—É melhor você pensar com muito cuidado sobre sua situação. Gavin levantou-se e empurrou a cadeira. —Agora irei me despedir de um homem que foi apenas uma peça de um jogo perverso, já te salvei uma vez, mas te entregaria sem hesitar por nenhum do meu clã. Agora descanse e aproveite o conforto do meu castelo que você não merece de jeito nenhum. Gavin a deixou sozinha no quarto. Marina, acamada, chorou desesperadamente ao ver sua vida despedaçada, suas feridas eram reflexo de sua alma dilacerada. Ele observou os detalhes da sala adornada com tapeçarias que contavam histórias de bravura e honra, mas não conseguiu disfarçar sua verdadeira natureza como uma prisão dourada. As chamas da lareira dançavam numa vã tentativa de aquecer o frio que se instalara em seu coração. "O tio do meu marido", ela sussurrou, "o homem que se revelou o arquiteto de seu infortúnio." Marina fechou os olhos e se lembrou das surras que recebeu na prisão. "Isto é do seu marido." Na real
—Conheço Marina a vida toda, posso acreditar que o marido dela é um gangster, nunca gostei daquele homem. Mas se você só quer ajudá-la, por que ela não confia em você? —Ela acabou de acordar, ainda está mentalmente dispersa. Ana olhou para ele com a testa franzida. —Não sei, por enquanto vou dar a ele o benefício da dúvida. Graham saiu da sala. —Marina tem que andar, eles podem passar. “Obrigado, Graham”, disse Gavin e olhou para Ana. Você poderia levar Ana para passear. — Sou guia turístico agora? —Graham perguntou. —Só quero um tempo a sós com Marina, acho que não há nada de errado nisso. Graham aceitou. —É normal que você queira ficar com ela. Gavin sorriu e virou-se para Ana. —Senhorita Ana, Graham se ofereceu para acompanhá-la. —Mas eu não entendo nada. —Você não precisa entendê-lo, ele apenas irá te acompanhar para você não se perder. Graham sorriu e fez um gesto cavalheiresco para que ela andasse. Gavin entrou na sala. Marina e
Marina jogou a pasta sobre a mesa. —Você não precisa ler mais, não faz sentido, você não consegue reconhecer meu filho porque você não é o pai. Gavin balançou a cabeça. —Marina, não minta mais... —O pai da Cris é José Manuel. —Você está tão acostumado a mentir. José Manuel acredita que o pai de Cris seja Fergus. Marina cerrou os punhos, ninguém iria tirar o filho dela, nem mesmo o verdadeiro pai. —O que você está tentando fazer? Você quer tirar meu filho de mim? Se eu morrer, Cris deve ir para minha família, eu nunca daria ele para você. Gavin pegou a reclamação de divórcio, colocou-a na frente dela e ofereceu-lhe uma caneta. —Marina sinaliza, isso permite a Cris uma vida melhor. Marina ignorou a caneta. —Ele é meu filho, se eu assinar isso não poderei lutar por ele, legalmente estou morta. Gavin suspirou. —Você é tão perspicaz quanto um bom vigarista, reconheço que era meu plano, queria que você fosse embora, mas sozinho, para deixar Cris aqui e
—É só para parecer bem para o meu povo —disse Gavin com muita calma enquanto Marina o observava com a boca aberta e os olhos arregalados. — Não! Como você descobriu isso? Além disso, estou morta, os mortos não se casam. —Na verdade nem precisaremos nos casar, basta fingir que sim. Marina balançou a cabeça repetidamente. —É muita coisa para processar, minha vida mudou completamente e você insiste em jogar uma coisa atrás da outra em mim, você não me dá trégua. —Marina, te ofereço um acordo mais que justo. Também não estou feliz, mas o Cris vai crescer e vai precisar de um sobrenome, não do estigma e do desprezo de um homem que o vendeu quando ele não conseguia mais lucrar. Marina olhou para Gavin e viu sinceridade em seus olhos, mas ela novamente não seria a idiota que acredita nas pessoas porque elas parecem ser boas pessoas, ela abriu o documento. —Este é um acordo pré-nupcial então. “Isto é mais do que apenas um pedaço de papel”, começou Gavin como se fosse
