Marcelo.Já haviam se passado alguns dias desde que Thalia ficara internada com suspeita de hiperêmese gravídica, e eu começava a notar sua melhora. Ela seguia com a medicação e uma alimentação mais saudável e balanceada. Os enjoos haviam diminuído e já não se sentia tão cansada como na semana anterior. Eu estava sempre pendente dela, falava com ela pelo menos quatro vezes ao dia.À noite, sempre ia jantar com ela ou dormia em seu apartamento, mas apenas para descansar, pois Thalia ainda estava se recuperando. Vivan também estava bastante atento à sua amiga. Ela ainda seguia no seu apartamento antigo, pois não tinha disposição para ver o novo. Esse novo apartamento seria pago pela empresa de resort onde ela ia trabalhar — aliás, ela já trabalhava, mas só voltaria com o cargo de supervisora.Hoje, ela tinha acordado mais disposta e estava animada com a ideia de preparar um jantar especial. Thalia queria me apresentar formalmente à sua melhor amiga, Vivian, e ao marido dela. Eu sabia o
MarceloEnquanto eu me sentava no sofá ao lado de Arthur, Thalia e Vivian seguiram para a cozinha, comentando sobre o que ainda precisava ser finalizado para o jantar. O clima leve e descontraído contrastava com o pequeno incômodo que se instalava em mim sempre que interagia com eles.Arthur e eu começamos a conversar, e rapidamente o assunto se voltou para o trabalho. Ele era advogado e, por coincidência ou não, trabalhava na mesma empresa de advocacia em que minha mãe era sócia. A conexão era inevitável, mas eu preferi não revelar a ele que Nelicia Toledo era minha mãe. Ele, no entanto, mencionou que eu parecia muito com algumas pessoas que ele conhecia — no caso, era quase certo que ele estava falando dos meus pais.— O sobrenome também é o mesmo, Toledo, não? — Arthur comentou casualmente, lançando um olhar curioso.Forcei um sorriso e desconversei, desviando o assunto para algo mais genérico. Era sempre assim: um nó na garganta se formava toda vez que precisava esconder quem eu r
Marcelo:Era quinta-feira e Thalia tinha decidido se mudar para sua nova casa. Estava determinado a acompanhá-la em cada passo dessa transição, garantindo que tudo fosse tranquilo. Nosso dia começou com uma visita à concessionária, onde ela queria conferir o carro que tinha escolhido pela internet. Agora era o momento de ter certeza da escolha e finalizar a compra.Embora ela ainda não tivesse começado a trabalhar, eu queria que estivesse preparada e confortável quando isso acontecesse. Era um jeito de mostrar meu apoio e carinho.No showroom da concessionária, caminhávamos entre os carros, cada um exibia seu próprio charme e estilo, o que só fazia aumentar as dúvidas de Thalia. Seus olhos brilhavam enquanto analisava cada veículo com cuidado, parecendo uma criança em uma loja de doces.— Esse é lindo, mas... e se não for prático? — Ela murmurava, tocando suavemente a lateral de um hatchback prateado.Eu ri, cruzando os braços enquanto a observava.— Acho que você está complicando um
Marcelo.Horas depois...Depois da concessionária, seguimos para a imobiliária. Encontrar o apartamento perfeito era outro passo importante para essa nova fase da vida de Thalia.No escritório, fomos recebidos por um corretor simpático que nos levou a uma série de imóveis. Enquanto visitávamos cada lugar, me peguei admirando o brilho nos olhos dela. Ver Thalia animada, planejando seu futuro, fazia meu coração bater mais forte.Quando finalmente encontramos o apartamento ideal — um espaço espaçoso com uma vista deslumbrante da cidade — soube que aquele era o lugar certo.— Esse aqui tem uma excelente localização — falou o corretor, apontando para um apartamento espaçoso com vista para a cidade.— E é perto do hotel onde vou trabalhar — Thalia completou, com um sorriso satisfeito.Concordei, observando a vista ao nosso redor.— É perfeito. Parece feito para você. A localização é ótima. E o espaço interno parece bem distribuído.Ela assentiu, radiante com a nova aquisição. Thalia não con
