Grace sentia-se completamente fora do lugar enquanto Alana explicava as regras do The Velvet Room. Cada palavra parecia ecoar em sua mente, mas ela não conseguia se concentrar totalmente. A sensação de estar em um ambiente tão diferente de tudo que conhecia a deixava desconfortável e, ao mesmo tempo, admirada. Era como se estivesse mergulhando em um universo paralelo, onde tudo que conhecia sobre relações e desejos era redefinido.
As regras eram simples, mas exigiam comprometimento. Alana falava com calma, deixando claro que tudo no clube girava em torno de respeito e consentimento. Grace precisaria se submeter a essas normas, assim como todos ali dentro. Nada aconteceria sem seu consentimento explícito, e ela teria a liberdade de explorar seus limites, mas também de definir claramente o que não estava disposta a experimentar. Era um espaço de segurança, onde cada um poderia se conhecer mais profundamente e expressar desejos sem medo de julgamento. — Você será observada, Grace, assim como observará os outros. Isso faz parte do aprendizado — explicou Alana, olhando diretamente nos olhos dela. — Aqui, todos têm seus papéis e funções. É um espaço para experimentar, mas com responsabilidade. Grace assentiu lentamente, mas sua mente ainda girava. Ela pensava em tudo o que passou para chegar até ali. A perda de seus pais, o fracasso da padaria, a solidão de se mudar para São Paulo. E agora estava ali, em um clube de submissão, ouvindo sobre regras e limites, tentando entender como aquilo tudo se encaixava em sua vida. Enquanto Alana continuava a falar, Grace desviou o olhar, explorando o ambiente ao seu redor. O clube era ainda mais impressionante do que ela havia notado inicialmente. Havia uma atmosfera vibrante, eletrizante, como se o ar estivesse carregado de desejo e expectativas. Os membros do clube se moviam com uma confiança e um senso de propósito que a faziam se sentir ainda mais insegura. Mas, ao mesmo tempo, havia algo ali que a atraía, uma curiosidade crescente para entender aquele mundo novo e misterioso. Foi então que, ao olhar para o outro lado do salão, algo capturou sua atenção. Um casal, aparentemente na casa dos 40 anos, estava em uma área mais reservada, longe da pista principal. Eles estavam envolvidos em uma cena que a deixou fascinada e assustada ao mesmo tempo. O homem, forte e confiante, estava amarrando sua parceira com cordas vermelhas, enquanto ela, de olhos vendados, gemia de prazer. A respiração de Grace ficou presa por um instante. Ela nunca tinha visto algo assim antes. As cordas envolviam o corpo da mulher de uma forma complexa e precisa, destacando suas curvas e deixando-a completamente à mercê do parceiro. Ele amarrava cada nó com cuidado, sua expressão concentrada e cheia de desejo. Os gemidos que escapavam dos lábios da mulher, misturados ao som da música suave, criavam uma sinfonia de prazer que ressoava em Grace de uma maneira inesperada. Ela sentiu o rosto esquentar e uma corrente elétrica percorrer seu corpo. Não era só o que estava vendo, mas como aquilo a fazia se sentir. O homem, com uma ereção evidente, mostrava seu prazer não apenas no ato de amarrar, mas na própria rendição da parceira. Ele gemia baixinho enquanto apertava o nó em volta dos pulsos dela, como se cada movimento fosse uma explosão de excitação. Havia uma intensidade na cena que fazia Grace se perguntar se algum dia conseguiria entender ou participar de algo assim. E principalmente se teria coragem. Sua mente disparou, imaginando como seria estar naquela posição. Ser tocada, amarrada, guiada por alguém que soubesse exatamente o que estava fazendo, que soubesse despertar cada centímetro de seu corpo de maneiras que ela sequer sabia serem possíveis. Era uma ideia que a assustava, mas, ao mesmo tempo, a atraía de um jeito que ela não sabia explicar. — Tudo bem, Grace? — Alana perguntou, notando o olhar fixo da amiga no casal. — Eu sei que pode ser muita informação para absorver de uma vez. Grace voltou o olhar para Alana, tentando disfarçar o rubor que ainda sentia nas bochechas. — Sim... só estou um pouco... surpresa, eu acho. — Isso é normal. No início, tudo parece um choque. Mas lembre-se, nada aqui é forçado. Cada pessoa escolhe seus próprios limites. Se você quiser explorar, pode. Se quiser apenas observar, também está tudo bem. Grace respirou fundo, tentando acalmar os pensamentos que pareciam correr em todas as direções. — Eu acho que preciso de um tempo para entender tudo isso. Alana assentiu com compreensão. — Claro, tome o tempo que precisar. E se precisar de alguém para conversar, eu estarei aqui. Não há pressa. Grace