A noite pareceu extremamente longa para Zara, entre permanecer afagando os cabelos de Pérola e desejar que Conrado voltasse logo com notícias sobre Darlan.
Estava apavorada, não sabia ao certo como os lobos e feiticeiros reagiriam ao saber que a Pérola não controlava sua própria transformação, que perdia o controle e poderia facilmente atacar qualquer um sem aviso prévio.
Queria muito imaginar que todos compreenderiam, mas a julgar que ninguém acreditava que ela era sua filha no início, não podia esperar muito agora.
Suspirou enquanto observava a madeira crepitar no fogo da lareira, seus pensamentos pareciam obscuros demais, Zara não hesitaria em bater de frente com qualquer um que ameaçasse sua filha, mesmo sabendo que Pérola era um perigo para outros e ainda mais para si mesma, ela não se importava, iria proteger sua única filha.
Durante a madrugada cochilou algumas vezes, despertando sempre que Pérola se mexia.
Quando os primeiros raios de
O caminho fora desgastante, porém, a caminhada durou menos do que esperavam, chegaram ao meio-dia sendo levados diretos a casa central de Aburblupy, onde ficava a enfermaria, biblioteca, salas de reuniões e lar de Absalom. O ancião já os esperava em uma das salas de reuniões, sua aparência frágil costumeira era motivo de trazer preocupações a todos, tinham medo que o velho partisse há qualquer momento, sendo ele o detentor da maior parte da sabedoria dos lobos. — Por favor, sentem-se. — apontou para as cadeiras da enorme mesa redonda. Os quatro sentaram-se rapidamente ainda apreensivos, queriam saber de uma vez por todas o que o ancião teria de tão importante para falar. — Fico feliz que tenham vindo rápido... — pigarreou — Primeiramente, meus parabéns Pérola, pelo seu aniversário e primeira transformação. A garota agradeceu constrangida. — Bom, o que direi a seguir é estritamente secreto, algo que não devem contar a ninguém. — começou
Darlan caminhava lentamente próximo aos muros das mansões, suas pernas já conseguiam sustenta-lo, porém, o esforço era maior do que ele estava acostumado, não queria que o carregassem mais, então decidiu andar por si só. Os feiticeiros tinham sido muito bons, quando retirou a faixa, as mordidas estavam bem cicatrizadas, a dor maior era na parte interna, a carne ainda latejava por dentro e os ossos se recuperavam. Conrado o sequia ainda silencioso, depois da discussão de mais cedo, os quatro mal se falaram pelo resto do dia. Pérola ainda estava na sala da mansão de sua família pensativa, não queria ter deixado Darlan ir, mas era necessário, infelizmente para ela sua forma de loba tinha aversão ao seu companheiro, mesmo o reconhecendo, o desprezava e isso era algo que ainda não conseguira superar. Queria ter total controle, estar segura de si, descobrir qual era o problema para então tê-lo de novo ao seu lado. Suspirou exasperada, tudo aquilo er
Zara e Conrado retornavam para casa depois de horas procurando por Leonor, a feiticeira havia realmente desaparecido, ninguém sabia seu paradeiro ou a tinha visto depois do meio-dia, era como se ela simplesmente tivesse “evaporado” no ar, após a conversa que tiveram. Os dois estavam extremamente frustrados, o tempo gasto os esgotara completamente, mas agora tinham total certeza de que havia algo de errado com Leonor, ela não desapareceria simplesmente, se fosse a traidora. — Precisamos tomar mais cuidado a partir de agora. — Conrado disse tenso. A casa da feiticeira havia sido revirada completamente, seus pertences estavam jogados pelo chão, as roupas rasgadas e a capa que ela costumava usar, fora encontrada no quarto, sobre a cama, manchada de sangue. — Primeiro eu quero descansar, conseguir dormir o resto de noite que nos falta, depois pensamos em “tomar cuidado”. — Zara resmungou sonolenta. — A situação é grave, Zara, Pérola e toda a alcate
