Ademir se sentou à beira da cama, observando as longas e delicadas pestanas de Karina que tremiam levemente, como se fossem pequenos leques. Ele se conteve para não sorrir.— Karina, acorde.Karina fingiu que estava acordando apenas com a voz dele. Abriu os olhos devagar, evitando olhar diretamente para ele, o olhar hesitante. Seus lábios se apertaram, mas ela não disse nada.— Se já acordou, vá se arrumar. O avô está esperando a gente em casa para o almoço.Karina assentiu com a cabeça, lançando-lhe um olhar esperançoso. Quando viu que ele não se mexia, murmurou, com o rosto corado: — Preciso me vestir, você pode sair?Apenas com essas palavras, seu rosto já estava completamente vermelho. Ademir achou engraçado. Será que Karina ainda estava envergonhada de ser vista por ele? Depois da noite passada, não havia mais uma parte do corpo dela que ele não tivesse visto. E não só visto... Ele a beijou, e... Muito mais.Mas, mesmo assim, Ademir respeitou o pedido dela e se levantou. — T
O carro estava em completo silêncio. Ademir olhava fixamente para Karina, sem expressão. Essa mulher era a fonte de seu descontentamento! Antes, ele não queria se casar com Karina, e ela o irritava; agora que ele estava disposto, ela continuava a deixá-lo bravo! Karina não sabia o que havia feito de errado. Ela já não se importava mais; será que ele ainda não estava satisfeito? — Karina. — Ademir, reprimindo a raiva, ia falar quando seu celular tocou. Era Otávio, cobrando o retorno: — Onde vocês estão? Não disseram que voltariam para o jantar? — Vovô, estamos a caminho. Após encerrar a chamada, o carro já havia chegado à Mansão da família Barbosa, e o portão estava à vista. Ademir, sem expressão, disse de forma fria: — Vamos primeiro jantar com o vovô. — Tudo bem. Hoje, Otávio parecia estar bem, com mais apetite do que nas semanas anteriores. Ademir e Karina o acompanhavam durante a refeição; após o jantar, Karina observou enquanto ele tomava os remédios.
Mas Karina ainda não conseguia aceitar essa situação. Ela mordeu os lábios e disse:— Você não sabe das minhas coisas?O que Karina se referia, claro, era ao fato de ter estado com outros homens. O quanto Ademir a odiava na época, Karina ainda se lembrava com clareza!Ademir olhou para ela com um olhar gélido, afirmando que não se importava com essa situação, mas, na verdade, ele gostava dela.— Cada um tem seu passado. Você tem suas experiências, eu tenho as minhas, então está tudo bem.Nenhum deles tinha o que reclamar do outro.— Não, é diferente. — Karina sacudiu a cabeça.Finalmente, Ademir não aguentou mais a raiva e gritou, mordendo os dentes:— O que é diferente?— Eu... — Karina colocou a mão sobre a barriga. — Meu filho...Era isso que ela queria dizer.— Karina, escute bem, vou repetir isso apenas uma vez. O olhar de Ademir se fixou em sua barriga, com uma expressão séria.— A partir de hoje, eu serei o pai da criança. Não quero saber quem é o pai biológico, e você nunca m
— O quê? — Karina arregalou os olhos, incapaz de acreditar no que ouviu.Ademir, instantaneamente, fechou a expressão:— Somos marido e mulher legalmente, o casamento já está em preparação e você concordou. Não é razoável dormirmos juntos?— É razoável. — Karina respondeu em um sussurro.— Então vamos dormir na mesma cama. — A expressão de Ademir mudou de repente, seus lábios se curvaram em um leve sorriso. — Vá dormir, eu tenho algumas coisas para resolver. Vou dar uma passada no escritório.— Tudo bem.Assim que ele saiu, Karina ficou encarando a grande cama, hesitando antes de se sentar.Ela já tinha dormido ali antes. Contudo, dormir com ele... Embora já tivessem compartilhado momentos íntimos, estar juntos na mesma cama parecia algo muito mais próximo.Ela ainda se sentia como se fosse um sonho, como se ela e Ademir estivessem prestes a se tornar verdadeiramente um casal.O que o fazia agir assim? Seria por causa da noite passada ou por causa de Otávio?A mente de Karina estava
