Capítulo 0002
Somente quando a última silhueta desapareceu no horizonte é que finalmente me movi, numa tentativa desesperada de sobreviver.

O iate afundava rapidamente, mas ainda restavam objetos úteis em seu interior. As águas subiam a cada segundo, me obrigando a correr para dentro da embarcação em busca dos coletes salva-vidas e das boias que havia guardado anteriormente.

Na minha vida anterior, por não saber nadar, adquiri algumas boias para desfrutar do mar sem preocupações. Agora, elas se tornavam essenciais para minha sobrevivência.

Recolhi todas que encontrei, vesti apressadamente o colete salva-vidas, inflei as boias e passei uma delas pelo corpo. Consegui também agarrar algumas barras de chocolate e garrafas de água mineral. Quando o iate começou a submergir completamente, enchi os pulmões de ar e mergulhei, nadando com todas as forças em direção à costa.

Embora estivesse em mar aberto, pescadores costumavam navegar frequentemente por aquela região. Encontrar um barco de pesca significaria uma chance real de sobrevivência. O problema era a escuridão da noite. Mesmo que houvesse alguma embarcação nas proximidades, o barulho do motor tornaria impossível que escutassem meus gritos de socorro.

Ainda assim, não me entreguei. Continuei nadando, impulsionada pela vontade de viver.

Mas o destino nem sempre nos favorece. Durante o dia, o céu estava limpo. Agora, nuvens escuras começavam a se formar ameaçadoramente.

Foi assim também na minha vida anterior. Logo depois, uma tempestade feroz dificultou o resgate. No final, Joyce não conseguiu sobreviver.

Dessa vez, contemplando a imensidão do oceano à minha frente, nadei com determinação ainda maior.

Após quase uma hora lutando contra as ondas impiedosas, avistei um iate à deriva.

Ergui os braços e bradei com toda a força dos meus pulmões.

— Socorro! Tem alguém aí? Me ajudem! — Minha voz se esvaecia entre o vento e a chuva que começava a cair. Primeiro, apenas gotas finas, mas em questão de minutos, a tempestade desabou com fúria.

O iate parecia se distanciar cada vez mais, e o desespero tomou conta do meu ser. Continuei gritando, sentindo a garganta arder:

— Por favor! Alguém me ajude!

Quando estava prestes a sucumbir ao desânimo, um feixe de luz cortou a escuridão. Uma figura surgiu no convés empunhando uma lanterna, vasculhando as águas agitadas.

Ele me ouviu!

Uma onda de alívio e felicidade inundou meu peito. Reuni as últimas forças que me restavam e nadei em direção àquela luz salvadora.

— Socorro! Estou aqui! — Gritei, consumindo o último fio de energia que possuía.

Ao me aproximar do iate, lançaram uma escada. Tentei subir, mas meus membros estavam tão debilitados que escorreguei diversas vezes. Quando finalmente alcancei o convés, minhas pernas cederam e caí de joelhos. Antes que tocasse o chão, porém, mãos firmes me ampararam.

— Você está bem? — Indagou uma voz grave e preocupada.

Exalei um suspiro prolongado e profundo.

— Estou bem... Obrigada. — Murmurei, enquanto meu corpo desabava contra o dele, completamente sem forças.

O homem franziu o cenho, me examinando por um instante antes de simplesmente me erguer nos braços e me carregar para o interior do iate.

Me conduziu até um dos quartos e separou roupas secas.

— Está encharcada. Troque-se antes que adoeça. — Ele ordenou com voz firme, mas gentil.

— Certo, obrigada. — Agradeci, exausta.

Assim que ele se retirou, despi a camisola ensopada. Tudo havia acontecido tão rapidamente que sequer tinha tempo de apanhar outras roupas antes do naufrágio.

Mal terminei de me trocar, ouvi batidas na porta. Ao abri-la, me deparei com o homem segurando uma tigela fumegante de macarrão. Depositou a refeição sobre a mesa e gesticulou para que eu me servisse.

Foi apenas naquele momento que pude observar seu rosto adequadamente. Traços marcantes e bem definidos, olhar penetrante e seguro. Lembrava um militar, alguém que emanava força e autoridade.

A fome, porém, falou mais alto. Somente após devorar a comida, me apresentei:

— Meu nome é Teresa. Muito obrigada por me salvar.

O homem, que se apresentou como Augusto, observou atentamente meu cabelo ainda pingando e os pequenos ferimentos em minhas mãos.

— Vou secar seu cabelo e tratar desses cortes. — Ele declarou com firmeza.

Franzi a testa, confusa.

— Como assim? — Perguntei, hesitante.

— O mar está repleto de bactérias. — Ele explicou com paciência. — Se não desinfetarmos logo, pode infeccionar.

— Ah... Tudo bem. Obrigada. — Consenti, surpresa com sua preocupação.

Ele colocou delicadamente uma toalha sobre minha cabeça e começou a secar meus cabelos com cuidado surpreendente. Em seguida, apanhou um frasco de antisséptico e o aplicou sobre os cortes com uma gentileza inesperada.

Enquanto cuidava de meus ferimentos, observei seus gestos atenciosos e senti um estranho calor reconfortante se espalhar pelo meu peito.
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