiu, pegando uma garrafa de um dos rótulos mais caros do bar. Ao servir, sentiu um leve arrepio na nuca, um sinal de que estava sendo observada. Levantou o olhar e seus olhos encontraram os de Anton do outro lado do salão.
Ele estava em uma mesa privada, cercado por alguns de seus homens e duas mulheres que pareciam mais decoração do que companhia real. Seus olhos escuros estavam fixos nela, e o pequeno sorriso em seus lábios indicava que ele sabia exatamente o efeito que sua presença tinha sobre ela. Mesmo no meio da multidão, Anton tinha uma presença dominante, que exalava poder e autoridade. Elena desviou o olhar rapidamente, concentrando-se em seu trabalho.
O tempo passou, e o movimento no clube só aumentava. Clientes entravam e saíam, a música subia e descia de intensidade, mas a sensação de estar sendo vigiada nunca a abandonava. Finalmente, uma pausa veio, e Elena aproveitou para ir ao banheiro e refrescar o rosto. Quando voltou, encontrou Enzo, o irmão mais novo de Anton, esperando por ela no balcão.
Enzo era o oposto de Anton em muitos aspectos. Onde Anton era sombrio e ameaçador, Enzo era luz e charme. Seus cabelos castanhos estavam sempre desalinhados de uma forma calculada, e seu sorriso fácil fazia com que todos ao redor se sentissem confortáveis. Ele tinha uma energia jovial que contrastava com a seriedade de Anton, e isso o tornava irresistível para muitas mulheres. Mas Elena sabia que, apesar das diferenças, Enzo compartilhava o mesmo sangue que Anton, e isso significava que ele também não era um homem comum.
“Oi, Elena”, ele cumprimentou, seu sorriso iluminando o rosto. “Como está indo à noite?”
Ela sorriu de volta, um gesto automático. “Movimentada, como sempre. Posso pegar algo para você?”
“Não estou aqui para beber”, ele disse, inclinando-se sobre o balcão, diminuindo a distância entre eles. “Queria conversar com você.”
Elena ergueu uma sobrancelha, curiosa. “Conversar sobre o quê?”
Enzo deu de ombros, seus olhos azuis brilhando de diversão. “Você é nova aqui. Quero saber como está se adaptando ao clube, ao trabalho… e ao meu irmão.”
Elena riu, embora a menção de Anton a deixasse um pouco tensa. “Acho que estou me saindo bem. O ambiente é um pouco… intenso, mas estou lidando com isso.”
Enzo assentiu, os olhos nunca deixando os dela. “Sei que Anton pode ser… intimidador. Mas, se precisar de alguma coisa, pode vir falar comigo. Eu cuido de você.” A forma como ele disse aquelas palavras fez o estômago de Elena revirar. Havia um tom de promessa ali, algo mais do que apenas um irmão querendo ajudar.
Antes que ela pudesse responder, Anton apareceu do nada, como uma sombra se materializando. Ele colocou uma mão no ombro de Enzo, o gesto casual, mas possessivo. “Enzo, não deveria estar no escritório cuidando das finanças?”, sua voz era suave, mas a ameaça subjacente era clara.
Enzo não se intimidou. Seu sorriso apenas se alargou. “Apenas me certificando de que nossa nova funcionária está bem tratada, Anton.”
Anton olhou para Elena, seus olhos escuros queimando com algo indiscernível. “Eu cuido disso. Agora, vá.”
Enzo deu de ombros e se afastou, lançando um último sorriso para Elena antes de desaparecer na multidão. Anton esperou até que ele estivesse fora de vista antes de se virar completamente para ela.
“Venha comigo”, disse ele, não era um pedido, mas uma ordem.
Elena hesitou por um segundo, olhando ao redor para ver se alguém notava. Mas a maioria dos funcionários estava ocupada, e os clientes estavam imersos em suas próprias conversas. Ela sabia que não tinha escolha, então saiu de trás do balcão e seguiu Anton. Ele a guiou pelo clube, atravessando a pista de dança e subindo uma escada que levava ao segundo andar. Lá em cima, os sons do clube eram abafados, e a luz era mais suave, criando um ambiente quase íntimo.
Anton a conduziu para uma área VIP privada, um espaço luxuoso com sofás de couro escuro e cortinas pesadas. Havia uma mesa baixa no centro, onde uma garrafa de champanhe já estava à espera, junto com duas taças. Anton se sentou no sofá e fez um gesto para que Elena se juntasse a ele.
Ela sentou-se na beirada do sofá, sua postura tensa. Anton pegou a garrafa e serviu as duas taças de champanhe, entregando uma a ela. “Relaxe, Elena”, ele disse, seu tom era mais gentil agora, quase suave. “Não estou aqui para te assustar.”
Elena pegou a taça, seus dedos tremendo ligeiramente. Ela tomou um gole, o champanhe frio deslizando por sua garganta. “O que quer, Anton?”
Ele a observou por um longo momento antes de responder. “Quero saber como está se saindo. Você parece... desconfortável.” Ele se inclinou para frente, seus olhos fixos nos dela. “Há algo que eu possa fazer para melhorar isso?”
Ela sabia que não podia ser completamente honesta. Dizer a verdade significaria admitir o medo constante que sentia sob o olhar dele, a pressão de saber que estava sempre sendo observada. Mas também havia uma atração que ela não podia negar, algo que a puxava para ele apesar do perigo que representava.
