Alana inclinou-se o suficiente para que Grace pudesse sentir seu perfume doce, e sussurrou com uma voz cheia de provocação:
— Olha como ele gostou de você. Está te olhando. É um convite, e você deveria aceitar. Adrian é um bom mestre, e é muito procurado por aqui, mas pelo visto, hoje ele não quer outra a não ser você. — A voz de Alana era baixa, quase um ronronar. — Mestre Adrian te fará sentir mulher de uma forma na qual você nunca pensou ser possível. Grace sentiu o coração bater forte, cada pulsação ecoando em seus ouvidos. Era impossível ignorar o peso do olhar de Adrian sobre ela. Mesmo à distância, ele parecia saber exatamente o que se passava em sua mente, como se pudesse decifrar seus pensamentos mais íntimos apenas observando. Era um olhar que a desnudava, que fazia com que cada parte de seu corpo reagisse a uma presença que ela mal conhecia. Ela desviou o olhar rapidamente, tentando manter o controle sobre suas emoções. Mas foi impossível não lançar mais um olhar para ele, atraída pela energia intensa que irradiava de sua figura. Adrian estava ali, imponente, como um predador atento. Ele era alto, com mais de um metro e noventa, os ombros largos e o corpo forte em evidência mesmo sob a roupa escura e elegante que usava. Seus olhos castanhos, profundos e intensos, pareciam penetrar até a alma de quem ousava encará-lo. Mas o que mais chamava a atenção de Grace era a máscara que cobria seu rosto. Todos os mestres no The Velvet Room usavam máscaras diferentes, e a de Adrian era particularmente intrigante. Feita de couro negro, cobria sua testa e descia sobre os olhos e o nariz, deixando apenas a boca à mostra. O desenho da máscara era simples, mas elegante, com detalhes sutis que conferiam um ar de mistério e poder. Grace não podia ver o rosto completo dele no momento a qual foi lhe apresentado, mas isso só aumentava sua curiosidade. Como seria seu sorriso? Sua expressão quando estava concentrado ou mesmo entregue ao prazer? Havia tanto que não sabia, e o desconhecido a atraía de uma forma inesperada. — Por que eles usam máscaras? — perguntou Grace, tentando parecer casual, mas sua voz saiu um pouco mais hesitante do que gostaria. Alana sorriu, inclinando-se ainda mais perto, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo valioso. — As máscaras têm um propósito muito importante aqui, Grace. — Ela fez uma pausa, deixando o suspense pairar no ar antes de continuar. — Elas servem para separar o papel de mestre da pessoa por trás dele. Quando um mestre coloca a máscara, ele assume um papel específico, uma identidade que não é limitada pelas restrições do mundo lá fora. Ele se torna um guia, um líder, alguém em quem você pode confiar para explorar os seus desejos mais profundos. A máscara permite que eles deixem para trás suas próprias preocupações e se concentrem totalmente em quem estão guiando. Grace ponderou por um momento, absorvendo as palavras de Alana. Fazia sentido. A máscara não era apenas uma forma de esconder a identidade, mas uma espécie de ritual, um símbolo de transformação. Ali, no clube, as pessoas podiam se libertar das convenções sociais e serem apenas o que desejavam ser, sem medo de julgamentos. E os mestres, com suas máscaras, assumiam esse papel de poder e controle, criando um espaço onde as regras do mundo exterior não se aplicavam. — Então, é como se eles se tornassem outra pessoa? — Grace perguntou, tentando entender melhor. Alana assentiu, os olhos brilhando com entusiasmo. — Exatamente. Eles se tornam algo maior do que eles mesmos, uma personificação do que significa ser um mestre ou uma mestra aqui. Cada um tem seu estilo, suas preferências, mas todos compartilham o mesmo propósito: proporcionar uma experiência intensa e segura para quem confia neles. E, devo dizer, cada máscara carrega uma história, um simbolismo. O Adrian, por exemplo, é conhecido por sua precisão e controle. Ele é meticuloso, cuidadoso. Mas ao mesmo tempo, pode ser incrivelmente intenso, quase devastador. Ele já foi chamado de ‘A Besta’ aqui dentro. Grace engoliu em seco, tentando imaginar o que tudo aquilo significava. Ela se sentia um tanto intimidada, mas também havia uma curiosidade crescente dentro dela. O que exatamente Adrian fazia para ser tão procurado? Que tipo de experiências ele proporcionava? E por que, de todas as pessoas naquele clube, ele parecia ter interesse justamente nela? — E você, já esteve com ele? — A pergunta escapou de Grace antes que pudesse se conter. Alana riu, um som suave e cheio de malícia. — Já estive com todos os mestres daqui, querida. E posso te garantir que cada um tem algo único para oferecer. Mas Adrian… ele é especial. Há algo na forma