EM MINHA PRÓXIMA VIDA. Capítulo 9. Sombras do desejoNão estava mentindo. Porque naquele momento, por mais estranho que pudesse parecer, o sorriso daquele homem fazia com que tudo dentro do corpo de Kim se enchesse de paz. Sabia que deveria haver um momento para o remorso, mas definitivamente não seria aquele.Para Peter Ferguson, aquele dia em que tinha entrado por acaso em seu quarto de hotel, essa era a primeira vez que sabia que ela existia. Kim, por outro lado, já o tinha visto vezes demais. Tinha estudado cada um de seus saltos, cada uma de suas competições, para se certificar de que aquele era, de fato, o homem que queria fotografar.E talvez fosse esse encontro unilateral, ou talvez fosse simplesmente a sedução implícita do desconhecido e do perigoso, mas sabia que no fundo havia apenas um motivo pelo qual o tinha escolhido: porque gostava dele, porque tinha gostado mais do que qualquer outro, mesmo que fossem melhores atletas.Sentiu que derretia enquanto toda sua pele e
EM MINHA PRÓXIMA VIDA. Capítulo 10. O que você mudaria?Era estranho que gostasse tanto daquele som, mas o jeito como aquela mulher ronronava contra seu peito fazia Peter derreter. Ela era inteligente, era linda, e algo lhe dizia que merecia todas as coisas boas do mundo, porque também era evidente que a vida não estava sendo exatamente gentil com ela.—Fome? —perguntou quando a viu abrir os olhos e sorrir.—Tenho direito a ter mais? —perguntou ela com aquela sensualidade que lhe saía sem premeditação.—De mim, tanto quanto quiser —murmurou Peter aconchegando-a para rolar sobre ela e beijá-la—. Mas se você quer continuar com esse jogo, linda, precisamos recuperar as forças aqui que tenho toda a intenção de primeiro encher seu estômago... e depois o resto de você... tanto e tão fundo quanto puder.—Ai! —riu Kim acariciando aquele cabelo encaracolado de Peter—. Nesse caso, senhor Ferguson, vamos alimentar o corpo primeiro, que da alma a gente cuida depois.Lá fora o clima contin
EM MINHA PRÓXIMA VIDA. Capítulo 11. Era elaAquele som fez Peter levantar a cabeça imediatamente, dando tapinhas apressados no quadril de Kim para que acordasse.—Está ouvindo isso? Você consegue ouvir isso? —perguntou com o coração acelerado e em apenas alguns segundos viu como ela reagia, porque também tinha ouvido, perfeitamente distinguível, o som das hélices de um helicóptero.Os dois se levantaram na hora e se vestiram o mais rápido possível, enquanto Peter lutava para abrir a porta, subindo sobre o pequeno monte de neve e saindo para fazer sinais para a aeronave.Estava certo de que desde o momento em que não tinha aparecido nas competições, sua família tinha começado a procurá-lo, mas honestamente não tinha esperado que o encontrassem tão rápido e muito menos ali. No entanto, os recursos dos Keller e de sua nova família política não eram discutíveis, então ali estava um de seus primos, acenando como louco do helicóptero para fazê-lo saber que o tinha visto.—Kim, vamos,
NA MINHA PRÓXIMA VIDA.Capítulo 12. O melhor do mundoEle teria preferido que alguém o socasse. Literalmente teria preferido que alguém lhe acertasse um soco no meio do nariz antes de ver outro homem beijando aquela mulher. Era evidente que eram um casal e um casal oficial, mas talvez o pior de tudo fosse ver a aliança de casamento no dedo daquele homem.Por que ela não usava uma? Por que diabos ela não tinha uma única maldita marca de que não estava livre...? E esse pensamento o fez entender o porquê, exatamente por isso, pelas marcas, ela não usava correntes, nem brincos, nem anéis, justamente porque deixavam marcas.—Kim, olha pra mim! Você está bem? —perguntou o homem enquanto ela tentava recuar inutilmente.—Estou bem, estou bem, só ficamos presos por alguns dias numa tempestade, mas foi só isso —respondeu passando a mão pelos cabelos e só nesse momento seu marido olhou para Peter.—Numa tempestade?! Do que você está falando?! Cheguei aqui te procurando, ninguém conseguiu me