Lembrar. Ademir disse que a criança seria dele no futuro. Karina não disse nada, abaixou a cabeça, parecendo uma criança que cometeu um erro. — Você não precisa ser assim. — Ademir segurou a mão dela, acariciando ela. — Eu só te falei uma coisa, e você já ficou chateada? Foi minha culpa, não deveria ter sido tão severo. Quando você tem tempo? Karina pensou um pouco: — Estou quase terminando meu trabalho no hospital, tenho estado livre ultimamente, mas ainda preciso ir ao hospital. — Tudo bem. — Ademir acenou com a cabeça. — Então eu vou ao hospital e te dou uma ligada. — Certo. Depois de tomarem café da manhã, Ademir levou Karina ao Hospital J, saiu do carro e a acompanhou até a ala cirúrgica. — Está tudo bem, você pode ir. — Karina acenou para ele. — Tudo bem. — Ademir fez um gesto de despedida. — Não esqueça de almoçar direitinho. Karina não conseguiu conter o riso; antes, nunca havia percebido que ele tinha esse lado tão paciente. Ele tratava todas as mulheres
Ademir franziu a testa, sem responder à pergunta de Vitória. O que ela disse era, de certo modo, verdadeiro e falso. Ele queria ficar com Karina, mas a raiz do problema estava em Ademir. Ele engoliu em seco e disse, com calma: — É um problema meu, não tem relação com os outros. Ademir era muito responsável, mas isso não melhorou os sentimentos de Vitória. Ela olhou fixamente para ele e afirmou: — Certo, é sua responsabilidade. As promessas que me fez eram falsas. Você não deveria me dar uma explicação? Ademir permaneceu em silêncio por um longo tempo, até que finalmente murmurou: — Não há explicação, desculpe. Traição era traição! A falta de explicação era, em si, uma forma de desculpas! Vitória sentiu dificuldade em respirar, e sua visão de Ademir começou a ficar turva. — Então, acabamos? Ademir acenou levemente, se levantando. Com a voz baixa, ele disse: — Eu sinto muito. Quanto ao seu futuro, eu irei garantir. Antes de você se casar, estarei aqui para
Karina se virou para Patrícia, preocupada: — O que isso significa? Patrícia, sem entender, respondeu: — Karina, você não tem nada para fazer agora? Ela olhou para o relógio e exclamou: — Eu preciso ir trabalhar! Então, Karina, vou nessa! — Acenou para Ademir. — Sr. Ademir, até logo! E rapidamente se afastou. De repente, Ademir se virou e caminhou apressadamente em direção ao carro. Karina franziu a testa e o seguiu. Uma vez dentro do carro, Ademir ficou em silêncio, a mão descansando no volante sem ligar o carro. Karina sabia que ele estava irritado, mas não sabia como agir. — Karina. — Ademir se virou, um sorriso frio nos lábios. — Para você, quem sou eu? Não sou digno de ser apresentado à sua melhor amiga? — Não é isso! — Karina se apressou em negar. — Então o que é? — Ele elevou a voz, claramente irritado. — Eu... — Quero ouvir a verdade! A raiva de Ademir crescia, e ele se perguntava se ela o considerava indigno ou se não queria estar com ele. Kari
Ademir não tinha paciência, segurou o rosto de Karina com as mãos, forçando ela a olhar para cima. — Fala! Karina, com o rosto ruborizado e as sobrancelhas franzidas, respondeu: — Vamos falar lá fora, você não tem vergonha? — E se desvencilhou do homem, saindo apressadamente da sala de exame. Ademir ficou paralisado por um segundo. "Isso é vergonha?" Ele correu atrás dela, abraçando ela por trás, enquanto Karina se contorcia. — Não se mexa. — Ademir riu baixo. — Você é médica, o que eu pergunto é normal, qual é o problema em se envergonhar? — E você ainda fala sobre isso. — Karina ergueu a cabeça bruscamente, emburrada e com raiva. — Tudo bem, não vou mais falar. — Ademir se rendeu, com um sorriso nos lábios, e beijou a cabeça de Karina. "É tão fácil ficar envergonhada. Que adorável." Como aquele homem pôde abandoná-la? Ao entrarem no carro, Ademir ajudou Karina a colocar o cinto de segurança e pegou uma caixa do porta-malas, entregando a ela. — O que é isso?