Davi claramente ficou surpreso por um momento ao saber que moravam no mesmo condomínio, mas logo abriu um sorriso caloroso e deu tapinhas amigáveis no ombro de Jorge. Não pronunciou sequer uma palavra, mas seu sorriso malicioso dizia mais que mil palavras.Ele parecia perceber que estava se preocupando à toa. Se Jorge tivesse alguma intenção com Isabela, certamente tomaria a iniciativa por conta própria. Não precisava de intermediários para fazer essa ponte.— Estou aguardando boas notícias. — Comentou Davi com um sorriso repleto de segundas intenções, enquanto lançava olhares significativos para ambos.Isabela ficou confusa, alternando o olhar entre Davi e Jorge, tentando compreender o que acontecia entre os dois homens naquele diálogo silencioso.— Podem ir agora, já está tarde. — Concluiu Davi, se preparando para fechar a porta. — Tomem cuidado na estrada.Jorge se virou então para Isabela com um gesto suave.— Vamos?— Claro. — Respondeu ela com pouco entusiasmo, ainda intrigada co
Os olhos de Isabela brilharam num instante ao ouvir sobre o caso.— Não vou sair mais. — Respondeu ela sem hesitação.Para Isabela, o trabalho sempre esteve e continuaria em primeiro lugar. Todo o mais poderia esperar. O crescimento profissional era sua prioridade desde o divórcio.Jorge manteve os lábios levemente pressionados, mas o canto de sua boca se ergueu numa sutil demonstração de satisfação que Isabela nem sequer notou. Já concentrada, ela digitava rapidamente uma mensagem para a amiga: [Vivi, me desculpa, peguei um caso de última hora. Não vou conseguir ir.]A resposta de Viviane veio imediatamente com um simples interrogação, seguido por um emoji de uma pessoa com a cabeça explodindo de problemas.Viviane acrescentou logo em seguida, compreendendo a situação: [Tá bom então. Vou sair só com a Janete.] A profissão de advogado era assim mesmo, imprevisível e sem horários fixos.Isabela leu a mensagem, percebendo como Viviane mencionava Janete com tanta familiaridade. Conhecen
Analisando os autos do processo, Isabela constatou que a lesão poderia ser classificada como leve de grau um ou, na pior das hipóteses, grave de grau dois, o que significava que sua cliente estava sendo formalmente acusada de lesão corporal dolosa. Nessas circunstâncias, iniciar um processo de divórcio imediatamente não seria nada favorável para ela.Além disso, conforme o registro do depoimento policial, as autoridades haviam enquadrado o incidente também como rixa, complicando ainda mais a situação jurídica da cliente.Jorge se recostou na cadeira e, com um gesto suave de mão, a incentivou:— Me diga o que você pensa sobre isso.Isabela respirou fundo, organizando mentalmente seus argumentos antes de responder:— Pelos documentos que analisei, não há fundamento legal para a acusação de rixa. Estive pensando se não seria mais estratégico dividir esse caso em duas etapas distintas.Após uma breve pausa para estruturar melhor suas ideias, ela prosseguiu com mais confiança:— Dr. Jorge,
— Não poderia me chamar de outra forma? — Perguntou Jorge, nitidamente desconfortável com a formalidade que Isabela mantinha. — Parece que sou apenas seu chefe...— Mas você é o meu chefe. — Respondeu ela com naturalidade, sem compreender por que aquilo o incomodava tanto. Na sua visão, a maneira como o tratava estava perfeitamente adequada à relação profissional que mantinham.Jorge permaneceu em silêncio por alguns instantes antes de sugerir com voz mais suave: — Pode me ver como um amigo também.Isabela piscou várias vezes, confusa com aquela proposta inesperada. Nem sequer tinha bebido durante o jantar, então o que estaria acontecendo com ele? Além disso, não conseguia entender por que a forma respeitosa como o tratava parecia incomodá-lo tanto. Mesmo que fossem amigos, Jorge era alguém que ela admirava, e acreditava que deveria sempre demonstrar esse respeito....Ao chegar em casa, Isabela se deitou na cama com a mente ainda fervilhando de pensamentos sobre o caso jurídico. Por
