LaraO sol já invadia o quarto quando meus olhos se abriram lentamente. O ar estava quente e carregado do perfume de rosas e especiarias que ainda pairava no ambiente, uma lembrança silenciosa da noite passada. Meu corpo estava relaxado, mas um leve cansaço me fazia querer permanecer ali, entre os lençóis macios, aproveitando a sensação de segurança que o colchão me proporcionava.Foi então que senti o cheiro de café e algo doce no ar. Me virei devagar, e lá estava ele, parado ao lado da cama, segurando uma bandeja de café da manhã. Khaled estava sem camisa, apenas com uma calça de linho clara, e me olhava com aquele sorriso torto que sempre me deixava desconcertada.— Bom dia, habibti. — A voz dele saiu rouca, carregada pelo peso da manhã e de algo mais.Me ajeitei contra os travesseiros, sentindo um leve desconforto nos músculos, mas nada que me incomodasse de verdade. Khaled percebeu e arqueou uma sobrancelha, colocando a bandeja sobre minha perna antes de se sentar ao meu lado.—
Khaled O sol dourado de Omã refletia nas águas cristalinas do Golfo, e a brisa quente trazia consigo o aroma de especiarias dos mercados próximos. Caminhávamos lado a lado por uma das vielas do souk, onde comerciantes exibiam tecidos finos, joias artesanais e perfumes intensos. Lara parecia fascinada, os olhos brilhando a cada nova descoberta. Ela parou em frente a uma barraca que vendia tapetes bordados à mão. Seus dedos deslizaram pela superfície macia de um deles, e ela sorriu. — Isso aqui... — sua voz saiu baixa, quase um suspiro. — Isso aqui é o paraíso. Observei seu rosto iluminado e o sorriso que brincava em seus lábios. Lara tinha um jeito peculiar de enxergar a beleza nas coisas. Para ela, aquele lugar era um sonho, mas para mim... era apenas mais um pedaço do mundo. — Você vem muito aqui? — ela perguntou, virando-se para mim com curiosidade. Neguei com a cabeça, enfiando as mãos nos bolsos da túnica. — Eu trabalho mais do que passeio. Não tenho tempo para essas coisa
Lara A viagem de volta para casa foi silenciosa. O carro cortava as ruas iluminadas de Omã, mas minha mente estava presa em um único pensamento: eu estava casada com um assassino. O medo se instalara no meu peito como um peso sufocante. Cada palavra que Khaled havia dito mais cedo ecoava na minha cabeça. "Porque ela me desobedeceu." A frieza na sua voz, a tranquilidade com que ele admitiu ter matado não uma, mas duas esposas, fazia meu sangue gelar. Eu mal percebi quando chegamos. Assim que entramos, fui direto para o quarto sem dizer nada. Khaled me seguiu com o olhar, mas não tentou me parar. Talvez estivesse me dando espaço. Ou talvez estivesse apenas observando, como um predador que sabe que a presa não tem para onde fugir. Entrei no banheiro, fechei a porta e me apoiei contra a pia, tentando acalmar minha respiração. Ele não faria isso comigo. Eu tentava me convencer, mas a verdade era que eu não fazia ideia do que Kha
KhaledO caminho de volta para casa foi silencioso. Lara estava perdida em pensamentos, e eu percebia isso pelo modo como olhava pela janela, mordendo o lábio inferior.Ela estava assustada.E eu sabia o motivo.Desde o jantar, quando contei sobre minhas esposas anteriores, pude ver a inquietação crescendo dentro dela. Era divertido observar a maneira como tentava agir naturalmente, mesmo que seu corpo estivesse tenso ao meu lado.Ela achava que eu não percebia.Mas eu percebia tudo.Chegamos a um semáforo, e a luz vermelha iluminou seu rosto. Seus olhos estavam fixos em um ponto qualquer da rua, e então, sem me encarar, ela perguntou:— Como você nunca teve filhos até agora?Meu olhar permaneceu no trânsito à frente.— Porque eu não quis.Ela finalmente se virou para me encarar, franzindo a testa.— Mas… você não se protege. E eu não estou tomando anticoncepcional.S
Lara A noite estava silenciosa, e o quarto escuro era iluminado apenas pela fraca luz da lua que entrava pelas cortinas entreabertas. O calor do corpo de Khaled ao meu lado era reconfortante, e por um momento, quase consegui esquecer o medo que crescia dentro de mim desde o jantar. Quase. Virei para o outro lado da cama, tentando afastar os pensamentos que martelavam na minha mente. Eu não podia ficar alimentando aquele pânico. Se ele quisesse me matar, já teria feito isso, certo? Me forcei a fechar os olhos e me concentrar na respiração dele. Foi quando o barulho do celular cortou o silêncio do quarto. O som era abafado, mas alto o suficiente para me despertar completamente. Khaled se mexeu ao meu lado, pegando o aparelho no criado-mudo. Olhei pelo canto dos olhos e vi o brilho da tela refletindo em seu rosto. Ele franziu o cenho, leu alguma coisa e se levantou. F
LaraO sol já brilhava forte quando descemos para tomar café. O restaurante do hotel era um espetáculo à parte, com um buffet impecável e uma vista de tirar o fôlego.Eu deveria estar aproveitando.Eu deveria estar me sentindo feliz por estar aqui, viajando, experimentando uma cultura nova ao lado do meu marido.Mas tudo o que eu conseguia pensar era na ligação da madrugada.As palavras de Khaled ainda ecoavam na minha cabeça como um pesadelo do qual eu não conseguia acordar."Mata eles."Respirei fundo e me forcei a manter a expressão neutra enquanto sentava à mesa. Khaled parecia tranquilo, como se nada tivesse acontecido. Ele serviu uma xícara de café para mim e outra para ele, pegou um pedaço de pão e começou a comer.Fiz o mesmo, mas minha fome tinha desaparecido.O silêncio entre nós durou pouco.O celular dele tocou.Meu coração acelerou.Ele tirou o aparelho do bolso e olhou a tela por um segundo antes de atender.— O que foi agora?Seu tom de voz estava firme, impaciente.Ape
LaraO avião havia pousado há pouco tempo, e já estávamos de volta à casa em Dubai. O caminho até ali foi silencioso, e Khaled parecia ainda mais sério do que o normal. Algo em seu olhar, no modo como apertava o volante, me deixava inquieta. Desde o café da manhã em Omã, eu sabia que algo estava errado, mas o jeito como ele evitava os detalhes me fazia pensar que o que ele escondia era muito maior do que eu imaginava.Assim que entramos em casa, Khaled largou a mala no chão do hall e olhou para mim com aquele sorriso de canto que sempre me fazia gelar por dentro. Mas dessa vez... era diferente. Havia algo frio no olhar dele. Algo que eu não conseguia ignorar.— Eu preciso sair por algumas horas. Tenho que resolver um problema de trabalho. — Ele disse, já pegando o celular e olhando notificações como se falasse sobre um compromisso qualquer.— Aconteceu alguma coisa séria? — perguntei, tentando manter a voz firme, mas o aperto no meu peito não colaborava.Ele me olhou de lado, ainda co