LUTAR POR VOCÊCapítulo 6. Uma proposta inesperadaNão eram borboletas, eram águias que as devoravam o que Adriana sentia no estômago. Levantou-se da sua cadeira e caminhou suavemente até aquele organizador que tinha a atendido antes, enquanto passava uma hora até que o resto das lutas recomeçassem.—Onde encontro Kyle Orlenko? —perguntou com um sorriso e antes que o homem pudesse negar colocou no bolso do paletó dele um par daquelas notas que era difícil recusar.—Na casa grande —disse o organizador apontando para a enorme propriedade onde estavam fazendo aquele evento—. Segundo andar, último quarto à direita da escada.Adriana respirou fundo e se dirigiu à enorme mansão sem que ninguém ousasse detê-la ou sequer perguntasse quem ela era. Em comparação com o alvoroço de fora, dentro havia um silêncio acolhedor e agradável, então apenas bateu algumas vezes na porta com os nós dos dedos antes de ouvir aquela voz mandando-a entrar.Kyle estava tirando as bandagens ensanguentadas das mãos
LUTAR POR VOCÊCapítulo 7. Uma louca diferenteKyle já sabia exatamente o que o esperava: o mesmo que acontecia cada vez que levantava as pernas da calça e mostrava a alguém que aquelas eram próteses extremamente realistas, mas não eram suas pernas, porque essas ele tinha perdido num acidente quando era criança.As pessoas o olhavam com pena, as pessoas o olhavam como se ele ainda fosse o pobre órfão sem pernas em vez do lutador que tinha sido treinado desde pequeno por um dos melhores homens do mundo. Esperava tristeza, pena, compaixão... mas quando Adriana viu aquelas próteses a única coisa que havia em seus olhos era uma curiosidade incontrolável.—Não acredito! —murmurou ajoelhando-se sem se importar com o vestido caro que usava e roçando com as pontas dos dedos o metal.—Não posso ser um atleta seu porque... bem, imagino que isso não é o que você veio procurar —sentenciou ele, mas as mãos da moça só subiam até encontrar a articulação do joelho, robótica também.—Caramba, você é o
LUTAR POR VOCÊCapítulo 8. Um homem sem vergonha—ADRINAAAAA!Aquele grito ecoou pela casa no mesmo momento em que Adriana tirava um salto alto e o brandia com um gesto ameaçador na frente da porta de Kyle, e um homem mais velho que parecia muito sério levantou as mãos na altura dos ombros com uma careta instantânea de rendição.—Deixa eu adivinhar —sorriu Adriana de lado—. O tio Caleb, que traz prostitutas entre as lutas?Caleb Orlenko arregalou os olhos e depois fez um biquinho de pobre homem desinformado.—E isso é ruim porque?—Porque eu sou a namorada dele e o senhor me fez ficar um pouquinho irritada hoje à noite! Então eu aconselho que volte para a jaula, porque esse aí nem Deus ajuda hoje! —ela o ameaçou e depois do instante de surpresa, só o viu sorrir com satisfação.Caleb viu todas aquelas roupas nos braços da moça e segurou o riso enquanto se virava e ia embora dali.—Bem, fazia tempo que não tínhamos uma história memorável na família, e pressinto que essa definitivamente
LUTAR POR VOCÊCapítulo 9. "Vale Tudo"Pálida, rosa furiosa, vermelho assassino, histérica controlada e dor de cabeça garantida. Tudo aquilo Kyle podia ler no olhar daquela mulher e mesmo assim por dentro estava sorrindo.—Você coloca em mim ou eu coloco sozinho? —perguntou com um sorriso malicioso, só para que ela respondesse com outro.—Se eu colocar em você, boneco, acabariam te colocando uma prótese bem diferente, então é melhor não tentar a sorte —retrucou Adriana—. Trate de ganhar, que duas vergonhas numa noite só é demais.Kyle deu um sobressalto de surpresa quando ela deu um tapa na sua bunda e se virou com aquela teatralidade que fez seu cabelo chicotear no rosto dele.—Sua treinadora? —perguntou o comentarista enquanto ele se vestia e só se ouviu um grito de fora da jaula.—Quem dera!Kyle fez um gesto de ameaça para seu tio Caleb, ainda mais quando viu Adriana passar junto dele e bater o punho, mas antes que a moça pudesse seguir para seu camarote uma mão pequena e f
