— Você tem certeza que ela não está aí? — tenho, tenho sim, mas oque está acontecendo afinal de conta? — A Íris não voltou desde..., ela deve ter feito alguma coisa. — onde vocês estão agora eu vou até vocês. — estamos indo até ao cemitério, ela deve ter ido à capa da vovó. — faz sentido eu estou indo para lá. Não deixem de me avisar se por acaso acontecer alguma coisa. — Combinado! Encerramos a ligação, e a Mayra fica olhando para mim e para estrada esperando alguma resposta da minha parte. — ele disse que não a vê desde ontem à noite, e não está no hospital. — então ela deve estar lá — ela pisou ainda mais no acelerador do carro, fazendo-o indo mais rápido. — Mayra vai com calma por favor — disse, com medo. Em que momento é que a nossa família começou a ficar desse jeito? Quando é que começamos a perder o controlo das coisas e principalmente das nossas emoções? Será que tudo isso vem para nos prejudicar ou nos para ficarmos mais fortes. Em menos tempo do qu
Eu já não estava nervosa nem com medo, pelo menos não por mim, a Mayra está grávida e não suportaria que acontecesse algo com ela enquanto eu estivesse aqui, por culpa minha. Depois que o Juíz me chamou, eu vi, a minha família, procurei pela Mayra mais ela não estava, talvez eles não devem ter contado. Assim que a Luz e o Kevin olharam para mim, desataram a chorar. Eu chorei junto, nunca tinha ficado longe por tanto tempo assim das minhas irmãs, ou pelo menos sem falar com elas por 2 meses e agora que elas sabem onde estivesse esse tempo todos, isso me dá muita vergonha e me parte o coração ver eles chorando por minha causa. O Julgamento começou, e a Vanessa olhava para mim com ódio e repulsa, ela tinha os seus motivos, eu não julgava mas a entendia perfeitamente, era o seu filho, e a sua própria vida. Ela contou toda a história na sua verdadeira e única versão, não tinha como debater, eu era culpada por aquele e outros crimes. Assim que ela saiu, foi a minha vez, não havia mui
— Soltem a minha mulher, soltem ela, ela não fez nada soltem ela, Íris — grita o meu cunhado Henriques. Ele realmente não tem o mínimo de respeito e vergonha nessa cara. Mas do jeito que ele estava, notava-se que já não se cuidava tanto quanto antes. Parecia ter envelhecido mas 5 anos em apenas dois meses, faz tanto tempo que não o vemos. Ele notou que nós estávamos presentes e perguntou o que aconteceu e porquê ela foi julgada, ele mesmo não faz ideia ou está apenas brincando com a nossa cara? — Você faz isso propositalmente? — perguntou o meu cunhado Kevin, agarrando pela gola da camisa. — Eu não sei o que está acontecendo, o que ela fez? — pergunta para a sua amada amante — respondi. Puxei o Kevin antes que os guardas o fizessem. Caminhávamos até a saída, mas antes de sair disse para ele. — 12 anos de prisão, por causa de uma noite com essa mulher, você tirou 12 anos da minha irmã, Henriques estou tão arrependida de ter feito o que fiz para vocês ficarem juntos, o se eu
ÍRIS Como é que se começa de novo? Como é fazer as coisas do zero? Eu já tinha a minha vida construída e bem definida, as infelizmente, eu pós tudo a perder quando coloquei alguém no centro da minha vida. 5horas antes. — Finalmente chegou a hora, você está pronta? — Perguntou a outra presidiária que partilha a sela comigo. — Estou sim, faz um tempo que estou esperando por esse dia, estou mais do que pronta — respondi. — A tua família vai ficar muito feliz ao ver você, depois de 3 anos você recusando as suas visitas constantes — diz ela, andando de um lado para o outro. — É vergonhoso vir parar aqui pelas razões que eu vim, preferia ter roubado, eu não conseguiria olhar sempre para os olhos deles, a minhas irmãs são tudo o que eu tenho — digo, dobrando a última peça de roupa e colocando na mochila. — Você tem razão, mas aposto que eles devem estar a tua espera. — Eu não contei nada a eles, hoje é o aniversário do meu sobrinho, então devem estar ocupados preparando a
