Capítulo 2
Peguei o celular de Simão e olhei para a tela.

O aplicativo de mensagens mostrava a conversa dele com a esposa de Alexandre Batista.

Alexandre era colega de faculdade de Simão. Eu já tinha encontrado algumas vezes com a esposa dele, então, até podíamos ser consideradas amigas.

Na conversa, a esposa de Alexandre havia contado a Simão que eu estava com o Alexandre.

Simão não acreditou de imediato, até que ela enviou uma foto.

Uma foto de uma lingerie sensual.

Aquela peça era muito familiar para mim. Era a mesma que eu tinha usado na noite antes de Simão viajar a trabalho.

Achei que talvez fosse um mal-entendido.

Corri para me explicar:

— Simão, essa não é a minha lingerie.

Mas, ao ouvir minhas palavras, Simão ficou ainda mais furioso.

Ele se aproximou, arrancou o celular de minhas mãos e fez alguns toques na tela.

Em seguida, agarrou meu cabelo e pressionou o celular contra os meus olhos.

— Olha de novo, essa lingerie não é sua, então de quem é?

Era outra foto.

A lingerie tinha uma borda com alguns dizeres: "Exclusivo do Simão".

Fiquei paralisada, meu rosto empalideceu imediatamente.

— Isso não é possível... Eu joguei essa lingerie fora depois de você ver, como... — Minha mente começou a tentar entender o que estava acontecendo.

Logo lembrei que, frequentemente, a mãe de Simão adorava pegar minhas roupas emprestadas sem me avisar.

Certa vez, cheguei mais cedo em casa, abri a porta do quarto e a encontrei sem roupas na frente do meu guarda-roupa, escolhendo algo para vestir.

Quando a perguntei o que estava fazendo, ela disse que tinha se perdido e estava no quarto errado.

Depois que ela foi embora, encontrei uma das minhas calcinhas de renda no chão.

Será que foi ela quem usou?

Levantei os olhos e falei para Simão:

— Eu sei quem pegou a lingerie, foi sua mãe.

Simão explodiu de raiva, xingou e, com um soco, me empurrou.

— Você pode difamar quem quiser, mas você escolheu difamar minha mãe! Como ela, com a idade dela, ia pegar a sua lingerie para usar?!

Minhas pernas cederam e caí de joelhos no chão.

Simão levantou a mão e me deu várias bofetadas com força.

Minha mãe, que estava ao lado, se desesperou, segurou a mão dele e implorou:

— Simão, por favor, não bata mais, deve ter algum mal-entendido. Vamos sentar e conversar, está bem?

— Sai de perto de mim. — Simão empurrou minha mãe com impaciência.

Ela caiu no chão.

— Mãe! — Gritei, furiosa, encarando Simão. — Simão, seu cachorro insano! Minha mãe tem problema na coluna! Se você a empurrar assim, meu pai não vai te deixar em paz!

Meu pai era um policial.

Simão sabia disso.

Mas Simão já estava completamente tomado pela raiva, o que ofuscava sua razão.

— Se sua mãe conseguiu parir uma mulher tão vil como você, ela também não deve ser lá grande coisa. Talvez seu pai devesse até me agradecer por ter dado um puxão de orelha na sua mãe.

Nesse momento, muitos vizinhos já haviam se reunido na porta de casa.

— O que está acontecendo?

— Parece que a filha do Sérgio Lima está traindo.

— Não pode ser! O Sérgio é um homem tão íntegro, como ele pode ter uma filha assim?

Enquanto as pessoas comentavam, um homem não conseguiu ficar em silêncio. Ele se levantou e se dirigiu a Simão:

— Rapaz, tem que falar as coisas com mais educação. Sua esposa está grávida, você não pode fazer isso com ela.

Simão se virou rapidamente, com um olhar cheio de fúria, e disse com raiva:

— Velho, isso não tem nada a ver com você! Quando sua esposa te trair, a gente vê se você vai bater nela.

Depois de xingar o homem, Simão se virou e gritou para os curiosos que assistiam:

— Isso aqui é um assunto da minha casa. Se a polícia aparecer, vai ser só mais uma história de violência doméstica. Quem quiser fazer palco ou ligar para a polícia, espera eu resolver as coisas em casa, que depois vou até a sua casa.

Com isso, as pessoas, sentindo que o assunto não as dizia respeito, rapidamente começaram a se dispersar.

Simão me encarou com um olhar assassino, e gritou:

— Helena, além de me trair, ainda quer que eu cuide de você e do filho dele? Você acha que sou idiota?

Ele olhou fixamente para minha barriga.

Eu nunca tinha visto Simão daquele jeito.

Ele parecia uma fera, com os olhos cheios de ódio, prontos para devorar.

Instintivamente, coloquei a mão sobre a barriga, tentando me proteger, e suavizei o tom de voz:

— Amor, eu realmente não fiz nada que te decepcionasse. Se precisar, chame o Alexandre para perguntar. Ele vai te dizer que eu não usei essa lingerie com ele.

Simão soltou um som de desprezo.

— Alexandre... Você fala dele com tanta intimidade. Está esperando que ele venha te salvar, é? Mas sua esperança vai cair por terra. A esposa do Alexandre já levou uns dez caras para cercar ele. Ele nem vai conseguir se salvar.

Simão, então, olhou para o chicote que meu pai mantinha na parede e o tirou de lá.

Ele enrolou o chicote na mão, me encarando com uma expressão fria, e perguntou:

— Quando exatamente você e o Alexandre começaram a ficar juntos?

Eu neguei com a cabeça.

— Eu realmente não estou com ele.

— E ainda se recusa a admitir.

Simão, com um movimento rápido, ergueu o chicote.

Eu fechei os olhos e gritei de medo.

O chicote cortou o ar com força, e eu me preparei para sentir a dor... Mas ela não veio.

Quando abri os olhos, minha mãe estava na minha frente, me protegendo.
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