agradeceu com um sorriso tímido. Sentiu-se grata pela paciência de Alana e pelo fato de não estar sozinha naquela situação. Mas, ao mesmo tempo, havia algo dentro dela que queria saber mais. Queria entender por que aquele casal parecia tão imerso na experiência, por que os gemidos da mulher ressoavam tão profundamente dentro dela, por que a simples visão de um homem amarrando sua parceira poderia despertar nela uma curiosidade tão intensa. Enquanto caminhava pelo clube ao lado de Alana, seus olhos continuavam a buscar o casal, como se algo naquele cenário a puxasse. Ela sabia que estava entrando em um território desconhecido, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentia que talvez, só talvez, estivesse pronta para descobrir mais sobre si mesma. No fundo, uma voz pequena, quase imperceptível, sussurrava que talvez aquilo tudo não fosse apenas sobre curiosidade. Talvez fosse um desejo profundo, escondido, de finalmente se libertar. Não sabia como e nem quando, mas um desejo inicial de querer experimentar tudo aquilo, a tomou subitamente. Grace olhou para a porta de saída, e naquele momento seu olhar encontrou novamente os olhos de Adrian sobre si. O olhar dele a despia, deixando completamente corada.Alana inclinou-se o suficiente para que Grace pudesse sentir seu perfume doce, e sussurrou com uma voz cheia de provocação: — Olha como ele gostou de você. Está te olhando. É um convite, e você deveria aceitar. Adrian é um bom mestre, e é muito procurado por aqui, mas pelo visto, hoje ele não quer outra a não ser você. — A voz de Alana era baixa, quase um ronronar. — Mestre Adrian te fará sentir mulher de uma forma na qual você nunca pensou ser possível. Grace sentiu o coração bater forte, cada pulsação ecoando em seus ouvidos. Era impossível ignorar o peso do olhar de Adrian sobre ela. Mesmo à distância, ele parecia saber exatamente o que se passava em sua mente, como se pudesse decifrar seus pensamentos mais íntimos apenas observando. Era um olhar que a desnudava, que fazia com que cada parte de seu corpo reagisse a uma presença que ela mal conhecia. Ela desviou o olhar rapidamente, tentando manter o controle sobre suas emoções. Mas foi impossível não lançar mais um olhar para el
Adrian observava Grace com uma intensidade que beirava a loucura. Ele mal piscava, seus olhos fixos nela, enquanto ela conversava com Alana e ocasionalmente lançava olhares furtivos em sua direção. Algo em Grace o atraía de uma forma que ele não conseguia controlar. Era como se cada movimento dela o hipnotizasse, a maneira como mexia no cabelo, o sorriso hesitante, a forma tímida como olhava para o salão, tudo nela parecia uma mistura de inocência e curiosidade que o deixava ainda mais fascinado. Quando viu Alana ser chamada por uma das funcionárias do clube, ele soube que aquele era o momento perfeito. Sua presa estava sozinha, e ele não perderia a oportunidade de se aproximar. Não tinha dúvidas de que a queria, de que precisava tê-la. Adrian saiu de onde estava, pegou duas bebidas no bar e começou a subir as escadas lentamente, observando cada reação de Grace. Ela estava distraída, observando as pessoas dançando no andar de baixo. Os corpos se moviam ao ritmo da música, uma mistu
A noite no The Velvet Room estava mais intensa do que nunca. A música pulsava nas paredes, e o ambiente parecia vibrar com a energia dos corpos que se moviam ao ritmo das batidas sensuais. Grace, ainda tentando processar sua conversa com Adrian, decidiu dar uma volta pelo clube. Ela queria se afastar um pouco da intensidade do encontro e refletir sobre tudo o que havia acontecido até aquele momento. Ela desceu as escadas e começou a explorar o andar inferior. O clube era um labirinto de corredores e salas privadas, cada uma dedicada a um tipo específico de fantasia ou prática. As pessoas estavam imersas em seus próprios mundos, se entregando a experiências que pareciam impossíveis fora daquele lugar. Grace observava com curiosidade e uma pontada de nervosismo. Tudo aquilo era tão novo para ela, tão diferente do que imaginava sobre si mesma. Enquanto caminhava pelo corredor, foi surpreendida por um homem alto e corpulento, que esbarrou nela de forma rude. Ele segurou seu braço com fo