Íris — Quê? Que história é essa? — Faz três anos que fui diagnosticado com câncer, a tua irmã tem-me acompanhado, mas eu já disse que não quero operar, a tua família tem sido maravilhosa comigo, não podia ter pedido melhor. — O senhor pode parar de falar como se tivesse se despedindo? Tem que ter outra solução, o senhor não pode tomar essa decisão sem antes falar comigo. — Eu nunca contei como a Rayna morreu, ela também tinha câncer de estomago estágio 4, ela quis se juntar a sua mãe, as duas foram muito cedo, e isso me deixou sem esperança, te conhecer, fez com que eu quisesse morrer de forma natural, porque naquele dia, eu estava disposto a pular daquele prédio, Íris, Íris dos meus olhos, por favor, não lute por mim, eu quero e preciso estar com a minha família, pelo menos no meu túmulo, eu vou ficar bem — falou e o seu rosto se iluminou. — Como posso olhar para o senhor assim, morrendo, meu coração não vai suportar ver mais alguém morrer e eu não fazer nada — falo, chorand
Luz Como se reage a uma situação desse tipo, eu não faço ideia de como fazer isso de novo. Eu deveria mostrar algum tipo de atitude, afinal é a minha irmã que eu não vejo há 4 anos e 4 meses, ela se recusou a nos ver, deve estar com raiva de mim, afinal de contas, ela foi obrigada a casar com alguém que não queria e eu a motivei para que isso acontecesse. 6 Anos antes Estávamos todos reunidos na sala, quando de repente a Íris entra murmurando alguma coisa. — O que foi? — Pergunta a Mayra fazendo ioga no meio da sala. E eu sentada no sofá ao lado dela. Ela vira a cabeça e olha para nós e o cabelo vai parar ao rosto, assopra com a intenção de tira-lo da frente, mas falhou. Parece que isso deixou mais irritada. E então ela começou a choramingar. — O que aconteceu — Perguntei, colocando uma colher de gelado na boca. Sinceramente parece que estou debochando dela. — Não quero-me casar — diz ela, entrando depressa, como se tivesse fugindo de alguém. — Hã é isso, achei que j
A reação da minha irmã me deixou com uma dor imensa no peito, ela não tem culpa de nada disso, infelizmente nascemos em uma família com extremos e não sabemos como lidar com isso, sofremos imenso com todas essas regras descabidas e totalmente arcaicas, não podemos continuar assim, mas também não quero aliviar a carga das minhas queridas primas. Se eu e a minha irmã sofremos, todos precisam sofrer da mesma forma. — Temos uma reunião de família amanha — diz a Mayra. Isso ainda me deixa muito desconfortável, ao ouvir essa palavra, imagino em tudo o que aconteceu antes. — Eu não vou — diz a Luz — não tenho nada para fazer lá. E um silêncio ecoou na mesa enquanto almoçávamos. — Tu vais sim, temos muito para falar lá, na cara de todos — digo. Eu não vou deixar as minhas irmãs fugirem, pelo menos não por minha causa, tudo já estava dando errado pelo menos que seja pelos nossos feitos, e não por decisões de outros em nossas vidas, como sempre aconteceu. — Tens certeza? Não precis
A minha tia-avó é uma velha de 79 anos, a mais velha da família, seu primeiro marido morreu aos 39 anos, enquanto ela tinha os seus 17 anos, já grávida voltou a se casar com a segunda opção, mas ele também morreu, aos 40 anos, tia Laura tinha 37 anos, com os seus 5 filhos, o Lourenço, o Leonardo, Lionel e a última a favorita de todas, a mais exemplar de todas, Liliana. Aquela que faz tudo perfeito e que orgulha, a sua mãe e irmão, a jovem senhora que se casou aos 21 anos, tem um casamento super feliz, aos seus 25 anos teve gémeos, a Lana e a Laura, sim nessa família todas as iniciais são com a letra L, eu já acho isso bem cafona, sei que as minhas irmãs pensam o mesmo. Mas nem todos os seus filhos tiveram grandes feitos assim. A Elena, sua primeira filha, do seu primeiro marido, aquela que teve a vida amargurada pela própria mãe, nunca chegou a se casar, ficou toda a sua vida naquela mansão imensa sob os cuidados de sua mãe e todos os seus empregados. Essa mulher não consegue ser mais