Aburblupy Quando a manhã clareou totalmente, centenas de vampiros invadiram a cidade escondida dos lobos, metade daqueles que não conseguiram fugir foram mortos e a outra metade capturada. Os que estavam apoiando os inimigos, se encarregaram de guia-los casa por casa, em busca de qualquer um que estivesse tentando se esconder do seu destino cruel, não descansaram até que o último lobo, ou feiticeiro, estivesse sobre domínio. O que antes parecia um lar comum agora tinha suas ruas manchadas de sangue com corpos sendo empilhados na praça em frente à casa central onde o velho ancião, Absalom, encarava a tudo com um sorriso sádico no rosto. A aparência antes frágil e indefesa, agora mostrava apenas um velho bem vestido com a postura ereta e expressão firme, bem diferente do que todos estavam acostumados. Uma farsa, o lobo traidor não passava disso, uma grande mentira inventada por ele mesmo. Irina Samhain caminhava calmamente com
A caverna onde estavam era pequena na parte da frente, com várias pedras pontudas por todos os lados, mas o fundo consistia em um bolsão largo e espaçoso, onde podiam sentar-se ao chão com facilidade, alguns idosos dormiam, assim como as crianças menores. A chegada até ali tinha sido exaustiva para todos, a apreensão tomava conta, queriam chegar logo em outro lugar, que fosse seguro, onde pudessem respirar com um pouco de alivio e ter mais tempo de se preparar sem a “supervisão” dos inimigos. A alimentação fora até boa, a sopa era bem encorpada com muitos legumes e pedaços de carne, um reforço para o que se seguiria durante anoite. O resto do dia passou tão rápido que mal se deram conta que já era hora de partir. Os refugiados partiram com o início da noite, aproveitando que as nuvens se mantinham na frente da lua possibilitando uma passagem mais calma e segura, sem chances de serem avistados, guiados por quatro, dos sete alfas, e cinco, dos dez líder
Darlan se aproximou mais da água e retirou o casaco e o resto das roupas, incluindo as ataduras, as quais mostraram as feridas em um estado avançado de cicatrização, e adentrou o lago lentamente sentando ao lado de Pérola que ajoelhou o abraçando. Beijou-o calmamente, de forma que demonstrava todo o amor que sentia. — Esse lugar é onde os lobos vermelhos vem com seus companheiros. — se afastou levemente — Achei que ela estivesse brincando comigo. — Os lobos vermelhos? — ele questionou confuso. — Ah, é uma história longa e cheia de lembranças ruins para Uyara, a loba. — respondeu — Tudo o que sabem sobre mim não é verdade, a história inteira foi mudada para que acreditassem em Absalom. — Bom, acho que teremos bastante tempo aqui... — Não temos, sinto muito. — suspirou — Precisamos consumar nossa união, assim eu posso entrar em harmonia com Uyara e ela não irá mais te odiar. Ele gargalhou levemente. — E por que Uyara me o
A LOBA VERMELHA Pérola caminhava pelo corredor cavernoso, seguiu na direção oposta a da saída, se deparando com outra galeria com metade do tamanho da anterior. Essa tinha estalactites enorme, algumas se juntavam com as estalagmites, formando colunas. Uma pequena passagem podia ser vista há alguns metros do chão, de onde vinha um brilho amarelado. Para subir até ela, era preciso escalar o que antes fora uma escada de pedras, agora quase sem forma, com frestas e partes pouco confiáveis. A garota se dirigiu naquela direção e subiu sem a menor dificuldade, não era a primeira vez que o fazia, naquele momento sentia uma certa familiaridade. Ao atravessar a pequena passagem, avistou o local apertado, porém, bem organizado, pois ela mesma havia o feito no dia anterior, sua intenção era levar Darlan para aquele local, mas os planos correram diferente do que esperava. O teto era baixo, uma pequena mesinha feita do tronco de um
Zara entregou sua capa para Pérola, a garota estava vestindo apenas a camisa de Darlan, mas a noite chegara e o frio também. — Devemos partir logo, os vampiros virão atrás de nós e os meus planos não incluem ataca-los agora, tenho algo em mente e quero compartilhar junto dos alfas. — Pérola se aconchegou a capa de Zara enquanto falava. — Anoiteceu há pouco, melhor esperarmos pelo menos mais um tempo, Guilherme ainda não está totalmente recuperado e creio que Darlan também não. — Leonor senta ao lado dela — Sei que está ansiosa, todos estamos, mas seria pior caso fôssemos seguidos. — Infelizmente, eu concordo. — Zara resmungou. Leonor a encarou com os olhos semicerrados, antes de se levantar. — Por que “infelizmente”? — questionou. — Bom, eu ainda não confio totalmente em você! — Zara deu de ombros. — Sempre tivemos nossas diferenças, mas agora estamos passando por uma situação delicada, posso ter duvidado que Pérola era sua fil