O silêncio era esmagador enquanto Ísis e Celina encaravam a figura diante delas. Sua presença oscilava entre sombra e luz, como se fosse parte do próprio tecido do Véu. Cada movimento emitia ondas de energia que vibravam no ar, como ecos de um trovão distante.— O que você quer de nós? — perguntou Celina, a voz firme, mas com um leve tremor que denunciava sua apreensão.A figura, envolta em um manto fluido que parecia vivo, ergueu a mão novamente. Sua voz era um misto de todas as frequências, como se o universo inteiro estivesse falando por ela.— Não é o que eu quero, guardiãs, mas o que o Véu exige. Para seguir adiante, vocês devem demonstrar que compreendem o equilíbrio, que enxergam além das dualidades. Luz e sombra não são opostos; são parceiros na criação. Mostrem-me que vocês podem dançar entre elas.Ísis deu um passo à frente, a respiração controlada.— E como fazemos isso? Qual é a sua prova?A figura fez um gesto suave, e o espaço ao redor começou a se transformar. O chão de
A ponte de luz as conduzia a um lugar que transcendia a compreensão. Ísis e Celina caminharam lado a lado, cada passo reverberando como um eco pelo tecido do Véu. À medida que avançavam, o espaço ao redor se desdobrava em um caleidoscópio de cores e formas. O céu não era mais apenas um vazio estrelado; ele agora parecia um mar de galáxias em movimento, com constelações que dançavam e mudavam suas formas, como se respondessem à energia das guardiãs.No fim da ponte, uma estrutura começou a se materializar. Era um templo feito de pura luz e sombra, suas paredes pulsando como um coração vivo. Cada batida parecia sincronizada com o fluxo do Véu, conectando-se ao ritmo do universo.— Este é o Coração do Véu, — disse Ísis, sua voz baixa e cheia de reverência. — É aqui que tudo começa e termina.Celina assentiu, sentindo a magnitude do momento. O templo emanava uma energia quase avassaladora, como se segurasse o peso de todas as realidades conectadas ao Véu. Elas sabiam que o que fariam ali
Ísis e Celina, agora conectadas ao coração do Véu, sentiam cada movimento ao seu redor como uma extensão de suas próprias almas. O universo não era mais um mistério incompreensível; ele estava vivo, pulsando dentro delas, esperando ser moldado.A ponte de luz, que antes parecia guiá-las, agora seguia os seus passos, desdobrando-se e se transformando conforme suas intenções. Elas sabiam que tinham que testar o poder que haviam recebido, entender o impacto de suas ações como criadoras.— Ísis, por onde começamos? — perguntou Celina, sua voz cheia de reverência e um toque de incerteza.— Começamos do início, — respondeu Ísis. — Criamos algo simples, mas significativo. Algo que honre o equilíbrio entre a luz e a sombra.Elas pararam em um espaço que parecia estar no limiar entre o nada e o tudo. O céu ao redor era um turbilhão de cores que dançavam em harmonia, como se aguardassem a decisão das guardiãs.Ísis ergueu a mão, e com um movimento suave, começou a traçar padrões no ar. Fios de
Após a criação do primeiro mundo, Ísis e Celina sentiram uma leve vibração nas profundezas do Véu, como um eco ressoando em harmonia com suas almas. Era como se as estrelas ao redor sussurrassem algo que apenas elas podiam ouvir.— Ouça, Ísis, — disse Celina, fechando os olhos. — Elas estão nos chamando.Ísis também se concentrou, permitindo que o som a envolvesse. As constelações acima, que antes pareciam apenas pontos distantes de luz, agora brilhavam com padrões que contavam histórias ancestrais. Cada estrela pulsava como uma batida de um tambor cósmico, e juntas, elas formavam uma melodia que as guiava para um novo destino.— É uma convocação, — disse Ísis, com uma mistura de reverência e curiosidade. — As constelações querem que descubramos algo além do Véu.Enquanto avançavam pelo espaço iluminado, o Véu começou a se transformar. Não era mais um rio de luz, mas um mar estrelado, cada ponto brilhante carregando um fragmento de memória ou conhecimento. Ísis e Celina sentiram uma f
