Enrico Narrando Acordei cedo, como de costume, mas hoje não estava com ânimo para musculação ou qualquer outro exercício além da natação. Precisava da água para esfriar a cabeça. O barulho do meu próprio pensamento estava alto demais, e a única coisa que poderia me ajudar era o silêncio submerso da piscina.Nadei por duas horas, alternando entre braçadas longas e momentos de flutuação, tentando encontrar um pouco de paz. Mas mesmo ali, sob a água, os pensamentos me perseguiam. Sei exatamente o que quero. Sei que estou apaixonado pela Thayla e que estou disposto a enfrentar tudo por ela. Mas também sou consciente dos preconceitos que enfrentaremos. A diferença de idade, a relação com Dante, que além de ser meu melhor amigo é o pai dela, os comentários maldosos, nada disso me afeta. Mas e Thayla? Ela ainda é jovem, e por mais que se mostre forte, sei que algumas palavras podem machucar. Meu maior medo agora não é o que vão dizer, mas sim que, em algum momento, ela desista de nós.Saí
Enrico Narrando Assim que entrei na sala de reuniões, alguns acionistas ainda estavam chegando. Caminhei até meu lugar habitual à cabeceira da mesa e me acomodei. Dante se sentou ao meu lado, como sempre, meu braço direito em todos os assuntos empresariais. A movimentação aos poucos foi cessando, e quando todos já estavam bem acomodados, ajeitei a gravata e dei início à reunião.Antes de qualquer coisa, eu queria deixar uma informação muito clara para todos os presentes. Sei que, mais cedo ou mais tarde, as fofocas começariam a circular pelos corredores da empresa, então preferi tomar as rédeas da situação antes que começassem a especular demais.— Antes de iniciarmos a reunião, quero compartilhar algo com vocês — disse, olhando de um por um.O silêncio na sala se intensificou, e todos os olhares se voltaram para mim. Respirei fundo e fui direto ao ponto:— Estou namorando com uma das nossas colaboradoras, Thayla Varela.Um burburinho se espalhou rapidamente entre os acionistas, e eu
Thayla Narrando Assim que entrei no andar administrativo, tudo parecia estar normal. As pessoas estavam focadas no que precisavam fazer, mas logo comecei a perceber olhares tortos vindo de alguns colegas. Alguns cochichavam entre si, enquanto outros tentavam disfarçar o olhar, mas eu sabia o que estavam pensando. No fundo, me senti desconfortável, mas me lembrei de uma coisa importante: eu estou aqui para trabalhar. E isso é e o que eu farei, com ou sem a aprovação de ninguém.Sabia que as fofocas iam surgir, especialmente depois de termos entrado de Mãos dadas na empresa. Ele não estava mais apenas na minha vida profissional, ele é agora uma parte pública da minha história, e muitos pareciam não saber como lidar com isso. Mas não importo. Eu não sou mais uma garota tímida que se preocupa com os julgamentos. Eu tenho uma carreira para construir e não deixarei que nada, nem ninguém, me desvie desse caminho.Seu Carlos, o chefe do departamento, veio até minha mesa e me entregou uma pas
Enrico Narrando Cheguei na frente da minha casa e encontrei Ariela já esperando por mim. A primeira coisa que fiz foi perguntar quem tinha permitido sua entrada. O porteiro, ao que parece, estava liberando pessoas sem a minha autorização, e isso não vai ficar assim. Vou chamar a atenção dele, ou melhor, resolver essa questão de uma vez por todas.Ariela me olhou assustada por um instante, mas logo se recompôs.— Posso entrar? — perguntou com uma expressão indecifrável.— Não. Não gosto de receber mulheres na minha casa. A única mulher que tem direito de entrar e sair, de fazer o que quiser, é a minha namorada.Ela suspirou e tentou suavizar o tom:— Enrico, por favor, eu vim em paz. Só quero conversar, eu juro. Não vamos passar da sala.Respirei fundo. Eu queria acabar com isso rápido.— Certo. Mas seja breve.Abri a porta, e entramos. Caminhei até o sofá e me sentei, apontando para o sofá da frente, bem de frente para a câmera que tenho no lustre. Quero cada palavra registrada.— F
