~NICOLAS~O som da televisão preenchia o quarto enquanto assistíamos a nossa série. Os risos de ambos ecoavam no ambiente, seguidos de comentários bobos que só faziam sentido para nós. Mas eu estava perdido em outro tipo de pensamento. Eu não conseguia evitar. Aquela cena, aquela vibe... parecia tão simples, tão... normal. Eu poderia fazer aquilo com ela pelo resto da minha vida. Apenas nós dois, sentados juntos, compartilhando momentos bobos, rindo das mesmas piadas e vivendo no mesmo ritmo.Aquela era a garota que eu queria. Mas o problema era que eu não sabia nada sobre ela. Nada real. O que ela gostava? O que ela sonhava? O que mais havia por trás daquela fachada de mulher poderosa e sedutora? Eu queria saber. E, de alguma forma, sabia que a distância entre nós era mais do que apenas o nome que ela não me dava.Suspirei, desligando a TV.— Qual é seu nome? — Perguntei mais uma vez.Ela riu, quase como se aquilo estivesse se tornando uma piada para ela.— Nyx.Ri de volta, balançan
~NICOLAS~— Uma professora de balé? — perguntei, franzindo a testa enquanto observava Amélie rodopiar pela sala, suas pequenas mãos erguidas com uma graça quase natural. — De onde veio essa ideia?Sofia riu baixo, encostada no batente da porta, com os braços cruzados sobre o peito.— Desde que ela e Mia assistiram a uma apresentação no último final de semana, as duas não falam de outra coisa. Acredite, Nico, elas estão obcecadas. Já até improvisaram uns tutus com lençóis.Amélie gargalhou ao ouvir isso, tropeçando nos próprios pés e caindo sentada no chão de madeira polida. Seu riso era contagiante, mas havia algo nele que sempre me atravessava. Era como se cada risada dela carregasse algo que eu precisava proteger a qualquer custo.— Isso não parece coisa para resolver agora, Sofia. — Suspirei, massageando as têmporas. — Tenho muita coisa acontecendo no trabalho, não posso parar para procurar professora de balé. Mas... você pode contratar a melhor professora que conseguir. Traga algu
~AYLA~— Sorria. — Minha voz soou firme enquanto eu caminhava ao redor de Camila, observando cada detalhe de sua postura. — Sorria, não me deixe perceber seu esforço.Camila mordeu o lábio inferior, tentando manter a compostura enquanto executava a sequência de fouettés en tournant. Seus giros tinham força, mas careciam de leveza. Seus braços tremiam um pouco, e eu podia ver a tensão em seus ombros. Então, como eu já esperava, ela bateu o tornozelo em uma mesinha esquecida no canto da sala.— Ai! — exclamou, perdendo o equilíbrio e interrompendo o movimento.Eu fechei os olhos por um segundo, frustrada. Não com ela, mas comigo. Suspirei pesadamente e me joguei no sofá desgastado que havíamos arrastado para o canto da sala. O ambiente parecia ainda menor com os móveis empilhados e a luz fraca do final de tarde entrando pela janela. Infelizmente, era tudo o que eu podia oferecer a Camila. Eu nem tive coragem de aceitar o dinheiro que ela me oferecia pelas aulas particulares, por mais qu
~NICOLAS~O bom de ser alguém como eu é que nem mesmo o destino pode brincar comigo. Se ele decide fechar uma porta, eu simplesmente mando abrir uma janela — ou, no meu caso, compro ingressos de camarote para o teatro mais badalado da cidade.Por mais que eu tivesse prometido a mim mesmo que não voltaria àquela boate, algo dentro de mim não estava certo com essa decisão. Como uma coceira persistente sob a pele, uma sensação que não me deixava em paz. Então, tomei uma decisão simples: troquei os ingressos do sábado para sexta-feira.Não foi fácil. Tive que pagar uma pequena fortuna para conseguir quatro lugares no camarote, mas no fim, valeu a pena. Agora, a parte mais difícil foi convencer Sofia. Ela já tinha planejado todo o seu sábado e acabou tendo que reagendar tudo por minha causa.Ainda assim, lá estávamos nós: eu, Amélie, Mia — minha sobrinha de seis anos — e uma das babás das meninas.— E aí, papai, sabe o que a tia Sofia disse hoje de manhã? — Amélie perguntou enquanto subíam
