O silêncio nos aposentos de Elise era apenas aparente. O peso da invasão ainda pairava no ar, e mesmo cercada por guardas e pela presença constante de Astor e Lucian, ela não conseguia ignorar a sensação de que estavam sendo observados. A noite lá fora permanecia inabalável, mas algo na escuridão pulsava como um predador paciente, à espera do momento certo para atacar novamente.Ela sentia sua respiração ligeiramente irregular, mesmo tentando se manter firme. Seus dedos apertavam levemente os panos de sua roupa, enquanto seus olhos percorriam cada sombra projetada pela luz bruxuleante das velas. Lucian permanecia próximo à janela, os olhos sempre atentos ao lado de fora. Astor estava parado ao lado da porta, a expressão fechada, como se seu próprio corpo fosse uma barreira para impedir qualquer ameaça de alcançá-la.— Houve novas informações? — Elise finalmente quebrou o silêncio, sua voz suave, mas carregada de tensão.Astor trocou um olhar breve com Lucian antes de responder.— Desc
Lucian sentia o peso das palavras do prisioneiro como um espectro pairando sobre eles. O impacto da revelação sobre Elise era inegável, e ele conseguia ver nos olhos dela a confusão, a dúvida e, acima de tudo, o medo. Seu sangue... um legado perdido. Um perigo vivo. Algo que não deveria mais existir, mas que agora despertava a cobiça da Irmandade Sombria.Ele manteve-se ao lado dela enquanto caminhavam para fora das masmorras, Astor fechando a retaguarda. O silêncio entre os três era denso, carregado pelo que haviam acabado de ouvir. Elise não falava, e Lucian respeitava isso. Havia momentos em que palavras eram desnecessárias. Apenas sua presença deveria bastar.Quando finalmente chegaram aos corredores superiores do palácio, Lucian percebeu o tremor sutil nas mãos de Elise antes que ela as fechasse em punhos. Ele queria confortá-la, mas não sabia como. Ela não era uma mulher que aceitava bem consolo ou compaixão. Em vez disso, ele seguiu para os aposentos reais junto com ela e Astor
Lucian permanecia em silêncio, observando Elise enquanto ela absorvia tudo o que haviam descoberto até agora. Ele via a tensão em seus ombros, a maneira como suas mãos se fechavam em punhos, como se tentasse controlar a tempestade de emoções que a assolava. A revelação sobre sua linhagem e a profecia que envolvia seu filho haviam mudado tudo. Não era mais apenas uma questão de protegê-la, mas de entender seu verdadeiro papel no tabuleiro.Mais tarde, sentado em uma das poltronas do salão privado, ele girava um cálice de vinho em suas mãos, sem realmente se importar com a bebida. Astor estava de pé, próximo à lareira, o olhar fixo nas chamas como se buscasse nelas alguma resposta. O silêncio entre os dois reis não era desconfortável, mas carregava o peso da responsabilidade que compartilhavam.— E agora? — Lucian quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas carregada de sentimento. — Sabemos que a Irmandade Sombria não vai parar. Se estavam dispostos a invadir o palácio, significa que estão
Elise sentia o peso das últimas revelações se acumularem sobre seus ombros como uma tempestade prestes a desabar. As palavras de Lucian ainda ecoavam em sua mente. Ele sugerira que, ao invés de se manterem apenas na defensiva, tomassem a iniciativa contra a Irmandade Sombria. A ideia era audaciosa, perigosa, mas algo dentro dela não pôde evitar o ímpeto de concordar. Pela primeira vez, não sentia apenas o medo de ser caçada. Havia algo mais ali, algo que a fazia ansiar por ação.Sentada junto à grande mesa do salão privado dos reis, Elise observava os dois irmãos em silêncio. Lucian e Astor debatiam estratégias, suas vozes firmes preenchendo o ambiente com autoridade. Era impressionante vê-los juntos, tão diferentes e, ao mesmo tempo, perfeitamente complementares. Astor, impulsivo, com uma determinação feroz que queimava em seus olhos.Lucian, metódico, pesando cada possibilidade antes de tomar uma decisão. Por mais que os dois discutissem os melhores caminhos a seguir, havia uma sint