Thayla Narrando Subimos as escadas, e Enrico já estava todo animado, e eu sabia exatamente o motivo.— Vou tomar um banho — avisei, pegando minha nécessaire. — Na sua casa só tem shampoo e sabonete masculinos, preciso dos meus produtos.— Você é cheirosa de qualquer jeito — ele comentou, se encostando no batente da porta, me observando com aquele olhar intenso.Revirei os olhos e entrei no banheiro, trancando a porta. O cheiro amadeirado do sabonete dele ainda pairava no ar, se misturando ao vapor quente do chuveiro. Tomei banho com calma, passei óleo pós-banho e espalhei o hidratante pelo corpo, sentindo minha pele macia e perfumada. Para finalizar, um pouco de perfume nos pulsos e pescoço.Quando saí do banheiro, já vestida com uma camisola transparente que deixava pouca coisa para a imaginação, Enrico estava sentado na cama, mexendo no celular. Ao levantar os olhos para mim, seu sorriso se desfez, dando lugar a um olhar faminto.— Você está tentando me matar, não está? — Ele largo
Enrico Narrando Dormir com Thayla é melhor que qualquer terapia. O calor do corpo dela, o cheiro doce e a respiração tranquila me faziam relaxar de um jeito que nada mais consegue fazer. Eu gosto da sensação de tê-la nos meus braços, tão pequena e encaixada perfeitamente contra mim.Já estávamos naquele clima gostoso, quase dormindo, quando senti ela se mexer levemente. No começo, achei que era só um movimento involuntário, mas logo ouvi sua voz doce me chamando.— Enrico...— Oi — respondi de olhos fechados, ainda imerso na tranquilidade do momento.— Essa cama... — ela hesitou por um segundo. — É a mesma que você dormia com Madeleine?Abri os olhos na hora, surpreso com a pergunta. Virei um pouco o rosto para encará-la no escuro do quarto. O rosto dela estava parcialmente iluminado pela luz fraca do abajur, e mesmo sem enxergar perfeitamente, pude notar a expressão curiosa misturada com algo a mais, talvez ciúme?— Não — respondi sem rodeios. — A cama não existe mais. O quarto foi
Thayla Narrando Fiquei intrigada quando Enrico mencionou que a reunião mais importante dele seria comigo e meu pai. Seu semblante estava tão sério que não consegui evitar um arrepio. Eu sabia que não se tratava de nós ou do nosso relacionamento, mas ainda assim, algo na forma como ele falou me deixou nervosa.— O que está acontecendo? — perguntei, mas ele apenas balançou a cabeça, sinalizando que não era hora de discutir.Decidi não insistir. A curiosidade me corroía, mas respeito o espaço dele. Assim que chegamos à empresa, Enrico segurou minha mão e entramos juntos. Quando cheguei ao painel para apertar o botão do andar onde trabalho, ele segurou a minha mão e apertou diretamente para a cobertura, que é o andar da presidência.— O que você está fazendo? — perguntei, olhando para ele, confusa.Ele sorriu de maneira enigmática e me deu um beijo suave na testa, o que me acalmou um pouco, mas ainda assim me deixou apreensiva.Assim que entramos no andar da presidência, a atmosfera mudo
Thayla Narrando Assim que entramos em casa, minha mãe estranhou, não é comum ele sair no meio do expediente.— O que está acontecendo? — perguntou minha mãe, cruzando os braços.Meu pai respirou fundo, sem paciência para rodeios.— Onde está a Ariela?Minha mãe hesitou por um instante antes de responder.— No quarto.Eu nem esperei por mais nada. Tirei os meus sapatos e Subi as escadas correndo, sentindo o sangue ferver em minhas veias. Bati na porta dela com força, quase arrombando.— Ariela, abre essa porta agora! — gritei.Ouvi passos apressados atrás de mim. Minha mãe vinha subindo as escadas, preocupada.— O que está acontecendo, Thayla?Antes que eu respondesse, meu pai já estava atrás de nós, a expressão carregada.A porta se abriu de repente, e Ariela apareceu enrolada na toalha, com o rosto surpreso. Seus olhos castanhos me analisaram com irritação.— O que foi agora, Thayla? O que você quer?Minha raiva explodiu.— Você não tem vergonha na cara, não?Ela ergueu o queixo, m