Capítulo 315 Hassan Levei Aziza até um dos salões menores do palácio, um espaço isolado onde ninguém nos ouviria. O silêncio era pesado, denso como o calor do deserto antes de uma tempestade. Fechei a porta com um movimento firme e me virei para encará-la. Ela estava tensa, mas tentou manter a postura arrogante, como se ainda tivesse algum controle sobre a situação. — Agora me diga, Aziza... Por que está tentando envenenar a mente de Tatiana? Ela franziu o cenho, fingindo indignação. — Eu? Envenenar? Hassan, eu apenas... — Não me tome por idiota! — cortei, minha paciência se esgotando. Dei um passo à frente, e ela recuou instintivamente. — Eu vi a forma como falou com ela. Vi o seu olhar, seu tom. Você não estava apenas conversando. Estava tentando plantar dúvidas, desestabilizá-la. — Não é verdade! — ela protestou, tentando manter a voz firme. — Não minta para mim, Aziza! — gritei, porque a minha paciência estava chegando ao limite. Ela estremeceu, mas seguiu
Capítulo 316 Tatiana Eu me sentei na beira da cama, massageando as têmporas, tentando dissipar a tensão do dia. Mas meu coração disparou quando Amina entrou apressada, fechando a porta atrás de si. — Minha senhora... o sheik já sabe onde estivemos pela manhã. Meus olhos se arregalaram, e minha mão voou instintivamente até minha boca. Meu estômago revirou. — Ele… ele já sabe? — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. Amina assentiu, hesitante, e abriu a boca para continuar, mas um barulho de passos firmes no corredor nos interrompeu. Meu coração quase parou. A porta foi aberta com um único movimento firme, e lá estava ele. Hassan entrou com a imponência de um rei, os olhos escuros me sondando com intensidade. Sua expressão não trazia raiva, nem dureza, mas sim um ar de satisfação. E então, com um sorriso lento nos lábios, ele disse: — Da próxima vez, minha luz, bata mais forte na minha irmã ou qualquer um que tentar te intimidar. Minha respiração ficou presa na gar
Capítulo 317 Tatiana Estávamos cheios de desejo. A eletricidade pulsando entre cada toque, cada olhar. O sorriso de Hassan se alargou quando ele me puxou para si, sua respiração quente acariciando minha pele. Antes que eu pudesse reagir, suas mãos hábeis desataram os laços de minha roupa, e o tecido deslizou como seda por meu corpo. — Sem calcinha? Não acredito... — Estou no nosso quarto. E você está demorando demais — murmurei, com a voz suave, rouca, provocante. Os olhos dele brilharam com diversão e pura luxúria. Ele não precisava de mais incentivo. Em um instante, Hassan arrancou a própria túnica, revelando a pele quente e firme que tantas vezes já me fez perder o fôlego. O desejo estampado em seu rosto fazia meu coração bater descompassado. — Venha aqui. — Sua ordem veio firme, mas cheia de promessa. Ele se sentou na poltrona e me puxou para seu colo, posicionando-me de pernas abertas, uma de cada lado de seu corpo. O calor de nossas peles se encontrando fez um ge
Capítulo 318 Tatiana (dias depois) Os últimos dias foram tranquilos, e a presença constante de Hassan ao meu lado trouxe um conforto que eu nem sabia que precisava. Ainda não me acostumei completamente com a vida no palácio, mas aos poucos, sinto que meu lugar ao lado dele se solidifica. Nessa manhã, quando Hassan me convidou para sair, fiquei surpresa. — Vamos tomar café fora do palácio — ele disse, enquanto eu terminava de me arrumar. — Fora? — repeti, ajeitando o lenço sobre minha cabeça. — Sim, minha luz. Quero que respire um pouco de ar fresco. Aceitei sem questionar, ansiosa para a saída. Não era comum Hassan querer sair assim, ainda mais apenas para um café. Ele me guiou até o carro luxuoso, e seguimos para um café reservado, discreto, mas elegante. O local era bonito, com um jardim interno e poucas pessoas. Sentamos-nos em uma área mais reservada, e logo o chá foi servido. O aroma da hortelã fresca e do café forte misturava-se ao ar quente do emirado. Hassa
