— Eu topo — Orion disse animado. — Você vai, Aurora?— Não tenho certeza, mas até o final do dia aviso se eu for.— Certo. Vamos trabalhar, Aurora. Senão o Orion vai dar aquela bronca educada de sempre.— Espera, Aurora, me faz companhia num café?Franzi o cenho um pouco confusa, pois Orion me olhava meio molenga, sei lá.— Eu acabei de tomar e…— Só um? — insistiu, sorridente. — Pode ir na frente, Raica.— Opa, até mais. — Raica curvou os lábios, meio atônita e saiu. Ele fixou seus olhos em mim e os achei intensos demais para o meu gosto.— Café então? — Improvisei.— Deixa que eu sirvo você. — Manuseou a cafeteira com agilidade e eu respirei fundo. Que porra de sensação esquisita era aquela que fluía na copa? — Como foi com a Ellen?— Normal. — Dei de ombros. — Entreguei e saí sem considerações! Ela não permitiu.— Sei que está tudo certo — declarou. — Com açúcar?— Não, puro. — Ele movimentou a têmpora e me entregou a xícara. — Aurora, você… é talentosa…Num gesto inesperado, ele l
— Você está bem? — Ellen perguntou e se acomodou na cadeira da frente, me mantendo sob aqueles olhos que mais pareciam o oceano.— Sim, por que, pareço doente? — falei irritado. Porque estava irritado, muito irritado. — Os contratos — referi-me aos papéis em sua mão, esse era o motivo dela entrar na minha sala, os malditos contratos.— Ok! — Entregou os papéis. — Quer almoçar?— Não — respondi, avaliando a papelada. — Pode ir, assim que finalizar a leitura, assino e envio a você.— Tudo bem, chefe. — Ela avançou alguns passos para a porta, mas voltou-se para mim. — David, olhe para mim. — Soltei uma lufada de ar e olhei impaciente. — Quer conversar?— Não, quero ficar sozinho.Ela uniu as sobrancelhas, mas não insistiu.— Tudo bem, estou saindo.Ellen deixou a sala e eu voltei para os contratos, os malditos contratos, fiz o possível para me concentrar na papelada, contudo, nada me conectou, estava navegando em outros mares. Car
Estiquei as costas sentido um latejar na espinha. Que reunião exaustiva! Observei o andar quando escorei na minha mesa, quase vazio, deu para contar duas ou três cabeças trabalhando ainda por ali.— Aurora, partiu para o Chill? — Orion perguntou logo que me alcançou.Acentuei o olhar para a sala de David e notei a luz apagada. Talvez ele já tivesse ido embora, ou o senhor mau humor estivesse em reunião, de qualquer forma não pretendia falar com ele tão cedo.— Orion, preciso de um minuto.— Claro, te aguardo na recepção.Ele se afastou e eu liguei para dona Ana.— Alô, mãe.— Oi, bebê, está tudo bem?— Sim, a senhora ainda está no salão?— Estou, e não sei o que aconteceu, o trem aqui tá lotado, tenho uma fila de espera gigante, vou chegar tarde, então providencie seu jantar.— Mãe, vou aproveitar e sair com minha turma, amanhã iniciaremos as aulas.— Bebida?— Nada que faça eu ter um coma alcoólico,
Digamos que o andar estava um pouco agitado na manhã de terça, o trabalho parecia ter se multiplicado, pois nunca vi o povo correr tanto. Meu padrinho delegou tanto coisa que mal pude almoçar, o que fez a minha cabeça latejar ainda mais, não havia bebido igual a uma descontrolada na véspera, de modo que não compreendia a ressaca. Raica irradiava felicidade depois das carícias trocadas com Lucca. Orion, como um bom cavalheiro, não tocou no assunto e me tratou como se nada tivesse acontecido.David, porém, não entrou em contato e eu estava muito brava com o executivo para dar o primeiro passo, até porque… o que tínhamos? Ainda estava confusa com nosso envolvimento, aquela atração, afinal, David e eu éramos uma enorme interrogação. Ou na melhor das hipóteses, para ele, um joguinho de conquista.Mesmo teimosa, jurando de dedinho não me importar, meu coração espremeu com sua viagem, os últimos dias regados com sua presença trouxeram um ar de conto de fadas para minha vida,
