Capítulo 4

Grace sentia-se completamente fora do lugar enquanto Alana explicava as regras do The Velvet Room. Cada palavra parecia ecoar em sua mente, mas ela não conseguia se concentrar totalmente. A sensação de estar em um ambiente tão diferente de tudo que conhecia a deixava desconfortável e, ao mesmo tempo, admirada. Era como se estivesse mergulhando em um universo paralelo, onde tudo que conhecia sobre relações e desejos era redefinido.

As regras eram simples, mas exigiam comprometimento. Alana falava com calma, deixando claro que tudo no clube girava em torno de respeito e consentimento. Grace precisaria se submeter a essas normas, assim como todos ali dentro. Nada aconteceria sem seu consentimento explícito, e ela teria a liberdade de explorar seus limites, mas também de definir claramente o que não estava disposta a experimentar. Era um espaço de segurança, onde cada um poderia se conhecer mais profundamente e expressar desejos sem medo de julgamento.

— Você será observada, Grace, assim como observará os outros. Isso faz parte do aprendizado — explicou Alana, olhando diretamente nos olhos dela. — Aqui, todos têm seus papéis e funções. É um espaço para experimentar, mas com responsabilidade.

Grace assentiu lentamente, mas sua mente ainda girava. Ela pensava em tudo o que passou para chegar até ali. A perda de seus pais, o fracasso da padaria, a solidão de se mudar para São Paulo. E agora estava ali, em um clube de submissão, ouvindo sobre regras e limites, tentando entender como aquilo tudo se encaixava em sua vida.

Enquanto Alana continuava a falar, Grace desviou o olhar, explorando o ambiente ao seu redor. O clube era ainda mais impressionante do que ela havia notado inicialmente. Havia uma atmosfera vibrante, eletrizante, como se o ar estivesse carregado de desejo e expectativas. Os membros do clube se moviam com uma confiança e um senso de propósito que a faziam se sentir ainda mais insegura. Mas, ao mesmo tempo, havia algo ali que a atraía, uma curiosidade crescente para entender aquele mundo novo e misterioso.

Foi então que, ao olhar para o outro lado do salão, algo capturou sua atenção. Um casal, aparentemente na casa dos 40 anos, estava em uma área mais reservada, longe da pista principal. Eles estavam envolvidos em uma cena que a deixou fascinada e assustada ao mesmo tempo. O homem, forte e confiante, estava amarrando sua parceira com cordas vermelhas, enquanto ela, de olhos vendados, gemia de prazer.

A respiração de Grace ficou presa por um instante. Ela nunca tinha visto algo assim antes. As cordas envolviam o corpo da mulher de uma forma complexa e precisa, destacando suas curvas e deixando-a completamente à mercê do parceiro. Ele amarrava cada nó com cuidado, sua expressão concentrada e cheia de desejo. Os gemidos que escapavam dos lábios da mulher, misturados ao som da música suave, criavam uma sinfonia de prazer que ressoava em Grace de uma maneira inesperada.

Ela sentiu o rosto esquentar e uma corrente elétrica percorrer seu corpo. Não era só o que estava vendo, mas como aquilo a fazia se sentir. O homem, com uma ereção evidente, mostrava seu prazer não apenas no ato de amarrar, mas na própria rendição da parceira. Ele gemia baixinho enquanto apertava o nó em volta dos pulsos dela, como se cada movimento fosse uma explosão de excitação. Havia uma intensidade na cena que fazia Grace se perguntar se algum dia conseguiria entender ou participar de algo assim. E principalmente se teria coragem.

Sua mente disparou, imaginando como seria estar naquela posição. Ser tocada, amarrada, guiada por alguém que soubesse exatamente o que estava fazendo, que soubesse despertar cada centímetro de seu corpo de maneiras que ela sequer sabia serem possíveis. Era uma ideia que a assustava, mas, ao mesmo tempo, a atraía de um jeito que ela não sabia explicar.

— Tudo bem, Grace? — Alana perguntou, notando o olhar fixo da amiga no casal. — Eu sei que pode ser muita informação para absorver de uma vez.

Grace voltou o olhar para Alana, tentando disfarçar o rubor que ainda sentia nas bochechas.

— Sim... só estou um pouco... surpresa, eu acho.

— Isso é normal. No início, tudo parece um choque. Mas lembre-se, nada aqui é forçado. Cada pessoa escolhe seus próprios limites. Se você quiser explorar, pode. Se quiser apenas observar, também está tudo bem.

Grace respirou fundo, tentando acalmar os pensamentos que pareciam correr em todas as direções.

— Eu acho que preciso de um tempo para entender tudo isso.

Alana assentiu com compreensão.

— Claro, tome o tempo que precisar. E se precisar de alguém para conversar, eu estarei aqui. Não há pressa.

Grace agradeceu com um sorriso tímido. Sentiu-se grata pela paciência de Alana e pelo fato de não estar sozinha naquela situação. Mas, ao mesmo tempo, havia algo dentro dela que queria saber mais. Queria entender por que aquele casal parecia tão imerso na experiência, por que os gemidos da mulher ressoavam tão profundamente dentro dela, por que a simples visão de um homem amarrando sua parceira poderia despertar nela uma curiosidade tão intensa.

Enquanto caminhava pelo clube ao lado de Alana, seus olhos continuavam a buscar o casal, como se algo naquele cenário a puxasse. Ela sabia que estava entrando em um território desconhecido, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentia que talvez, só talvez, estivesse pronta para descobrir mais sobre si mesma.

No fundo, uma voz pequena, quase imperceptível, sussurrava que talvez aquilo tudo não fosse apenas sobre curiosidade. Talvez fosse um desejo profundo, escondido, de finalmente se libertar. Não sabia como e nem quando, mas um desejo inicial de querer experimentar tudo aquilo, a tomou subitamente.

Grace olhou para a porta de saída, e naquele momento seu olhar encontrou novamente os olhos de Adrian sobre si. O olhar dele a despia, deixando completamente corada.

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