Vincenzo D' AngelisO silêncio no carro era denso, opressor, enquanto eu e Guilhermo deixávamos para trás o galpão onde realizamos o interrogatório. A estrada deserta à nossa frente parecia se estender infinitamente, refletindo o turbilhão de pensamentos que ecoavam em minha mente. Guilhermo dirigia com o maxilar cerrado, os dedos tão firmemente apertados no volante que as juntas estavam brancas. Nenhum de nós ousava quebrar o silêncio. Eu sabia que, assim como eu, ele processava cada palavra dita pelo prisioneiro. As informações eram vagas, mas uma coisa estava clara: alguém próximo, alguém do conselho, estava tentando me destruir.O plano não era apenas desestabilizar minha liderança - era um ataque direto à minha honra, à minha família. Estavam usando Enrico, meu filho, como um ponto fraco. A ideia de que ele, com apenas dois meses de vida, já era alvo de intrigas, me enchia de uma fúria que queimava como um inferno dentro de mim.Chegamos à mansão dos D'Angelis ao cair da noite, as
Antonella D'Angelis (Fontana)O dia havia sido longo, e o peso da reunião ainda pairava no ar. Mesmo depois de horas, eu sabia que Vincenzo estava trancado em seu escritório, lidando com o fardo que carregava em silêncio. A casa estava mergulhada em um silêncio inquietante, e Enrico já dormia profundamente. Não conseguia ignorar a inquietação que tomava conta de mim desde que o vi tão tenso durante a reunião.Parei em frente à porta do escritório. Respirei fundo antes de bater, mas quando não ouvi resposta, tomei a liberdade de abrir a porta devagar. A luz do abajur iluminava o ambiente com um brilho suave, revelando Vincenzo sentado atrás da mesa, a testa franzida e os ombros rígidos.Ele ergueu os olhos, exausto, ao me ver entrar.— O que foi, Antonella? — Sua voz saiu grave e cansada, como se cada palavra custasse um esforço.— Só queria saber se você está bem — respondi, tentando não demonstrar o quanto sua expressão sombria me afetava. Fechei a porta atrás de mim e me aproximei de
Vincenzo D'AngelisO ar estava pesado na ampla sala de reuniões da casa dos D'Angelis, onde Vincenzo aguardava ao lado de seu pai, Alessandro. A longa mesa de mogno brilhava sob a luz suave do candelabro, e as paredes eram decoradas com retratos de antepassados, lembrando Vincenzo das gerações que vieram antes dele. Hoje, a tradição encontrava um desafio - um obstáculo que não podiam ignorar.- Você está preparado? - Alessandro perguntou, seus olhos fixos no filho.Vincenzo assentiu lentamente, mantendo a expressão severa. - Sempre. Só espero que Salvatore seja direto conosco. Não temos tempo para rodeios.Alessandro suspirou, seus traços marcados pela idade e experiência refletindo uma preocupação crescente. - Salvatore é um homem astuto. Vai dizer o que lhe convém, não necessariamente a verdade.Assim que o relógio antigo no canto bateu as nove horas, a porta pesada se abriu, revelando Salvatore Di Luca, um dos chefes mais influentes do conselho. Seu terno impecavelmente alinhado e
Vincenzo D' AngelisEntrei na sala como um homem que não pode permitir hesitação. Meu pai, Alessandro, caminhava ao meu lado com seu habitual semblante firme, mas eu sabia que até ele sentia o peso do que estava por vir. O grande salão, que testemunhou tantas decisões que moldaram a história da nossa família, agora estava cheio de chefes e aliados que vieram assistir ao que muitos esperavam ser meu julgamento. Mas hoje, eu não estava ali para me defender - eu estava ali para reivindicar meu direito.Salvatore Di Luca, um dos homens mais influentes do conselho, estava ao centro da mesa. Ele me lançou um olhar inquisitivo assim que entrei. Não dei a ele o prazer de demonstrar qualquer fraqueza. Mantive minha postura ereta, o olhar frio e implacável. Este era meu território, minha famiglia, e eu não permitiria que duvidassem de mim.Assim que todos se acomodaram e os murmúrios cessaram, Salvatore ergueu a mão, pedindo silêncio.- Estamos reunidos hoje para discutir o futuro da liderança