Um dia depois…Passei toda a manhã ajustando o material da reunião de apresentação que teríamos por videoconferência com o CMO, embora estivesse exausta e muito apreensiva, afinal, minha ideia seria a pauta principal da reunião. Um encontro com David, mesmo que por vídeo, inquietava o meu coração. O novo homem que se revelou — talvez ciumento, mas certamente insensível —, não me agradou. Não como aquele que apareceu de repente na porta do meu prédio e segurou a minha mão em meio ao meu desespero emocional.— Orion, tudo pronto, quer que eu prepare a sala? — sugeri com o conteúdo em mãos.— Aurora, então… — Ele meneou a cabeça. Oscilando. — A Valéria, assistente do David, já fez isso, não se preocupe.— Então vam
Fazia exatamente uns quatro dias que não jantava com a minha mãe, nossos horários se desencontraram, então muitas vezes os bilhetinhos na geladeira eram o nosso meio de comunicação. Na noite de sexta, um cheiro de molho à bolonhesa atiçou meu paladar assim que abri a porta. Corri para a cozinha e esmaguei as bochechas coradas da mulher a quem devo a vida, ela sorriu e pediu para eu tomar um banho antes do jantar, fiz tudo bem rápido, pois uma lasanha estava à minha espera no forno.Conversamos muito, sobre as coisas boas que estavam acontecendo, tudo tão mágico, eu na universidade, ela com o salão repleto de clientes, cogitou até em antecipar as prestações do apartamento, pois o lucro nos negócios estava sendo exorbitante.— Mãe, talvez meu salário feche a conta e possamos completar o ano sem dívidas — falei enquanto lavava a louça. — O que acha?— Aurora, junte seu dinheiro e compre um carro, será muito útil para você. Eu, por enquanto, consigo dar conta, caso
Noite de sábado.Em quarenta e oito horas ultrapassei limites que até alguns dias atrás me afastaram de problemas, sempre simplifiquei tudo, tive liberdade desde a faculdade sobre a área na qual ia atuar. Depois, com as viagens a instabilidade trouxe em vários momentos, muita diversão, e quando queria me sentir de certa forma em casa, era a Ellen quem eu procurava. Portanto, ao embarcar para o Sul em mais uma viagem curta, nada demais, uma entre tantas que ainda faria, o sabor não foi o mesmo, foi ácido. Estava agitado e a concentração para resolver assuntos que exigia a minha presença não era muito latente.Todos os meus pensamentos e sentidos giravam como uma roleta russa. Cercado por dúvidas ou algo sufocante que apertou meu peito até eu largar tudo e voltar. Procurei uma resposta: o que a garota de boca provocante tinha para desencadear meus planos.Cogitei o fato de outro homem tocar nela e isso causou uma fúria, um desejo de posse
— Bem-vindos à UP — Théo exclamou durante o percurso que fazíamos nos guiando ao segundo andar.— Eu amo esse lugar.— Passei a amar também — Raica falou eufórica. — Nossa, que noite teremos.A UP realmente era sensacional, dois andares, três pistas e área vip aberta e privada, uma arquitetura de milhões, explicitamente destinada aos milionários. Meus olhos brilhavam como holofotes a cada detalhe que eu contemplava.— Meus amores, este é o espaço de vocês.O promoter parou na entrada de uma área vip e um “UAU” repercutiu em coro.— Meu Deus, Théo, incrível! — falei explorando o espaço. Puta merda! Estava me sentindo muito ricaaaaaa. — Isso vai custar alguma coisa pra você? Porque deve ser caro ficar aqui. — Preocupei-me, o espaço além de