— Mãe! Marina não conseguia esconder o desespero para abraçar o filho, queria correr, mas devido à operação foi andando aos poucos, começou a chorar até finalmente conseguir abraçar o filho e cobri-lo de beijos. —Meu filho, meu lindo bebê. —Onde você estava mamãe? Ninguém queria me dizer, você está doente como eu? Marina balançou a cabeça. —Estou bem agora meu amor, você é minha cura. O menino agarrou-se à mãe e Marina deitou-se ao lado dele. Marina embalou seu filho doente, balançando-o suavemente enquanto ela cantava uma canção de ninar em um sussurro entrecortado. Cada nota era um lamento, cada carícia uma promessa silenciosa de lutar contra o destino que pairava sobre eles. Naquele momento de desespero, Marina fez uma promessa: não permitiria que a doença do filho fosse mais um capítulo sombrio de sua vida. Marina sabia que precisava ser forte pelo filho. A partir de agora enfrentaria médicos e tratamentos, desafiando o destino e a desesperança, tudo pela vida
Marina mal entendia as exigências que a mulher lhe fazia, lançava palavrões e palavras que nunca tinha ouvido na vida. —Eu nem a conheço, por que você está me insultando? "Ela é irmã do Dr. Graham", murmurou Anne. —Você acha que com seu filho você pode manipular Gavin… —Camila! O que diabos você está fazendo? —Gavin perguntou com autoridade. Camila se virou e baixou o rosto para Gavin e se aproximou dele. —Não é justo Gavin! Por causa dela meu pai morreu! Gavin levantou a mão para parar e Camila permaneceu em silêncio. —Já chega Camila, você está ultrapassando um limite ao desafiar minha vontade. —Você seria capaz de me expulsar do clã por ela? —Camila! —Graham gritou, vindo correndo e parecendo furioso com a irmã—. Podemos saber o que há de errado com você? “Todos aqui esperavam que eu fosse a senhora do clã, era meu direito”, ela exigiu com lágrimas nos olhos. "Cale a boca, você está fazendo papel de boba, saia agora mesmo", Graham ordenou com uma
Marina deu um tapa nele que pareceu um tiro. O silêncio tomou conta do lugar por um segundo até que o riso irrompeu entre as mulheres do clã. Gavin com a mão na bochecha tem uma expressão de completo choque. Nunca em sua vida ele foi rejeitado assim, muito menos diante de seu próprio clã. Marina, de cabeça erguida e olhar desafiador, não demonstra nem um pingo de arrependimento. —Isso vai te ensinar a não pegar o que não te pertence! —ela exclamou antes de se virar e se afastar dele com sua dignidade intacta. Uma velha que ordenhava as cabras enxugou as lágrimas de tanto rir e disse em voz alta: —Você escolheu bem chefe, essa garota tem coragem! – causando outra rodada de risadas. Gavin, ainda atordoado pelo golpe e pela humilhação pública, tenta se recompor. Mas é evidente que a imagem do macho alfa sofreu um golpe maior do que a sua bochecha. Caminhou em direção à casa, determinado a não abordar Marina novamente em público, trancou-se em seu quarto. El
— Desculpe? Você está jogando? —Marina perguntou irritada. Graham parecia arrependido. —Não, estou falando sério, seria feito in vitro, é analisado em laboratório e o óvulo fecundado que estiver viável na sua totalidade é inseminado com Cris. —O doador perfeito— murmurou Gavin. —Isso mesmo, do seu cordão obteríamos as células-tronco, se precisássemos de medula óssea, transfusões de plasma, inclusive de órgãos como os rins, teríamos o doador perfeito... Marina se levantou da cadeira e teve vontade de sair correndo dali. —Meu filho vai ficar bem, não vai precisar de nada além de quimioterapia. —Mas gostaria que primeiro fossem feitos testes em nós, porque há compatibilidade— alertou Gavin, sem prestar atenção em Marina. Marina achou toda essa conversa bizarra. Como eu poderia ter outro filho? E com Gavin também... —É prematuro falar sobre isso —esclareceu Graham— vamos ver primeiro como ele reage à quimioterapia, mas na minha opinião a melhor opção será se