Por William Montenegro Tiro a gravata com raiva e a jogo no sofá. Finalmente, darei início aos meus planos. Não pensei que isso demoraria tanto, mas, finalmente, tudo está saindo como o planejado. Olho para o corredor por onde a farsante desapareceu há alguns minutos. Nesse momento, não há nada que me faça querer ficar ao seu lado; ela me causa repulsa em todos os sentidos. E isso me motiva a pegar as chaves do carro e sair, deixando-a sozinha no apartamento. Dirijo sem rumo por alguns minutos até meu celular começar a tocar e imagino quem pode ser, mas não atendo e nem faço questão de desligar. Quase meia hora depois, estaciono em frente a um bar que, há quase um ano, passei a frequentar. Entro, chamando a atenção dos funcionários, que me encaram confusos, acredito que pelo horário; são uma da tarde de um domingo. Geralmente, quando eu vinha por aqui, era à noite. Sento-me no balcão e peço a primeira dose. •••• Desligo, pela décima segunda vez, a ligação de Nicolas. Não
Por Melinda Allen William saiu da cozinha, me deixando sozinha novamente, e só então soltei as lágrimas que vinha prendendo. Deslizei pela parede até me sentar no chão, onde abracei minhas pernas e deixei o primeiro soluço sair. Tudo que vinha idealizando há algum tempo se desmoronou como areia movediça. Eu sonhava com minha lua de mel e, depois do nosso casamento, pensei que finalmente iria me entregar ao homem que amo pela primeira vez, mas estava terrivelmente errada. A única coisa que recebi foi desprezo por algo que não me lembro de ter feito. Pelo que me recordo, antes do casamento, tudo estava normal; não tivemos brigas, muito menos desentendimentos. Cansada pelo dia exaustivo que tive, levantei do chão, sentindo o corpo reclamar de dor ao ficar em pé. Caminho lentamente em direção ao quarto e, ao encontrá-lo vazio, sinto-me decepcionada. Ao ver meu reflexo no espelho do banheiro, sinto-me mal; meus cabelos estão bagunçados, meu rosto completamente vermelho e meus o
Por William Montenegro A noite mal dormida estava dando seus sinais; meu corpo inteiro reclamava de dor. O sofá do escritório realmente não é um bom lugar para dormir. Mas é melhor do que ter que dividir a cama com alguém insignificante. São exatamente seis e quinze da manhã, e já me sinto estressado por não ter acordado mais cedo, como costumo fazer. Ao abrir a porta do meu quarto, surpreendo-me ao encontrar a cama vazia e arrumada. Onde está Melinda? Um cheiro doce exalava no ar, como o de flores. O quarto que antes era só meu agora estava repleto de vários pertences de Melinda espalhados por diversos cantos. E então a vejo saindo do banheiro com apenas uma toalha cobrindo seu corpo. Meus olhos descem por ela, e minha curiosidade se atiça ao imaginar o que há por baixo. Ela parece estar distraída, seus passos são leves em direção ao closet, e seu rosto está um pouco avermelhado, provavelmente devido à água quente. Quando finalmente ela se dá conta de que não está mais sozi
Por Melinda Allen Os corredores do supermercado estavam vazios; somente algumas pessoas passavam entre eles. Passo mais uma vez pela mesma prateleira e, agora sim, tenho certeza de que estou completamente perdida. É a primeira vez que venho a este supermercado, então não consigo achar quase nada com facilidade. Não sei há quanto tempo já estou aqui, mas, felizmente, consegui pegar quase tudo o que preciso, exceto pelo trigo. A conversa com William ainda ronda a minha mente desde o momento em que saí de casa. Considerei muito o que havíamos conversado e, em parte, dou-lhe razão. Ele é uma pessoa constante na mídia; porém, não posso ficar sem fazer nada da vida. Depender dele para tudo não é uma opção para mim. Além de tudo, ainda tenho minhas dívidas, que finalmente estão quase todas quitadas. Esforcei-me muito para chegar onde estou; não posso parar agora. Quando me canso de andar em círculos, avisto um rapaz arrumando umas prateleiras e então lhe pergunto onde fica o trig