~NICOLAS~Eu estava sentado no sofá do quarto, a bebida em uma mão e a mente em outro lugar. O ambiente estava silencioso, exceto pelo som distante da música vindo da boate lá embaixo. Meus pensamentos estavam longe dali, mais precisamente nela. Quando a porta se abriu e ela entrou no quarto, meu coração disparou.A luz suave do quarto iluminava Nyx, fazendo-a parecer ainda mais irresistível com a fantasia do dia em que nos conhecemos — era como se ela tivesse aparecido para me desafiar, para me fazer querer mais. E eu queria. O modo como ela se movia, como me olhava, tudo em mim respondia a ela, mas, ainda assim, não sabia o que mais queria. Eu não sabia o que ela queria de mim.Quando ela entrou, hesitou por um momento, provavelmente percebendo minha ausência na boate durante a sua apresentação. Eu sabia que ela não esperava me encontrar ali. Mas eu não conseguia me afastar, mesmo sabendo que era melhor não voltar. Naquela noite, mais uma vez, eu não consegui ficar longe.Olhei para
~AYLA~O shopping estava movimentado, cheio de famílias passeando, adolescentes tagarelando e casais discutindo qual filme assistir. Mas, entre as vitrines reluzentes e os corredores iluminados, eu e Teri caminhávamos com passos decididos, como se carregássemos um propósito maior que apenas comprar roupas.— Então, o que você acha dessa? — Teri perguntou, segurando um vestido azul-marinho clássico.Eu fiz uma careta, cruzando os braços.— Teri, a reunião é sobre salvar o prédio, não sobre seduzir o CEO da empresa.— É uma empresa de milionários, amiga. Você nunca sabe quando um decote pode ajudar.Eu gargalhei, atraindo olhares de algumas pessoas ao redor. Teri sorriu também, como se satisfeita por ter arrancado aquela risada de mim. Era engraçado como, com Teri, eu conseguia esquecer de tudo. Dos problemas, das memórias confusas e das vozes na minha cabeça.Depois de mais algumas lojas, paramos em frente a uma boutique de lingerie. Uma vitrine repleta de peças rendadas e sedutoras se
~NICOLAS~O corredor do hospital estava silencioso, exceto pelo som distante de passos ecoando no piso frio. Entrei no quarto de Isabela segurando a mão de Amélie, que apertava meu dedo com força enquanto seus olhinhos percorriam cada canto do ambiente branco e impessoal. Isabela estava sentada na poltrona ao lado da janela, envolta em um cobertor macio. Seus olhos vagavam para fora, focados em algo que não estava ali.A TV estava ligada em algum programa antigo, mas o som baixo se misturava com o zumbido dos aparelhos médicos e o sutil som do vento batendo contra o vidro. E por alguns minutos, apenas nos juntamos a Isabela, contando histórias que jamais saberíamos se ela estava absorvendo.— Mamãe — a voz doce de Amélie cortou o ar, hesitante. — A tia Sofia disse que eu vou ter uma apresentação de balé logo, e eu queria tanto que você fosse ver…A pequena caminhou até a mãe, seus sapatinhos fazendo um som abafado no chão encerado. Ela tocou suavemente a mão de Isabela, seus dedos peq
~AYLA~Quando olhei para meu reflexo no espelho, senti meu coração disparar. O vestido preto justo, com alças finas e um decote elegante, abraçava meu corpo de forma impecável. Meus cabelos caíam em ondas suaves sobre os ombros, e a maquiagem leve destacava meus olhos castanhos. Eu parecia... eu mesma. Não Nyx, não a personagem que eu vestia todas as noites sob as luzes frias do palco, mas Ayla. Apenas Ayla.Respirei fundo, sentindo o nervosismo borbulhar no estômago. Nicolas havia se oferecido para me buscar, até sugeriu mandar o motorista. Mas eu recusei. De alguma forma, parecia importante manter algo só meu, um espaço onde ele ainda não pudesse entrar. Então, peguei um Uber e segui para o Hotel Milani.Assim que saí do carro e fiquei diante do prédio imponente, uma onda de insegurança me envolveu. O hotel era majestoso, com sua fachada de vidro reluzente e um tapete vermelho se estendendo até as portas giratórias. Pessoas bem-vestidas passavam por mim, e por um segundo, me senti f