Lysandra POVO ar na tenda estava pesado, carregado de risadas debochadas e do cheiro acre de suor e terra. Os rebeldes do Lobo Negro formavam um círculo irregular ao meu redor, seus olhos brilhando com uma mistura de escárnio e curiosidade mórbida. À minha frente, Huncker se erguia como uma montanha de músculos e fúria, seus dois metros de altura projetando uma sombra que engolia a luz fraca das tochas. Seus punhos cerrados tremiam, e um rosnado gutural escapava de sua garganta, mas havia algo nos olhos dele — um brilho selvagem, sim, mas também um tormento que eu conhecia bem. Ele não era só um brutamontes; ele era uma fera acorrentada.Odd, sentado em seu "trono" improvisado de madeira e peles, bateu as mãos nos joelhos, rindo alto. "Vamos lá, Huncker! Mostre pra essa garota o que acontece quando ela abre a boca onde não deve!" Sua voz era um trovão, e os rebeldes ecoaram com gritos e assobios, ansiosos pelo espetáculo. Jacob, ao lado de Odd, me lançou um olhar preocupado, mas eu b
Lysandra POVOs dias no acampamento do Lobo Negro começaram a ganhar um ritmo diferente depois daquela noite na tenda de Odd. O ar, antes carregado de medo e submissão, agora vibrava com um propósito renovado. As correntes que prendiam Huncker não foram as únicas a cair — algo maior se quebrou naquele momento, uma barreira invisível que mantinha os rebeldes acorrentados às ordens de um tirano disfarçado de líder.Graças a mim, as pessoas começaram a se mexer de verdade, a se preparar para o ataque que todos sabiam que estava por vir. Homens e mulheres, lobos e humanos, erguiam espadas e afiavam flechas, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e esperança. Eu sentia os olhares deles em mim enquanto passava pelas fogueiras do acampamento — não mais de desconfiança, mas de respeito. Até Huncker, o gigante que agora me seguia como uma sombra silenciosa, assentia em silêncio sempre que nossos caminhos se cruzavam.Os treinos eram brutais, mas eu não me importava. Correr entre as árvore
Lysandra Eu sempre soube que me casaria com Dimitri Blackfur, o príncipe de Flórida. Aquele tinha sido um acordo entre minha família e o pai do príncipe quando este, há anos atrás, estava deitado sob uma cama nos seus últimos suspiros. Ele fez com que Lucius Moonlight, na altura o alto guerreiro e amigo íntimo do rei, o prometesse que assim que chegasse a idade marital, entregaria a filha mais velha dele, que neste caso sou eu, para se casar com seu filho Dimitri. Naquela noite, o rei da Flórida tinha morrido com aquela promessa, uma promessa que durou anos, até hoje. Mesmo sabendo que era desse jeito que o nosso mundo lupino funcionava, os reis tinham que arranjar casamentos pros seus filhos, e apesar de eu não pertencer a uma família Real, pertencia a nobreza tendo meu pai como amigo íntimo do antigo rei morto e um guerreiro nato, então acabei sendo arrastada para esse sistema. Tive que passar a vida inteira vivendo a saber que um dia eu me mudaria da minha casa para o castelo Real
Dimitri "Você por acaso está prestando atenção, Dimitri?" O homem mais velho exigiu minha atenção com uma voz ríspida, levei calmamente o meu olhar até ele mantendo um rosto sem nenhuma expressão. "Sim, meu rei?" Questionei, o homem resmungou impaciente deixando de lado o seu garfo e faca, ambos estávamos na mesa do jantar acompanhados pela esposa do rei, uma velha chata que era tão detestável quanto o marido dela. "Você deve prestar atenção quando eu estiver falando contigo. Eu sou o rei de todas essas malditas terras e não é só porque você tem meu sangue que poderá me desrespeitar!" Ele exigiu gritando para mim como sempre, eu apenas engoli tudo o que queria falar, eu estava engolindo coisas por muito tempo, mas sabia que esse não era o momento certo para se rebelar contra meu tio. "Oh, meu rei. Não fique tão bravo com ele. A doença dele deve estar afetando também as capacidades cognitivas dele." Magdalena, a esposa do rei, disse fingindo que estava intercedendo por mim, mas eu s
