Melissa
MINHA MÃE É MEU CARRASCO.
— Bom dia, Senhorita Jones!
— Oh, Robert! — Praticamente cantarolo o nome do meu assistente. — Bom dia! — Ele sorri para mim.
— A Senhorita parece bem animada essa manhã.
— Eu pareço?
É porque eu estou animadíssima e penso que nada poderá estragar esse meu dia.
— Então, o que temos para hoje?
— Hum, vejamos. — Robert se senta em uma cadeira de frente para a minha e começa a mexer no seu tablet de estimação. Contudo, vou para perto de uma parede de vidro e após apoiar minhas mãos atrás do meu corpo, visualizo a quietude da cidade grande. Pelo menos aqui do décimo sexto andar não dá para ouvir uma buzina sequer. — A Senhorita está em fase de finalização com a decoração de uma vitrine do edifício Park Gardens.
— Uhum.
— E tem que iniciar as compras para a decoração da Stunning Wedding Dresses.
— Ah sim. — Sorrio satisfeita.
— E
MelissaAOS TRANCOS E BARRANCOS.— Relaxa, ela nunca vai saber sobre essa nossa conversa — garanto. Trocamos olhares outra vez.— Quem me garante que você não é uma espiã da presidente da LD e que não vai me entregar?— Eu mesma. — Dou de ombros. — Você pode não acreditar, mas às vezes eu também a odeio. Eu tive uma ideia. Que tal gritarmos aos quatro ventos tudo que temos vontade de gritar para ela e não temos coragem?— Idiotice. — Ele ri sem graça. Entretanto, ignoro a palavra, subo no parapeito, fecho os meus olhos e abro os meus braços, sentindo o vento que acariciar a minha pele. — O que você está fazendo, sua maluca?— Vai se foder, Cora Jones! — A primeira frase sai timidamente da minha boca.— Eita porra! — Lucke se espanta com a minha atitude.— VAI SE FODER!!!! — grito a todos pulmões em seguida.— Você é maluca, garota!— Você devia tentador, é libertador. — Sorrio. Ele me fita em sil
MelissaACERTOS DE CONTAS.— Bom dia, Senhorita Jones… — Robert se interrompe quando percebe duas caixas de papelão de tamanho mediano em cima de um sofá de dois lugares. — O que está acontecendo aqui? — Ele questiona quando pego três porta-retratos e os coloco dentro de uma das caixas.— Mudanças, meu caro Robert, mudanças — ralho, tirando alguns objetos da estante em seguida.— Que tipo de mudanças?Suspiro alto, mas de forma teatral e paro bem na sua frente para segurar em seus ombros e olhar em olhos.— Escute bem, porque talvez essa seja a nossa última conversa. — O rapaz ergue as sobrancelhas em confusão. — Eu estou criando asas, Robert. — Confuso, Robert inclina a sua cabeça de um lado para o outro dos meus ombros a procura de algo. — Estou dizendo que estou indo embora da LD.— Você o que?! — A sua ficha cai. — A Senhora Jones já sabe disso?Que se foda a Senhora Jones! Penso em re
MelissaEm resposta, Cora me aponta a saída do escritório e provavelmente da empresa de um jeito frio e sem emoção.— Se é isso que você quer, fique à vontade, Melissa. A porta da frente é a serventia da casa. — Essas suas palavras duras me fazem sufocar.Como uma mãe diz algo assim para o próprio filho?Por que ela simplesmente não consegue ficar feliz por mim?— Adeus, mamãe! — sibilo baixo e desapontada.— Isso ainda não é um adeus, Melissa, porque eu sei que você voltará correndo para mim com o rabo entre as pernas em algum momento.— Pois eu não vou! — rebato entre dentes. — Escute o que eu vou dizer, Cora Jones, eu vou crescer e farei isso sem a sua ajuda! — prometo.— É claro, filha. — Ela grunhe com desdém.
