Enrico Narrando Me sentei na cadeira de frente para Dante, e ele, com aquele olhar penetrante que sempre me deixa sem jeito, arqueou a sobrancelha e sorriu. Ele já sabia. Sabia que algo estava prestes a ser dito, mas não imaginava o que. Ele não demorou muito a perguntar, com aquele tom brincalhão de sempre. — Quem é essa mulher que você está conhecendo? eu a conheço?Respirei fundo. Fui direto ao ponto. Não havia mais como adiar. Olhei nos olhos dele, e minha voz saiu firme, mas tensa. — Eu e ela não temos culpa. Nossos corações se entrelaçaram nessa história, e eu não queria que fosse assim. Eu vi os músculos de Dante se contraírem. Ele fechou a expressão e, pela primeira vez, parecia perder a postura calma e controlada.A tensão era palpável no ar. O sorriso que antes parecia confortável se desfez, e ele se ergueu da cadeira, e sua postura ficou rígida como uma rocha. Ele não queria escutar, e eu podia ver que ele estava tentando entender o que eu acabara de dizer.Com um olhar
Thayla Narrando Assim que cheguei em casa com o Enrico, a tia Ariela estava lá. Ela me abraçou com carinho, e me elogiou muito, agradeci. — Minha nossa! Olha só como você está linda! Parece até uma pintura de tão perfeita! — Obrigada tia — Falei sorrindo.Mas ela me largou de uma forma até brusca e se jogou nos braços do Enrico, de um jeito tão íntimo. Parece até que abraça ele todos os dias. Não gostei nada desse comportamento dela, mas fiquei quieta, né? Não posso falar nada, mas a minha expressão mudou na hora. Não tenho como negar quando algo está me incomodando.Enrico e o meu pai foram para o escritório. Ficamos eu, a minha mãe e a minha tia. Confesso que senti um frio na barriga, porque sei bem o assunto que eles foram tratar lá dentro. Para tentar passar o tempo, puxei assunto. Claro que eu estou preocupada com a saúde da minha mãe. Primeiro perguntei como ela estava.— E a Senhora, como está?— Estou me sentindo bem melhor depois de ter tomado a medicação lá no hospital. A
Enrico Narrando Para mim foi muito difícil ver a reação do Dante, mas foi ainda mais sufocante ver as lágrimas da Thayla. Ela não merecia ouvir nada do que foi dito pelo pai. A forma como ele estava jogando as palavras foram muito duras. Até tentei argumentar, mas o Dante estava irredutível.— Cara, para com isso, não trata a sua filha desse jeito, não é assim. Você está levando essa conversa para outro nível.— São dois traidores. Isso que vocês são, minha filha, minha princesinha, não passa de uma decepção.Ainda bem que Antonella interviu, porque eu já estava quase perdendo a paciência com ele. E eu não queria transformar isso realmente em uma briga ou até em uma guerra desnecessária.Por um segundo o Dante calou e a Antonella pediu para falarmos. Como a Thayla estava bastante abalada, resolvi tomar o controle da situação.E de verdade, falei de peito aberto. Como homem que sou, deixei bem claro que não quero brincar com os sentimentos dela, nem estou com ela. só por ela ser jovem
Thayla Narrando Meu pai e o Enrico desceram as escadas, e eu já estava preparada para ouvir mais um sermão. Eu sabia que meu pai estava irritado, decepcionado, talvez até envergonhado com a situação. Quando ele se aproximou de mim, instintivamente me preparei para o impacto de suas palavras duras. Mas, para minha surpresa, ele apenas estendeu a mão.Hesitei por um momento antes de pegá-la. Foi aí que ele me puxou para um abraço forte, apertado, como se quisesse me proteger do mundo inteiro. Senti sua respiração pesada, e então ele beijou minha cabeça.— Me desculpe, filha — sua voz saiu embargada. — Eu fui duro demais com você. Não queria te machucar.Aquelas palavras romperam qualquer resistência que ainda me restava. Eu chorei ali, nos braços do meu pai, como há muito tempo não fazia. Não queria brigar com ele, não queria que ele ficasse contra mim e contra o Enrico. Mais do que isso, eu não queria que essa situação destruísse a amizade tão bonita que ele e Enrico construíram ao lo