“Estou bem”, ela disse finalmente, sua voz baixa. “É apenas... tudo isso é novo para mim. Preciso de tempo para me adaptar.”
Anton assentiu, parecendo satisfeito com a resposta. Ele estendeu a mão e, antes que Elena pudesse reagir, pegou a dela, segurando-a com firmeza. Seus dedos eram quentes contra a pele dela, o toque suave, mas carregado de poder.
“Você tem todo o tempo que precisar”, ele disse, puxando-a levemente para mais perto. Elena sentiu seu coração acelerar, seu corpo reagindo à proximidade dele. Ela podia sentir o calor que emanava dele, o cheiro suave de seu perfume. “Mas quero que saiba que estou aqui para você, Elena. Não precisa ter medo.”
A proximidade deles era quase sufocante, e Elena sentia-se dividida entre recuar e ceder ao impulso de se aproximar ainda mais. Havia algo nos olhos dele, um misto de desejo e domínio, que a prendia no lugar.
“Por que está fazendo isso?”, ela perguntou, a voz saindo mais rouca do que pretendia.
“Fazendo o quê?”, Anton perguntou, sua voz baixa e envolvente.
“Me ajudando... me mantendo por perto.”
Anton sorriu, um sorriso lento e predatório. “Porque vejo algo em você, Elena. Algo que os outros não veem. Você tem potencial, uma força que poucos possuem. E quero ajudar a liberar isso.”
Ele ergueu a mão, os dedos roçando suavemente o rosto dela, traçando uma linha ao longo de sua mandíbula. “Mas você tem que confiar em mim. Tem que me deixar guiá-la.”
Elena sentiu um arrepio percorrer sua espinha com o toque dele. Era como se ele tivesse o poder de acender uma chama dentro dela, algo que ela não sabia que existia. Ela fechou os olhos por um momento, tentando afastar o turbilhão de emoções que a invadia.
Quando os abriu, encontrou os olhos de Anton fixos nos dela. “Eu vou tentar”, ela murmurou, sabendo que essas palavras significavam mais do que qualquer coisa que já tivesse dito.
Anton sorriu, satisfeito. Ele se inclinou para mais perto, a respiração dele misturando-se com a dela. “É só isso que peço, Elena. E prometo que não vai se arrepender.”
A noite estava fria e o vento cortante de outono passava pelas frestas das janelas do restaurante, deixando o ambiente gelado e desconfortável. Elena sentia suas pernas arrepiadas, um arrepio que começava na ponta dos pés e subia pelo corpo todo. Seus pés estavam gelados dentro do scarpin gasto de salto baixo, que mal oferecia proteção contra o chão de azulejos frios do restaurante. Ela abraçou o cardápio contra o peito, buscando um pouco de calor, mas sabia que de nada adiantaria. O uniforme que era obrigada a usar era composto por uma saia preta justa, que ia um pouco acima dos joelhos, e uma camisa social de botões brancos, cujas mangas eram três-quartos, deixando os braços dela expostos ao frio de dez graus daquela noite.Elena mordeu o lábio inferior, frustrada. Há quanto tempo já estava ali, naquele emprego sem futuro? Trabalhando até tarde da noite, sujeita ao assédio dos clientes e à grosseria de Cassian, o dono do restaurante. Mas não havia escolha. O salário era medíocre, ma
Anton encostou a cabeça no banco de couro do carro, sentindo a tensão do dia pesar sobre seus ombros. O jantar com os De Luca havia sido um sucesso, e isso significava um passo importante nos negócios. No entanto, lidar com a insistência de Isabela era mais do que ele estava disposto a aguentar naquela noite. Ele precisava de um tempo para si, um momento de silêncio. Girou a chave na ignição, sentindo o motor potente do carro rugir sob seu comando.Antes que pudesse arrancar, ouviu um leve bater na janela do passageiro. Anton virou o rosto lentamente, seu olhar frio pousando na figura elegante de Isabela. Ela estava linda, como sempre, seus cabelos loiros caindo em ondas perfeitas sobre os ombros. O vestido justo destacava suas curvas, e os olhos claros brilhavam sob a luz suave dos postes de rua. Mesmo assim, tudo o que Anton sentia por ela naquele momento era irritação.“Não vai me levar pra casa?”, a voz dela era doce, mas havia uma nota de irritação ali.Anton suspirou, um som pes
Elena caminhou pelas ruas da cidade com passos apressados, a mente girando em um turbilhão de pensamentos. A noite fria parecia refletir o estado de sua mente, que estava dividida entre o medo e a desesperança. O cartão que Anton Salvatore lhe havia dado parecia pesar mais do que qualquer carga física que ela já carregara. O brilho dourado das letras e o número de telefone estavam gravados em sua memória, como uma promessa enigmática e potencialmente perigosa.Ela chegou ao apartamento onde morava com a mãe, um pequeno espaço em um edifício antigo e desgastado. O prédio estava quieto, a atmosfera carregada com a mesma sensação de desolação que Elena sentia. As luzes de seu apartamento estavam acesas, sinalizando que sua mãe ainda estava acordada. Elena respirou fundo antes de abrir a porta, sentindo o peso da responsabilidade esmagá-la.Quando entrou, encontrou sua mãe sentada na sala, lendo um livro. O olhar cansado e preocupado de Corina se iluminou ao ver a filha.“Como foi o traba