Deitado na cama dela, senti o peso do cansaço e do dia tumultuado, mas ali, com Isadora atravessada na cama e a cabeça apoiada na minha barriga, tudo parecia mais leve. Meus dedos brincavam com uma mecha dos cabelos dela, longos e macios, enquanto o silêncio confortável nos envolvia. Até que, de repente, ela o quebrou:— Como a Juliete está? — perguntou, a voz baixa, mas firme.Suspirei antes de responder, sabendo que a conversa que viria não seria fácil.— Confusa, o que era esperado. Fizeram todos os exames clínicos e neurológicos. Fisicamente, ela está bem. O cérebro também. Mas... perdeu a memória.— Não se lembra de nada?— Nada do acidente, nem de eu ter vindo para o Brasil. Para ela, ainda estamos na França, meu pai está vivo e a pandemia nem aconteceu.— Então, ela acredita que é sua mulher e que vocês são felizes... Você já contou?— Não. Os médicos pediram para ir aos poucos, deixar que ela recupere a memória sozinha. Só dissemos que ela sofreu um acidente e que estamos no B
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