como ele conduz as cenas, como ele se conecta, que o torna diferente. É como se ele soubesse exatamente onde tocar, como falar, o que fazer para fazer você se render completamente. Não se trata só de prazer físico. Ele te leva a lugares da mente que você nunca imaginou existir. Grace ficou em silêncio, tentando processar tudo aquilo. A ideia de se entregar nas mãos de alguém como Adrian era assustadora e excitante ao mesmo tempo. Ela sentia um misto de medo e desejo, uma vontade crescente de saber como seria estar sob o controle daquele homem que parecia carregar tanta intensidade em cada gesto, em cada olhar. — Eu não sei se estou pronta para isso — confessou, a voz baixa. Alana segurou sua mão com um gesto carinhoso. — Ninguém precisa estar pronta de imediato. Você só precisa estar aberta para experimentar, para sentir. E, se decidir que não é o que quer, tudo bem também. Mas, se resolver tentar, posso te garantir que será uma experiência que você nunca vai esquecer. Grace olhou para Adrian novamente. Ele ainda a observava como uma besta faminta, os olhos fixos nela, como se soubesse exatamente o que se passava em sua mente. Ela sentiu o coração disparar mais uma vez e soube que, de alguma forma, aquele encontro mudaria sua vida. Tudo dependia de uma escolha, e ela não tinha certeza se estava pronta para fazê-la.Adrian observava Grace com uma intensidade que beirava a loucura. Ele mal piscava, seus olhos fixos nela, enquanto ela conversava com Alana e ocasionalmente lançava olhares furtivos em sua direção. Algo em Grace o atraía de uma forma que ele não conseguia controlar. Era como se cada movimento dela o hipnotizasse, a maneira como mexia no cabelo, o sorriso hesitante, a forma tímida como olhava para o salão, tudo nela parecia uma mistura de inocência e curiosidade que o deixava ainda mais fascinado. Quando viu Alana ser chamada por uma das funcionárias do clube, ele soube que aquele era o momento perfeito. Sua presa estava sozinha, e ele não perderia a oportunidade de se aproximar. Não tinha dúvidas de que a queria, de que precisava tê-la. Adrian saiu de onde estava, pegou duas bebidas no bar e começou a subir as escadas lentamente, observando cada reação de Grace. Ela estava distraída, observando as pessoas dançando no andar de baixo. Os corpos se moviam ao ritmo da música, uma mistu
A noite no The Velvet Room estava mais intensa do que nunca. A música pulsava nas paredes, e o ambiente parecia vibrar com a energia dos corpos que se moviam ao ritmo das batidas sensuais. Grace, ainda tentando processar sua conversa com Adrian, decidiu dar uma volta pelo clube. Ela queria se afastar um pouco da intensidade do encontro e refletir sobre tudo o que havia acontecido até aquele momento. Ela desceu as escadas e começou a explorar o andar inferior. O clube era um labirinto de corredores e salas privadas, cada uma dedicada a um tipo específico de fantasia ou prática. As pessoas estavam imersas em seus próprios mundos, se entregando a experiências que pareciam impossíveis fora daquele lugar. Grace observava com curiosidade e uma pontada de nervosismo. Tudo aquilo era tão novo para ela, tão diferente do que imaginava sobre si mesma. Enquanto caminhava pelo corredor, foi surpreendida por um homem alto e corpulento, que esbarrou nela de forma rude. Ele segurou seu braço com fo
Ainda abraçados, Grace ergueu o rosto para olhar Adrian. Sentia-se pequena e frágil em seus braços fortes, como se todo o peso do mundo pudesse desaparecer se ele continuasse a segurá-la assim. Tentou se afastar, um pouco desconfortável com a proximidade que despertava uma série de sentimentos contraditórios dentro dela. Mas ele não a soltou, mantendo-a firmemente contra o peito. O olhar dele caiu sobre os lábios dela, e Grace soube, sem sombra de dúvida, que se não se afastasse, ele a beijaria. — Adrian, vamos limpar o seu ferimento, se Alana ver isso, ela pode... — começou Grace, tentando trazer um pouco de razão à situação. — Shh... — Adrian a interrompeu suavemente, passando o polegar pelos lábios carnudos de Grace, um gesto que a fez estremecer. — Ela não fará nada. Não se preocupe. O toque dele era delicado, mas havia uma força subjacente que a fazia sentir-se ainda mais vulnerável. Quando ele começou a se inclinar para ela, os olhos fixos nos dela, como se fosse inevitável q
