Capítulo 5

Alana inclinou-se o suficiente para que Grace pudesse sentir seu perfume doce, e sussurrou com uma voz cheia de provocação:

— Olha como ele gostou de você. Está te olhando. É um convite, e você deveria aceitar. Adrian é um bom mestre, e é muito procurado por aqui, mas pelo visto, hoje ele não quer outra a não ser você. — A voz de Alana era baixa, quase um ronronar. — Mestre Adrian te fará sentir mulher de uma forma na qual você nunca pensou ser possível.

Grace sentiu o coração bater forte, cada pulsação ecoando em seus ouvidos. Era impossível ignorar o peso do olhar de Adrian sobre ela. Mesmo à distância, ele parecia saber exatamente o que se passava em sua mente, como se pudesse decifrar seus pensamentos mais íntimos apenas observando. Era um olhar que a desnudava, que fazia com que cada parte de seu corpo reagisse a uma presença que ela mal conhecia.

Ela desviou o olhar rapidamente, tentando manter o controle sobre suas emoções. Mas foi impossível não lançar mais um olhar para ele, atraída pela energia intensa que irradiava de sua figura. Adrian estava ali, imponente, como um predador atento. Ele era alto, com mais de um metro e noventa, os ombros largos e o corpo forte em evidência mesmo sob a roupa escura e elegante que usava. Seus olhos castanhos, profundos e intensos, pareciam penetrar até a alma de quem ousava encará-lo. Mas o que mais chamava a atenção de Grace era a máscara que cobria seu rosto.

Todos os mestres no The Velvet Room usavam máscaras diferentes, e a de Adrian era particularmente intrigante. Feita de couro negro, cobria sua testa e descia sobre os olhos e o nariz, deixando apenas a boca à mostra. O desenho da máscara era simples, mas elegante, com detalhes sutis que conferiam um ar de mistério e poder. Grace não podia ver o rosto completo dele no momento a qual foi lhe apresentado, mas isso só aumentava sua curiosidade. Como seria seu sorriso? Sua expressão quando estava concentrado ou mesmo entregue ao prazer? Havia tanto que não sabia, e o desconhecido a atraía de uma forma inesperada.

— Por que eles usam máscaras? — perguntou Grace, tentando parecer casual, mas sua voz saiu um pouco mais hesitante do que gostaria.

Alana sorriu, inclinando-se ainda mais perto, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo valioso.

— As máscaras têm um propósito muito importante aqui, Grace. — Ela fez uma pausa, deixando o suspense pairar no ar antes de continuar. — Elas servem para separar o papel de mestre da pessoa por trás dele. Quando um mestre coloca a máscara, ele assume um papel específico, uma identidade que não é limitada pelas restrições do mundo lá fora. Ele se torna um guia, um líder, alguém em quem você pode confiar para explorar os seus desejos mais profundos. A máscara permite que eles deixem para trás suas próprias preocupações e se concentrem totalmente em quem estão guiando.

Grace ponderou por um momento, absorvendo as palavras de Alana. Fazia sentido. A máscara não era apenas uma forma de esconder a identidade, mas uma espécie de ritual, um símbolo de transformação. Ali, no clube, as pessoas podiam se libertar das convenções sociais e serem apenas o que desejavam ser, sem medo de julgamentos. E os mestres, com suas máscaras, assumiam esse papel de poder e controle, criando um espaço onde as regras do mundo exterior não se aplicavam.

— Então, é como se eles se tornassem outra pessoa? — Grace perguntou, tentando entender melhor.

Alana assentiu, os olhos brilhando com entusiasmo.

— Exatamente. Eles se tornam algo maior do que eles mesmos, uma personificação do que significa ser um mestre ou uma mestra aqui. Cada um tem seu estilo, suas preferências, mas todos compartilham o mesmo propósito: proporcionar uma experiência intensa e segura para quem confia neles. E, devo dizer, cada máscara carrega uma história, um simbolismo. O Adrian, por exemplo, é conhecido por sua precisão e controle. Ele é meticuloso, cuidadoso. Mas ao mesmo tempo, pode ser incrivelmente intenso, quase devastador. Ele já foi chamado de ‘A Besta’ aqui dentro.

Grace engoliu em seco, tentando imaginar o que tudo aquilo significava. Ela se sentia um tanto intimidada, mas também havia uma curiosidade crescente dentro dela. O que exatamente Adrian fazia para ser tão procurado? Que tipo de experiências ele proporcionava? E por que, de todas as pessoas naquele clube, ele parecia ter interesse justamente nela?

— E você, já esteve com ele? — A pergunta escapou de Grace antes que pudesse se conter. Alana riu, um som suave e cheio de malícia.

— Já estive com todos os mestres daqui, querida. E posso te garantir que cada um tem algo único para oferecer. Mas Adrian… ele é especial. Há algo na forma como ele conduz as cenas, como ele se conecta, que o torna diferente. É como se ele soubesse exatamente onde tocar, como falar, o que fazer para fazer você se render completamente. Não se trata só de prazer físico. Ele te leva a lugares da mente que você nunca imaginou existir.

Grace ficou em silêncio, tentando processar tudo aquilo. A ideia de se entregar nas mãos de alguém como Adrian era assustadora e excitante ao mesmo tempo. Ela sentia um misto de medo e desejo, uma vontade crescente de saber como seria estar sob o controle daquele homem que parecia carregar tanta intensidade em cada gesto, em cada olhar.

— Eu não sei se estou pronta para isso — confessou, a voz baixa.

Alana segurou sua mão com um gesto carinhoso.

— Ninguém precisa estar pronta de imediato. Você só precisa estar aberta para experimentar, para sentir. E, se decidir que não é o que quer, tudo bem também. Mas, se resolver tentar, posso te garantir que será uma experiência que você nunca vai esquecer.

Grace olhou para Adrian novamente. Ele ainda a observava como uma besta faminta, os olhos fixos nela, como se soubesse exatamente o que se passava em sua mente. Ela sentiu o coração disparar mais uma vez e soube que, de alguma forma, aquele encontro mudaria sua vida. Tudo dependia de uma escolha, e ela não tinha certeza se estava pronta para fazê-la.

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