Thalia.Uma semana depois...Virei-me na cama e fitei o teto. Não sabia que hora era, mas sabia ser tarde. Deveria sair da cama, mas meu corpo só queria permanecer deitado. Já havia me mudado para meu novo apartamento, mas ainda não havia assumido meu novo cargo. Pretendia fazer isso logo, mas tinha voltado a me sentir mal.— Pensei que a encontraria dormindo. — Marcelo falou, sua voz era suave.Ele entrou no quarto e se sentou na beirada da cama.— Acordei faz poucos minutos. — Sorri e me sentei, com as costas na cabeceira.— Trouxe bolo de chocolate.— Andou lendo meus pensamentos? Queria mesmo um doce.— Talvez eu seja telepata. — Rimos.— Se sente bem? Não quero que minta para mim. Vi que acordou de madrugada e vomitou algumas vezes.— Sim, mas já estou melhor. Os remédios já fizeram efeito. — Tentei passar segurança, embora ainda me sentisse um pouco mal.— Isso é bom.Ele soltou um suspiro.— Vem, vamos fazer um lanche. — Estendeu-me a mão e me ajudou a levantar.Minha relação c
Thalia Nossos olhos estavam conectados e deixei transparecer o quanto sentia por ele. Deixei a sinceridade brilhar em meus olhos e falei:— Também seria impossível não me apaixonar por você, Marcelo. É um homem lindo e não digo só por fora. É gentil, amigo, cuidadoso, carinhoso. Um fofo. — Sua risada aumentou.— Não é loucura termos nos apaixonado tão rapidamente, é? Sentir essa necessidade de estar junto, de tocar, beijar, abraçar? Até um dependente químico leva mais tempo para se viciar em sua droga e sofrer ao ficar sem a usar, mas isso já acontecia comigo na primeira semana em que ficamos juntos. Sou viciado em você, Thalia, e não posso ficar sem tê-la. — Não é loucura. Quando se nasce para estar junto, tudo conspira a favor. Talvez nosso encontro já estivesse escrito nas estrelas.Soltei uma risada ao concluir minha fala. Isso pareceu mais bonito na minha mente.— Que frase mais brega. Porém, tão linda e romântica. Linda e romântica como você, meu amuleto da sorte. — Seu sorr
Marcelo.O sol já havia se posto no horizonte, dando lugar à lua que compunha um céu estrelado e negro, quando passei pelos portões da casa dos meus pais e estacionei o carro ao lado dos outros veículos já estacionados. A casa estava movimentada. Podia jurar que minha mãe convidou metade da cidade para sua festa ‘simples’ de aniversário.Nelicia Toledo Vilard, agora uma socialite em pleno direito, sempre apreciava a companhia de uma multidão. Ela se tornou uma figura frequente em revistas sociais, posando ao lado de celebridades e exibindo sua elegância e o luxo de sua casa.Minha mãe era uma mulher de destaque. Formada em direito, trabalhou alguns anos como advogada, ascendendo ao posto de promotora, anos depois, após passar em um concurso público específico para ocupar tal cargo. Sua carreira culminou na condenação de um dos [1]criminosos mais procurados do país. E, grávida da minha irmã caçula na época, decidiu se aposentar, focando na família.Meu pai, Mario Vilard, era um empresá
Marcelo.— Marcelo! — Natali exclamou, abraçando-me com força.Isso me encheu de amor e ternura. Nós a amávamos demais.— Oi, minha bruxinha! — Eu ri, apertando-a de volta.Sorrimos. Seus olhos brilhavam de felicidade, e o aroma doce de melancia do seu perfume infantil preenchia o ar.Natali era a luz de nossas vidas e agora, tendo-a em minha frente, em meus braços, dei-me conta do quanto eu sentia sua falta. Por mais que não morasse mais com os meus pais, eu vinha aqui quase todos os dias, almoçava, tomava café e jantava todos os finais de semana, então nós estávamos sempre juntos, coisa que não aconteceu nas últimas semanas. Eu mergulhei em Thalia de cabeça e esqueci do resto.A coloquei no chão. Minha mãe havia ido até meu pai, que estava mais afastado, conversando com uns amigos.— Estava com saudade. Você está linda, meu amor.— Você também está bonito. Está diferente. — Colocou a mão no queixo e estreitou os olhos, me analisando. Sua postura parecia de um detetive em busca de al