A diferença agora era que ele era meu namorado. A dúvida que havia passado pela minha mente antes voltou a me perturbar, e eu não consegui conter a curiosidade.— Por que você cuida tão bem das pessoas? É algo que você já tem experiência?Jean deu um leve sorriso enquanto terminava de desinfetar o ferimento e começava a passar a pomada:— Você está querendo perguntar se eu adquiri essa experiência cuidando de alguma ex-namorada?— Eu não perguntei isso...Ele já havia me contado que só teve um namoro breve antes, que terminou antes de se aprofundar. Então, provavelmente, ele nem chegou a cuidar da outra pessoa.Jean aplicou a pomada com cuidado, aproximou-se e soprou levemente sobre o ferimento antes de responder, com um tom casual:— Cuidar de alguém não precisa de experiência. Somos adultos. Se você tem vontade e se importa, tudo acontece naturalmente. Não é uma questão de habilidade, é uma questão de intenção.Fiquei olhando para ele, completamente emocionada com a simplicidade e a
Tudo aconteceu de forma um pouco repentina, mas, ao mesmo tempo, parecia natural. Eu sabia que uma mulher deveria ser mais reservada, que não deveria tomar a iniciativa de forma tão direta.Mas também tinha medo do que poderia acontecer quando voltássemos ao nosso país. Talvez algo nos separasse, e nós não tivéssemos mais um futuro juntos. Então, aproveitei o calor do momento, a emoção e a coragem impulsiva, para fazer algo louco, algo egoísta.No entanto, no momento crucial, Jean conseguiu, com muito esforço, fazer uma pausa. Seu rosto, com traços perfeitos, estava corado devido à contenção extrema. Seus olhos, profundos e escuros, estavam cheios de um brilho intenso, como ondas revoltas. Ele franziu as sobrancelhas, engoliu em seco, e sua voz rouca e baixa escapou com dificuldade:— Kiara... Seu braço está machucado...— Não tem problema. — Respondi rapidamente.Afinal, eu nem precisaria usar as mãos para isso.Tentei beijá-lo novamente, mas ele me interrompeu mais uma vez:— Kiara,
Depois do que aconteceu entre nós, ele me ajudando a tomar banho parecia algo ainda mais natural e descontraído. Para ele, pelo menos. Já eu, só de lembrar das cenas embaraçosas de antes, sentia que nunca mais conseguiria olhar para ele sem corar.Eu sabia que nossa primeira vez, breve e intensa, não seria suficiente para saciar o desejo que ele guardava há tanto tempo. Mas, considerando meus pulsos machucados, o cansaço do meu corpo e o trabalho que nos esperava no dia seguinte, ele conseguiu controlar a vontade de me tocar novamente.No entanto, antes que eu adormecesse, senti sua respiração quente encostar no meu ouvido. A voz dele, baixa e carregada de um tom provocante, fez metade do meu corpo estremecer em arrepio.— Pequena... Hoje vou te poupar. Mas, quando voltarmos pra casa, vou cobrar tudo com juros e correção.No dia seguinte.Quando me levantei, ainda estava tomada por uma vergonha difícil de esconder, mantendo minhas palavras ao mínimo possível.Jean, por outro lado, pare
Jean estava concentrado assistindo ao desfile quando, de repente, ouviu a pergunta de Bela. Por um momento, ele não conseguiu processar o que ela disse.— Bela! — Sibilei, quase rangendo os dentes de raiva, tentando lembrá-la de que tinha ultrapassado todos os limites.Mas, para minha surpresa, ela se inclinou em direção ao meu pescoço, estreitou os olhos e analisou atentamente.— Hmm… Parece que a noite passada foi intensa mesmo. Até a clavícula está marcada.Jean finalmente entendeu do que ela estava falando. Seu rosto ficou imediatamente vermelho, e ele sorriu de forma incrivelmente tímida, como se estivesse constrangido.Bela, por outro lado, gargalhava tanto que parecia que ia cair de tanto rir.Mais tarde, em outra ocasião, perguntei a ela como foi que percebeu o que tinha acontecido entre mim e Jean naquela noite. Ela deu um pequeno resmungo e respondeu:— Era óbvio. Você estava com uma expressão tão radiante e sedutora que até um cego perceberia. Além disso, quando vocês dois a