Por William Montenegro Passo a mão em meu pescoço, sentindo a dor se intensificar. Vai ser completamente impossível passar mais uma noite naquele sofá. E, como tudo na minha vida ultimamente tende a piorar, ouço a voz suave que vem me dando mais dor de cabeça do que devia. — O que você quer? — Meu tom rude não a assusta, mas faz com que tenha coragem de entrar. Uma atitude que já está se tornando frequente. — Precisamos conversar. — E então vejo novamente aquele olhar, o mesmo que apareceu em nossa primeira discussão. Lentamente, junto minhas mãos sobre a mesa, sem desviar meu olhar do seu. Mel: essa é uma boa definição para a cor dos seus olhos; provavelmente não deve ser mera coincidência o seu nome ser Melinda. — Não temos nada para conversar. — Sinto o maldito cheiro de rosas se infiltrando lentamente no ambiente, como uma erva daninha. — Então, saia por onde entrou. — Pensei muito sobre a nossa conversa de hoje de manhã e resolvi continuar no café até conseguir um emprego
Por Melinda Allen Quando o táxi parou em frente ao prédio da empresa Montenegro, a única coisa que me veio à mente foi a beleza impressionante daquele grande arranha-céu. Embora soubesse que era uma empresa renomada, não imaginava que sua estrutura fosse tão deslumbrante. Ao passar pela porta giratória, senti-me um pouco deslocada ao perceber que minhas roupas estavam completamente fora do padrão da empresa. Isso poderia ter me feito dar meia volta, mas a curiosidade sobre o que Nicolas tinha para conversar comigo era maior. Aperto mais a alça da minha bolsa e caminho pelo meio da multidão de pessoas que passam de um lado para o outro, apressadas. Ao longe, vejo a moça que suponho ser a secretária. — Bom dia. — Digo assim que me aproximo do balcão. — Poderia me informar onde fica a sala do Nicolas? Ele está me esperando. — Não há nada marcado na agenda do Sr. Nicolas. — Sem se dar ao trabalho de me olhar, a moça loira disse, totalmente no automático. Olho para o seu crachá e
Por Melinda Os olhos de William brilhavam intensamente. Seus passos eram firmes enquanto se aproximava, mas isso já não me assustava, uma vez que frequentemente isso acontecia quando estávamos juntos.No começo, eu queria muito que nosso casamento desse certo, que as discussões e desentendimentos fossem superados. Contudo, com o passar do tempo, passei a adotar uma nova perspectiva: se tiver que acontecer, acontecerá. Assim, decidi deixar que a vida seguisse o curso que o destino reservasse para nós. — Não o conheço. — Respondo, dando de ombros, de maneira totalmente indiferente.Dessa vez, não posso culpar completamente o William pela desconfiança, já que os homens que estavam aqui se comportaram de forma estranha. No entanto, essa desconfiança dele já está se tornando cansativa, pois a maior parte das nossas brigas são resultado das inseguranças dele.— Quando você vai parar de mentir? — Agora ele estava bem na minha frente, olhando para mim de um jeito que não consigo identificar
William Conferi o registro de chamadas do celular uma, duas e até três vezes. Atrás de algo que comprovasse que eu estava certo, mas não foi isso que encontrei, a maioria das ligações era para Isabelle. Ainda não satisfeito, verifiquei sua lista de contatos salvos e, para minha surpresa, ela era pequena. No entanto, isso não significava muito para mim; ela poderia muito bem ter outro celular. — Isso provavelmente não está certo. — murmurei, jogando o aparelho na mesa, enquanto ainda sentia o olhar acusatório de Nicolas sobre mim. — Acredito que deve haver alguma explicação... — Você diz isso só porque não encontrou o que queria. Agora me diga: o que você fez para que Melinda saísse daquele jeito daqui? — Eu apenas disse a verdade para ela. — Dei de ombros. — Que ela não passa de uma interesseira. — Não consigo acreditar que você teve coragem de dizer algo assim. — Riu com sarcasmo. — Mas o que se pode esperar de alguém que se casou por vingança, não é? Nunca tinha ouvido Nic