A carga das últimas decisões ainda pesava sobre Elise enquanto ela percorria os corredores do castelo. O salão de reuniões ficara para trás, mas sua mente permanecia repleta das palavras trocadas entre ela, Astor e Lucian. Agora, não estavam mais fugindo da Irmandade Sombria — estavam à caçando.Ela deveria estar apavorada com essa mudança de postura. Havia passado tanto tempo fugindo, temendo cada sombra, cada sussurro que pudesse significar sua captura. Mas, de alguma forma, ao invés de medo, sentia uma inquietação diferente. Uma centelha de algo novo, perigoso. O desejo de agir, de fazer parte daquela luta ao invés de apenas sobreviver a ela.Seus dedos pousaram sobre a curva suave de seu ventre, quase inconscientemente. Desde que soubera da criança crescendo dentro de si, seu olhar sobre o mundo havia mudado. Será que sua súbita disposição para lutar vinha dessa nova vida? Da conexão que começava a sentir, não apenas com seu filho, mas com aqueles ao seu redor?Lucian partira em s
O salão parecia ter ficado menor, como se as paredes se fechassem ao redor de Elise enquanto o prisioneiro lhe dirigia aquele olhar enigmático. O silêncio era tão pesado que se podia ouvir a respiração contida de todos ali.— O que você quer dizer com isso? — A voz de Elise soou mais firme do que ela esperava. Seu coração martelava contra o peito, mas seu rosto permanecia inexpressivo.O prisioneiro sorriu, aquele mesmo sorriso lânguido e provocador. Ele parecia se divertir com a situação, como se fosse um mestre de marionetes prestes a revelar os fios que controlavam todos os presentes.— Ah, minha senhora, você realmente acredita que pertence à linhagem que diz carregar? — Ele inclinou a cabeça para o lado, os olhos analisando cada mínima reação dela. — Seus pais… aqueles que te criaram… não eram sangue nobre. Eram meros servos. Sua adoção foi uma jogada de conveniência.Elise sentiu o chão se desfazer sob seus pés. Um calafrio subiu por sua espinha, e por um momento, tudo ao redor d
A sensação de que algo havia mudado era impossível de ignorar. Desde a revelação do prisioneiro, Elise percebia que Lucian e Astor estavam mais cautelosos, mais distantes. Não era algo óbvio, nenhum deles havia falado diretamente sobre isso, mas ela sentia. As conversas pareciam mais curtas, os olhares trocados carregavam um peso silencioso, e quando estavam juntos, o ar entre eles parecia carregado de algo que ela não conseguia definir completamente.Talvez fosse apenas sua própria insegurança, uma consequência natural das verdades reveladas. Ela não era uma nobre de verdade. Nunca fora. Sempre soubera disso, mas agora esse fato não era apenas um segredo guardado em sua mente – era uma peça que poderia ser usada contra ela, uma fraqueza em um jogo onde qualquer deslize poderia ser fatal.Ela não sabia o que os reis realmente pensavam sobre isso. Haviam jurado protegê-la, haviam afirmado que sua posição não mudaria, mas... e se isso fosse apenas estratégia? E se, no fundo, eles também
Desde a chegada de Seraphine, Elise sentia que algo em sua dinâmica com os reis havia mudado. O distanciamento deles, antes sutil, agora parecia mais evidente. Lucian e Astor continuavam cumprindo seus deveres ao seu lado, mas a proximidade que antes compartilhavam parecia mais fria, mais cautelosa. E Seraphine... bem, Seraphine se encaixava entre eles com uma facilidade irritante.Na manhã seguinte ao jantar, Elise encontrou Seraphine nos jardins do castelo, observando as flores com uma expressão serena. Quando seus olhos se cruzaram, a outra mulher sorriu, um sorriso impecável e controlado, do tipo que escondia mais do que revelava.— Majestade, que agradável vê-la tão cedo — saudou Seraphine, sua voz melódica e refinada.Elise manteve sua postura firme, caminhando até ela com a elegância que aprendera a dominar.— Lady Seraphine, vejo que já se acostumou bem ao castelo — respondeu, mantendo seu tom neutro.Seraphine inclinou a cabeça levemente, como se estivesse analisando Elise.—