4 - A babá do CEO

Miguel Rodrigues

Ao chegar em casa, bem cansado do trabalho exaustivo, suspiro fundo e deixo minha maleta em uma mesa perto da sala de visitas. Caminho até a sala de estar, e ao passar pela porta, eu vejo várias mulheres vestindo roupa social. Todos sorriem para mim e devolvo o sorriso, sendo educado, como sempre.

Quando meus olhos pousam em uma jovem, percebo que ela me olha de um modo diferente, parece se sentir envergonhada, e logo após me olhar com atenção, seus olhos se abaixam, parecendo sem graça.

Franzo a sobrancelha não entendendo o porquê dela ter agido assim, e minha mãe chama a minha atenção.

— Meu filho, seja bem vindo, você chegou em uma boa hora. Acabou a entrevista. — ela puxa o meu braço, falando bem baixinho em meu ouvido.

— Vou te apresentar a todas, mas em especial, gostei de uma e quero que a contrate, vi o jeito que ela tratou Hugo, ela tem um dom meu filho, ela o acalmou em um instante, fez ele dormir duas vezes hoje, tão rápido que até me surpreendeu. — quando ela diz isso, ergo minhas sobrancelhas surpreso e apenas assinto com a cabeça.

— Tudo bem, me apresente a elas, e quero saber quem é essa babá.

Minha mãe concorda e me apresenta a todas, e diz para algumas babás que ela entraria em contato com elas, caso uma delas fosse escolhida.

As mulheres agradecem e saem da minha mansão. Minha mãe vai até aquela jovem, que ficou com vergonha de me encarar, e me apresenta a ela.

Eu digo meu nome a ela, e seus olhos castanhos e puxados me fitam.

Laura é realmente linda, tem os cabelos curtos, rosto redondo, boca pequena, é bem mais baixa do que eu, e tem um sorriso bonito, cativante.

Ao segurar sua mão, sinto como é macia e pequena perto da minha. Ela desvia o olhar por um tempo e minha mão afasta da dela.

Escuto Hugo vir até nós, coçando os seus pequenos olhos, ele parece ter acordado a pouco tempo, ele caminha até a Laura, fazendo beicinho.

Ela se agacha e escuto sua voz calma e suave.

— Por que está com esse rostinho? Hum? Lembra do que te disse? Você pode me contar se você quiser alguma coisa, o que você quer agora? — Hugo funga o nariz e diz com a voz fina e manhosa.

— Eu quelu brincar... brinquedu...

Laura acaricia o cabelo branco do garoto, e o acalma, dizendo.

— Vamos arrumar um brinquedo para você, não precisa chorar, tá bom? — Laura parece mesmo boa com as palavras, ela fala de um jeito manso, calma, tem muita paciência com criança.

Ela sorri para ele e Hugo devolve o sorriso, com os poucos dentes que tem em sua boca.

Eu então entendo o porquê da minha mãe pedir as outras que se retirassem. É ela, Laura é a babá que minha mãe comentou, só de olhar para ela agora. O jeito que ela sorri e Hugo ficar mais a vontade com ela, percebo que ela será perfeita para esse trabalho, ela é a babá ideial.

— É ela, não é? — sussurro para minha mãe, e ela concorda, sorrindo para mim.

Me aproximo dela e ela percebe que me aproximo e seu rosto se ergue, me olhando com atenção.

Laura pega Hugo no colo e me olha, timidamente.

— Laura, você está contratada, quero que comece o quanto antes. — ela me olha assustada, e quase gagueja ao responder.

— Sério, Senhor? — assinto com a cabeça e um sorriso largo aparece em seus lábios.

— Eu já providenciei o contrato hoje mesmo, por favor, me acompanhe.

Começo a caminhar até a sala de visitas, e escuto seus passos leves atrás de mim.

Nos sentamos lado a lado na mesa, e mostro a ela o contrato, e peço para que ela leia com atenção.

Mesmo ela com o garoto no colo, ela consegue ler o contrato e ao mesmo tempo fazer carinho nele, que fica quieto em seu colo.

Ela franze a sobrancelha ao ler alguns trechos, e eleva sua voz.

— Eu... terei que mudar pra cá... Senhor? — ela questiona, e seu rosto se vira em minha direção, arregalando os olhos. Encontro o seu olhar e balanço a cabeça.

— Sim, preciso de uma babá em tempo integral, por isso preciso que se mude para cá o mais rápido possível. — falo sério a ela, Laura parece entender e exclama.

— Entendi Senhor, claro. — ela termina de ler, tira mais finas dúvidas e assinamos o contrato.

— Boa noite Senhora Lopes, como já está tarde, essa noite minha mãe ajudará com a criança, amanhã cedo esteja aqui, e traga as suas coisas, certo? — ela assente e diz com um grande sorriso em seu rosto.

— Claro Senhor Rodrigues, tenha uma boa noite. — ela se vira para a minha mãe dizendo. — Obrigada Senhora Rodrigues, estarei aqui cedo amanhã.

Ela beija o rosto de Hugo o colocando no chão e diz.

— Amanhã cedo estarei aqui, e vamos poder brincar o dia todo, está bem? Até amanhã Hugo. — ela acaricia o rosto dele e Hugo sorri para ela, mexendo a cabeça.

Ela se afasta acenando para o garoto e sai da mansão, e meus olhos acompanham até ela desaparecer da minha frente.

— Ótimo, graças a você encontrei uma babá, obrigada mãe. Preciso fazer uma ligação antes de dormir. Deixo ele em suas mãos essa noite. — minha mãe responde com um sorriso e olho para a criança, que me olha com atenção.

Mostro um curto sorriso a ele, e aceno para Hugo, que apenas me encara por um momento.

Vou até o meu quarto e quando decido fazer a ligação aí para meu advogado, ele me liga, fazendo com que eu fique surpreso.

— Boa noite, Senhor Rodrigues. — o tom de sua voz não está muito bom.

— Boa noite, ia te ligar agora, você tem novidades?

Ele parece fungar e então, começa a dizer.

— Infelizmente Senhor, a investigação está sendo barrada pelo departamento de segurança, mas consegui alguns detalhes, tivemos acesso ao DNA feito pela polícia. — Ele faz uma pausa e faz eu ficar mais ansioso. Que droga!

— E...? — o questiono, e ele finaliza.

— E realmente o menino é o seu filho, Senhor. É tudo que tenho por hora.

Eu congelo nesse momento, não acreditando que aquele garoto, é mesmo o meu filho. Meu coração se acelera e passo a mão em meus fios, os bagunçando.

“ Nunca pensei em ter um filho, ser pai, mas agora eu sou, mesmo que ainda não acredite realmente..." que situação eu me meti...

— Obrigado, se tiver mais novidades, me ligue imediatamente. — falo com a voz meio travada e encerro a ligação.

Meu coração ainda continua a palpitar. Sinto uma mistura de emoções dentro do meu peito. Me levanto e caminho até o quarto da criança, que já está dormindo, fico o observando, percebendo o quanto ele tem os meus traços. O rosto, olhos se parecem e cabelo...

Fico pensando, preocupado, imaginando como havia sido a vida desse pequeno quando era menor, já que sua mãe parece ser uma pessoa de má índole.

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