Já em casa, Grace se sentia exausta, tanto física quanto emocionalmente. Depois de tudo o que havia testemunhado no The Velvet Room, sua mente estava um caos. Ela se livrou dos saltos altos com um suspiro de alívio, os pés agradecendo pela liberdade, e pendurou a bolsa no cabide embutido na parede ao lado da porta. Com um gesto automático, começou a desfazer o penteado que havia mantido durante a noite, deixando os cabelos longos e escuros caírem livremente sobre os ombros. Grace sabia que precisava de um banho relaxante para tentar acalmar os pensamentos turbulentos que dançavam em sua mente. Mas sabia também que o banho talvez não fosse suficiente para apagar as imagens que permaneciam cravadas em sua memória. A cena que havia presenciado no quarto com Adrian e Vanessa continuava voltando, como flashes repetidos de um sonho do qual não conseguia escapar. Ela caminhou até o banheiro, tirando a roupa devagar, como se estivesse tentando afastar o peso daquela noite com cada peça que
Adrian terminou seu tempo com Vanessa, observando-a sair do quarto com o sorriso satisfeito que ela sempre exibia depois de suas noites juntos. Vanessa era uma mulher bonita, loira e vaidosa, com seus 50 anos bem cuidados. Ela era a esposa do governador de Nova York, mas quando vinha a São Paulo, deixava todas as convenções de lado para se divertir com Adrian. Era um acordo silencioso, algo que ambos entendiam sem nunca precisar discutir. Ela pagou generosamente, como sempre, e saiu do clube com a mesma confiança com que havia entrado, como se estivesse completamente satisfeita com sua pequena fuga da vida pública. Adrian fechou a porta atrás de si com um leve suspiro. Essas noites com Vanessa, apesar de simples e diretas, sempre o deixavam exausto. Não pelo ato em si, mas pela energia mental que precisavam. Ele sabia que era apenas um jogo de poder e prazer, algo que Vanessa buscava desesperadamente para escapar do mundo controlado em que vivia. Para Adrian, era apenas trabalho. Qua
Na noite seguinte, Grace se preparou para voltar ao clube. Ela escolheu cuidadosamente sua roupa, optando por uma blusa branca de costas nuas que deixava sua pele exposta de forma elegante e provocante. Combinou a blusa com uma saia preta justa, que caía sobre seus quadris com perfeição. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo impecável, deixando seu pescoço à mostra, adornado por um colar simples e delicado. A maquiagem era leve, apenas o suficiente para destacar seus traços naturais. Ela pegou a bolsa, deu uma última olhada no espelho e saiu em direção ao The Velvet Room. Quando chegou ao clube, o ambiente familiar a envolveu imediatamente. As luzes suaves, a música baixa e sensual, e o perfume misturado de várias fragrâncias no ar. Ela entrou pelo salão principal e, ao levantar os olhos para o andar de cima, viu Adrian ao lado de Alana. Ambos pareciam estar atentos ao que acontecia ao redor, como se fossem os guardiões daquele espaço. Os olhos de Adrian, no entanto, logo se voltar
Adrian observava Grace atentamente, ouvindo cada palavra com uma calma controlada, mas por dentro, ele lutava contra a onda crescente de desejo. Quanto mais ela falava sobre si mesma, sobre seus sonhos, suas perdas e seus medos, mais ele se sentia atraído por ela. Ele achava que, conhecendo mais sobre sua vida, o desejo que sentia diminuiria, como se a vulnerabilidade dela o afastasse das fantasias que sua mente criava. No entanto, o efeito foi exatamente o oposto. Cada fragmento de informação sobre Grace apenas aumentava seu desejo, tornando-o quase insuportável. Grace, por sua vez, se afastou um pouco no sofá enquanto falava, cruzando as pernas e tentando encontrar uma posição confortável. Ela não sabia ao certo o que estava sentindo; a presença de Adrian ao seu lado era intensa e cheia de uma energia que ela não conseguia identificar completamente. Havia algo nele que a deixava inquieta, mas também curiosa, algo que a fazia querer ficar, mesmo quando tudo em sua mente dizia para m
— Venha comigo, quero te mostrar a sala dos prazeres de submissão. Adrian estendeu as mãos na direção de Grace, seus olhos fixos nos dela, oferecendo mais do que apenas um convite. Havia algo nas palavras dele, na forma como ele se movia, que a atraía de uma forma que ela não conseguia explicar. Mesmo com o coração acelerado, ela aceitou o convite, deixando que seus dedos se entrelaçassem com os dele enquanto se levantava do sofá. O toque dele era firme, mas ao mesmo tempo gentil, uma combinação de poder e cuidado. Com um gesto cauteloso, Adrian aproximou o corpo dela do seu, e naquele momento, o mundo pareceu desaparecer ao redor deles. Os lábios de Adrian estavam próximos, tão próximos que ela podia sentir a respiração quente dele contra a pele. Seu corpo tremia, não de medo, mas de antecipação, e ele claramente percebeu isso. Ele sussurrou contra os lábios dela, sua voz cheia de desejo contido. — Deixe-me ser seu guia, seu mestre, senhor, dominador... seu homem. Qualquer coisa