NA MINHA PRÓXIMA VIDA.Capítulo 13. Ser egoístaKim Russell sentou no banco do passageiro daquele carro de luxo que pertencia ao seu marido. Não podia dizer que ele era um homem ruim, embora fosse verdade que às vezes seu temperamento o fazia perder o controle, mas seria injusto dizer que ele não se preocupava com ela.O problema era que depois de seis anos e sabendo tudo o que estava por vir, a única coisa que Kim queria era ser exatamente aquilo que Peter tinha dito: Queria ser egoísta, queria fazer só o que a fizesse feliz.—Percy... quero o divórcio. —Foram as únicas palavras que saíram de sua boca e aquele carro freou com tanta força que quase derrapou para fora da estrada.A expressão de seu marido estava entre incrédula e atordoada enquanto se virava para ela e a olhava como se tivesse acabado de crescer outra cabeça.—Kim, o que você está dizendo? Você ficou maluca? —repreendeu-a com tom frustrado—. Como assim divórcio?A moça fechou os olhos com expressão cansada e nego
EM MINHA PRÓXIMA VIDACapítulo 14. Consequências—Você tá maluca! Ou melhor: você comeu um caminhão de doido se em algum momento achou que eu realmente vou correr atrás dessa mulher pra ela vir tirar mais fotos minhas! —exclamou Peter com tanta determinação que sua tia Andrea, tia e empresária honorária, ficou com o dedo levantado e uma expressão entre confusa e tocada por uma epifania.—Bom... Eu nunca falei em "correr atrás" —retrucou—. E tenho certeza que não falei nada sobre a autora da foto vir tirar várias outras. Mas já que você tocou no assunto...!—Não, não, tia, não! Já falei que não! —resmungou Peter recuando, quando de repente uma portada sonora impediu sua fuga daquele escritório.—Querido, ela não está pedindo educadamente, está mandando —ouviu outra voz feminina e essa sim fazia suas pernas bambearem.—Mã... mãe...!—Nem vou perguntar por que diabos você faltou a um campeonato —sentenciou Noemí olhando nos olhos dele—. E digamos que tenho confiança suficiente no m
EM MINHA PRÓXIMA VIDA.CAPÍTULO 15. Um tour pelos seus lugares favoritosEra a coisa mais absurda do mundo, mesmo assim Peter não conseguia explicar o que sentia só de vê-la novamente, como se tivessem se passado dois anos e não apenas alguns dias desde a última vez.Engoliu em seco franzindo a testa porque certamente esperava alguma sessão de fotos ou algo assim, mas a definição de "sua sombra" era algo que já conhecia porque sua tia tinha tentado impor isso antes.—Não não não não não não não! —declarou se aproximando delas—. Eu faço uma sessão normal pra você, mas não vou ficar com uma segurança atrás o tempo todo...O que se ouviu em seguida foi aquele tapa na nuca e Peter cerrou os dentes olhando de soslaio para sua mãe.—Me parece que você aprendeu a cumprimentar quando tinha uns três anos. Tem algum motivo pra ter perdido a memória?Peter respirou fundo e estendeu a mão para apertar a de Kim, mas que droga, bastou apenas tocá-la e algo dentro dele disparou novamente, aqui
NA MINHA PRÓXIMA VIDA.Capítulo 16. Defina "isso"Havia algo que não podia ser negado: ser a sombra de Peter Ferguson tinha seu lado divertido e perigoso. A maioria das coisas que ele gostava eram rápidas, arrepiantes e arriscadas, mas se Kim tinha se atrevido a subir o pico Skatgan com ele, então precisava se atrever a fazer todo o resto.No dia seguinte, bem cedo, encontrou ele em uma das poucas pistas de corrida que havia em Zurique, com seu capacete, sua jaqueta de couro e aquela maldita moto que parecia ter saído do próprio inferno. No entanto, o pior de tudo era o quanto ele ficava sexy em cima dela.Bastou dizer "dia de motos" e um estilista profissional tinha separado pelo menos quatro looks aprovados para ela vestir, e Kim aproveitava cada um de seus movimentos, enquanto ele só curtia poder pilotar aquela moto em um circuito especializado.A câmera não parava, e o melhor sorriso que conseguiu capturar foi quando ele tirou aquele capacete para perguntar se seu dedinho no b