Ela caminha apressada pelo corredor em direção à UTI, seu coração bate acelerado. Ao entrar na sala, seus olhos se enchem de lágrimas ao ver Victor na cama, com os olhos meio abertos, como se estivesse tentando focar em algo. Ele a vê se aproximar e um leve sorriso se forma em seus lábios.— Loirinha… — ele sussurra, com a voz rouca, mas terna.Segurando a mão dele com delicadeza, Marina sente a conexão entre eles voltar com uma intensidade inexplicável.— Estou aqui, amor. Sempre estive… — ela diz, tentando conter as lágrimas.Ele tenta apertar a mão dela, embora seus movimentos sejam fracos.— Eu sabia… que você estaria — murmura, com os olhos brilhando.— Você não imagina o quanto esperei por esse momento… — confessa, com a voz embargada pela emoção de estar ao lado dele.Victor a observa por alguns segundos antes de sussurrar:— Me responde uma coisa, a gente está casado, não está? — pergunta, com a voz ainda fraca, mas cheia de curiosidade.Surpresa com a pergunta repentina, Mari
Rodrigo se aproxima da cama, tocando o ombro do irmão.— O julgamento começará no próximo mês, e eu pedi que os nossos melhores advogados criminais cuidassem disso.— Você fez bem, Rodrigo… — Victor diz, após um longo suspiro. — Até lá, creio que eu já esteja bem o suficiente para assistir a esse show de horrores pessoalmente.Rodrigo hesita por um momento, mas logo responde, preocupado:— Victor, não creio que seja uma boa ideia você ir até lá.Erguendo uma sobrancelha, Victor encara o irmão com firmeza.— Por que não? — questiona. — Meu pai e minha mãe planejaram acabar com a minha vida e a minha felicidade, e você acha que vou simplesmente ignorar isso?Rodrigo tenta argumentar, com uma voz cautelosa.— Não estou pedindo para ignorar… Só acho que, agora, sua saúde e seu bem-estar deveriam vir em primeiro lugar. O tribunal, a mídia, tudo isso pode ser um peso desnecessário para você.Victor faz um gesto com a mão, interrompendo-o.— Eu sei. Mas não se trata apenas de mim. Preciso ol
O dia do julgamento de Joana e Xavier Ferraz começa com uma atmosfera pesada, carregada de tensão e expectativa. A notoriedade do caso atraiu a atenção de todo o país, e a transmissão ao vivo do julgamento em uma emissora de TV apenas intensifica o sentimento de exposição e humilhação que Joana tanto tentou, sem sucesso, controlar.Na sala de espera do tribunal, ela está sentada em uma poltrona de couro, com os olhos inchados de tanto chorar. Suas mãos, que estão algemadas, tremem ao segurar um lenço que mal consegue conter as lágrimas que insistem em escorrer.A roupa de cor bege, padronizada e sem adornos, denuncia a nova realidade dela. Antes acostumada a trajes de alta-costura e joias que refletiam sua posição social, agora ela veste o uniforme que simboliza sua condição de presidiária. O tecido áspero e simples contrasta com o luxo que sempre a envolveu, enquanto a ausência de maquiagem e acessórios expõe sua vulnerabilidade. O olhar abatido e a postura curvada revelam o peso da
Ao ver Xavier entrar na sala, Andressa sente uma pontada aguda no peito, como se a simples presença dele fosse suficiente para reviver todos os erros e arrependimentos que a atormentavam. O homem diante dela mal parecia aquele com quem se envolvera tempos atrás. A expressão envelhecida, marcada pela dureza da prisão e pela desgraça que ele próprio havia provocado, alimentava um peso quase insuportável de encarar.Seus olhos tentam desviar, mas a culpa a mantém presa àquele momento. A aparência desgastada de Xavier a assusta de uma maneira que ela não consegue explicar. Não era apenas o que ele havia se tornado fisicamente, mas tudo o que ele simbolizava em sua vida: a traição, as mentiras e o rastro de destruição que ela ajudou a construir, mesmo sem perceber na época.Dentro dela, um turbilhão de sentimentos conflitantes se agita, fazendo-a se sentir ainda mais vulnerável. Ela sabia que era cúmplice, mesmo que indiretamente, do caos que desmoronou sobre a família Ferraz. O envolvimen
