Todo dia eu agradeço a covardia de Bella.
Percebo sempre que ela hesita quando estou me preparando para dormir, e fico aliviado quando ela não me convida para deitar no quarto com ela. Sei que não vou aguentar muito tempo nesse ritmo e eventualmente vamos precisar fazer isso. Mas, no momento, eu sei que não tenho forças para recusar o convite. E se não tenho forças nem para dizer não, quem dirá dormir a noite toda ao lado dela.
É melhor assim, até a gente se habituar à presença um do outro.
Ela me convenceu a ir trabalhar sozinha e dessa vez aceitei porque colocar alguma distância entre nós é exatamente o que preciso.
Além disso, a ideia de adiantar o cas
Da primeira vez que vim aqui o lugar parecia mais aconchegante. Agora me sinto um pouco claustrofóbica, presa em um labirinto de corredores e portas— Seu pai ainda está muito instável, Isabella. — O enfermeiro responsável pelo acompanhamento do meu pai, Daniel, explica enquanto me conduz pelo caminho. — Ele pode ter momentos de lucidez, mas qualquer coisa que gere estresse ou ansiedade pode desencadear uma crise.— Você diria que não é um bom momento pra tirar ele da clínica, pelo menos por uma noite?— Depende, se for para alguma atividade relaxante em ambiente controlado, poderia ser benéfico.Solto um gemido contigo de frustração. Se tem algo que posso garantir s
O controle vibra nas minhas mãos quando tomo um gol, mas minha atenção não está mais na tela. O som da chave girando na fechadura me faz pausar a partida e, antes mesmo de Bella entrar, já sei que tem algo errado.Acho que algumas coisas nunca mudam, por mais que a gente mude. Toda a intimidade que desenvolvemos anos atrás não pode ser simplesmente apagada ou modificada. Parte dela ainda pulsa e guia meus instintos.Ela fecha a porta devagar, parece nem perceber que estou ali. Noto seus ombros tensos, a respiração pesada e espero ela virar só para confirmar que seu rosto está vermelho e inchado.Largo o controle na mesa e atravesso a sala em poucos passos.— Ei, Bella?
Dante perambula pelo quarto, ajustando o ar condicionado e os travesseiros. Meu corpo inteiro parece pinicar porque não quero que ele saia daqui. Ou mais especificamente, não quero ficar sozinha agora e ele é a única pessoa que pode me fazer companhia.— Você… — tento dizer, mas minha voz falha e tenho que pigarrear. — Vai voltar pra sala, pra jogar?Ele me encara sem entender onde quero chegar.— Vou deixar o volume baixinho, prometo.— Será que posso dormir na sala hoje? Depois que sair do banho…— Não — ele diz sem hesitar. Firme.As palmas das minhas mãos suam e meu e
Mordo o lábio inferior com mais força, me controlando muito para não gemer o nome de Bella.Deitar ao seu lado, depois de tanto tempo, acabou despertando algumas memórias que eu preferia que ficassem enterradas. Especialmente quando estou tanto tempo sem transar. Claro que esse era o propósito desse plano para agradar meu avô, mas agora começo a sentir os efeitos na pele.Não é justo desejá-la assim, ainda mais depois do que acabou de acontecer, ela estava chorando até um tempo atrás. Mas ela ainda tem aquele jeitinho dengoso e olhos de cachorrinho que caiu da mudança, do jeito que sempre usou pra me manipular.Porra, como era bom ser manipulado assim.Quantas vezes ela dormiu no so
— Posso te dar o cartão de crédito e você vai no shopping. — Dante oferece.— Seu cartão de crédito? Você confia em mim pra me deixar sozinha com seu cartão de crédito? — pergunto um pouco ansiosa.Sei que entrei nesse relacionamento justamente por causa do dinheiro, mas não me imaginei sendo esse tipo de esposa. Para ser sincera me sinto ligeiramente humilhada.— Você quer que eu vá junto? Tá com saudades do provador? — Ele provoca com um sorriso de lado que faz minhas pernas amolecerem.Ainda bem que já estou sentada.As memórias do provador e da noite passada se embaralham em minha mente. Acabe
Sinto como se eu fosse adolescente outra vez, o que é extramente desconfortável. Passei o dia inteiro distraído, pensando em Bella, pensando naquela boca, naquelas pernas… Pensando no quanto ela estava manipulável na minha mão e nem percebeu. Eu poderia muito bem tê-la comido no café da manhã.Porra. Eu queria muito comer ela e disso ela sabe. Afinal não deu pra esconder minha ereção. E é exatamente por isso que eu me controlei, tive que resolver outra vez no banheiro, dessa vez no chuveiro. O problema é que não foi o suficiente, e quanto mais perto do horário de encontrá-la, mais ansioso fico.Meu corpo inteiro começa a formigar de expectativa. Quando
Cheguei a conclusão que esse relacionamento está indo rápido demais, o que pode deixar evidente que é falso. Sei que Dante está tentando marcar território, justificar o noivado que acontecerá no próximo final de semana, ainda assim…Em contrapartida, se não fosse falso, tenho a sensação de que aconteceria na mesma velocidade.Não vou mentir que passei noites sonhando em como seria voltar para Dante, imaginando se ele me aceitaria de volta, se poderíamos ser o que erámos. No fundo eu sabia que minha decisão de terminar com ele não tinha sido nada racional, mas eu era orgulhosa demais para voltar atrás.E claro, tinha meu pai que no primeiro ano só sabia xingar e praguejar. Eu odia
Talvez eu tenha me empolgado um pouco, espero que Bella ainda esteja ocupada provando roupas, assim não vai poder reclamar da minha demora.Quando entro de volta na loja, reconheço imediatamente a loira falando com ela. Desacelero a caminhada só para assistir Bella resolvendo isso sozinha, ela sempre foi boa em manter as ameaças distantes e com certeza depois do Solaris Fest ela deve estar ansiosa para mandar Flávia pro quinto dos infernos…Exceto que Bella parece encolhida nela mesma.Algo está errado.Em passos largos, a alcanço e enlaço sua cintura.— Ah, olha só, falando no diabo…— Voc&ec