Os lábios dele tocaram os seus, macios e quentes, enviando uma onda de choque por todo o corpo de Isabela. Seus olhos se arregalaram, as pálpebras tremeram levemente e, por um instante, o tempo pareceu congelar. O cheiro único de Jorge, misturado ao aroma do álcool, a envolveu completamente enquanto seu coração martelava no peito como se quisesse escapar.Foi tudo rápido demais, tão repentino que Isabela nem sequer teve tempo de reagir, deixando sua mente em branco. Quando finalmente recobrou os sentidos, tentou se afastar, mas levantou a cabeça com muita pressa, batendo diretamente contra a moldura da porta do carro. A dor lancinante lhe arrancou um arquejo involuntário.— Doutor... Dr. Jorge... — Balbuciou ela, levando a mão à cabeça e franzindo os olhos de dor, ainda atordoada.Ele sabia o que estava fazendo?— O quê? — Murmurou Jorge, os olhos enevoados, como se nem ele mesmo tivesse controle sobre o que havia acabado de acontecer.Isabela se sentia dentro de um sonho, totalmente
Isabela freou tão bruscamente que o carro de trás não conseguiu evitar a colisão, atingindo sua traseira com força suficiente para fazer seu veículo deslizar alguns metros para frente.O motorista do outro carro desceu reclamando em voz alta e caminhou com passos firmes em sua direção. Ao perceber que era uma mulher ao volante, porém, sua expressão se suavizou ligeiramente. Reflexo daquele antigo preconceito de que mulheres seriam motoristas menos habilidosas.— Não sabe dirigir, não? — Questionou ele, num tom que, apesar de tudo, não soou tão grosseiro quanto poderia.Isabela saiu rapidamente do veículo, assumindo sua responsabilidade no ocorrido.— Me desculpe, me desculpe mesmo. — Falou ela, genuinamente constrangida, consciente de que tinha parado de repente no meio do trânsito.O homem examinou atentamente os danos. Seu parachoque e capô estavam amassados, enquanto o veículo de Isabela havia sofrido apenas um amassado na traseira e alguns arranhões na pintura.— Acionamos o seguro
Isabela se lembrava vagamente de Viviane comentando sobre o passado incomum de Jorge, mas na época não se interessou pelo assunto, assim como agora também não se sentia inclinada a investigar. Aquilo era algo pessoal e, se ninguém conhecia sua verdadeira identidade, era porque ele claramente preferia se manter longe de curiosidades e fofocas alheias.Ao entrar no carro luxuoso, teve que admitir que o veículo era realmente extraordinário. Seu acabamento interno impecável e o design sofisticado justificavam sua fama. Nunca tinha dirigido algo tão imponente e, considerando seu estado emocional abalado, temia acabar causando algum dano àquela máquina de elite.— Dr. Jorge, que tal chamar um motorista? — Ela sugeriu hesitante, sentindo o peso da responsabilidade.— Pise no freio. — Instruiu ele com naturalidade, pressionando o botão de partida. — Dirija como se fosse o seu.Enquanto Isabela segurava o volante com tensão visível, Jorge se inclinou ligeiramente em sua direção.— Aqui está o c
Isabela ficou sem palavras por um momento. Quem chegava perguntando a idade assim, logo de cara? Ainda mais para uma mulher. Era justamente a pergunta que ela mais detestava ouvir.Mas 21 anos... Era tão jovem!— Sou bem mais velha que você! — Respondeu Isabela, tentando disfarçar o desconforto.— Então vou te chamar de Isabela mesmo. — Respondeu Leonardo com um jeito espontâneo, como se já fossem amigos de longa data. Sem esperar qualquer objeção, continuou animadamente. — Sou o mais novo do escritório. Quando entrei, minha irmã me pediu para me enturmar direito. Você poderia me contar um pouco sobre como as coisas funcionam por aqui?Isabela hesitou brevemente. Ele a tratava pelo primeiro nome com tanta naturalidade que ela nem teve coragem de protestar. No fim, acabou aceitando aquela aproximação despretensiosa.Como era horário de almoço, os dois se sentaram na área de descanso, logo do lado de fora da copa. Com um café nas mãos, conversaram sobre a rotina e as particularidades do