O juiz direciona sua atenção aos réus.— Senhora Joana Ferraz, senhor Xavier Ferraz, os senhores estão cientes das acusações que lhes foram imputadas?Joana assente, respondendo com a voz baixa:— Sim, meritíssimo.Xavier apenas inclina levemente a cabeça, murmurando um “sim” quase inaudível.— Muito bem — prossegue o juiz, olhando para os advogados de acusação e defesa.— Promotoria, está pronta para apresentar o caso?O promotor, um homem de olhar intenso e postura confiante, se levanta e ajeita os papéis.— Sim, meritíssimo. Este caso trata de uma conspiração que expôs o lado mais sombrio de uma família poderosa. Apresentaremos evidências incontestáveis que comprovam a intenção deliberada dos réus de causar danos diretos e irreparáveis às vítimas.O juiz se volta para os advogados de defesa.— Defesa, estão prontos para responder às acusações?O advogado de Joana se levanta e responde, transparecendo calma.— Sim, meritíssimo. Nossa cliente lamenta profundamente os eventos e trabal
Enquanto está sentada vendo seu advogado interrogar Marina, Joana não consegue desviar o olhar de Victor, que está sentado do outro lado da sala, próximo à promotoria. Ele permanece firme, com a postura ereta e o olhar fixo nos depoimentos que se desenrolam. Sua presença imponente só aumenta o peso da culpa que ela tenta reprimir.Por mais que quisesse, Joana sabia que não podia se aproximar dele. A frieza no olhar de seu filho, aquele mesmo olhar que outrora a enchia de orgulho, agora a perfurava como lâminas, deixando claro o abismo que havia entre eles. Sua vontade de correr até ele, abraçá-lo e implorar por perdão é esmagada pela realidade de suas ações e pela barreira intransponível que ela mesma construiu.Enquanto a voz de seu advogado ecoa pelo tribunal, Joana sente o peito apertar. Lembra-se de quando Victor era apenas um garoto, sempre ao seu lado, buscando sua aprovação em tudo. Aquele era o mesmo filho que agora a olhava como uma estranha, talvez até como uma inimiga. O qu
Um burburinho atravessa a sala do tribunal e o juiz bate o martelo para restabelecer a ordem.O advogado de defesa de Xavier levanta uma sobrancelha, surpreso por ouvi-la dizer a verdade.— Então, senhora Souza — ele insiste. — A senhora admite que essas fotos foram tiradas sem o conhecimento do meu cliente?— Sim, ele não estava ciente inicialmente. No entanto, após eu enviar as fotos, o Xavier as utilizou de maneira estratégica, manipulando toda a situação para que sua família, especialmente o Victor, acreditasse que Marina era, de fato, sua amante.Do outro lado da sala, Leonel solta um longo suspiro, visivelmente aliviado ao vê-la optar pela verdade. No entanto, a leve sensação de alívio é rapidamente substituída por um peso esmagador em seu peito. A mulher diante dele, que um dia foi uma garota doce e generosa, agora parecia irreconhecível. A transformação dela em alguém capaz de trair uma amiga de forma tão fria e cometer atos tão cruéis o deixava com o coração partido.Por outr
O segundo dia de julgamento começa, e o tribunal está novamente lotado. O murmúrio é constante. Por conta do primeiro dia ser transmitido, o segundo dia está mais cheio e a porta do tribunal está lotada de pessoas. Curiosos estão por toda parte para saber o desfecho do caso. Assim que o juiz entra, a sala silencia e todos se levantam em respeito.— Podemos começar.O promotor chama o primeiro a depor:— O senhor Victor Ferraz, por favor, à tribuna — anuncia o juiz.Victor se levanta com uma postura ereta, sua presença atrai imediatamente a atenção de todos. Ele caminha em direção à tribuna, passando pelos pais, mas sem sequer lançar um olhar na direção deles. Marina o acompanha com o olhar, seu coração aperta ao ver o marido em um momento tão difícil, mas também fica cheia de orgulho pela força que ele demonstra.Após ser devidamente juramentado, Victor se posiciona diante do tribunal. O promotor é o primeiro a falar.— Senhor Ferraz, sabemos que os últimos meses têm sido extremamente