Nos braços de Ricardo, havia um enorme cão de pelúcia branco.No bolso do brinquedo, ele colocou cuidadosamente os chocolates de que Catarina costumava gostar.— Catarina, este boneco foi feito à semelhança de Luca. Sei que você sempre sentiu falta dele. Agora, ele pode voltar para o seu lado.Catarina respirou fundo.Luca era o Samoieda que teve na infância, tão fofo quanto uma nuvem de algodão.Quando ele morreu, Catarina chorou por dias e prometeu nunca mais ter um cachorro.Por um momento, seus olhos refletiram uma breve hesitação.— Mana, olha só! Luca é um presente especial do Ricardo para você. Aceita logo!A voz veio de trás.Gabriel Vasconcelos, sentado na cadeira de rodas, surgiu entre a multidão com um sorriso inocente no rosto.Todos pareciam profundamente tocados pelo grande gesto romântico.Exceto Catarina, cujo rosto permaneceu impassível.— Gabriel, você está bem? Por que saiu da escola mais cedo?— Estou bem. O Ricardo disse que queria te fazer uma surpresa, então saí
— Catarina, eu vim de Cidade J só por você. Passei a tarde inteira organizando tudo. Isso ainda não é suficiente? O que mais você quer que eu faça? Essas são as coisas de que você gosta! Por que, de repente, você mudou?— Eu já disse que não preciso disso.Catarina manteve a mesma postura firme, sem permitir que Ricardo rompesse a distância entre eles.— Me seguir até aqui só me faz sentir medo. Ricardo, pare de se emocionar com suas próprias ações. Nós já terminamos.Ouvir novamente a palavra "terminamos" fez a raiva subir pelo corpo de Ricardo.— Catarina, pare de fingir. — Ele forçou um sorriso e tentou desmascará-la. — Você me mandou a confirmação da passagem para que eu viesse atrás de você. Sei que está brava. Você não confia em mim e, mesmo assim, eu vim te procurar. Agora, chega. Não diga mais essa palavra.Mesmo em seu pedido de desculpas, Ricardo carregava arrogância.Para ele, dar um passo na direção dela já era mais do que suficiente.Não era só dar um pouco de atenção que
No caminho de volta para casa, Catarina permaneceu em silêncio.Gabriel olhava para trás, inquieto, observando a irmã com cautela.— Mana... Você e o Ricardo terminaram mesmo?— Sim. A partir de agora, não interfira mais nas minhas decisões por causa dele. Mas não vou impedir que vocês continuem amigos.A voz de Catarina soava tranquila.Mas o rosto de Gabriel estava tomado por uma dúvida difícil de esconder.Desde pequeno, ele sempre viu a irmã e Ricardo juntos e inseparáveis.Houve uma vez em que foi agredido na escola e, com medo de contar aos pais, foi Ricardo quem apareceu para defendê-lo.Depois disso, ninguém mais teve coragem de mexer com ele, todos sabiam que ele tinha um futuro cunhado imponente.Ricardo era competente, tratava bem a irmã... Para Gabriel, eles já eram uma família.Aceitar que terminaram parecia impossível.Mas o que o deixava ainda mais confuso era a reação da irmã, tão indiferente.— Mamãe preparou várias coisas gostosas. Come bastante e fala pouco, tá bom?