Vincenzo D' AngelisEu me aproximo do quarto onde Antonella está, sentindo o peso do que preciso dizer a ela. A reunião com o conselho havia acabado de terminar, e a sensação de que eu havia declarado guerra ainda fervilhava dentro de mim. Ao empurrar a porta suavemente, encontro Antonella sentada no chão, segurando Enrico em seus braços. O pequeno observa os brinquedos ao seu redor com olhos curiosos, balbuciando alguns sons enquanto Antonella sorri para ele.Antonella levanta o olhar para mim, seus olhos castanhos iluminados por um sorriso doce, mas ao ver meu rosto, seu sorriso vacila.- O que aconteceu, Vince? - ela pergunta, a preocupação nublando sua expressão.Eu me agacho ao lado dela, colocando uma mão sobre a dela, e olho diretamente em seus olhos.- Antonella, - começo, minha voz mais grave do que eu pretendia, - as coisas vão se complicar daqui em diante. Declarei guerra hoje contra aqueles que ousarem se opor a nós. Isso significa que os traidores podem retaliar, e eu não
Antonella D'AngelisHavia semanas desde que Vincenzo declarou guerra a todos que ousassem se opor a nós. Essa decisão gerou uma onda de tensão por toda a máfia, do topo às famílias menores. Uns diziam que ele era louco, outros afirmavam que essa era a postura de um verdadeiro líder. A controvérsia, no entanto, era combustível para consolidar sua imagem como capo.O conselho decidiu organizar uma festa para celebrar o apoio das famílias aliadas, um gesto político para reforçar os laços e ostentar poder. Eu sabia, porém, que aquela festa seria mais do que uma simples demonstração de força. Entre os rostos sorridentes, estariam aqueles que fingiam lealdade enquanto tramavam contra nós.O salão principal onde ocorria as grandes festas era o cenário escolhido. Era um lugar imponente, com paredes cobertas por painéis de madeira trabalhada, candelabros dourados pendendo do teto alto e abóbadas decoradas com afrescos renascentistas. As mesas estavam impecavelmente postas, forradas com toalhas
Vincenzo D'Angelis🔞🔞🔞Essas festas sempre tinham o mesmo sabor amargo: sorrisos falsos e sussurros carregados de veneno pelos cantos. Eu estava exausto, desgastado pelos jogos de poder que nunca cessavam, mas o que mais me incomodava naquela noite era o silêncio de Antonella. Ela não disse uma única palavra desde que saímos da festa. Assim que entramos em casa, ela caminhou em direção ao quarto do nosso bambino, onde ficou parada por longos minutos, apenas observando-o dormir.Respeitei seu momento. Sabia que algo a estava atormentando, mas eu também precisava de um momento para respirar. Tomei um banho rápido e, ao sair, me joguei na cama ainda com a toalha presa à cintura. Antonella passou por mim em silêncio, dirigindo-se ao banheiro. O peso em seus ombros era evidente, e a expressão de seu rosto me dizia que tinha chorado.Quando ela voltou, eu não aguentei mais.— Antonella, chega de silêncio. Me diga, o que aconteceu?Ela hesitou, mordendo o lábio inferior como sempre fazia
Vincenzo D'AngelisNão imaginei que tudo isso me traria tantas dores de cabeça. Faz um mês que as ameaças começaram, e elas simplesmente não cessam. Minha casa, que antes era um refúgio, agora se transformou em um entra e sai constante. Homens da família, associados e até curiosos vêm até mim ou ao meu pai, trazendo palavras de apoio, reclamações ou, mais frequentemente, seus medos.No galpão, nossos interrogatórios eram infrutíferos. Por mais que pressionássemos os informantes, ninguém trazia nada de relevante. Era como se estivéssemos rodeados por sombras, incapazes de distinguir aliados de inimigos. Meu estresse estava no limite, e, para piorar, quase não via Antonella ou meu filho. Cada dia que passava, sentia que essa distância só aumentava meu desconforto.Eu estava sentado no escritório da casa quando Guilhermo entrou, segurando um envelope.- Deixaram isso para você. Germana pegou na entrada e me trouxe.Suspirei, cansado.- Deve ser mais uma ameaça vazia. Algo que tentam usar