A energia do templo ainda vibrava no ar ao redor de Ísis e Celina. A conexão recém-formada com o Véu era intensa, como um fogo brando que aquecia sem consumir, mas sua profundidade era desconcertante. Cada pensamento parecia ressoar em múltiplas dimensões; cada decisão, uma bifurcação de realidades possíveis. Elas haviam atravessado o limiar do ordinário e agora estavam no centro do extraordinário.A figura etérea que se autodenominava Véu pairava entre elas, observando com uma serenidade que era tanto conforto quanto um lembrete de sua responsabilidade.— A conexão que agora possuem com o Véu não é apenas um dom, — a figura começou, sua voz reverberando como um coro distante. — É uma carga. Criar equilíbrio exige compreensão profunda e escolhas difíceis.Ísis franziu o cenho, tentando processar a imensidão do que havia recebido.— Como podemos manter o equilíbrio em algo tão vasto? O universo é infinito, e o Véu… é tudo.A figura sorriu de maneira enigmática.— O equilíbrio não é alg
O retorno ao templo foi mais tranquilo do que Ísis e Celina esperavam, mas suas almas ainda carregavam as marcas da jornada anterior. O Véu, em sua vastidão enigmática, havia sussurrado segredos durante a travessia de volta. Palavras que pareciam ecoar em lugares mais profundos do que a mente humana poderia alcançar.No salão principal, o ambiente estava mais iluminado, como se o próprio espaço reconhecesse o sucesso delas. Lúcia, que havia permanecido no vilarejo enquanto aguardava notícias, as recebeu com um sorriso caloroso, embora seus olhos transmitissem preocupação.— Vocês conseguiram? — perguntou Lúcia, segurando as mãos de Ísis.— Conseguimos, — respondeu Ísis, sua voz firme, mas carregada de exaustão. — O mundo foi equilibrado, mas a tarefa não foi simples. Cada passo parecia uma luta para manter a harmonia, tanto dentro quanto fora de nós mesmas.Celina assentiu, colocando uma mão sobre o ombro de Lúcia.— O Véu nos deu as ferramentas, mas o equilíbrio só foi possível porqu
O tempo parecia dilatar-se em um silêncio pesado após a derrota de Kael. Ísis e Celina ficaram em pé, lado a lado, observando a torre desmoronar lentamente, seus fragmentos sendo absorvidos pelo Véu. A tensão no ar começava a se dissipar, mas uma sensação de incerteza permanecia, como se o universo ainda estivesse tentando encontrar seu equilíbrio após o choque.Enquanto o Véu se restaurava ao seu estado natural, a paisagem ao redor delas também começava a mudar. As árvores retorcidas começaram a se endireitar, a luz que antes era absorvida parecia agora ser refletida, e o solo, antes sombrio, gradualmente ganhava vida, florescendo com cores vibrantes. No entanto, o que mais chamava a atenção de Ísis e Celina não era a transformação visível ao redor, mas o que se passava dentro delas. A batalha contra Kael havia deixado marcas mais profundas do que elas poderiam ter imaginado.— O que Kael disse… — murmurou Celina, seus olhos voltados para a torre desmoronada. — Ele acreditava que o V
O momento em que Ísis e Celina atravessaram o portal foi como o impacto de uma onda de luz e sombra se colidindo. O ar ao seu redor se transformou em uma substância viscosa, fazendo com que elas sentissem que o tempo estava se distorcendo. Elas não podiam ver, nem ouvir, apenas sentir uma presença esmagadora que se aproximava de todas as direções ao mesmo tempo. O Véu pulsava em suas peles, nas correntes de energia que se entrelaçavam com seus próprios corações, e, pela primeira vez, elas estavam verdadeiramente imersas em seu poder.O mundo ao redor delas começou a tomar forma. As cores explodiram em um caleidoscópio vibrante, criando uma paisagem surreal. O chão sob seus pés parecia flutuar, e os céus acima se desdobravam em camadas infinitas, como um livro que nunca acabava de ser escrito. Elas estavam no centro de uma realidade em constante transformação, onde a lógica não se aplicava e a criatividade era a única regra.— O que é isso? — Celina perguntou, sua voz ecoando pela vast