Assim que veem Dona Valquíria entrar no táxi e partir, Victor permanece ao lado de Marina. Ele então volta o olhar para ela, seus olhos brilham com uma mistura de orgulho e admiração.— Parabéns, linda — diz ele, num tom sincero e caloroso. — Estou muito orgulhoso de você.Marina, ainda emocionada com tudo o que havia acontecido, sente suas bochechas corarem ao ouvir as palavras dele.— Obrigada, Victor — responde com um sorriso tímido. — Isso significa muito, vindo de você.Ele se aproxima um pouco mais, colocando as mãos suavemente nos ombros dela.— Não estou dizendo isso como namorado, mas como alguém que sabe o quanto você trabalhou duro por isso. Você foi incrível lá dentro, Marina. Mostrou força, inteligência e coração.Ela abaixa o olhar por um momento, sentindo-se tocada pelas palavras dele, mas logo o encara novamente, sorrindo.— E você também merece parabéns, Victor. Conseguiu manter a patente com a empresa, mesmo com toda a pressão. Foi um resultado incrível para ambos —
Os dias passam e a cada momento ao lado de Marina, Victor sente crescer dentro de si a vontade e a segurança de dar o próximo passo no relacionamento. Entretanto, as palavras do irmão ressoam em sua mente: “Fale com a mãe primeiro.”Ao chegar na mansão Ferraz, não consegue ignorar o silêncio pesado que paira no ambiente. A casa parece mais vazia e fria, como se refletisse o estado emocional de seus moradores. Até mesmo o número de funcionários parece ter diminuído.— Bom dia, senhor — cumprimenta Adelina, a funcionária mais antiga da casa, com sua costumeira educação.— Bom dia, Adelina. Onde está minha mãe?— Ela está tomando café no jardim — revela com um leve aceno de cabeça.— Obrigado.Victor a agradece brevemente e segue pelo longo corredor até o jardim dos fundos. De longe, avista Joana sentada em uma cadeira de ferro trabalhado, perdida em pensamentos enquanto encara o horizonte. A cena dela, solitária e melancólica, não o comove. Ele sabia que o isolamento da mãe era um refle
Assim que Victor desaparece de vista, Joana, tomada por uma raiva incontrolável, empurra a delicada xícara de porcelana sobre a mesa, que se estilhaça no chão com um som ensurdecedor. Em seguida, ela se levanta bruscamente, jogando a bandeja com o restante da louça refinada no chão, onde os cacos se espalham pelo piso. O grito que escapa de seus lábios é repleto de fúria e desespero.— Maldita! Maldita! — vocifera, enquanto caminha de um lado para o outro. — Está querendo roubar o meu filho de mim!Ela passa as mãos pelos cabelos, em movimentos rápidos e descontrolados, como se tentasse encontrar algum alívio para a tempestade que se forma em sua mente.— Isso não vai ficar assim! — declara para si mesma, com a voz rouca de raiva. — Ele é meu filho, meu! E não vou permitir que aquela desqualificada o leve de mim.Joana respira fundo, tentando conter as lágrimas misturadas à tempestade de emoções. Contudo, seu olhar permanece fixo no vazio, carregado de determinação.— Adelina! — grita
Um mês após o julgamento, Marina recebeu finalmente o pagamento pelo caso de Dona Valquíria, uma quantia que não apenas representava sua dedicação profissional, mas também mudou a dinâmica de sua família. Quando compartilhou a notícia com seus pais, viu os olhos de José e Daniela brilharem de orgulho.— Agora que recebi esse dinheiro, quero que vocês descansem — ela anuncia, com um sorriso decidido, enquanto se senta à mesa da cozinha com eles.José, franzindo o cenho, olha para a filha, confuso.— Descansar? Como assim? — pergunta, ajustando o corpo na cadeira, como se quisesse escutar melhor as intenções dela.Marina inspira fundo, antes de responder, num tom carinhoso.— Quero que parem com a padaria — revela. — Vocês já trabalharam demais a vida toda, é hora de descansarem um pouco, de aproveitarem a vida.Daniela arregala os olhos, surpresa, enquanto José balança a cabeça, ainda assimilando a ideia.— Mas filha, não podemos simplesmente parar assim, do nada — argumenta José, incr