Jean continuava me segurando firmemente nos braços, enquanto suas mãos acariciavam minhas costas e ele me embalava suavemente para dormir. Minha mente estava enevoada, sem saber se era o sono de verdade ou o efeito do álcool que finalmente me fez calar a boca. Aos poucos, minha consciência foi se apagando.Quando meu cérebro voltou a funcionar, percebi uma luz oscilando diante dos meus olhos. Pisquei lentamente e, ao abrir os olhos, notei que ainda estava aninhada nos braços de Jean, sendo carregada no colo. Minha cabeça estava apoiada em seu ombro.Daquele ângulo, pude ver o perfil dele, e era impossível não admirar sua beleza. Sua mandíbula esculpida, o pomo de adão marcante e até mesmo as orelhas, todas as partes dele pareciam perfeitas.Soltei uma risada abafada, sem conseguir segurar.Ele baixou os olhos para mim, curioso.— Acordou? Por que está rindo?— Estou rindo porque parece que estou sonhando… — Murmurei, esfregando meu rosto contra o ombro dele, como se estivesse em um son
— Kiara, quando você voltar, com certeza haverá algumas repercussões negativas. Prepare-se psicologicamente. — Tia Julia disse, preocupada, pelo telefone.— Sim, eu sei. Amanhã à noite eu estarei de volta ao Brasil. Depois de amanhã, vou visitar você e a vovó.— Não precisa ter pressa. Sua avó sabe que você está ocupada com o trabalho. Descanse quando voltar.— Tudo bem. Tchau, tia Julia.Desliguei o telefone e olhei para Jean, soltando um leve suspiro:— A família Castro com certeza já sabe que foi você quem enviou os documentos para denunciá-los. Eles também devem ter percebido que você fez isso por minha causa.Jean segurou minha mão com confiança, brincando distraidamente com meus dedos.Franzi o cenho e tirei minha mão da dele, dando-lhe um leve tapa:— Você está me ouvindo?Ele sorriu:— Estou, sim.Depois de um momento, ele me tranquilizou:— Não se preocupe. Está tudo sob controle. Além disso, quem está errado são eles. Se o governo está investigando a família Castro, não é por
Uma casa tão grande só fazia eu me sentir ainda mais sozinha e pequena. Uma sensação de vazio e até um toque de medo me tomou por alguns momentos. Felizmente, não demorou muito para que Higger fosse trazido até a mansão. Junto com ele, veio também um jantar delicioso.— Srta. Kiara, o Sr. Jean pediu para avisar que você não precisa esperá-lo. Este jantar foi preparado especialmente para você.— Obrigada.Voltei para a sala de jantar, e ali estávamos eu e meu fiel companheiro de quatro patas, compartilhando a refeição.Com tantos assuntos para resolver na empresa, não havia tempo a perder. Precisava revisar o que havia acontecido na semana de moda, lidar com os problemas pendentes que ficaram antes do feriado e organizar as próximas atividades. Assim que terminei de comer, fui direto ao computador e comecei a trabalhar.A longa viagem havia sido bem tranquila, principalmente porque Jean estava ao meu lado e porque voamos em primeira classe, o que tornou tudo confortável. Além disso, eu
— Claro que não! — Respondi, abruptamente voltando à realidade.A ideia de aproveitar o prazer de fazer amor com Jean não significava que eu estivesse pronta para aceitar uma gravidez agora. Ainda tínhamos tantos conflitos e incertezas não resolvidos. Nosso futuro juntos era uma incógnita, e trazer um filho ao mundo no meio desse caos só pioraria a situação.Com a cabeça fria, empurrei Jean de cima de mim e puxei o cobertor, enrolando-me completamente nele.— Já está tarde. Vamos dormir. Amanhã temos muitas coisas para resolver.Jean ficou parado por um instante, me encarando, antes de soltar um sorriso enigmático que eu não soube decifrar.— Você realmente é… — Ele não terminou a frase, mas eu sabia o que ele queria dizer.Fui eu quem começou tudo de forma tão impetuosa e apaixonada, e agora era eu quem estava colocando um freio. Ele já estava completamente envolvido, e eu, sinceramente, senti um pouco de pena por deixá-lo nesse estado. Afinal, recusar nesse momento era quase cruel.—