Isabela ficou petrificada ao ler a última frase da carta. O papel escorregou de seus dedos trêmulos e caiu no chão, enquanto um calafrio percorria sua espinha.Isso era completamente insano! Danilo estava preso, dizia estar arrependido, e mesmo assim planejava se agarrar a ela quando saísse? Só de pensar nisso, sua pele se arrepiou por inteiro. Era apavorante demais.Passando as mãos pelos braços para espantar aquela sensação horrível, ela se curvou, pegou a carta do chão sem pensar duas vezes e a amassou com força antes de jogar no lixo. Isabela só esperava que, quando Danilo finalmente saísse da cadeia, já tivesse caído na real de uma vez por todas. Para ela, o amor saudável era aquele capaz de perdoar, enquanto o amor doentio tentava controlar. E estava mais que claro que Danilo sofria de uma obsessão doentia.A porta do escritório se abriu de repente e Jorge apareceu com a testa franzida de preocupação.— Isa, está tudo bem? Você está pálida. — Comentou ele, notando logo o rosto
A dona da loja tinha um gosto refinado, refletido nas embalagens especialmente delicadas que utilizava para seus produtos.Isabela parou diante do balcão, seus olhos fixos nos pastéis de nata que não saboreava há tanto tempo. De repente, sentiu água na boca.— O que vai querer hoje? — Perguntou o dono da loja, se aproximando com um sorriso acolhedor.Isabela retribuiu o sorriso. — Um pastel de nata, por favor.— Ah, você não é a... — O dono da loja franziu a testa, tentando recordar o nome daquela cliente familiar.— Isabela. — Ela completou, prestativa.— Isso mesmo, Isabela! — Exclamou ele, animado. — Você era cliente assídua nossa, mas depois da sua formatura, sumiu completamente. O que te traz de volta depois de tanto tempo?— Ah, sabe como é... — Respondeu ela com uma risadinha. — Bateu aquela saudade do seu pastel de nata que não saía da minha cabeça.O dono da loja se inclinou sobre o balcão e apontou para duas bandejas. — Olha só, esses dois são novidades da casa. Acabamos de
Era Guilherme, o advogado da firma, que chegava acompanhado de um cliente. Quando ele notou Isabela visivelmente aflita no corredor, se perguntou o que teria deixado a colega tão agitada.Pelos corredores do escritório já circulavam rumores de que ela e Jorge estariam tendo um caso e, ao ver aquela cena, o fogo da fofoca se acendeu nos olhos de Guilherme, que não resistiu perguntar com um tom falsamente preocupado: — Dra. Isabela, aconteceu alguma coisa? A senhora parece perturbada.Isabela rapidamente recompôs sua expressão, mas antes que pudesse responder, Jorge interveio com seu semblante frio e voz impassível: — Dr. Guilherme, em que posso ajudá-lo?Guilherme percebeu imediatamente o olhar gélido de Jorge e, num instante, toda sua curiosidade se dissipou como fumaça. — Na verdade, vim tratar de um assunto com o senhor. — Disse ele, visivelmente constrangido.— Entre. — Comandou Jorge secamente, se dirigindo ao sofá e se acomodando com tranquilidade. Seu olhar aparentemente desi
— Para onde vamos? — Perguntou o motorista.— Para o Mercado das flores, por favor. — Respondeu Isabela, se acomodando no banco de trás.Isabela lembrou que Davi tinha comentado com Viviane sobre comprar um vaso de plantas. Agora que ele estava aposentado, provavelmente andava entediado em casa sem muitas atividades. Com esse pensamento, ela decidiu levar algumas flores para que ele pudesse se distrair cuidando delas.Ao desembarcar no mercado, se deparou com um espaço amplo e bem iluminado, repleto de barracas organizadas em corredores coloridos. O lugar tinha de tudo. Desde delicadas flores e variadas plantas até papagaios barulhentos, filhotes de gatos, cães brincalhões e pequenos peixes dourados nadando em tigelas cristalinas.Foi então que seu olhar capturou duas belas carpas. Uma com escamas douradas reluzentes e outra de um vermelho vibrante, ambas com corpos arredondados e olhos grandes que pareciam observá-la com curiosidade. Instintivamente, parou diante da banca, encantada.