Enrico Narrando Acordei cedo, como de costume, mas hoje não estava com ânimo para musculação ou qualquer outro exercício além da natação. Precisava da água para esfriar a cabeça. O barulho do meu próprio pensamento estava alto demais, e a única coisa que poderia me ajudar era o silêncio submerso da piscina.Nadei por duas horas, alternando entre braçadas longas e momentos de flutuação, tentando encontrar um pouco de paz. Mas mesmo ali, sob a água, os pensamentos me perseguiam. Sei exatamente o que quero. Sei que estou apaixonado pela Thayla e que estou disposto a enfrentar tudo por ela. Mas também sou consciente dos preconceitos que enfrentaremos. A diferença de idade, a relação com Dante, que além de ser meu melhor amigo é o pai dela, os comentários maldosos, nada disso me afeta. Mas e Thayla? Ela ainda é jovem, e por mais que se mostre forte, sei que algumas palavras podem machucar. Meu maior medo agora não é o que vão dizer, mas sim que, em algum momento, ela desista de nós.Saí
Enrico Narrando Assim que entrei na sala de reuniões, alguns acionistas ainda estavam chegando. Caminhei até meu lugar habitual à cabeceira da mesa e me acomodei. Dante se sentou ao meu lado, como sempre, meu braço direito em todos os assuntos empresariais. A movimentação aos poucos foi cessando, e quando todos já estavam bem acomodados, ajeitei a gravata e dei início à reunião.Antes de qualquer coisa, eu queria deixar uma informação muito clara para todos os presentes. Sei que, mais cedo ou mais tarde, as fofocas começariam a circular pelos corredores da empresa, então preferi tomar as rédeas da situação antes que começassem a especular demais.— Antes de iniciarmos a reunião, quero compartilhar algo com vocês — disse, olhando de um por um.O silêncio na sala se intensificou, e todos os olhares se voltaram para mim. Respirei fundo e fui direto ao ponto:— Estou namorando com uma das nossas colaboradoras, Thayla Varela.Um burburinho se espalhou rapidamente entre os acionistas, e eu
Thayla Narrando Assim que entrei no andar administrativo, tudo parecia estar normal. As pessoas estavam focadas no que precisavam fazer, mas logo comecei a perceber olhares tortos vindo de alguns colegas. Alguns cochichavam entre si, enquanto outros tentavam disfarçar o olhar, mas eu sabia o que estavam pensando. No fundo, me senti desconfortável, mas me lembrei de uma coisa importante: eu estou aqui para trabalhar. E isso é e o que eu farei, com ou sem a aprovação de ninguém.Sabia que as fofocas iam surgir, especialmente depois de termos entrado de Mãos dadas na empresa. Ele não estava mais apenas na minha vida profissional, ele é agora uma parte pública da minha história, e muitos pareciam não saber como lidar com isso. Mas não importo. Eu não sou mais uma garota tímida que se preocupa com os julgamentos. Eu tenho uma carreira para construir e não deixarei que nada, nem ninguém, me desvie desse caminho.Seu Carlos, o chefe do departamento, veio até minha mesa e me entregou uma pas
Enrico Narrando Cheguei na frente da minha casa e encontrei Ariela já esperando por mim. A primeira coisa que fiz foi perguntar quem tinha permitido sua entrada. O porteiro, ao que parece, estava liberando pessoas sem a minha autorização, e isso não vai ficar assim. Vou chamar a atenção dele, ou melhor, resolver essa questão de uma vez por todas.Ariela me olhou assustada por um instante, mas logo se recompôs.— Posso entrar? — perguntou com uma expressão indecifrável.— Não. Não gosto de receber mulheres na minha casa. A única mulher que tem direito de entrar e sair, de fazer o que quiser, é a minha namorada.Ela suspirou e tentou suavizar o tom:— Enrico, por favor, eu vim em paz. Só quero conversar, eu juro. Não vamos passar da sala.Respirei fundo. Eu queria acabar com isso rápido.— Certo. Mas seja breve.Abri a porta, e entramos. Caminhei até o sofá e me sentei, apontando para o sofá da frente, bem de frente para a câmera que tenho no lustre. Quero cada palavra registrada.— F