Os dias passam e, a cada dia, Victor parece mais distante e ocupado. Marina mal consegue vê-lo no trabalho, já que ambos estão sobrecarregados com suas responsabilidades. Ela percebe que ele está sempre atarefado, envolvido em reuniões e viagens, tornando a comunicação entre eles ainda mais escassa.Por outro lado, sua rotina no escritório também começa a mudar. Havia recebido uma nova sala e uma assistente, algo que todos os advogados mais experientes no escritório possuem. O espaço é elegante e funcional, e a presença da assistente facilita o andamento de seus casos, permitindo que ela se concentre mais nas partes estratégicas.Embora as mudanças profissionais sejam positivas, a distância crescente entre ela e Victor começa a inquietá-la. Apesar de compreender a carga de trabalho de ambos, não pode evitar a sensação de que algo mudou entre eles.De repente, uma onda de insegurança toma conta de seu peito. É como se borboletas agitadas passeassem por seu estômago, mas em vez de uma s
Quando está prestes a sair do quarto, Marina é surpreendida pela entrada da mãe, carregando uma caixa grande que parece pesar tanto quanto a empolgação estampada em seu rosto.— Que bom que te encontrei acordada, Mari! — exclama Daniela, já atravessando a porta sem cerimônia. — Olha só o que comprei para você! — diz ela, abrindo a tampa da caixa com um brilho nos olhos.Apesar da pressa que a domina, Marina sente-se forçada a parar por um momento. A energia da mãe é quase contagiante. Ela se aproxima e olha para dentro da caixa. Seus olhos se deparam com um vestido branco, deslumbrante, todo de seda. Os detalhes delicados e o caimento perfeito são de tirar o fôlego.— Que lindo, mãe! — exclama, deixando escapar a surpresa que não consegue esconder.— Então, vista-o agora! Quero ver como você fica nele — insiste Daniela, quase como uma ordem mascarada por entusiasmo.Marina hesita.— Faço isso quando voltar, mãe. Estou indo ver o Victor agora — explica, tentando argumentar com suavidade
Ainda atordoada com as palavras dele, Marina o encara, como se buscasse alguma confirmação no brilho intenso dos olhos de Victor. Sua mente parece incapaz de processar o momento. As flores, o ambiente cuidadosamente decorado, a caixa elegante em suas mãos… e agora, aquela pergunta que fazia seu coração disparar.— Você… você está falando sério? — ela sussurra, com a voz trêmula, quase em um sussurro de incredulidade.Victor sorri, com uma expressão ansiosa e terna.— Nunca estive tão sério em toda a minha vida, Marina. Você é tudo o que quero, tudo o que eu preciso. Então, por favor… diga que sim.— Eu aceito — ela sussurra, emocionada, enquanto a primeira lágrima escorre pelo rosto. — É claro que aceito.Aliviado por ouvir uma resposta positiva, Victor sorri e a felicidade inunda sua feição. Lentamente, ele retira o anel da luxuosa caixa e, com mãos firmes, mas delicadas, desliza o anel no dedo dela.Marina observa o brilho da joia sob as luzes, mas nada ofusca o calor que sente ao o
Quando a luz da manhã invade o quarto, um pequeno feixe de sol atinge o rosto de Marina, despertando-a suavemente. Ao abrir os olhos, ela se depara com Victor a encarando, seu olhar leve e apaixonado está fixo nela.— O que está fazendo? — ela pergunta, passando a mão pelo rosto, temendo que pudesse estar com algo sujo.— Estou admirando a sua beleza — ele confessa, com um sorriso sincero.— Para com isso — pede, constrangida, enquanto cobre o rosto com o lençol.— Estou falando sério, loirinha. Você é linda de um jeito que me deixa sem palavras — ele insiste, ainda sorrindo. — Fico imaginando como seriam nossos filhos se herdassem a sua beleza.— Filhos? — ela repete, surpresa com o comentário repentino.— Isso mesmo. Teremos filhos, não teremos? — ele pergunta, como se já visualizasse o futuro.— Claro que sim — ela responde, suavizando a expressão do rosto. — Mas não tenho planos para agora — acrescenta, com honestidade.— Que bom, porque eu também não — ele explica, pegando a mão