Ainda abraçados, Grace ergueu o rosto para olhar Adrian. Sentia-se pequena e frágil em seus braços fortes, como se todo o peso do mundo pudesse desaparecer se ele continuasse a segurá-la assim. Tentou se afastar, um pouco desconfortável com a proximidade que despertava uma série de sentimentos contraditórios dentro dela. Mas ele não a soltou, mantendo-a firmemente contra o peito. O olhar dele caiu sobre os lábios dela, e Grace soube, sem sombra de dúvida, que se não se afastasse, ele a beijaria. — Adrian, vamos limpar o seu ferimento, se Alana ver isso, ela pode... — começou Grace, tentando trazer um pouco de razão à situação. — Shh... — Adrian a interrompeu suavemente, passando o polegar pelos lábios carnudos de Grace, um gesto que a fez estremecer. — Ela não fará nada. Não se preocupe. O toque dele era delicado, mas havia uma força subjacente que a fazia sentir-se ainda mais vulnerável. Quando ele começou a se inclinar para ela, os olhos fixos nos dela, como se fosse inevitável q
Já em casa, Grace se sentia exausta, tanto física quanto emocionalmente. Depois de tudo o que havia testemunhado no The Velvet Room, sua mente estava um caos. Ela se livrou dos saltos altos com um suspiro de alívio, os pés agradecendo pela liberdade, e pendurou a bolsa no cabide embutido na parede ao lado da porta. Com um gesto automático, começou a desfazer o penteado que havia mantido durante a noite, deixando os cabelos longos e escuros caírem livremente sobre os ombros. Grace sabia que precisava de um banho relaxante para tentar acalmar os pensamentos turbulentos que dançavam em sua mente. Mas sabia também que o banho talvez não fosse suficiente para apagar as imagens que permaneciam cravadas em sua memória. A cena que havia presenciado no quarto com Adrian e Vanessa continuava voltando, como flashes repetidos de um sonho do qual não conseguia escapar. Ela caminhou até o banheiro, tirando a roupa devagar, como se estivesse tentando afastar o peso daquela noite com cada peça que
Adrian terminou seu tempo com Vanessa, observando-a sair do quarto com o sorriso satisfeito que ela sempre exibia depois de suas noites juntos. Vanessa era uma mulher bonita, loira e vaidosa, com seus 50 anos bem cuidados. Ela era a esposa do governador de Nova York, mas quando vinha a São Paulo, deixava todas as convenções de lado para se divertir com Adrian. Era um acordo silencioso, algo que ambos entendiam sem nunca precisar discutir. Ela pagou generosamente, como sempre, e saiu do clube com a mesma confiança com que havia entrado, como se estivesse completamente satisfeita com sua pequena fuga da vida pública. Adrian fechou a porta atrás de si com um leve suspiro. Essas noites com Vanessa, apesar de simples e diretas, sempre o deixavam exausto. Não pelo ato em si, mas pela energia mental que precisavam. Ele sabia que era apenas um jogo de poder e prazer, algo que Vanessa buscava desesperadamente para escapar do mundo controlado em que vivia. Para Adrian, era apenas trabalho. Qua
Na noite seguinte, Grace se preparou para voltar ao clube. Ela escolheu cuidadosamente sua roupa, optando por uma blusa branca de costas nuas que deixava sua pele exposta de forma elegante e provocante. Combinou a blusa com uma saia preta justa, que caía sobre seus quadris com perfeição. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo impecável, deixando seu pescoço à mostra, adornado por um colar simples e delicado. A maquiagem era leve, apenas o suficiente para destacar seus traços naturais. Ela pegou a bolsa, deu uma última olhada no espelho e saiu em direção ao The Velvet Room. Quando chegou ao clube, o ambiente familiar a envolveu imediatamente. As luzes suaves, a música baixa e sensual, e o perfume misturado de várias fragrâncias no ar. Ela entrou pelo salão principal e, ao levantar os olhos para o andar de cima, viu Adrian ao lado de Alana. Ambos pareciam estar atentos ao que acontecia ao redor, como se fossem os guardiões daquele espaço. Os olhos de Adrian, no entanto, logo se voltar
Adrian observava Grace atentamente, ouvindo cada palavra com uma calma controlada, mas por dentro, ele lutava contra a onda crescente de desejo. Quanto mais ela falava sobre si mesma, sobre seus sonhos, suas perdas e seus medos, mais ele se sentia atraído por ela. Ele achava que, conhecendo mais sobre sua vida, o desejo que sentia diminuiria, como se a vulnerabilidade dela o afastasse das fantasias que sua mente criava. No entanto, o efeito foi exatamente o oposto. Cada fragmento de informação sobre Grace apenas aumentava seu desejo, tornando-o quase insuportável. Grace, por sua vez, se afastou um pouco no sofá enquanto falava, cruzando as pernas e tentando encontrar uma posição confortável. Ela não sabia ao certo o que estava sentindo; a presença de Adrian ao seu lado era intensa e cheia de uma energia que ela não conseguia identificar completamente. Havia algo nele que a deixava inquieta, mas também curiosa, algo que a fazia querer ficar, mesmo quando tudo em sua mente dizia para m