LUTAR POR VOCÊCapítulo 10: Quanto nervoso você o quer e com quem?Vale tudo?Aquele conceito definitivamente ela não conhecia, então Aaron Orlenko fez um sinal para que Adriana o seguisse de volta à jaula.—Essas lutas não seguem as regras normais dos eventos esportivos, não importa o peso, o preparo, nem mesmo o tipo de combate que você usa, você poderia ser um palhaço de circo, que enquanto souber como nocautear o outro, vai poder participar —explicou ele.—Entendo... quem tiver medo da luta que não suba no ringue... ou na jaula, neste caso —murmurou ela pensativa.—Exatamente, mas nesta etapa "vale tudo" significa que a jaula é um pouco mais extrema, tem que ser quando você está falando de um cara com uma massa muscular que passa dos cem quilos, como o Holandês...—Isso não serve pra nada! —reclamou Adriana—. É tamanho, não habilidade. É como dizer que um muro de concreto é melhor lutador que você porque você quebra a cabeça se bater de frente nele.—Eu sei, mas o fato do c
LUTAR POR VOCÊCapítulo 11. Derruba ele!As jaulas eram uma loucura, mas não maior do que ver dois lutadores se enfrentando fora dela, principalmente se um deles não era nada menos que O Holandês. Aquele homem tinha fama de impiedoso, raramente alguém saía consciente de um confronto com ele.No entanto, o homem que estava na sua frente não parecia nem um pouco abalado com isso.No tempo que levou para ele se levantar, a mão de Kyle se fechou sobre o pulso de Adriana, levando-a para trás de seu corpo e sua visão periférica foi suficiente para localizar seu pai que se aproximava e falar com ele.—Tira ela do meio —disse ele—. Você e eu nos acertamos depois, amorzinho —resmungou e Adriana não teve nenhuma dúvida de que aquela última ameaça era para ela.—Afastem-se senhoras e senhores! Saiam do caminho do REI porque hoje não importa a jaula, nem a contenção e o que vale ou não vale! Esta noite se... O HOLANDÊS ATACA SEM AVISO PRÉVIO! LEVA O REI CONTRA UMA DAS GRADES E VAI GOLPE... D
LUTAR POR VOCÊCapítulo 12. Uma família malucaKyle não sabia explicar: aquela mulher provocava algo nele que não tinha nada a ver com o desejo normal que se podia sentir por uma mulher. Já tinha tido outras mulheres, algumas mais grudentas que outras, mas nenhuma até aquele momento o tinha deixado tão exasperado nem o feito se sentir tão vulnerável em tão pouco tempo.Ficou olhando nos olhos de Adriana no meio da multidão e disse a si mesmo que ela era linda, que aqueles olhos eram suaves e gentis na primeira vez que os tinha visto, e em menos de vinte e quatro horas os tinha visto passar por todas as emoções.No entanto, não se aproximou dela depois que o árbitro soltou sua mão e todos o envolveram em felicitações e abraços.Era de reação emocional lenta e seca, isso era evidente, então Adriana só o viu ir em direção à mansão assim que conseguiu se livrar da multidão.—E você vem com a gente! —disse uma vozinha travessa ao seu lado e Adriana se virou para olhar Julie, que fazia
Nem conseguia explicar exatamente como se sentia, era como se ela tivesse levado um chute daquele lutador profissional bem no peito, e não o Holandês. Os olhos de Adriana se encheram de lágrimas num instante, e só por um momento olhou para aquele par de poços azuis, vendo como suas pupilas se dilatavam pelo reconhecimento do que acabara de dizer.O silêncio era esmagador, mas só a viram dar um passo para trás e desviar o olhar, assentindo.—Você tem razão —disse a moça, piscando rapidamente para espantar aquelas lágrimas delatoras.—Não, Adriana... espera... —Kyle tentou alcançar sua mão, mas ela esquivou.—Você tem razão, foi muito claro, desculpa ser tão insistente, já te disse que não é uma das minhas melhores qualidades —sentenciou a moça e se virou para a família—. Acho melhor eu ir embora, agradeço muito o convite, mas não quero incomodar.—Ei, não, espera aí que você não incomoda! —Julie a deteve—. Este aqui é um idiota declarado, não dá bola pra ele, fica com a gente!Adr