O tom da pergunta do homem era ofensivo.Catarina Vasconcelos se sentiu desconfortável.Talvez por causa do encontro atrapalhado com o Sr. Cortez, ela achou que todos os encontros arranjados seriam igualmente educados.— É só um trabalho. Pedi demissão e agora estou planejando abrir meu próprio estúdio.A conversa estava insustentável. Catarina decidiu terminar o café e ir embora.— É o seu próprio estúdio? E quanto vai investir nisso? Pra ser sincero, acho que mulheres da sua idade já não deveriam se preocupar tanto com carreira. O certo seria encontrar um bom homem, casar e cuidar da família. Isso é que é felicidade.David Costa soltava fumaça enquanto compartilhava sua opinião.Catarina mal conseguia manter a expressão cordial.— Cada um tem sua visão sobre a vida, não existe uma resposta certa ou errada. Sr. Costa, tenho outros compromissos. Por hoje é só.— Catarina, me passa seu contacto. Podemos marcar algo em Cidade J depois.Ao vê-la se levantar, David se apressou em pegar o c
De repente, as pupilas de Ricardo Albuquerque se contraíram violentamente.Foi só naquele momento que ele percebeu a firmeza da decisão de Catarina em terminar.Tudo o que ele tinha como certo, desmoronou.Conheciam-se havia dezoito anos. Como poderia não entendê-la?A mistura densa de sentimentos se acumulava em seu peito, a ponto de deixá-lo sem palavras.Dessa vez, ela parecia realmente ter escapado do seu controle.Devia ser fingimento. Catarina estava apenas fingindo bem demais.Após alguns segundos de silêncio, Catarina saiu do Café.O vento frio da noite soprou em seu rosto, trazendo uma sensação de alívio.Nesse instante, David Costa aproveitou a oportunidade e estendeu o celular mais uma vez:— Srta. Catarina, me dê o contacto?Ela não recusou, mas respondeu com calma:— Sr. David, acho que não é apropriado. E não pretendo voltar a me encontrar com você sob o pretexto de um encontro arranjado.David ficou desapontado. Adicionou-a no aplicativo, mas, no fundo, sabia que havia s
Ricardo Albuquerque admitia que estava com ciúmes.As palavras saíam sem filtro, carregadas de fúria e agressividade.De repente, Catarina, tomada por uma raiva incontrolável, ergueu a mão e deu-lhe um tapa no rosto.No estacionamento vazio, o som da bofetada ecoou de forma abrupta.— Ricardo Albuquerque, pare de agir como um louco!Talvez pela intensidade da emoção, os dedos dela ainda tremiam, e o golpe havia sido forte.Ainda assim, sua voz mantinha a frieza.Não era apenas pela humilhação.Era por ele estar pisando na memória de um amor que ela já havia entregue de forma tão sincera.Ricardo levou o tapa. Uma marca vermelha logo se formou em seu rosto. Ele ficou atônito.— Eu falei alguma mentira? Você tá se jogando nesse encontro como se não aguentasse mais dormir sozinha... Tá se sentindo carente, é isso?Ele pressionou a parte interna da bochecha com a língua.Sentia o gosto metálico de sangue no canto da boca.De repente, algo nele pareceu se acender.Ricardo riu, e o brilho so
Ricardo Albuquerque conhecia cada esforço que ela havia feito.Por isso, tinha tanta confiança, quase arrogante.— Catarina, eu sei que esse encontro foi só pra me provocar. Você sabe muito bem que não vai encontrar ninguém melhor do que eu. Aquele cara de agora não vale nem um décimo do que eu sou. Não faça algo de que vai se arrepender depois.As emoções descontroladas pareciam ter, pouco a pouco, se acalmado.Ricardo alternava entre ameaças e palavras suaves.— Vamos voltar. Sei que você não consegue viver sem mim. Volta pra mim, podemos ser como antes. O que há de errado nisso?Para Catarina, aquela frase soava ridícula e ofensiva.— Fui eu quem terminou. Não importa quantas vezes você venha me perguntar, minha resposta continua sendo a mesma. Ricardo, pare de ser egocêntrico. Você não é alguém tão inesquecível assim.Naquele momento, outro carro saía do estacionamento.Os faróis intensos iluminaram o local.Catarina e Ricardo estavam frente a frente, separados por uma distância.U
— Pai... Eu acredito que a nossa família é inocente...Mas não havia provas.Todas as acusações estavam perfeitamente fundamentadas.Seu pai não cometeu suicídio por culpa, sua morte foi causada por um acidente de carro.Ainda assim, até hoje, a família não conseguiu provar sua inocência.Essa era a ferida mais profunda e dolorosa que Catarina carregava no peito.— Eu vou comprar a última obra do meu pai. Vou voltar ao mundo do design usando o nome da filha de Jorge Vasconcelos...Catarina chorava de forma contida, mas sofrida.Toda a dor e raiva tornaram-se o combustível de seus objetivos.Do outro lado da porta, Gabriel saiu do quarto para beber água.Ele já estava preocupado, e ao passar em frente ao quarto da irmã, escutou seu choro abafado.Justo nesse momento, recebeu uma mensagem de Ricardo Albuquerque."Gabriel, sua irmã está bem desde que voltou pra casa?"Do lado de fora, sob a luz fraca da noite, Ricardo se encostava preguiçosamente no carro, segurando um cigarro entre os de