Lysandra Naquela manhã fiquei a saber com os criados do castelo que Anastasia subiu em sua carruagem e partiu para bem longe de casa, tudo o que eles sabiam era que ela tinha brigado com os nossos pais e tinha decidido ir embora de casa, eu não tinha percebido nada pois assim que tinha voltado pra casa e depois da conversa com ela, acabei dormindo pesadamente na minha cama, fazia dias que eu não dormia direito, então tinha sido fácil cair em um sono profundo. Quanto a Anastasia, bom, ela era uma mulher de 20 anos capaz de sobreviver sozinha, mas eu não achava que ela se sairia bem num mundo que era totalmente dominado por alfas e ela sendo apenas uma humana, esperava que ela se auto descobrisse e voltasse pra casa para segurança dos nossos pais. Depois de um banho, vesti roupas limpas: uma calça de couro por baixo do vestido para me ajudar a montar no cavalo mais tarde pois estava planejando sair pra ir ver alguns amigos no vilarejo, e tinha prendido meu cabelo escuro numa trança lon
Lysandra O mundo todo virava um borrão quando eu estava montando em meu cavalo. Era uma liberdade tal igual eu sentia quando me aventura pela floresta em minha forma lupina, gostava de sentir o animal majestoso por baixo de mim e ouvir suas patas batendo o chão correndo em alta velocidade, corria pela serra da fazenda dos Moonlight até chegar ao outro lado da enseada, um bando de homens estavam aguardando de baixo de uma árvore com seus cavalos, sorri me aproximando deles. "E aí, tudo bom?" Os saudei quando me aproximei. "Olha só quem decidiu aparecer," um deles respondeu assim que me viu. "A moça devia estar ocupada pintando as unhas nos aposentos dela," o outro comentou provocativo tirando risada de todo mundo, levei o meu cavalo contra ele o batendo com o focinho do meu cavalo derrubando o homem no chão, os caras riram alto zombando do rapaz pelo tombo. "Você foi derrubado por uma garota!" Zombaram dele. "Uma garota pode derrubar um homem mesmo tendo as unhas feitas ou não. P
Lysandra Minhas mãos agarram o encoste da cadeira da carruagem, meus olhos estão opacos, quase sem vida. Eu me sinto sem vida. Já tinha passado dois dias que eu estava viajando para Tallahassee, capital de Flórida, estava indo mais praticamente em Leon, a cidade do Rei Lobo. Tinha perdido tudo e todos que eu amava, estava sem casa e sem opções, única coisa que me sobrava agora era me entregar a Dimitri Blackfur, o príncipe de toda Florida. Eu ainda estava em choque, não conseguia dormir e nem comer direito, ainda não conseguia acreditar que meus pais haviam morrido e com isso, destruído toda minha vida e meus sonhos. Eu já tinha chorado tanto, já tinha gritado tanto que agora me sentia completamente drenada e sem forças nem para dar um soluço de choro. Ainda estava completamente em choque, sempre que eu fechava os olhos ainda conseguia ver e ouvir nitidamente os gritos das pessoas queimando e fogo por todo lado. Quando vimos o incêndio no castelo Moonlight e corremos até lá, já era
AnastasiaAntes do incêndio do castelo MoonlightLysandra me afrontava de uma forma que me tirava do sério, aquela teimosia dela e petulância, a forma dela de levar a vida como se não tivesse um amanhã. Ela mal se cuidava embora sendo a futura rainha daquele lugar todo. Rainha, ri comigo mesma em escárnio, ela definitivamente não merece ser a rainha de Flórida, ela não merece ser a escolhida para se casar com o príncipe Dimitri, aquele lugar tinha que pertencer a uma pessoa tão determinada quanto eu, aquele esterco ambulante que era Lysandra não merecia se casar com Dimitri e liderar Flórida.Estou andando pelos corredores do castelo Moonlight, minhas vestes se arrastando pelo chão de pedra polida, acabei de sair do quarto dela e avistei ela entrando em seu quarto pela janela em sua forma lupina e se destransformar sem perceber que eu estava lá a esperando, como sempre ela pouco se importava com o que as pessoas acham dela. As moças da vila a chamam de cachorra em termo pejorativo, ti