Após serem demitidos sem justa causa, os funcionários não receberiam nenhuma compensação financeira, se encontrando numa situação amarga da qual não podiam sequer reclamar. Leonardo se aproximou de Isabela com aquele seu característico sorriso travesso e comentou animadamente:— Isabela, fiquei sabendo que nenhum homem conseguiu escapar daquela armadilha! Todos caíram direitinho.Isabela se manteve em silêncio, observando a empolgação do rapaz com o desfecho daquela situação.— Você não faz ideia de como eu ri quando soube! — Exclamou Leonardo, segurando a barriga enquanto gargalhava. — Isso é muita enrolação, uma história mais maluca que a outra!Não dava para negar que esses advogados realmente sabiam como se divertir com as desgraças alheias.— Todo mundo diz que os advogados são os verdadeiros mestres do bem e do mal, e não é que é verdade mesmo? — Continuou ele, baixando ligeiramente o tom de voz. — Mas ouvi dizer que o Dr. Jorge é ainda mais incrível. Dizem que ele ajuda as pess
Recém-formado na faculdade e já dirigindo um carro luxuoso? A família dele tinha mina de ouro?— Sobe. — Leonardo abriu a porta e empurrou Isabela para dentro do carro com um gesto impaciente.— Vai me levar para dar uma volta? — Indagou Isabela, tentando se acomodar no assento estranho.— Sim. — Respondeu ele, sem dar muita importância.Como se tratava apenas de um passeio, Isabela não viu motivo para recusar e se acomodou no veículo, embora não conseguisse se habituar ao banco tão baixo, sentindo como se estivesse praticamente sentada no chão.Leonardo colocou os óculos escuros com um movimento descontraído e apertou o botão de ignição. O ronco do motor ecoou, poderoso e sedutor, despertando um desejo instantâneo de velocidade. A adrenalina percorreu as veias de ambos como uma corrente elétrica. Talvez fosse por isso que os homens amavam tanto carros esportivos. A emoção pura, a liberdade nas estradas, e aquela inconfundível sensação de domínio sobre o asfalto.Isabela se virou para
Para alguém como Leonardo, vindo de uma família poderosa, um diploma universitário nem sequer era necessário para ingressar naquele prestigiado escritório de advocacia.Na verdade, ele nem estava ali para adquirir experiência profissional de fato, mas apenas para experimentar como era a rotina de um advogado. O que para pessoas comuns representava uma conquista árdua, para ele era algo acessível sem qualquer esforço real. As barreiras de entrada só existiam para quem não fazia parte da elite da sociedade.Isabela deixou escapar um sorriso irônico.Quem disse que não existiam classes sociais bem definidas?Ela se encostou casualmente na lateral do elevador, mas à medida que subiam, um incômodo começou a tomar conta dela. Como o elevador era todo de vidro, quanto mais alto chegavam, mais assustador parecia. A sensação era de estar flutuando no vazio, uma vertigem semelhante à de atravessar uma ponte transparente, porém ainda mais intensa.Um aviso afixado na parede alertava que pessoas
Mesmo com Clara tentando encerrar o assunto, Sandro parecia determinado a não deixar passar. Lançando um olhar rápido para Leonardo, ele manteve os olhos fixos nas costas de Isabela, como se pudesse perfurá-la com o olhar.— Quê foi? Está se escondendo por vergonha ou por medo? — Provocou Sandro, com a voz cheia de ironia.— Sandro. — Clara sussurrou, franzindo a testa sem entender onde ele queria chegar.Isabela nem se deu ao trabalho de responder. Por que ele estava agindo assim? Não deveria fingir que não a tinha visto?Clara mordeu o lábio inferior, os olhos já marejados. Por que Sandro sempre voltava ao mesmo assunto? Será que não conseguia pensar nos sentimentos dela, nem por um instante?Ignorando completamente a provocação de Sandro, Isabela se voltou para Leonardo com impaciência.— Vai abrir a porta ou vai ficar aí parado? — Ah, claro! — Leonardo, após encarar Sandro por um momento tenso, finalmente destrancou a porta.Isabela entrou no espaço de cinema, sem olhar para trás