Adrian afastou seus lábios do pescoço de Grace lentamente, deixando um rastro de calor na pele dela. Ele deu um passo atrás, observando-a com atenção, como se estivesse esperando pela próxima reação. Grace, no entanto, se perdeu por um momento. Seus sentidos ainda estavam inundados pelo toque de Adrian, mas sua atenção foi capturada por algo no centro da sala. Ela se virou levemente, os olhos fixos em uma cena que acontecia à sua frente, e tudo ao redor pareceu desaparecer, exceto o que ela estava prestes a testemunhar. No centro da sala, uma mulher estava completamente entregue a um dos dominadores do clube. Ela era alta, esguia, com cabelos loiros e compridos que caíam em ondas desfeitas pelas cordas que a envolviam. O corpo dela estava suspenso a poucos centímetros do chão, amarrado de maneira artística e precisa, em uma forma de Shibari que realçava cada curva e contorno. As cordas vermelhas cortavam sua pele delicadamente, criando um contraste marcante contra sua pele pálida. O
— Espere... — Adrian pediu, sua voz firme, mas sem agressividade. Ele segurou o braço de Grace, fazendo-a parar e virar para ele. Seus olhos, cheios de intensidade, a fixavam com um olhar que penetrava profundamente, como se ele pudesse ver algo que nem ela mesma conseguisse compreender. — Grace, por que está tão relutante? — Ele perguntou, sem soltar o braço dela, mas sem apertá-lo com força. Grace tentou manter a calma, mas o toque dele e o jeito como ele a olhava faziam sua mente se confundir. Ela puxou o braço levemente, afastando-se alguns passos, mas a distância física parecia insignificante diante da atração inegável que sentia. Precisava de ar, precisava se afastar de Adrian para pensar com clareza, mas, ao mesmo tempo, era como se algo a prendesse ali, incapaz de fugir completamente. — Não sei o que você quer dizer com isso — ela respondeu, tentando soar indiferente, mas sua voz tremia levemente. Ela começou a caminhar pelo corredor, tentando se afastar, como se sair daqu
Uma semana havia se passado desde a última vez que Grace estivera no The Velvet Room. Durante esse tempo, ela fez de tudo para reorganizar sua vida e afastar os pensamentos sobre Adrian e o clube. Naquela noite, o som da chuva forte batia nas janelas, criando uma melodia constante enquanto Grace, sentada em seu canto favorito do sofá, tomava um chocolate quente e mexia no laptop. A luz suave do abajur refletia em seu rosto, e ela tentava se concentrar nas várias candidaturas de emprego que havia enviado nos últimos dias. Ela havia decidido não voltar ao clube. Alana tinha recebido uma mensagem de texto onde Grace foi direta, explicando que aquele não era o tipo de vida que queria para si. Precisava de estabilidade, de algo que pudesse controlar, não de um mundo de incertezas e desejos que a deixavam dividida e sem direção. Durante essa semana, Grace procurou trabalho, focou em retomar o controle da sua vida, mas, mesmo com todos os seus esforços, Adrian continuava em sua mente. A im
Adrian passou a semana imerso em uma crescente frustração, algo que raramente sentia, ainda mais em relação a alguém como Grace. Desde o momento em que ela deixou o The Velvet Room, ele não conseguia tirá-la da cabeça. Cada vez que o relógio marcava o início de mais uma noite no clube, sua mente, quase que por instinto, se voltava para a porta, esperando que ela entrasse. Mas, noite após noite, Grace não apareceu. Nas primeiras noites, ele tentou racionalizar, dizendo a si mesmo que ela apenas precisava de um tempo para pensar. Mas conforme os dias passaram e ela continuava ausente, a inquietação dentro dele cresceu. Ele havia mandado várias mensagens para ela durante a semana, cada uma mais direta do que a anterior, tentando descobrir onde ela estava, o que estava sentindo, por que tinha sumido. No entanto, cada vez que ele verificava as mensagens, elas permaneciam sem ser lidas. Isso o irritava, e ele não conseguia evitar a sensação de que algo estava errado. Adrian não era do tip