MelissaEXPECTATIVAS DE UMA DECORADORA.— Hum!Solto um grunhido baixo quando percebo que o dia já amanheceu e preguiçosamente me estico em cima da minha cama, soltando um gemido gracioso em seguida. Entretanto, ao abrir os meus olhos observo a minha pequena bagunça dentro do quarto. Uma garrafa de vinho vazia caída em cima do tapete, uma taça com um resquício do vinho em cima do criado mudo e um vibrador Rabbit que me fez viajar em sonhos eróticos com um certo Ursão que está roubando o meu alto controle.Não, eu não liguei para ele e quase me arrependi disso.Arrasto-me para fora da cama e vou direto para o banheiro. Ligo o chuveiro e verifico a sua temperatura antes de mergulhar de cabeça nele. Um banho morno e demorado deve organizar as minhas ideias. E quando já estou pronta para começar o meu dia, vou até o
MelissaAlgumas horas depois…— Pai! — Quase grito a exclamação tamanha a minha felicidade de tê-lo aqui no meu lugar preferido. Portanto, não hesito em abraçá-lo assim que me aproximo.— Uau, imas isso aqui é…— Perfeito, não é? — Completo a sua frase quando os seus olhos percorrem ávidos e arrisco até dizer surpresos todo o hall da pequena empresa.— Deixe-me adivinhar? A decoradora desse lugar se chama Melissa Jones? — Ele ralha com humor e eu abro um sorriso largo, e presunçoso.— Essa mesma. — Papai me lança um olhar orgulho e ele se aproxima para segurar com carinho nos meus ombros. Nossos olhos se conectam e ele sorri.— Eu nunca duvidei da sua capacidade, filha — declara e o meu peito infla. — Você sempre teve um talento nato para
JúliaJúlia— Nossa, está tudo muito lindo, Júlia! — Melissa, minha melhor amiga de infância diz, abrindo um sorriso para linda e colorida decoração de um aniversário infantil.Sorrio também.— Você acha que ele vai gostar? — pergunto, sentindo-me ansiosa pela chegada de Alex.E pensar que nem tudo era simples e feliz assim na minha vida. Lembro-me do dia que me apaixonei à primeira vista pelo jovem e lindo Adrian, e pensei que esse seria o começo para uma felicidade plena e sem fim. E eu sei que teria sido exatamente assim se não fosse um maldito acidente que o tirou precocemente de mim. Depois, em meio a dor da sua perda, descobri que Adrian havia deixado um presente valioso para mim. Eu estava arrasada, mas estava grávida também. Perdida em uma linha temporal entre a felicidade de esperar um bebê e a tristeza de perder meu grande amor. Então descobri que pelo meu filho eu teria que sobreviver a essa tempestade. Por um tempo me vi sozinha e desesperada, mas tive que me recompor. Por
Júlia— Táxi! Táxi! — Chamo com um tom elevado na voz, correndo feito uma maluca porque estou em cima do horário como sempre. — Obrigada por esperar! — falo, acomodando-me no banco traseiro do carro e logo que ele entra em movimento fito a fachada do hospital, que deixo para trás com o meu coração partido.Arquitetura sempre foi o meu grande sonho e trabalhar para uma empresa de grande porte, que pode fortalecer o meu nome nesse mercado é uma conquista. No entanto, todos esses sonhos ficaram estagnados no instante que conversei com o cardiologista que me disse que o meu filho tem seus dias contados caso ele não faça um transplante de coração com urgência. Portanto, tenho trabalhado feito uma louca desde então. Horas extras por cima de horas extras para aumentar a minha renda e assim poder juntar um valor exorbitante para salvar a vida do único amor da minha vida. Com tanto trabalho tenho poucas horas de descanso e essas, eu dedico para o meu filho, passando noites e noites no hospital
Júlia— Como foi hoje? — Procuro saber.— Ele está bem cansado e dormiu praticamente o dia todo. — Solto um suspiro de lamento e me aproximo da cama para deixar um beijo calmo nos seus cabelos.— Eu já vou indo. — Melissa avisa, ajeitando a sua bolsa no seu ombro.— Está bem. E, obrigada por ficar com ele de novo!— Você sabe que eu faço com amor, não é? Não precisa me agradecer, querida. A final, é para isso que serve as amigas e além disso, eu sou a madrinha do Alex.Sorrio e após a sua saída, fico um tempo do lado do meu filho.— Mamãe? — Sua voz fraca faz um nó sufocar a minha garganta.— Oi, filhote! — Ponho um pouco de empolgação na minha voz, enquanto o abraço deitado na cama.— Você demorou!— Eu sei. É que a mamãe tinha uma reunião, mas… — Abro um sorriso largo e pego a minha bolsa. — Eu trouxe algo para a sua coleção. — Meu garoto abre um sorriso espontâneo, porém, fraco e ainda, os seus olhos se enchem de expectativas quando tiro uma pequena embalagem, estendendo-a para ele