Capítulo 319 Neide Mal pisamos no palácio e já vi a confusão. De braços cruzados, observei a mulher que acabou de se dirigir ao Nazar como se ele fosse um presente encomendado. O tom de voz dela, a postura confiante demais… Ah, que vontade de acabar com essa mulher. Ele é MEU homem! — Aziza, ninguém te autorizou falar. Principalmente quando se trata de um homem — O Sheik respondeu a mulher que agora sei o nome. — Desculpa meu irmão. Agi indevidamente. — Ah, então essa era Aziza, a irmã do Sheik? Explicava muita coisa. Antes que alguém respondesse qualquer coisa, dei um passo à frente, parando bem perto dela. Baixei um pouco a cabeça, como se fosse falar baixo, e soltei no ouvido da mulher: — Meu marido não está disponível. Não o mencione novamente. Vi o brilho de provocação nos olhos dela sumir por um instante. Ela me olhou de cima a baixo, como se me analisasse, e eu retribuí com um olhar de puro desafio. Não sou de cena, mas essa eu não deixaria passar
Capítulo 320 Hassan Caminhei pelos corredores do palácio, ignorando os olhares dos criados e seguranças que abaixavam a cabeça ao me ver passar. A noite estava tranquila, mas eu ainda estava estressado pela confusão de mais cedo. Aziza… sempre Aziza. Ao chegar à porta do quarto de Tatiana, bati duas vezes antes de entrar. Ela estava sentada perto da janela, folheando alguns documentos do projeto que havia apresentado na última reunião. Assim que me viu, deixou os papéis de lado e se levantou, mantendo a postura tranquila. — Amina me contou o que aconteceu — falei direto ao ponto. Tatiana sequer demonstrou surpresa. Apenas cruzou as mãos à frente do corpo e esperou. — Senhor, ela provocou muito nossa convidada. — Já estou resolvendo a questão da minha irmã. Não precisa se preocupar com Aziza. Concentre-se apenas no projeto. E se ela incomodar, já sabe o que fazer. Ela assentiu de imediato. — Sim, senhor. Franzi levemente o cenho. Sempre tão obediente, tão dis
Capítulo 321 Hassan Eu me mantinha sério, controlando a expressão. Mas, por dentro, era impossível não me divertir com o desespero de Aziza. Era raro vê-la sem a habitual arrogância e confiança, e agora, ali sentada à mesa contra sua vontade, parecia uma criança emburrada sendo forçada a comer vegetais. O noivo dela, por outro lado, parecia se deliciar com cada reação. Cada vez que Aziza suspirava, revirava os olhos ou fazia uma careta, ele apenas sorria, parecendo ainda mais satisfeito com a escolha. — Gostei muito da noiva — ele disse, bebendo um gole do vinho servido. — Mas, a partir de agora, não olharei mais diretamente para ela. Aziza franziu a testa. — O quê? — Vou manter a tradição — ele explicou. — Um homem não deve olhar diretamente para sua noiva após aceitá-la, até o dia do casamento. Aziza fez menção de abrir a boca para argumentar, mas depois pareceu ver nisso uma vantagem. Pelo menos, se ele não olhasse para ela, não teria que encarar aquele nariz en
Capítulo 322 Neide O avião pousou suavemente na pista, e eu senti o frio da Rússia antes mesmo de sair da aeronave. Era engraçado como, depois desse curto período de tempo longe, um lugar tão sombrio podia parecer acolhedor. Talvez fosse a expectativa do casamento. Ou talvez fosse apenas a sensação de finalmente estar em casa. Nazar desceu à minha frente, os olhos atentos como sempre, analisando cada detalhe ao redor. Mas, assim que nos afastamos do aeroporto e entramos no carro que nos levaria até a mansão, percebi que até ele parecia mais leve. — Sabe que agora não tem mais volta, né? — provoquei, cruzando as pernas e o encarando de lado. Ele soltou uma risada curta. — Se quisesse fugir, teria feito isso antes de entrarmos no avião. Sorri. Nazar nunca foi um homem de fugir. Nem eu. Quando chegamos à mansão, a recepção foi calorosa. A casa estava cheia de movimento, com empregados organizando detalhes e rostos conhecidos espalhados pelo salão. O casamento se