— Você está completamente molhado, Adrian. Venha, precisa se trocar, ou vai acabar pegando um resfriado — Grace disse, seu tom suave, mas direto. Ela passou por baixo do braço dele com facilidade, considerando a diferença de altura entre eles. Com seus 1,56 metros de altura, Grace era pequena em comparação a Adrian, que com seus 1,90 metros parecia ainda mais imponente, especialmente naquela situação. Ele sorriu ao vê-la se mover com tanta facilidade e segurança, mesmo sendo tão pequena ao lado dele. A visão de Grace vestida com um robe de seda, os cabelos soltos, e a expressão de preocupação no rosto só aumentavam o contraste entre o seu porte físico e a leveza dela. Adrian a seguiu silenciosamente, sem protestar. A exaustão da noite, a briga e a tempestade o haviam desgastado, e agora a única coisa que ele queria era estar ali, na casa dela, próximo a Grace. Ela o guiou até o banheiro, onde entregou-lhe uma toalha seca. — Pode me entregar suas roupas. Vou secá-las para você — dis
Adrian observava cada movimento de Grace enquanto ela se movia pelo quarto, arrumando algumas coisas distraidamente. Ele a seguia com os olhos, o corpo relaxado, mas a mente totalmente concentrada nela. Depois de alguns minutos, ela saiu do quarto e logo voltou com as roupas dele, agora secas. — Prontinho, suas roupas estão secas — disse Grace, estendendo o braço para entregar a ele. Adrian pegou as roupas sem desviar o olhar dela. Em vez de se vestir imediatamente, ele colocou as roupas secas sobre a poltrona e, num movimento rápido, a puxou suavemente para mais perto de si. Grace foi pega de surpresa pela intensidade do gesto, seus olhos arregalados com a proximidade súbita. — Adrian, por favor... — começou ela, sua voz hesitante, enquanto suas mãos estavam espalmadas no peitoral rígido dele. Mas antes que ela pudesse terminar a frase, Adrian enfiou os dedos nos cabelos dela, envolvendo a nuca com um toque firme, mas gentil. O toque dele a fez tremer, e o coração de Grace dispa
A tempestade lá fora parecia piorar a cada minuto. O som da chuva forte batendo nas janelas era ensurdecedor, e trovões ecoavam pelo céu, iluminando brevemente o quarto. Grace ficou parada por um momento, sozinha no quarto, ainda processando tudo o que havia acontecido entre ela e Adrian. Mas então, um pensamento a atingiu: Adrian sairia naquela tempestade? O coração dela disparou ao imaginar ele enfrentando o mau tempo lá fora novamente. Sem pensar duas vezes, Grace foi atrás dele. Ela o encontrou na sala, já sentado no sofá, amarrando os cadarços dos sapatos, claramente se preparando para sair. — Adrian, você não pode sair nessa tempestade — disse ela, a voz levemente alarmada. Adrian levantou os olhos para ela, sua expressão suave, mas firme. — Eu estarei bem, Grace. Já enfrentei coisas piores do que um pouco de chuva. — Ele disse com um sorriso de canto, tentando tranquilizá-la. Grace, no entanto, não estava convencida. Ela se aproximou mais, sentindo a necessidade de impedi-
O celular de Adrian vibrou insistentemente sobre o criado-mudo, interrompendo o silêncio confortável que havia se estabelecido entre ele e Grace. A tela do aparelho piscava com uma chamada, mas ele não fez nenhum movimento para atender. Grace, que até então estava relaxada, sentiu-se subitamente inquieta com a insistência da chamada não atendida. Ela observou Adrian pelo canto do olho, esperando que ele dissesse algo, mas ele permaneceu tranquilo, aparentemente despreocupado. Isso a deixou ainda mais intrigada. Ela sabia muito pouco sobre a vida pessoal dele, e isso a incomodava, considerando o quanto ele já sabia sobre sua própria vida. Tentando esconder sua curiosidade, Grace quebrou o silêncio com um tom casual, mas um pouco provocativo. — Sua esposa está ligando? — Ela jogou a verde, com um pequeno sorriso nos lábios, mas havia uma pontada de sinceridade na pergunta. Adrian se virou para ela, surpreso, mas logo soltou uma risada curta, claramente se divertindo com a suposição