Cap 3 A fuga e o desconhecido.

EULÁLIA

— Você é uma loba bonita e fértil, mas só serve para isso, procriar. E eu nunca seria louco de me deitar com você para ter lobos ruivos. Lobos estranhos. Quando tenho minha companheira de verdade.

Engoli o gosto da decepção. Eu era uma loba que não podia deitar-se com qualquer um; diziam que deveria ser apenas de um alfa, para procriar e elevar o nível da matilha, mas essa era a parte em que eu nunca contei a Ciro. Ele só sabia que eu era uma loba para ter filhos e não alguém dita como especial.

— Eu sou especial. — Digo com os olhos cinzas já injetados de raiva.

— Claro que é. Nunca achou seu par e não vai achar. Não era por isso que estava comigo? — Riu da minha fraqueza, magoando-me profundamente.

Uma vez, aquele mesmo oráculo que me disse sobre meu modo especial também me disse que alguém como eu não tinha um par, que não tinha um companheiro de nascença. Só restava ter um de sangue, algo como uma segunda chance. Mas era quase impossível.

— Eu ainda tenho uma chance. — Achei que ele me reivindicando seria essa chance, seria meu par.

— Quem faria isso com uma traidora? — Aproximou-se, saindo dos braços de Rosalina. Eu não recuei.

— Já que é uma traidora, assassina e está resistindo ao processo, rejeitando seu novo alfa, terá que morrer! — Levantou a mão, deixando as garras aparecerem.

Como se estivesse despertando de um transe, eu me forcei a reagir, a rejeitar de verdade aquele laço de submissão.

"Ele não é meu alfa, meu alfa está morto." Repeti sem parar por várias vezes e, de repente, me transformei na loba branca quase nunca vista. Então, comecei a correr floresta adentro.

— Atenção! A traidora fugiu! — Gritou Ciro. Eu tive que correr ainda mais rápido, compreendendo que não havia saída para mim.

Por mais que conseguisse ganhar tempo, cedo ou tarde eles iriam me alcançar. E mesmo se não conseguissem, eu seria pega pelos caçadores ou pelo conselho do supremo por traição.

"Vamos, sua idiota, corra e ganhe tempo!" Disse minha voz interior, vista como minha loba.

O uivo do alfa chamando seu povo foi ouvido. Eu era uma loba solitária agora, não seria afetada por sua ordem.

Me obriguei a repetir várias vezes o que minha voz interior insistia: correr pela vida, tentar sobreviver mais um dia. Talvez eu tivesse, sim, um futuro.

Por mais que ouvisse todos os uivos e rosnados atrás de mim, esforcei-me ao máximo, dei tudo de mim, não pensei em onde iria ou onde chegaria.

"Preciso ao menos me afastar desse lugar." Havia uma chance mínima de não morrer pelas mãos de Ciro, o verdadeiro traidor, e eu preferiria morrer por outras mãos, uma que estivesse limpa.

Continuei sem parar, sem permitir que a exaustão me abatesse, tentando limpar minha mente em meio ao caos e ao perigo iminente, até que atravessei a fronteira para os humanos.

"Prefiro os caçadores." Me deixei cair depois de entrar na cidade dos humanos.

Minhas forças estavam quase no fim, por isso mudei de forma antes de desmaiar de exaustão.

Andando trêmula até um beco escuro, encontrei uma casa pequena perto de um bar lotado. A casa estava vazia, o que me fez associar que o dono se encontrava no bar ao lado. Entrei pela janela que encontrei aberta, arrastando meus pés para forçá-los a me ajudar.

"Vamos, só falta encontrar uma roupa." Caminhei pela pequena casa até encontrar o que buscava. Por sorte, o dono tinha uma esposa, e eu pude pegar a roupa mais esquecida do guarda-roupa.

Quando vesti, sob minha respiração ainda meio ofegante, lavei meu rosto sujo no banheiro e minhas mãos. Depois, me empurrei para fora da casa. Nós nos recuperamos mais rápido não apenas em acidentes, mas também em força de sobrevivência.

Só precisava de um lugar para me misturar antes que me encontrassem. Ciro era capaz de tudo, já que havia matado seu próprio pai.

Caminhei até o bar movimentado e sentei na cadeira perto do balcão vazio. Lá, quase me joguei para respirar finalmente. Deitei minha cabeça no balcão sem cerimônia.

— Você está bem? — Ouvi a voz de um homem perguntar ao meu lado.

— Eu só vim… descansar. — Digo antes de levantar a cabeça.

— Quem viria descansar em um lugar desses? — Sua voz era concentrada, mas potente.

Levantei os olhos, encontrando apenas um homem loiro, com cabelos caindo por cima do peitoral, loiros claros e olhos azuis.

Ele parecia uma pintura perfeita. Sem perceber, observei-o por inteiro: alto, forte, vestido casualmente, mas a roupa abraçava seus músculos como uma pele.

— Sou nova na cidade… — Dei de ombros, fingindo me recuperar de sua presença poderosa. Algo nele me atraía como um ímã, me acalmava e assustava ao mesmo tempo.

Eram emoções contraditórias que me levaram a pensar como alguém poderia mexer tanto comigo em apenas segundos.

— Quem é você? — Nunca tirei os olhos dele.

Ele estreitou um pouco seus olhos azuis e indagou de volta, levemente intrigado:

— Eu é que pergunto: quem é você?

De repente, percebi que, apesar de ele não exalar um cheiro lupino, seus olhos tiveram uma leve mudança de tom por milissegundos. Os azuis piscina mudaram para um cinza quase branco, com um tom avermelhado ao redor das pupilas. A mudança foi tão impressionante e tão rápida que quase caí da cadeira, como se fosse apenas um piscar de olhos, uma ilusão.

Tentei me equilibrar ao sair da cadeira.

"Merda!" Ele não era humano.

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